“Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher”.
Atribuído a Woody Allen
O resultado surpreendente da votação para presidente em 2022, só não surpreendeu mais do que os resultados para o legislativo, em que nomes importantes da política nacional ficaram de fora, pari passu, nomes inexpressivos ou que não nada agregam, figurarão a partir da próxima legislatura.
No último dia 02 de outubro em Franca/SP, cidade de médio porte, com mais de 247 mil eleitores, somente 77 mil votaram em candidatos nativos, na mesma localidade, 52,8 mil eleitores não compareceram às urnas, e mais de 100 mil eleitores confiaram seus votos a candidatos “garimpeiros”, que doravante vossas expressivas votações, jactam se em plagas distantes, relegando a região às migalhas. Outro elemento complicador nas eleições no que tange às regiões é a profusão de candidatos sem lastro, dividindo a atenção do eleitorado. Urge um entendimento com a sociedade para que se trabalhe um número mínimo de nomes comprometidos com a política para em fim, emplacar um nome no Congresso Nacional.
A sólida votação em candidatos de direita para o parlamento, e uma leve superioridade em um candidato ao executivo do campo da esquerda intrigam o eleitor; vale realçar que não é um fenômeno, mas por mais que denote falta de consciência política, o eleitor estava em busca da independência de seus representantes. Quanto à escolha presidencial, é imperioso e repetitivo afirmar que a maioria dos votantes não é convicta, mas votou de acordo com a rejeição, o que pode dar azo a uma abstenção maior no segundo turno.
A volubilidade da atual formação congressual não será alternada, mas robustecida por membros de uma extrema direita raivosa, endossada por um executivo que se prende à pauta de costumes e que se empenha sem medir as consequências aos enfrentamentos, seja contra uma ferramenta para votação a chefes de outros poderes.
O Brasil está parado e sem perspectiva de movimento para frente, como sugeria o Deputado Ulysses Guimarães em 1991. Quando perguntado pelo jornalista Luís Costa Pinto, sobre o parlamento brasileiro e sua qualidade técnica, prontamente respondeu com uma pergunta e uma enigmática e provocativa observação:
– Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima: será pior. E pior, e pior… temos algumas poucas cabeças boas aqui. É necessário juntá-las, onde quer que estejam, e fazê-las trabalhar num rumo só para frente. Sempre…
Há muito que ser mudado no Parlamento Brasileiro, mas o incongruente é que as mudanças são sempre promovidas por seus membros, que a despeito de predominância da direita, tem tudo para se transformar em uma babel.
O voto distrital proporcionaria uma eleição mais justa. Ao invés de eleger um parlamentar forasteiro e extremista, sem ideias para pô-las em prática, o sistema dividiria candidatos em suas regiões, garantindo assim, a defesa dos interesses da comunidade, e o Brasil seria dividido pela originalidade, cada qual com suas adversidades e suas características.
A lição que fica é a de se promover urgente modificação no sistema eleitoral, como o uso parcimonioso do dinheiro público, o voto distrital, o voto facultativo, a proibição absoluta do uso da máquina administrativa (seria mais justo a renúncia do mandato para a disputa da reeleição), a aposentadoria compulsória do político que alcançar dois mandatos no executivo federal, e claro a aplicação da lei da ficha limpa, sem ressalvas.
Em busca da consciência política, o desafio agora é se decidir entre um governo inepto sem oposição ou em um governo com marcas profundas de corrupção, mas com forte oposição. As urnas já mandaram esse recado elegendo um parlamento dissonante com a eleição majoritária, um descolamento indigesto, que provoca a independência para a eleição no segundo turno e que lamentavelmente, reproduzirá o mantra de quatro anos antes. É uma escolha muito difícil!