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LULA, O FARDO PESADO DO GOVERNO!

“Engolir as más palavras que não se dizem, nunca fez mal a ninguém.”
Winston Churchil

Pairavam dúvidas do que seria o terceiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva, haja vista a terra arrasada que herdaria. O Lula que durante a campanha eleitoral foi uma figura low profile, disposta a lançar cargas ao mar e que desprovido de mágoas, pacificaria um país dividido, mas Lula não cumpre com sua promessa e o que se vê é uma sucessão de palavras mal postas, a recusa em deixar o palanque, negociações espúrias, mantendo cargos como moeda de troca, e a manutenção do orçamento secreto, o que dificulta prever a continuidade de seu mandato, enquanto se percebe uma conduta mais alinhada por alguns de seus pares, inclusive nas manifestações de seu vice, Geraldo Alckmin – PSB/SP, que destoa das falas dos quadros mais radicais do PT, não por acaso, do Governo Federal.

Lula – Foto: Gazeta do Povo


O PCC ganha cada dia mais, contornos de máfia, o Senador Sergio Moro se deparou como alvo principal da organização, que teria desprendido mais de 3 milhões de reais para a consumação de seu assassinato e de sua família, além do promotor Lincoln Gakiya, lotado em Presidente Prudente/SP. Ao desmantelar a bolha que faria o serviço, o Governo Federal, se arvorou em capitalizar a operação Sequaz, pois estaria interrompendo uma ação contra o principal algoz do mandatário da nação. No dia seguinte, Lula apontou como armação de Sergio Moro, desmentindo a narrativa criada para a polarização já incrustrada em nosso cenário. Lembremos que no mesmo período, o Sindicato do Crime – dissidência do PCC no nordeste, barbariza no Rio Grande do Norte.
O PCC (Primeiro Comando da Capital) surgiu em 1993 no estado de São Paulo, com o propósito de reivindicar melhor tratamento no sistema prisional e veio na esteira do massacre do Carandiru, onde morreram 111 detentos em 1992; nos dias atuais, o PCC está presente em todo o território nacional, além de Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Uma organização criminosa que ganha status de máfia, uma grande corporação atroz que possui um estatuto de vezo paternalista, exigindo de seus membros, apoio financeiro aos associados que estiverem presos, sob ameaça de pena de morte, declarada pelo tribunal peculiar do grupo. Erradicar o PCC, parece uma missão impossível, mas é importante estudar essa viabilidade onde o combate à violência vem dando certo, ao menos até aqui.
Trago o exemplo de El Salvador, onde duas gangues dominaram o país por muitos anos, a Mara Barrio 18 e Mara Salvatrucha 13. As pandillas como são chamadas as gangues, nasceram longe do território salvadorenho. Durante a guerra civil que assolou o país, entre meados da década de 1980 e meados da década de 1990, fez se uma diáspora salvadorenha nos Estados Unidos, com uma forte presença em Los Angeles. Os jovens que lá chegaram, se uniram à casta mais pobre situada na periferia e formaram duas gangues, uma de origem genuinamente salvadorenha, a Salvatrucha 13, que rivalizava com a Barrio 18 de origem mexicana, mas com acesso facilitado aos jovens salvadorenhos. Nos anos 1990, mais de 4 mil salvadorenhos foram deportados, a maioria, membros das duas gangues que em território salvadorenho transformaram El Salvador no país mais violento do mundo. Em 2019, ascendeu ao poder, Nayib Bukele, um jovem de 37 anos, de origem palestina, que com mãos de ferro, cumpre a promessa de erradicar as pandillas. Bukele decretou um regime de exceção, e vem sistematicamente prorrogando o. Neste decreto, fica autorizada a prisão sumária de qualquer cidadão que seja suspeito de pertencer a qualquer uma das gangues; alguns direitos foram retirados, como o direito de se defender, o de apresentar o contraditório, de receber visitas, e entre outros, e não raro, ainda que venha de uma cada vez mais escassa oposição, Bukele é acusado de maus tratos no sistema penitenciário, pois estaria causando a morte de suspeitos, cujos corpos são entregues de surpresa aos familiares. Bukele não nega as acusações, sob o pretexto de devolver a paz ao país, e vislumbra a reeleição, por ora inconstitucional. O maior Centro Penitenciário das Américas, o CECOT (Centro de Confinamiento de Terroristas) foi inaugurado para 40 mil detentos, com a presença do presidente.

Nayib Bukele – Foto: Poder 360

Detentos no Cecot em processo de triagem – Foto: Cerolatitud


Voltando ao Brasil, é importante dar destaque para o portfólio do Senador Moro, que foi um juiz respeitado, até que condenasse o líder petista; foi Ministro da Justiça e Segurança Pública, até que em defesa da independência da Polícia Federal, se indispôs com Ex-Presidente Bolsonaro. Cantado em prosa e verso, como o representante da terceira via, Moro figurou nas pesquisas como o terceiro mais cotado a vencer a eleição presidencial que se avizinhava, antes mesmo da largada oficial da campanha, mas por motivo de força maior, advinda da engrenagem que move o legislativo brasileiro, fora preterido da disputa, interrompendo o sonho de 30% do eleitorado. Sergio Moro, que sempre ouviu de Lula uma saraivada de ameaças de vingança, sendo atacado por movimentos de esquerda, num gesto de sobrevivência, apoiou ao ex-presidente Bolsonaro no segundo turno, o que o teria desclassificado tecnicamente como terceira via, tão bem aproveitada por Soraya Tronicle e Simone Tebet – esta, até aceitar o convite para chefiar uma pasta do atual governo.

