O GOLPE SILENCIOSO!

Processos de rupturas institucionais dão sínteses ao termo golpe, palavra usada como ladainha por um determinado setor da política brasileira; mas somos recorrentemente surpreendidos com atitudes que denotam a construção de um golpe muito bem arquitetado, que em muito difere das teorias implantadas pelos atores da situação política brasileira.
O primeiro aniversário dos atos contra os poderes em Brasília se aproxima, e a comoção que o Governo Federal, ladeado pelo Poder Judiciário tenta emplacar é exagerada. Há preparativos de solenidade, como se comemorássemos a democracia plena em tempos de democracia relativa, e aqui explico o golpe em marcha, o soft coup – golpe suave ou o golpe silencioso, que redunda em conspirar a tomada de poder com contornos de legalidade, sem o emprego de violência, com técnicas diversas de desestabilização, alcançar seu objetivo de tomada de poder.
Ressalto que o governo Lula emprega este método para vinganças pessoais e perpetuação no poder, preenchendo lacunas no Poder Judiciário, cada vez mais adjacente à administração incumbente, portanto, o poder já está tomado, o que aduz seu curso exitoso, e não há qualquer paralelo com as qualidades ou a falta delas nos governos anteriores.
Há muitas formas de Golpe de Estado, e sem delongas, os atos de vandalismo em 08 de janeiro de 2023, passaram longe de se levar a uma ruptura abrupta de poder à cabo, por não haver efetivamente, a participação de agentes do Estado Brasileiro, nem sequer o uso dos seus meios, a propósito, um golpe só será próspero, quando ocorrer de forma repentina, sem qualquer anúncio prévio.
Em 12 de dezembro de 2022, apoiadores do ex-Presidente Bolsonaro, invadiram a sede da Polícia Federal em Brasília em protesto contra a prisão do Cacique Sererê, e tentaram forçar sua liberação, mas com o intento frustrado, os manifestantes se revoltaram no entorno da instituição, incendiando ônibus e queimando veículos estacionados.
Em 24 de dezembro de 2022, a Polícia Militar do Distrito Federal, desativou um artefato explosivo em um caminhão tanque nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília, os envolvidos – optei por não publicizar os nomes, foram presos e condenados por expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outro, mediante colocação de dinamite ou de substância de efeitos análogos em um caminhão-tanque carregado de combustível, bem como causar incêndio em combustível ou inflamável (art. 251, “caput”, e § 2º, c/c art. 250, § 1º, II, “f”, ambos do Código Penal). Além disso, um dos partícipes foi condenado por porte ilegal de arma de fogo e artefato explosivo ou incendiário (art. 16, “caput”, e § 1º, III, da Lei n. 10.826/2003).
Tanto no caso da invasão à PF como a a tentativa de explodir um caminhão tanque, tiveram como interesse, atrair a atenção de milhões de indignados, muitos destes, acampados em portas de quartéis, abandonados à própria sorte, vestindo mal, dormindo mal, sem higiene adequada, o mesmo não afirmo sobre se alimentar, pois o que se mostrava à época, era uma fartura de alimentos patrocinada por abastados empresários.
Os atos citados emanaram um afluxo de ditos patriotas no dia 08 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes e promoveram o que a ciência política entende como revolta, que resumo aqui como um acinte contra o Estado estabelecido, podendo usar a força, provocando caos social, ferindo tanto a parte invasora como a parte vitimada.
Não se pode utilizar o termo Golpe de Estado, como não se pôde utilizar o termo terrorismo, subentendendo que não há a tipificação de crime para terrorismo no nosso ordenamento jurídico, de forma igual, não há tecnicamente a expressão como atos golpistas, quando no máximo o que se sucedeu, foram atos de vandalismo, incentivados por político derrotado e por empresários sonhadores, que do conforto de suas casas, assistiram a reação inovadora, eivada de preciosismo do “xerife” do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ministro Alexandre de Moraes, que covardemente, manteve preso, mais de mil inocentes. Vale o registro, que as prisões foram a melhor decisão, em linha de se evitar uma tragédia, mas não a manutenção de inocentes no cárcere; as revoltas, não tão em voga, costumam ser mais nocivas que os golpes de estados, e são sempre promovidas por um número pequeno de pessoas, com capacidade intelectual que basta, o que justifica a frustração. Em suma, quem queria um golpe de estado, não teve coragem para o impor, quem teve a coragem não teve força cognitiva para avançar, e quem acreditou, foi preso sem saber o porquê.
