A PRIMAVERA BRASILEIRA!

Fotos: TV Cultura/El País

“Estamos no limiar de uma das mais sórdidas e violentas campanhas políticas da história do Brasil, momento em que definiremos o que vale mais, o nosso voto ou nossa integridade física.”

A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.

Jean-Paul Sartre

Não atribuir os vários casos de violência à polarização, é no mínimo desonestidade intelectual, os atos vêm acontecendo, ato contínuo às falas dos líderes dos dois polos da disputa.

Desde que avistou a presidência, em meados da década passada, Bolsonaro entoa o mantra de que evitará que o Brasil se torne uma Venezuela. A Venezuela ainda vive situação complicada no que tange à economia, à segurança pública, e ao totalitarismo empreendido por Hugo Chávez e seguido por Nicolas Maduro. Em 2017, já sob o comando de Maduro, as manifestações eram contidas pela Guarda Nacional com bombas de efeito moral, os manifestantes fazendo frente aos arroubos da ditadura, criaram o “cocotov”, uma bomba de fezes, involucrada em material plástico, com a intenção de humilhar os seus oponentes. Acendeu se o alerta, no entanto que o artefato é uma arma biológica, podendo afetar, inclusive àqueles que transitavam as proximidades dos locais de conflito. A Venezuela continua sob uma ditadura, com prisões políticas aos borbotões, onde o totalitarismo se normalizou e há uma geração natural do extremismo.

No Brasil, um drone despejou líquido fétido sobre militantes petistas em Uberlândia; o juiz que decretou a prisão do ex ministro da Educação Milton Ribeiro, na operação “Acesso Pago” teve seu carro alvejado por fezes; no mesmo dia, uma bomba caseira –  tendo entre seus ingredientes, fezes, fora arremessada sobre militantes petistas na Cinelândia, no centro do Rio, onde Lula discursaria eivado de cólera; em outro discurso, em Diadema, Lula  agradeceu a um bárbaro que empurrou um militante de direita contra o para choque de um caminhão. Dois dias após, o tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu/PR foi assassinado a tiros, somente por usar motivos do PT em sua festa de aniversário, aliás, tem como primeiro efeito a manifestação de Anita, a mais popular artista brasileira da atualidade, que trouxe a lume sua preferência por Lula. Gostemos ou não, Anita possui mais de 60 milhões de seguidores em seus perfis nas redes sociais, e em seu vasto público é uma formadora de opinião.

As pesquisas ainda que mostrem inconsistências momentâneas, indicam o retorno de Lula ao poder. A campanha oficial ainda não começou, e há fatos novos a acontecerem, provocados ou fortuitos, mas nem mesmo a delação do lobista Marcos Valério – citando envolvimento do PT com o PCC, e o envolvimento do PT com a morte de Celso Daniel, fora suficiente para diminuir soerguimento do petista. Daí, pode se concluir que a inoperância do atual governo contribui para a estabilização, não só de Lula, mas da malfadada dicotomia. No Brasil a polarização em curso é artificial, e uma eventual troca de comando entre os dois vértices que despontam não significa alternância de poder, mas uma renovação de ciclo no mesmo mecanismo.

No campo legislativo, novos nomes surgem para acampar a renovação política, o que pode significar a troca de importantes engrenagens que emperram qualquer tentativa de progresso, sobretudo no executivo federal. Diante do pessimismo acerca das eleições presidenciais, é prudente que nós eleitores tenhamos consciência ao escolher os deputados e os senadores que estejam alinhados com as pautas genuínas da terceira via, pois eles farão as leis e as reformas necessárias. O mal crônico que afeta o Brasil é a corrupção, e para construir um novo país, em meio a tantos casos de violência incitados pelas lideranças dos seus respectivos polos, em meio a ameaças de ruptura das instituições, há de se fazer valer o resquício de democracia que estertora no Brasil, votando em quadros sérios para as casas legislativas, pois somente eles poderão atender as necessidades do povo bem como da nação.

Estamos à beira de um colapso, e o que nos separa de uma guerra civil é apenas o discurso retórico que grassa entre os diferentes espectros, mas sempre com as narrativas favoráveis a cada auditório, não se fala em união para se combater a violência.

Em 2022, um terço do Senado Federal poderá ser renovado, e há a perspectiva de renovação de 40% na Câmara dos Deputados. Não há mais o que fazer entre o rebanho e os sebastianistas; que elejamos quem de fato pode fazer algo relevante para o povo brasileiro.

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