A Moro, restou lhe uma honrosa cadeira no Senado Federal pelo Paraná, e estando na condição de alvo dos principais investigados e/ou réus da Operação Lava Jato, não teria vida fácil, pois a exemplo do comandante Bukele, agiu com mãos de ferro, mas também no combate à corrupção. No Brasil, os nossos governantes não têm mãos de ferro, mas têm mãos leves e as línguas presas em bocas abertas e tudo de ruim que proferem, dão excelente palco ao seus antagonistas, e Sergio Moro, poderá além de incrementar seu projeto de lei anticrime, recrudescer seus tópicos, com a voz de quem é constantemente ameaçado, e tendo sido protegido por uma instituição bem dirigida, enquanto braço de um ministério por ele comandado. A alma penada que assombra o povo brasileiro não é Sergio Moro, mas um sofista do século XXI, dada a sua habilidade com as palavras, mesmo que sejam estrategicamente no intuito de destruir o que se tem pela frente, este é o Sr. Lula da Silva, que recebe como resposta à sua costumeira verborragia, a indagação do Senador Sergio Moro: – O Sr. não tem decência, Sr. Presidente?

Moro – Foto: Poder 360

Depois de três meses de governo, a maioria do povo, que não votou em Lula, resgata a frase pitoresca da Juiza Gabriela Hardt, que julgou galhardamente o então ex-presidente Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, no processo do sítio de Atibaia: – Se começar nesse tom comigo, vamos ter problemas!
O problema é a carga em excesso no barco do governo Lula, ou lance a ao mar, ou o naufrágio será inevitável.

O DINHEIRO DE BRINQUEDO

“A esperança constante chama se confiança… O desespero constante chama se desconfiança.”

Thomas Hobbes

Moedas comuns não são novidades, na Europa, desde 1999, circula o euro; há também casos em que países de moedas desvalorizadas equiparam suas unidades monetárias com outra mais forte, relegando a uma formalidade decorativa, como no Panamá, que alinhou o balboa, sua moeda original ao dólar em 1903, e não mais a imprime, as poucas cédulas ou moedas restantes são para colecionadores e numismatas.

No Mercado Comum Europeu, 20 das 27 nações signatárias adotaram ao euro, mas sem afetar a responsabilidade tributária de cada país. Quando se compra em países da zona do euro, a nota ou o cupom fiscal descrimina a moeda original, cotizado ali os impostos de consumo, como exemplo, se comprarmos na França, na nota ou no cupom fiscal, estará grafado em euro, convertido para o franco, com a devida tributação descontada. O sucesso do euro se deu pelo facilitador em negócios e no trânsito de turistas, dada à coesão do bloco, sem que isso interfira na soberania financeira de cada país. Na Comunidade Central Africana, opera o CAF (Communauté Financière d’Afrique), unidade monetária comum para efeito de comercialização macro regional, compreendendo oito países e sediada em Dacar, Senegal.

Quem jogou Banco Imobiliário, brinquedo de caráter pedagógico de sucesso entre os adolescentes na década de 1980, jamais ousou usar as cédulas em miniatura para comprar no mercado, aquele dinheiro é de brinquedo, e findado o jogo, é acondicionado em uma caixa até a próxima rodada. O jogo consiste em não falir e adquirir fortuna; ganha o mais “rico”, mas é apenas um jogo. A moeda única aventada por Lula e Alberto Fernandez, assemelha ao jogo porque será usada em um mercado exclusivo, a começar por Brasil e Argentina, e gradativamente, alcançando o Mercosul. A moeda não será palpável, não a colocaremos em nossas carteiras ou em contas no banco, não pagaremos ou receberemos nada com ela.

O tema moeda unificada é uma cortina de fumaça, e tem o propósito de encobrir o intento de Lula e Fernandez, o financiamento de um gasoduto na Argentina com recursos do BNDES, o que divide o povo brasileiro, que avista o retorno de uma política desgastada de mercado externo que já nos causou rombos homéricos.

Para além dos fatores políticos, há a escancarada corrupção, marcante durante o período em que a Operação Lava Jato atuou bravamente em vários países da América do Sul, encontrando casos de desvios de dinheiro para pagamentos de propinas em obras de grande valor.

A atual conjuntura nos apresenta o presidente argentino, Fernandez que vem fracassando na condução da economia do seu país; o presidente brasileiro, Lula, arvorado em seu projeto de vingança, insistindo em não deixar o palanque e os respectivos ministros da Fazenda, Sergio Massa e Fernando Haddad que não gozam do prestígio do mercado por não pertencerem ao universo financeiro, entretanto, Alberto Fernandez cumpriu o protocolo ignorado pelo colega brasileiro, Lula, que em uma frente ampla de sucesso, preteriu outros nomes de maior relevância para o mercado, não só regional, mas de alcance mundial, como Armínio Fraga ou Henrique Meirelles.

O governante brasileiro tem habilidade para lidar com a mídia, sabe como poucos manipulá la e se utiliza da agenda setting para promover assuntos secundários, abrindo lhe caminho para avançar com suas propostas antipáticas. Agenda Setting é uma hipótese, de que a mídia ocupa a maior parte do seu espaço com um determinado assunto que inevitavelmente irá interessar aos consumidores de informação, dando a ela o fim que se espera. Em tempos de internet, informação gratuita e a necessidade de leitura fácil, no máximo se cria desinformações e uma chuva de memes, pelo menos, pode se dizer que na hipótese de agendamento de mídia, a estratégia é certeira, e conseguiu o que se almejava. A moeda unificada domina o imaginário de leigos e os debates entre os especialistas.

A pretensa moeda comunitária, se não é uma estupidez ideológica que nos levará do nada a lugar algum, é um instrumento de via rápida viável, mas sob a compreendida desconfiança, dado o histórico de seus idealizadores, ao atual momento e a credibilidade dos atores envolvidos. A ideia da moeda unificada para fluxo exclusivo de negociações no bloco é uma ótima sacada, o problema é quem irá executá-la.

O PREÇO DA IGNORÂNCIA

“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.”

Bertold Brecht

Durante uma campanha para o cargo executivo é compreensível que se fale mal do incumbente, uma vez eleito, o que se espera é a pacificação, e não há sinal de que venha a ocorrer em curto prazo. O Brasil padece do alto preço da ignorância.