É natural a inibição dos indignados e ainda mais daqueles que vêm se despertando para uma realidade dura imposta pelos poderes cooptados, não se vê movimentação do povo nas ruas, enquanto bonachões criam factoides em entrevistas para veículos alinhados com o poder, como a de que tramariam o enforcamento do Ministro Alexandre de Moraes nas Praça dos Três Poderes, revelando o desconhecimento de linguagem retórica, ou quiçá, a leviandade do Ministro, que já mostrou mais de uma vez, não possuir compromisso com a ética, com a moral e com a decência.
A indagação que faço é: como estipular a segunda meta, sem ter cumprido a primeira? Pois se houvesse golpe, não haveria a necessidade de pena capital, e como não houve golpe – os atos que teimam em chamar de golpistas, só foram possíveis, graças à omissão dos Governos do Distrito Federal e Federal, e o golpe não passou de um rascunho, que a justiça trata como ”a minuta do golpe”; afora isto, o script fora completamente destruído, causando a revolta dos inocentes.
O desfecho do 08 de janeiro, para além de uma efeméride, é a prerrogativa do uso das atribuições pós soft coup por parte do Governo e a máfia de toga, que se perdem nos personagens; ora acusadores, ora vítima, ora advogados e até juízes, e na esteira dos fatos exaustivamente bradados, cito o adágio alemão, “a arrogância vem antes da queda”, e me eximo de responsabilidades, porque não é um desejo pessoal, é uma máxima que utilizo para vaticinar a derrocada iminente de uma escumalha arrogante.

DINO ESTÁ À ALTURA DO SUPREMO

“A nomeação para os cargos públicos de grande valor e que gera grandes efeitos dentro da sociedade sempre serão atribuídos aos mais desqualificados, onde o único critério a ser observado na hora da nomeação é o grau de importância ou nível de fanatismo “babão” dentro do grupo político do recém-eleito.”
Edgar Neto

Após indicar com êxito, o nome de seu advogado, Cristiano Zanin ao Supremo Tribunal Federal (STF), para a vaga do ex-Ministro Ricardo Lewandovski, Lula ousou ao indicar agora, para a vaga da ex-Ministra Rosa Weber, o seu Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. Indicar nomes para o STF é prerrogativa do Presidente da República, mas não cabe a ele absorver toda a carga, pois os nomes somente são admitidos após passar pelo crivo do Senado Federal em dois atos, o primeiro, a admissão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), composta por 27 senadores e por conseguinte, a sabatina em plenário em que todos os 81 Senadores têm direito a voto.
Lula já havia se decidido por Flávio Dino – o Cuba na planilha da Odebrecht, mas ainda não o havia anunciado porque não havia número satisfatório que corroborasse a indicação, e com o avanço da PEC 8/2021 no Senado Federal, com voto de Jacques Wagner (PT/BA) em favor de que se limite a função de ministros do STF no que tange à demandas monocráticas, realinhou-se a ordem dos astros do núcleo político/jurídico da nação, considerando que o voto de Wagner – o Compositor da planilha da Odebrecht – atraiu a atenção de ministros ajustados com o atual presidente, forçando o mandatário a conter a fervura, emitindo o anúncio já esperado por muitos, oferecendo à corte um ator com o mesmo teor verborrágico do seu decano, o Ministro Gilmar Medes, o mais boquirroto.