Bolsonaro, antes onipresente entre seus adeptos, hoje se encontra recluso. O homem de conselhos e autopromoção perante aos seus, muito lembra o Burro Falante de Reinações de Narizinho, do Sítio do Pica Pau Amarelo, que surge como um conselheiro advindo do País das Fábulas, mas no final se mostra mais do mesmo, apenas um burro que por muito tempo fora montado por Cel. Teodorico. Bolsonaro não tem a simpatia do Burro Falante, e exerce sem pudor, narcisismo, arrogância, ego inflado, falta de empatia, inexplicável irreverência, não respeita limites, se isola e não assume responsabilidade, características de complexo de Deus, para má sorte do povo brasileiro que o viu diante de uma disputa contra o ex-presidente Lula, que ostenta traços do complexo de Messias, aquele que acredita que veio para salvar o mundo.

Lula maldisse o teto de gastos, aborrecendo o mercado financeiro, que amargou prejuízo de mais de 100 bilhões de reais em um dia, com a queda nas operações da bolsa de valores e alta no dólar, sintomas de desconfiança que ele deveria conhecer, dada a experiência em mandatos anteriores. A participação de quadros não ortodoxos na equipe de transição também incomoda, somado aos indícios de que o núcleo financeiro de seu governo possa ser ocupado por apaniguados em detrimento de nomes esperados como alguém oriundo da formação do Plano Real ou mesmo de Henrique Meireles de renome internacional.

Enquanto um povaréu radical se arrisca em manifestações infrutíferas, invocando erroneamente o artigo 142 da Constituição Federal de 1988, ignorando a real interpretação do texto que clarifica aos brasileiros sobre quais as atribuições das forças armadas, o enunciado pela horda radical é facilmente desmentido na ementa:

  • Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

O artigo nada tem que ver com intervenção ou usurpação de poderes constituídos, mas com o restabelecimento da ordem, tão cara a regimes de direita como se posiciona o governo Bolsonaro. Em resumo, o artigo 142 seria aplicado contra quem tenta promover um colapso social.

Há várias menções de brasileiros governistas promovendo manifestações, até mesmo com motivos nazistas, reforçando a ignorância a serviço da banalização de atos nefastos.

Na pequena cidade de Casca/RS, de 9010 habitantes e 7614 eleitores, Bolsonaro recebeu na última eleição, 72,28% dos votos no segundo turno, os eleitores que contestam as urnas, identificam os eleitores contrários e sugerem marcar com uma estrela do PT as portas dos seus estabelecimentos comerciais, com o intuito de boicotar o comércio, nos remetendo ao uso da estrela amarela colada nas portas dos comerciantes judeus durante a segunda guerra mundial.

Em Niterói/RJ, bolsonaristas fazem orações efusivas no muro do quartel militar do Exército, tendo a bandeira do Brasil como adereço, uma cena que nos faz lembrar o muro das lamentações em Jerusalém, onde judeus fazem suas orações.

Estamos na era da informação, de notícias lépidas e muitas vezes gratuitas, mas deixamos brechas para que as desinformações sejam artifícios para a polarização. As mentiras utilizadas nos trouxeram ao tortuoso caminho da polarização que poderá nos levar a uma guerra entre compatriotas. Pode se até não gostar do tema política, mas para acompanhar as mudanças é necessário o mínimo possível de entendimento.

O que se percebe é que há em curso, um novo episódio do Burro Falante, protagonizado por um velho conhecido, que atuará em seu terceiro ato, denotando que a ignorância pode ser transmitida por quem comanda, tanto nos muros dos quarteis ou nos sindicatos, afetando desde os caminhoneiros até os mais imponentes players da Faria Lima.

Na política, quem muito se explica, está perdendo o jogo e nesse quesito, Lula tende a começar muito mal o seu terceiro mandato.

DOIS CAMINHOS E UM DESTINO

Foto: Erecksite

O apoio de Sergio Moro ao atual presidente, é a busca por lastro entre seus novos pares. Moro não é mais juiz, muito menos ministro de Estado, mas um Senador eleito que irá legislar em ambiente cercado de desafeiçoados. Bolsonaro pode perder a eleição, mas o bolsonarismo há de vaguear ainda por no mínimo, quatro anos na Praça dos Três Poderes.

Depois de ver os criadores do Plano Real, operadores da Lava Jato e a intelligentsia apoiando Lula, percebi que não é um apoio convicto, mas a busca por uma saída de emergência, uma segurança diante de um iminente naufrágio em eventual reeleição de Jair Bolsonaro.

O ano era 1884; quatro tripulantes em um iate rumavam da Inglaterra para a Austrália, o Comandante Thomas Dudley, o seu imediato Edward Stephens, o marinheiro Ned Brooks e o camareiro Richard Parker, de apenas 17 anos, órfão e sem com quem se o ocupar. Ocupavam o iate Mignonette, comprado por um abastado empresário australiano que pediu que o entregasse em seu país. Durante um naufrágio na costa leste da África, os quatro pularam em um bote rudimentar, deixando para trás, o alimento necessário para até o fim da viagem. Com fome e sede, a tripulação resolveu sacrificar um dos seus para lhes servir de alimento.  O escolhido para saciar o apetite dos colegas? Richard Parker! Era o mais novo dos tripulantes que por ser o único não arrimo de família e por ter ingerido água contaminada, não gozava de boa saúde. Depois de alimentados, foram salvos pela embarcação alemã “Motezuma” e levaram com reverência os restos mortais do indivíduo que com eles iniciou a fatídica viagem. Os tripulantes soaram a história de canibalismo até chegar às autoridades policiais.

A história nefasta é verídica e maiores detalhes são facilmente encontrados nas plataformas de busca, como a “Tripulação Mignonette” e reflete a necessidade, ao menos aqui de ser prudente ao adentrar a embarcação do capitão que faz de tudo para se segurar no comando. Em tempo, o comandante do Migononette, Thomas Dudley fora absolvido da prática de canibalismo, porque ele só assistiu.