O notável saber jurídico de Flávio Dino é discutível, ex-juiz federal, tendo atuado na magistratura por doze anos, sem publicar uma uma grande obra literária, valendo se apenas de sua tese de mestrado, em que pasmem, criticou o atual modelo de indicação às cortes superiores; migrou para a política, onde não deixou saudades como Governador do Maranhão, Deputado Federal, se elegeu a Senador da República, e convidado por Lula, atua como Ministro da Justiça e Segurança Pública, onde vem amealhando desafetos e polêmicas, com sua postura autoritária e muitas vezes sarcástica ao se referir ou ao se comunicar com seus pares, se colocando como um dos “Vingadores” de Marvel.
Ser um político controverso não é determinante para compor a Suprema Corte, mesmo que o cargo seja político, embora sem bandeira partidária, mas como Ministro de Estado, Dino vem pecando sistematicamente no quesito transparência, como durante os atos de vandalismo em 08 de janeiro, quando amparou a negligência do Governo Federal assistindo ao atos hostis sem se movimentar, sem acionar a Força Nacional, posto que os prédios invadidos são da esfera Federal ou mantendo abertas as portas do Ministério da Justiça a alguém com o epíteto de “A dama do tráfico” – esposa do apenado Cremildo Santos Faria, o “Tio Patinhas”, conhecido traficante do estado do Amazonas.
Em 2017, no âmbito da Operação Lava, a delação de José de Carvalho Filho, da Odebrecht, o nome do atual postulante ao cargo de Ministro da Suprema Corte, veio à baila. Ele teria recebido R$ 400 mil reais para a sua campanha, em troca, defenderia os interesses da Construtora. É certo afirmar que a investigação fora arquivada, principalmente, pelo fato de que o que teria ocorrido, sete anos antes, não proporcionaria êxito probatório, sem embargo, no despacho da Procuradoria Geral da República (PGR), há a menção: “(…) petição instaurada com lastro no termo de depoimento do colaborador (…)”, ou seja, a delação estava muito bem fundamentada.
Se Dino não recebeu a propina, como insistiu em negar, também não convenceu ao contrário, e este é um caso paradigmático de omissão aos requisitos necessários para a investidura ao cargo de Ministro da Suprema Corte, portanto o ítem reputação ilibada não coaduna com quem fora citado – com lastro por um colaborador da justiça. Cabe à CCJ denegar o direito de Flávio Dino, ou caberia, se o panorama político brasileiro contasse com oposição efetiva, o que se vê hoje, é a manipulação da esquerda, digo Governo Federal, que usa a direita como fantoche, a oposição é a representação mambembe e coxa de um cenário indigno, em que se ouve uma grita histérica, sem valor moral, e que retroalimenta e protege a viciada casta política brasileira
A saudosa Operação Lava Jato acabou, não somente porque o ex-Presidente Bolsonaro quis que acabasse, acabou também, porque estava alcançando quadros da Suprema Corte, basta fazer uma busca rápida na Internet com os termos: “Lava Jato queria prender Gilmar Mendes e Dias Toffoli”, – os procuradores seguiam um roteiro, o que fez aflorar a animosidade entre eles e a repentina mudança de opinião acerca da operação.
Falar sobre Flávio Dino nos tempos atuais é fácil, ele está em franca evidência, busca holofotes e tem o anteparo do turista do Palácio do Planalto, Lula, que vê em Flávio Dino, um quadro pujante a ponto de se apresentar como candidato na próxima eleição presidencial; o STF para Dino será um arranjo interessante para Lula, pois o livrará do fogo amigo, colocando um dos seus principais interlocutores no chavascal jurídico do Brasil, e não há quem possa negar, Flávio Dino é digno do STF e o STF está à altura do chauvinista Flávio Dino, mesmo que o povo brasileiro não mereça tal desventura.

A MENTIRA É A MÃE DA CORRUPÇÃO!

“A imprensa é muito séria, se você pagar, eles publicam até a verdade!”
Juca Chaves


Há uma história, de que São Tomás de Aquino, em período de estudos no Convento de Saint Jacques, fora abordado por um espirituoso colega Frade, em sua cela. Esbaforido, o companheiro o chamou para o pátio e apontou para o céu:

  • Olha, um boi voando!
    São Tomás procurava o boi nos ares sem manifestar espanto, provocando gargalhadas do galhofeiro frade, que provocou:
  • Como pode, o mais culto dos colegas acreditar que um boi possa voar?
  • Eu prefiro acreditar que um boi possa voar, que um frade mentir. Disse Frei Tomás

Há poucos dias, vimos vindo da Palestina, uma desinformação que causou repercussão imediata, um míssil que teria atingido um hospital, após ser lançado por Israel, mas o míssil não foi lançado por Israel, mas pela Jihad Islâmica e não foi em direção ao hospital, ele falhou, perdeu potência e a profundidade do local atingido foi de 19 cm, e não matou 500 pessoas, conforme divulgado.
A guerra no Brasil é contra a corrupção, e para além da desinformação, há as mentiras absurdas, que vêm sendo difundidas, inclusive por importantes órgãos de imprensa, que teimam em relegar suas atividades formais no aclamado quarto poder a de propagadores de boatos, valendo se da credibilidade conquistada ao longo do tempo.
Na semana que se passou, a OCDE (A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – sigla em inglês, emitiu um relatório de 117 páginas demonstrando preocupação com os rumos dos muitos acordos de leniência provenientes da Força Tarefa Operação Lava-Jato, em face da anulação do instrumento lavrado no contexto da Construtora Odebrecht. Ato contínuo, ícones do jornalismo especializado deturparam a notícia, como se a OCDE estivesse admoestando a exitosa e saudosa Operação e seus atores, o que fora prontamente rebatido pelos envolvidos e noticiado em outras emissoras com zelo e respeito pela informação como ela é. O relatório que já estava consumado, foi reaberto para manifestar que a OCDE irá observar atentamente o combate à corrupção no Brasil, com a percepção de que este será um tema cada vez mais desimportante no país. A preocupação da OCDE é retratada na página 100:
“Esse grupo de trabalho vai acompanhar as consequências que uma decisão de setembro de 2023 de um juiz do STF sobre o acordo de leniência da Odebrecht pode ter nos acordos de leniência do Brasil nas questões antissuborno, em particular em que extensão isso vai afetar a habilidade do Brasil de prover e obter assistência mútua em casos de suborno internacional”.
O Financial Times divulgou ampla reportagem, ouvindo dois brasileiros, Bruno Caraza, professor da Fundação Dom Cabral e Matias Spektor, professor da Fundação Getúlio Vargas, este, o que praticou o senso comum de apontar excessos da Operação Lava-Jato, acusando a de causar enormes danos à política.
O que os indiciados da Operação Lava-Jato alegam, é que a Operação trabalhou com o intuito de criminalizar a política, mas o nexo causal apresenta o contrário, se foram alcançados, é porque a política invadiu as páginas policiais, e o que hoje acontece, não é apenas a criminalização de setores da política, mas a marginalização e a ridicularização, não só dos políticos, mas também dos eleitores, pois sempre há quem saia em defesa de nomes proeminentes da política brasileira, basta se posicionar à direita ou à esquerda, a militância se apresenta e não raro, aplaudem as notícias imprecisas, mormente se estiverem a serviço do seu escolhido, não importa os prejuízos ao erário público que as práticas de corrupção causam ao país.
Temos por hábito normalizar termos e expressões, aplicando para qualquer situação sem que o contexto seja adequado, lembremos que em meados de 2016, a palavra golpe foi usada à exaustão, por conta do processo de impeachment da ex-Presidente Dilma Roussef, o termo é utilizado ainda hoje, mais uma vez contra os opositores do governo; o termo narrativa é outro que se desgastou, embora as narrativas são dentes da engrenagem política, um quadro político não vive sem e tem de ser renovada para que que dela não se canse. Sobre os golpes acusados, o primeiro foi referente ao legítimo processo de impeachment, o de agora, foi apenas um delírio de quem acreditava que teria o apoio das Forças Armadas, não houve golpe, sequer tentativa, houve no máximo, atos de covardia, seguidos por atos de vandalismo, mas o termo perdura. Sobre as narrativas, são coqueluches quando se trata da Operação Lava-Jato, e já há uma nova expressão que vem cansando os ouvidos de quem acompanha a política. A palavra da moda é parcial ou parcialidade.