Desde a ascensão de Bolsonaro em 2018 muitos “Parker´s” já foram consumidos pela tripulação bolsonarista, desde Bebiano, passando por Daniel Silveira – que fora induzido a disputar o Senado, mas sem qualquer condição – apesar de indultado, Incitatus não ganhou! Por último, Roberto Jefferson, o banquete da vez.

O que temos para o segundo turno são dois caminhos para escolher um, caminho este que nos levará ao mesmo destino, e as nossas escolhas, se conscientes, definirão se a viagem será mais ou menos confortável.  Em caso de iminente naufrágio, quem será o marujo escolhido para alimentar a tripulação bolsonarista?

Provocar o bem estar a um número maior de pessoas, é a síntese do utilitarismo, ou seja, o voto no “menos pior” é uma aparente apreciação de que algo irá corrigir os rumos para a maioria da população, mas a única certeza, é que a disputa está dividida, e as propostas não são postas à mesa.

Caso se confirme a vitória de Lula, Sergio Moro fará forte oposição, tendo ao seu lado, figuras com a mesma linha ideológica.  A escolha de Moro não foi unanimidade entre seus adeptos, foi ridicularizada por boa parte do bolsonarismo e assustou ao PT, sobretudo a Lula – a prova de que Moro avançou em mais uma casa no jogo eleitoral, mas Moro erra ao afirmar que ele e Bolsonaro têm inimigos em comum, Bolsonaro e Lula não são inimigos, Lula estava em situação adversa, condenado e preso em regime fechado, até que os nomeados do presidente facilitaram sua candidatura. Vocês se lembram de quem foi o voto de minerva que liberou Lula pra se candidatar? Lula era teoricamente o único candidato que Bolsonaro venceria, mas isso há mais de dois anos. É, portanto, uma rivalidade sintética e momentânea, e creio que até mesmo Moro sabe que na primeira oportunidade será traído por Bolsonaro.

Esperar 2026 para reparar um estrago que aumenta a cada ano é o caminho dos descontentes, mas não há o que se fazer. Se em 2022 a terceira via foi natimorta, para 2026, é preciso fazer um esforço hercúleo para encontrar a melhor solução neste campo. Se em 2022, Moro liderou a convocatória, para 2026, ele provavelmente não mais será esta via, mas uma opção – e para que isso se confirme, é necessário produzir o que ele bem sabe, com a perspicácia costumeira de quem combate a corrupção, manter distância segura da seita bolsonarista e o mais importante, a partir de 2023, admitir que, independente de quem logre a vitória, os seus inimigos estarão no poder, e é no campo do adversário, que se vence as batalhas!

QUANDO NÃO ESCOLHER É UMA ESCOLHA

A falta de alternativas clarifica maravilhosamente a mente.

Henry Kissinger

Foto: Senado Federal

Na Grécia antiga, com a democracia ainda incipiente, na Ágora – praças públicas onde os atenienses discutiam sobre a cidade, figuravam sofistas. Enquanto a preocupação dos expoentes da democracia era combater a apatia, uma das justificativas para o grande número de apáticos – aqueles que não se importavam com a coisa pública, era a inocência dos que se valiam apenas de suas oratórias, a discursar sobre o que não dominavam. Assim acontece no Brasil do século XXI, com o agravante de que os artistas da ventriloquia – de Tiririca a Nikolas estão se elegendo. Nossos sofistas ganham votos! Portanto, na atual conjuntura, não escolher, é uma escolha, mormente, enquanto a escolha é entre duas figuras cansativas da política brasileira. Não se pode garantir que os elevados índices de abstenção são de apáticos, mas pode se apostar que são eleitores conscientes de que não há escolha.

Deu a lógica no país da incoerência. Para o segundo turno da eleição presidencial sobraram Lula e Bolsonaro. Ambos com discursos viciados sobre o que fizeram e sem propostas para os quatro anos vindouros. O que assistimos no Brasil, no interregno do primeiro para o segundo turno é a figura de um monstro de duas cabeças, sendo alimentado por dois tipos de ignaros adoradores dos mesmos valores.

As falácias, as guerras, as desinformações e fake news, remetem um ao outro, que na tentativa de se distanciarem, aproximam seus militantes como a base de uma ferradura. A teoria da ferradura, de autoria do escritor francês Jean-Pierre Faye, consiste em nivelar por baixo os militantes da extrema esquerda e extrema direita. Também conhecida como “Les extrêmes se touchent” (os extremos se tocam) é recorrentemente percebida entre o eleitorado mediano, que pasma diante da indignação seletiva. Os opostos que se tocam, defendem seus respectivos espectros e atacam o público contraditório em uma discussão bizantina, quando não se chega a um consenso sobre o umbigo de Adão.

Há entre os extremos, aqueles que não cultuam a quimera e percebem uma exacerbação do uso político no ambiente religioso, deixando latente, a imagem de que eles não acreditam no deus que professam. De um lado a extrema direita que quebra a harmonia familiar, subvertendo um ao outro, e de vez em vez clama por uma interferência militar com o seu ídolo no poder. Ora! Mas não é sobre Deus, Pátria e Família? Está evidente, que o tridente que forma o lema do corrupto em exercício se desfaz a passos largos. Na esquerda do corrupto de antanho, as lideranças caem na esparrela de seu possível, porém nada crível antagonista, emitindo carta para o setor evangélico e praticando fake news.

Em face de tantas anomalias na nova composição congressual, surgem dois nomes egressos da Operação Lava Jato, Sergio Moro e Deltan Dalagnol, ex-juiz e ex-promotor, respectivamente. Ato contínuo às vossas eleições, com números que justificaram a independência adotada, o apoio ou mesmo que a declaração de voto ao atual presidente eriçou uma turba que sempre deu anteparo à operação. Moro e Dalagnol optaram pela não neutralidade, que é combatida desde os primórdios, seja por Dante Alighieri ou pelo Messias – o verdadeiro, Jesus Cristo. Há uma razão clara para o apoio da dupla da lei. Eles ouvem desde 2014, início da Operação Lava Jato, ameaças escancaradas de vingança por parte daqueles que foram alcançados, não por acaso, advindas de membros do PT e seus satélites.