Jornalistas consagrados, premiados, detentores de espaço em horário nobre, perderam o pudor em atacar com inverdades, aqueles que desnudaram a corrupção no Brasil. Ouço à exaustão falarem da parcialidade do então Juiz Moro, com base em mensagens divulgadas por um parlapatão gringo e um criminoso agora condenado, mas não falam da parcialidade de ministros da Suprema Corte, não fazem autocrítica, não se cobram; jornalistas também devem ser imparciais, opiniões, quando no intuito de interpretar os fatos narrados, são bem-vindas, tirante a isso, são desnecessárias. O que se diz é que os hackers chantageavam jornalistas, fazendo que mudassem de opinião. Em tempo; mudar de opinião é a expressão sadia de quem pensa com justeza, mas não é razoável que as informações sejam corrompidas ao sabor dos interesses de criminosos, muitos deles condenados – mesmo que saibamos que o interesse maior é sobre Lula, aquele se tornou Presidente da República.
O processo de adesão do Brasil à OCDE possibilitaria desenvolvimento econômico, considerando a situação de emergente vendedor de commodities, mas o conjunto de desvantagens – a OCDE é o clube dos ricos, que se dedica ao desenvolvimento econômico que invariavelmente interfere na estrutura econômica, cambial e taxas de juros de seus associados, algo que o PT, leia se governo, jamais admitiria.
O governo anterior acreditou na promessa de apoio de Donald Trump para adesão ao bloco em 2019, o que não se confirmou, conforme se falou à época, por conta do remanejamento do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia, visando proteger Flávio Bolsonaro – filho do então Presidente Jair Bolsonaro das acusações de peculato. Sempre bom lembrar, que um acordo fora costurado com o Ministro Dias Toffoli, conhecido como “o amigo do amigo do meu pai”, o mesmo que veio a anular o acordo de leniência da Odebrecht.
O alinhamento de grandes veículos de comunicação com o atual governo se justifica, mas não o descompromisso com a verdade. A fração de brasileiros ávida por notícias acerca de política foi refém do Jornal Nacional por mais de duas gerações, e por tudo que se ouvia, é inimaginável que nomes da envergadura de Cid Moreira e Sérgio Chapelin pudessem reverberar notícias falsas ou inconsistentes, foram homens com tal estatura moral e profissional que conquistaram a credibilidade, ora dilapidada.
Seguindo a linha de raciocínio de São Tomás de Aquino, eu preferiria mais acreditar que um boi pudesse voar, do que assistir a jornalistas mentirem descaradamente.
A nobreza do trabalho jornalístico acontece quando informa e favorece às rápidas tomadas de decisões, e na medida em que a decência se vai com a credibilidade, cresce a procura por mídias alternativas, colocando grandes profissionais a serviço de um grande veículo em pé de igualdade com os teóricos da conspiração.

AS COMPLEXIDADES DO CONFLITO ISRAELO-PALESTINO

“Em tempo de paz o homem belicoso ataca-se a si próprio.”
Friederich Nietzsche

É preciso discernimento para se inserir em um debate tão sensível, seria leviandade não reconhecer a causa palestina como legítima e ainda mais leviano seria culpar o povo de Israel pelos recentes acontecimentos. O que ocorre entre árabes (não somente palestinos) e judeus, são guerras oriundas de várias particularidades, sejam por aspectos religiosos, culturais, econômicos ou políticos, e não raro, todos estes ingredientes compõem um prato indigesto, como o que está servido. Tão difícil também é encontrar um bom termo para discutir o tema sem aviltar qualquer uma das partes, considerando que a melhor justificativa para uma guerra não exime seus principais atores da estupidez.
A inquietação contagiante de uma guerra atroz não abala o purismo ideológico de quem é ao menos por enquanto, espectador das truculências perpetradas. Defender o Hamas é inadmissível, não defender o povo que não viveu outra condição a não ser a guerra é igualmente inadmissível.
Tente imaginar um cenário em que árabes e judeus sejam vizinhos, amigos, torcem para o mesmo time de futebol, frequentam as mesmas festas, socorrem um ao outro em situações que mereçam atenção e oram um pelo outro, só não vale pedir a mão da filha de qualquer dos dois em favor de um dos seus filhos, pois proporcionaria um desentendimento, no mais, são pessoas comuns à margem dos conflitos. Assim vivem árabes e judeus pelo mundo, os judeus, com mais desenvoltura no sentido de viverem assimilados em plagas distantes, que com sua cultura peculiar, não se desfazem tão fácil de seu povo; os árabes, que são muitas vezes obrigados a se deslocarem para onde não pensariam em tempos de serenidade, sofrem hoje, guardadas proporções, o que os judeus sofreram no período que antecedeu ao holocausto, a xenofobia e o preconceito, muitas vezes velados. É quase impossível, um filho pródigo de um casal de imigrantes árabes , após a graduação, pós-graduação, doutorado e mestrado, prosperar em um vaga de emprego em qualquer metrópole europeia, apenas por causa do seu sobrenome, ficando este, postulante a uma vida correta, à mercê dos convites indecorosos para integrar grupos terroristas cada vez mais próximos do Ocidente.
Em comum entre judeus e palestinos, há o fato de se considerarem descendentes de Abraão, o que se confirma no Velho Testamento – Genesis 16-18. Para os estudiosos do conceito judaico-cristão, este é o “efeito borboleta” da crise intermitente no Oriente Médio – a relação extraconjugal de Abraão e sua escrava, com o consentimento de sua esposa Sara. Para os judeus, a aliança de Deus com Abraão previa a circuncisão de sua descendência, o que fora contemplada por Ismael, filho de Abraão – com sua escrava Hagar – circuncidado no mesmo dia que seu pai; Isaque, fruto de sua relação com Sara – prometido por Deus, não obstante a idade avançada do casal, fora circuncidado após oito dias de nascimento, portanto a aliança com Deus estava firmada, e estaria nascendo, do Vale do Rio Jordão ao Mediterrâneo, duas grandes nações. Seria Isaque a origem de Israel e Ismael a origem da Palestina? Qualquer que seja a resposta, a diferença já começa ao confrontar dois filhos legítimos disputando violentamente o mesmo território. Registro aqui a abordagem genérica ao tema religião, exposto apenas para o preenchimento de uma lacuna histórica. Em tempo, os livros do Velho Testamento são na maioria usados no ensinamento básico escolar no Oriente Médio – os doze livros históricos: Josué, Juizes, Rute, I Samuel , II Samuel, I Reis, II Reis, l Crônicas, II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I Macabeus, II Macabeus; muitos dos quais, abarcam a Torá, livro sagrado do judaísmo. As religiões têm de mim, profunda reverência, até mesmo o direito de não professar nenhuma fé é digno de ser respeitado.
O Hamas é um partido político com forte inclinação para o terrorismo. Ou quem sabe, um grupo terrorista com forte vezo político? Surgido em 1987 a pretexto de eliminar o Estado de Israel – Hamas é um acrônimo para “Harakat Al-Muqawama Al-Islamiyya” – Movimento de Resistência Islâmica, e a junção de suas iniciais dá o sentido de zelo, entusiasmo, ardor e calor, denotando um grupo enérgico em busca de seus objetivos, o que foi testemunhado em um de seus primeiros atos, a Primeira Intifada em 1987, quando enfrentou o exército israelense a paus e pedras, mas a coragem demonstrada ainda no início de suas atividades, deu lugar a uma barbárie jamais presenciada no mundo real. O que se vê hoje é uma covardia sem limites e sem precedentes, e por mais que busquemos adjetivos para classificar as investidas macabras, seriam impronunciáveis em qualquer ambiente minimamente civilizado, portanto, dispensável narrar quaisquer que sejam os atos bestiais banalizados por homens desalmados.