Sergio Moro, Deltan Dalagnol e Rosângela Moro, esposa do ex-juiz, são uma lufada de sensatez, dignidade, honra, moral e ética no centro do poder e não há hipótese que se alinharão aos maus feitos, seja qual for o vencedor.

Noves fora o apoio aqui esmiuçado da nova bancada, entre os atores políticos e aqueles que vivem da política, é quase uma heresia sugerir o voto nulo, em branco, abstenção ou qualquer coisa que o valha. Há até mesmo um comercial de uma conceituada rede de fast food que em seu enredo, a escolha dos opcionais é exercida pelos atendentes, uma analogia que em tese mostra ao eleitor que se a escolha for feita por outrem, o resultado pode ser algo que não se gosta. Mas, já parou para pensar que muitos não gostam dos produtos oferecidos por aquela rede? Então, muitos nem entram para saciar a sua fome, pode se encontrar algo mais palatável na próxima esquina. A analogia é simplória e afeta em cheio ao cidadão comum, mas a quem sabe pensar, votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas pode ser uma opção.

Estamos em meio a uma guerra entre esquerda e direita, mas nem mesmo os bravos figurantes sabem pelo que lutam. A esquerda tem a honrosa missão do movimento, mas não se movimenta, enquanto a direita que domina momentaneamente o país não exerce a missão da ordem, impondo uma desordem sem precedentes até nos átrios das igrejas. O momento sugere olhar para frente, nem à direita, tampouco à esquerda!

VOTO DISTRITAL URGENTE!

“Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher”.

Atribuído a Woody Allen

O resultado surpreendente da votação para presidente em 2022, só não surpreendeu mais do que os resultados para o legislativo, em que nomes importantes da política nacional ficaram de fora, pari passu, nomes inexpressivos ou que não nada agregam, figurarão a partir da próxima legislatura.

No último dia 02 de outubro em Franca/SP, cidade de médio porte, com mais de 247 mil eleitores, somente 77 mil votaram em candidatos nativos, na mesma localidade, 52,8 mil eleitores não compareceram às urnas, e mais de 100 mil eleitores confiaram seus votos a candidatos “garimpeiros”, que doravante vossas expressivas votações, jactam se em plagas distantes, relegando a região às migalhas. Outro elemento complicador nas eleições no que tange às regiões é a profusão de candidatos sem lastro, dividindo a atenção do eleitorado. Urge um entendimento com a sociedade para que se trabalhe um número mínimo de nomes comprometidos com a política para em fim, emplacar um nome no Congresso Nacional.

A sólida votação em candidatos de direita para o parlamento, e uma leve superioridade em um candidato ao executivo do campo da esquerda intrigam o eleitor; vale realçar que não é um fenômeno, mas por mais que denote falta de consciência política, o eleitor estava em busca da independência de seus representantes. Quanto à escolha presidencial, é imperioso e repetitivo afirmar que a maioria dos votantes não é convicta, mas votou de acordo com a rejeição, o que pode dar azo a uma abstenção maior no segundo turno.

A volubilidade da atual formação congressual não será alternada, mas robustecida por membros de uma extrema direita raivosa, endossada por um executivo que se prende à pauta de costumes e que se empenha sem medir as consequências aos enfrentamentos, seja contra uma ferramenta para votação a chefes de outros poderes.

O Brasil está parado e sem perspectiva de movimento para frente, como sugeria o Deputado Ulysses Guimarães em 1991. Quando perguntado pelo jornalista Luís Costa Pinto, sobre o parlamento brasileiro e sua qualidade técnica, prontamente respondeu com uma pergunta e uma enigmática e provocativa observação:

– Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima: será pior. E pior, e pior… temos algumas poucas cabeças boas aqui. É necessário juntá-las, onde quer que estejam, e fazê-las trabalhar num rumo só para frente. Sempre…

Há muito que ser mudado no Parlamento Brasileiro, mas o incongruente é que as mudanças são sempre promovidas por seus membros, que a despeito de predominância da direita, tem tudo para se transformar em uma babel.

O voto distrital proporcionaria uma eleição mais justa. Ao invés de eleger um parlamentar forasteiro e extremista, sem ideias para pô-las em prática, o sistema dividiria candidatos em suas regiões, garantindo assim, a defesa dos interesses da comunidade, e o Brasil seria dividido pela originalidade, cada qual com suas adversidades e suas características.

A lição que fica é a de se promover urgente modificação no sistema eleitoral, como o uso parcimonioso do dinheiro público, o voto distrital, o voto facultativo, a proibição absoluta do uso da máquina administrativa (seria mais justo a renúncia do mandato para a disputa da reeleição), a aposentadoria compulsória do político que alcançar dois mandatos no executivo federal, e claro a aplicação da lei da ficha limpa, sem ressalvas.

Em busca da consciência política, o desafio agora é se decidir entre um governo inepto sem oposição ou em um governo com marcas profundas de corrupção, mas com forte oposição. As urnas já mandaram esse recado elegendo um parlamento dissonante com a eleição majoritária, um descolamento indigesto, que provoca a independência para a eleição no segundo turno e que lamentavelmente, reproduzirá o mantra de quatro anos antes. É uma escolha muito difícil!

QUANDO O VOTO ÚTIL É INÚTIL

“A ignorância, a cobiça e a má fé, também elegem seus representantes políticos”.