Enquanto governos de todo o mundo condenaram a incursão terrorista do Hamas contra Israel, o governo brasileiro, no máximo emitiu uma nota protocolar contrária aos atos de guerra, sem mencionar o grupo terrorista como o é – Brasil, África do Sul, Rússia e Noruega não reconhecem o Hamas como terrorista, o Itamaraty justifica o não reconhecimento, porque a ONU (Organização das Nações Unidas) também não o faz, como se um conjunto de nações tivesse o poder de suprimir as decisões de uma nação soberana. O Brasil de hoje não reconhece o Hamas como grupo terrorista por arbítrio do atual governo, mas tivemos outros governos que também se omitiram, e à propósito, não seria o bastante, pois o desequilíbrio da discórdia entre judeus e palestinos é a negligência do poder colateral, que dá azo ao deterioramento dos conflitos há mais de 70 anos, como se fossem fatos corriqueiros; é lugar comum ouvir que aquela região é um barril de pólvora, e que não há qualquer ação eficaz em busca da paz entre árabes e judeus.
As guerras deixam heranças nefastas, não somente para seus povos, mas para todo o mundo civilizado, haja vista, a Palestina que deixou de ser um Protetorado Britânico para se tornar um Estado independente após um acordo que o faria dividir espaço com judeus que estariam voltando para casa. Os palestinos em 1947 não aceitaram o acordo, pois almejavam manter suas fronteiras e não abrem mão de que sua capital seja Jerusalém, importante deixar claro que Jerusalém é uma cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, e não estava ou jamais esteve cogitada como capital de qualquer uma das duas nações, embora alguns países, inclusive os Estados Unidos transferiram para lá suas embaixadas, algo pensado também no Brasil, no Governo Bolsonaro.
O povo palestino não carrega a culpa de ter o Hamas ditando normas em seu território, eles não votam desde de 2006, por não haver garantia de que Israel permitiria que os palestinos que vivem em Jerusalém Oriental pudessem votar, e sem a livre escolha, o recrudescimento de bolhas terroristas se fez notar. Israel, embora seja muito próximo de ser um Estado teocrático – muitas leis no país são fundamentadas na religião – é um bálsamo no Oriente Médio, há liberdade de expressão, direito à propriedade privada e direitos humanos, o que dão lastro à democracia, que presenciou sua juventude representada em um festival de música eletrônica ser sucumbida por forças terroristas; vale a provocação – o que tem o povo palestino que ver com isso? Nada! São vítimas que agora padecem de uma guerra entre um país constituído e o terrorismo, em que as leis inerentes não serão aplicadas, causando efeito mais lesivo.
Quando George W. Bush reagiu contra o terrorismo de maneira desabrida em 2001, invadindo países como Afeganistão e o Iraque, fez surgir novos braços terroristas na região, que hoje assolam o mundo ocidental, e não está certo de que o Estado Islâmico tenha sido derrotado, pode estar apenas dormitando, e também não há menor contemplação de que o Hamas seja derrotado tão cedo, posto que recebe apoio de países com forte aparato bélico – o Irã, por exemplo e de outros grupos terroristas como o Hezbolah, e infelizmente é impossível prever quantos ovos da serpente essa guerra irá chocar, quantos tentáculos terroristas virão assombrar o mundo.
A paz no Oriente Médio somente será possível quando o Ocidente, por meio de suas principais lideranças, desprendidas de interesses ou vaidades pessoais se interessarem pelo tema, a história está sendo escrita com diferentes versões, para os religiosos mais ortodoxos, é o fim do mundo, mas o mundo está inacabado, é preciso circundar a questão israelo-palestina com contornos de tranquilidade. Oxalá, seja breve esta reflexão, e que ela não venha mais como músicas ou poesias, que via de regra, representam o choro dos derrotados e o grito dos desesperados, mas que seja uma catarse para quem sobreviveu para contar uma história com final feliz!