Carlos Drumond de Andrade

A campanha eleitoral começou! Há em disputa 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, 27 cadeiras no Senado Federal, e mesmo sem que saibamos os nomes, elegeremos também os 27 suplentes dos senadores; 27 governadores estaduais e vices, além das disputas para os cargos de deputados estaduais em contingentes proporcionais aos respectivos colégios e a disputa a Presidência da República e vice. Uma miscelânea que redunda um cenário em que se requer dos candidatos ao executivo, tanto federal como estadual, pragmatismo, sagacidade, e uma dose generosa de insolência para lidar com tanta sordidez e promiscuidade no intento de promover seus palanques.  

O sistema eleitoral brasileiro possui características pouco difundidas. Ao contrário de grandes civilizações democráticas em todos os cantos do mundo, as eleições para o parlamento não contemplam a data da eleição presidencial. Pode não parecer um problema que afete os interesses do eleitor, sobretudo dos candidatos em tempos de eleição, mas atraem negociações por vezes espúrias sem o conhecimento de quem os elegem.

A eleição legislativa em data diversa eliminaria as federações e as coligações, poria o chefe do executivo em campanha única  módica, o oposto do que se vê hoje, uma campanha dispendiosa, em que os principais candidatos prometem aos seus pares, cargos e emendas, e em caso de vitória, eles pagam; o que não ocorre na relação candidato/eleitor.

Para além do esvaziamento do balcão de negócios imposto pelo sistema eleitoral vigente, a separação das eleições, manteria o protagonismo da eleição presidencial, sem tirar do parlamento a importância que se deve ter entre os eleitores, inculcando favoravelmente a cláusula de barreira. Não seria por óbvio a solução de todos os problemas, mas são propostas menores diante da necessidade de uma ampla reforma política.

Quanto à eleição presidencial, os debates irão acontecer nos próximos dias e não há certeza da participação dos representantes dos dois polos que lideram nas pesquisas. O efeito prático das eventuais ausências pode ser o bom aproveitamento de quem lá estará para prestigiar o eleitor, apresentar seus currículos e suas proposituras para o almejado mandato no executivo federal. O mesmo pode acontecer no âmbito das unidades federativas, com seus respectivos candidatos ao governo.

Enquanto isso, os partidos anunciam seus candidatos ao legislativo, alguns sem lastro, com o intento de auxiliar os principais candidatos. Lula, o líder nas pesquisas, alicia sem pudor, candidatos, indubitavelmente sem condições de vitória, na tentativa de se resolver eleição já no primeiro turno. Bolsonaro, que tenta a reeleição, também despudoradamente, assumiu o lobby pela PEC kamikaze, que mira atrair a confiança de sua base, ora combalida, além de ampliar os ativos sociais à população refratária. Propostas, apenas vazias, com prazo de validade – até o final do atual mandato, mas de certo, a participação de ambos em um debate, não agregaria nada ao eleitor, resumindo à discussão do passado tenebroso, o presente ameaçador e o futuro incerto.

A chance mínima de uma candidatura independente ou de terceira via está nos debates. Que os candidatos apresentem boas ideias, para findar os muitos anos de mazelas apresentadas, não por um governo, mas por um regime que muda apenas a roupagem, o voto útil, fica muito claro que é inútil diante desse horizonte. O primeiro-passo para as mudanças profundas em todos os setores da política, qualquer que seja o espectro ou quaisquer que sejam os operadores dos poderes, é de exclusividade do eleitor, ou seja, votar com consciência, observando os atores políticos que melhor representam as nossas regiões, que tenham ficha limpa, que assuma o compromisso de pautar entre seus motes de campanha, o combate ostensivo à corrupção. O modelo atual do nosso sistema eleitoral sugere uma barafunda, com escusadas alianças políticas que sustentam os maus condutores do poder. Um sistema impenetrável para quem de boa fé se apresenta, vide Sergio Moro e Deltan Dalagnol, que não têm e não terão vida fácil na política, tendo o segundo já condenado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por despesas durante a Operação Lava Jato, que não são de responsabilidade dos procuradores. Portanto, votar em branco, nulo ou se abster não deve ser jamais uma razão para se ausentar das urnas, precisamos renovar o Parlamento Brasileiro, para garantir sua independência.

A PRIMAVERA BRASILEIRA!

Fotos: TV Cultura/El País

“Estamos no limiar de uma das mais sórdidas e violentas campanhas políticas da história do Brasil, momento em que definiremos o que vale mais, o nosso voto ou nossa integridade física.”

A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.

Jean-Paul Sartre

Não atribuir os vários casos de violência à polarização, é no mínimo desonestidade intelectual, os atos vêm acontecendo, ato contínuo às falas dos líderes dos dois polos da disputa.

Desde que avistou a presidência, em meados da década passada, Bolsonaro entoa o mantra de que evitará que o Brasil se torne uma Venezuela. A Venezuela ainda vive situação complicada no que tange à economia, à segurança pública, e ao totalitarismo empreendido por Hugo Chávez e seguido por Nicolas Maduro. Em 2017, já sob o comando de Maduro, as manifestações eram contidas pela Guarda Nacional com bombas de efeito moral, os manifestantes fazendo frente aos arroubos da ditadura, criaram o “cocotov”, uma bomba de fezes, involucrada em material plástico, com a intenção de humilhar os seus oponentes. Acendeu se o alerta, no entanto que o artefato é uma arma biológica, podendo afetar, inclusive àqueles que transitavam as proximidades dos locais de conflito. A Venezuela continua sob uma ditadura, com prisões políticas aos borbotões, onde o totalitarismo se normalizou e há uma geração natural do extremismo.

No Brasil, um drone despejou líquido fétido sobre militantes petistas em Uberlândia; o juiz que decretou a prisão do ex ministro da Educação Milton Ribeiro, na operação “Acesso Pago” teve seu carro alvejado por fezes; no mesmo dia, uma bomba caseira –  tendo entre seus ingredientes, fezes, fora arremessada sobre militantes petistas na Cinelândia, no centro do Rio, onde Lula discursaria eivado de cólera; em outro discurso, em Diadema, Lula  agradeceu a um bárbaro que empurrou um militante de direita contra o para choque de um caminhão. Dois dias após, o tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu/PR foi assassinado a tiros, somente por usar motivos do PT em sua festa de aniversário, aliás, tem como primeiro efeito a manifestação de Anita, a mais popular artista brasileira da atualidade, que trouxe a lume sua preferência por Lula. Gostemos ou não, Anita possui mais de 60 milhões de seguidores em seus perfis nas redes sociais, e em seu vasto público é uma formadora de opinião.

As pesquisas ainda que mostrem inconsistências momentâneas, indicam o retorno de Lula ao poder. A campanha oficial ainda não começou, e há fatos novos a acontecerem, provocados ou fortuitos, mas nem mesmo a delação do lobista Marcos Valério – citando envolvimento do PT com o PCC, e o envolvimento do PT com a morte de Celso Daniel, fora suficiente para diminuir soerguimento do petista. Daí, pode se concluir que a inoperância do atual governo contribui para a estabilização, não só de Lula, mas da malfadada dicotomia. No Brasil a polarização em curso é artificial, e uma eventual troca de comando entre os dois vértices que despontam não significa alternância de poder, mas uma renovação de ciclo no mesmo mecanismo.

No campo legislativo, novos nomes surgem para acampar a renovação política, o que pode significar a troca de importantes engrenagens que emperram qualquer tentativa de progresso, sobretudo no executivo federal. Diante do pessimismo acerca das eleições presidenciais, é prudente que nós eleitores tenhamos consciência ao escolher os deputados e os senadores que estejam alinhados com as pautas genuínas da terceira via, pois eles farão as leis e as reformas necessárias. O mal crônico que afeta o Brasil é a corrupção, e para construir um novo país, em meio a tantos casos de violência incitados pelas lideranças dos seus respectivos polos, em meio a ameaças de ruptura das instituições, há de se fazer valer o resquício de democracia que estertora no Brasil, votando em quadros sérios para as casas legislativas, pois somente eles poderão atender as necessidades do povo bem como da nação.

Estamos à beira de um colapso, e o que nos separa de uma guerra civil é apenas o discurso retórico que grassa entre os diferentes espectros, mas sempre com as narrativas favoráveis a cada auditório, não se fala em união para se combater a violência.

Em 2022, um terço do Senado Federal poderá ser renovado, e há a perspectiva de renovação de 40% na Câmara dos Deputados. Não há mais o que fazer entre o rebanho e os sebastianistas; que elejamos quem de fato pode fazer algo relevante para o povo brasileiro.

A ESCOLHA DE SOFIA!

fotos: google

A Escolha de Sofia é um livro de William Styron, lançado em 1979 e que virou filme em 1982, dirigido por Allan Pakula. Estrelado por Meryl Streep, a personagem Sofia é mantida com um casal de filhos em um campo de concentração na Polônia durante a II Guerra Mundial; em um dos tantos rompantes dos carrascos, se vê diante da difícil escolha entre qual de seus filhos seria mandado à câmara de gás. Sofia escolhe com fundamento bem definido, mas a obra não reserva somente este evento, e todo o enredo é carregado de escolhas difíceis que impactam sobremaneira a vida da personagem.

No Brasil, a solução para minimizar a polarização exacerbada vigente ainda é a terceira via que sucumbe diante dos vários interesses. Sergio Moro seria o vetor ideal para combater os polos, mas fora envolvido sordidamente por velhas raposas políticas, primeiro, Álvaro Dias e Renata Abreu, depois, Luciano Bivar ladeado por Ronaldo Caiado e ACM Neto. À priori, Moro seria o candidato à presidência pelo Podemos, mas atraído pelo canto da sereia, fora relegado à disputa por uma vaga no Senado Federal por São Paulo, pelo União Brasil.

A polarização nunca vai acabar, e é bom que ela permaneça, pois é inerente à democracia. É assim na França com direita e esquerda, no Reino Unido com trabalhistas e conservadores e nos Estados Unidos com Republicanos e Democratas, para ficar em três exemplos clássicos. O que se espera é que os embates sejam mais leves, sem ameaças, sem notícias falsas e sem a artificialidade latente que domina nosso cenário.

O Fato que incomoda o fiel auditório de Sergio Moro é desconhecer o real interesse de Bivar, que segundo os segredos de coxia da política, se reaproxima de Jair Bolsonaro, e caso isso ocorra, não me surpreenderá se Sergio Moro subir no palanque do atual presidente, ainda que de forma involuntária em eventual disputa no segundo turno, haja vista que Moro conquistou adeptos pelas suas qualidades como magistrado, mas na política anda engatinha, e enquanto espera apoio de quem cobiça seu capital, assiste passivamente a mais uma especulação, a de que Ciro Gomes poderá também desistir de sua campanha em um acordo com Lula, o que praticamente liquidaria a fatura em 2022 no primeiro turno em favor do petista egresso da cadeia. A corrida babélica entre a esquerda e a extrema direita, em que ambos os representantes possuem poder de barganha para se polarizarem, fez surgir o movimento pelo voto nulo, legitimado pelo eleitor da terceira via, diga se, eleitor de Moro.

Por ora alheio a todos os movimentos do eleitor, Bivar se comporta impávido, com a frieza de quem possui um cheque de quase um bilhão de reais no bolso para gastar em campanha fadada ao fracasso.

Bivar parece apostar na manutenção do atual governo; tendo o melhor antídoto para neutralizar os malfazejos candidatos de eleitores não convictos, finge ser a solução para o Brasil.

Para Jair Bolsonaro, apostando na onda antipetista em que surfou durante o último pleito, Lula seria o candidato mais fácil de ser derrotado na próxima eleição. Três ex-ministros (Moro, Weintraub e Ernesto Araújo) mencionaram uma comemoração efusiva pela soltura de Lula, que está livre, inclusive das condenações, abençoado pela Suprema Corte, e lidera com folga a corrida eleitoral com mais de 40% em todas as pesquisas de intenção de votos. Bolsonaro está aproximadamente com 30%.

O que se vislumbra em um horizonte próximo é a disputa entre um político aposentado e um protótipo de tiranete que planeja um golpe contra a apuração dos votos, parecendo já acreditar na derrota e teimando em não aceitá-la, impõe o exército brasileiro como observador eleitoral, afrontando mais uma vez a lei – a Resolução 23.678 de 17/12/2021, que não reconhece o exército ou qualquer força estatal como Missão de Observação Eleitoral.  Apesar de alta rejeição, a cada ameaça de golpe, recrudesce o apoio a Lula, por não haver opção viável.

Na democracia, ao escolher seu presidente, o primeiro tomador de decisão é o povo, e quando não há boas opções, o eleitor se vê diante de uma escolha de Sofia. É preciso avaliar os candidatos para estabelecer critérios menores diante de uma situação insuportável em que o chefe do executivo irá comandar a nação por quatro anos.

Nós, brasileiros vivemos um dilema que impactará as nossas vidas e de nossos descendentes e a citação desta excelente obra laureada à época nos principais festivais é uma dica de leitura ou filme; um convite à reflexão diante de uma eleição muito difícil!

O VOTO NULO E A ABSTENÇÃO

“O poder é a escola do crime”

William Shakespeare

foto: tse

O voto nulo é uma alternativa válida, exposta nas urnas, já a abstenção além de proporcionar um débito junto à Justiça Eleitoral, entre outras sanções, significa abrir mão de um dever cívico. Não se estimula a abstenção, pois não estamos à margem dos fatos, mas é uma nova ordem no ambiente político nacional, fruto das incongruências que dormitam no próprio sistema.

Há um valor invisível de eleitores que açodarão o voto útil para o primeiro turno, porém o recado que veio da eleição presidencial de 2018 – a soma de votos nulos e abstenções ultrapassando os 30%, é possível afirmar, com base nos números apontados pelas pesquisas de intenção de votos, que a seis meses do próximo pleito, sem a formação definitiva das chapas, há no mínimo 24% de eleitores não convictos por falta de uma terceira via consistente. Fator relevante que proporciona o surgimento de movimentos pelo voto nulo ou abstenção.

O voto nulo associado à abstenção em 2022 pode ser um recorde que não se deve comemorar, pois eles representam uma manifestação silenciosa de quem tem o dever cívico, mas não tem o direito de escolha, escolha esta que está entravada nas engrenagens enferrujadas de nosso sistema político partidário.

O binarismo eleitoral que vivemos há algum tempo, é uma cópia mal feita do sistema eleitoral norte americano, onde se divide entre Republicanos e Democratas, mas para por aí, nos Estados Unidos se permite a candidatura avulsa e o voto é facultativo, apesar de desembocar em uma disputa entre os dois partidos. No Brasil, o candidato deve estar filiado a um partido político e o voto é obrigatório, o que dá margem a tantas negociações descabidas e inimagináveis, como a formação da chapa Lula/Alckmin, só para ficar no primeiro exemplo, o que traz à tona o surgimento do eleitor que deposita seu voto naquele que com mais chance de derrotar o pior entre os dois, conforme sua concepção, em detrimento de uma escolha primigênia.

A corrida eleitoral sem Sergio Moro favoreceu a Jair Bolsonaro, que claudicava para alcançar Lula nas pesquisas. Os votos que seriam de Moro se dividiram e não agraciaram a campanha do ex-presidente Lula, mas mantém se a chama de esperança de uma vitória no primeiro turno. Já se comenta no meio político, sobretudo na esquerda, uma eventual desistência de Ciro Gomes, o que em tese favoreceria a Lula no intento de liquidar a fatura. Caso isso se reifique, não obstante os interesses partidários, imprescindível o renascimento da terceira via ou o natimorto centro democrático para fazer frente à maçante polarização.

Avaliando o horizonte das eleições de 2022, o que temos é uma ponta saudosa do crédito fácil e da falsa impressão de ascensão social, enquanto na verdade, se nivelava por baixo, as classes. Na era PT, muitos que não tinham acesso ao estudo universitário, passaram a tê-lo, mesmo sem ter gozado de ensino médio com lastro; ao término, muitos destes estão com seus diplomas engavetados, sem o emprego digno dos seus estudos, com uma dívida para pagar; mutuários do Minha Casa Minha Vida correndo o risco de perderem o que vem conquistando com seu suor, mas incutido como um beneplácito deliberado pelo líder de antanho.

Na outra ponta, há aqueles que se jactam de ter tirado do poder a esquerda, sendo este o maior atributo de um governo inerte, que disputa com o primeiro, quem mente mais; um governo que não preza pela transparência; é perdulário; que gasta aos borbotões com eventos de motocicleta, após ter negligenciado a pandemia do século, que no Brasil ceifou a vida de quase 670 mil brasileiros; além da escalada de inflação, e que sempre que tem a oportunidade, ameaça ruptura com as instituições democráticas, nos deixando incertezas, aliás, a única certeza que temos, é que haverá primeiro turno em 02 de outubro, sobre o segundo turno há mais de um motivo para acreditar que não.

Em comum, ambos têm filhos que se beneficiaram do mesmo sistema, além de um auditório fiel. O primeiro dependente do petismo, o segundo, devoto de um líder que é a única referência de direita.

O eleitor brasileiro não se mostra apático como em outros momentos, aliás, hoje muito melhor e mais informado, tem constituído uma pequena maioria disposta a não optar pelo que há disponível no tabuleiro.

Para além de uma boa escolha, necessitamos com urgência de uma boa reforma política, mas para isso são necessárias mudanças nos nomes que dominam as duas casas parlamentares, o que só acontecerá por meio dos nossos votos, portanto, é de suma importância, a presença do eleitor nas seções eleitorais, se não para escolher o presidente, sim, para mudar para melhor as vísceras do poder, elegendo novos deputados e senadores.