A PRESIDENTE CONSORTE

Na tresloucada missão de reescrever a história, ainda que por linhas tortas, o Presidente Lula, colocou no topo do poder da República, a sua esposa; Lula que para além de indicar uma mulher para Presidência da República – Dilma Roussef em 2010, e ter deglutido o dissabor do desastre por ela proporcionado, no seu terceiro governo se recusa até mesmo nomear uma mulher para cargos de relevo, seja no seu governo ou no Poder Judiciário, agora, nem sequer cogitou passar o bastão para o seu vice Geraldo Alckmin, afagando a mulher que o conquistou ainda de dentro do cárcere.
Lula venceu Bolsonaro em 2022 por uma diferença de apenas 1,8%, e pode se atribuir a isso, sem pudor, ao fato de ter escolhido Alckmin para compor a chapa, dado o seu histórico equilibrado, seu carisma e sua excelente bagagem na política do Estado de São Paulo; assim como a maioria dos grandes quadros do momento, fora também citado na Operação Lava-Jato, mas com menor exposição, pôde se aproveitar do momento para repaginar sua carreira desgastada pelo seu antigo partido o PSDB, migrando para o PSB.
Durante a posse do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, o Ministro Decano, Gilmar Mendes, proferiu discurso, destoando de sua costumeira verborreia e o que chamou a atenção foi a menção aos planos vitoriosos de dois estadistas – na visão de Gilmar: Fernando Henrique Cardoso e Lula, respectivamente, se referindo aos exitosos Plano Real e o Bolsa Família, mas o decano, em tom conciso, deixou de mencionar que o Bolsa Família fora idealizado pelo sociólogo Vilmar Faria, ex-assessor de FHC e brilhantemente comandado pela Ex-Primeira Dama, Ruth Cardoso, como um tópico do Comunidade Solidária, que visava atender as necessidades dos socialmente invisíveis. Sobre o comando de D. Ruth, como era carinhosamente conhecida, vieram o Bolsa Escola com anteparo do Ministério da Educação, que impôs contrapartidas para o recebimento de benefícios, mas ao fim do Governo FHC, e o consequente início do primeiro Governo Lula, o Comunidade Solidária acabou, e o Fome Zero foi criado como uma propaganda de um governo incipiente, que pouco mais tarde aglutinaria os elementos do Comunidade Solidária para o lançamento do Bolsa Família. Vale o realce de que o programa implementado na gestão FHC, beneficiou 13 milhões de pessoas, afora os mais de 1,5 mi de pessoas agraciadas com o Benefício de Prestação Continuada/LEI ORGÂNICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (BPC/LOAS) , destinado a pessoas com deficiência. Só no primeiro mandado de Lula, o número de beneficiários do Bolsa Família alcançou o número de 45 milhões de pessoas – 11,1 milhões de famílias, sem contrapartidas, número mais que satisfatório para reelegê-lo em 2006.
Lula e Ortega não só se parecem no físico atarracado, além do vezo esquerdista autoritário eles têm em comum, a participação efetiva de suas esposas no poder, com a diferença de que na Nicarágua foi elaborada uma mudança na constituição, permitindo que sua vice na chapa seja a sua esposa, Rosário Murillo. Ortega, que como Lula, caça desafetos, promovendo interrupções de suas carreiras políticas ou os arrestando, empenha se em um regime inovador e inaceitável no século XXI, o Regime Papai/Mamãe, já que nada se compara a Nicarágua de Ortega a um reino encantado, mais uma coincidência. Aqui também, não somos um reino, muito menos encantado ou encantador, ao menos politicamente.
Não há nada de anormal, uma Primeira-Dama trabalhar em ações sociais, portanto é legítima a visita de Janja nos locais atingidos pelas tormentas no Rio Grande do Sul, a anomalia está no posicionamento. A função de Presidente na ausência do titular, é do vice, e somente ele tem ou teria a prerrogativa de comandar as ações, o que Alckimin o fez, enquanto a consorte de Lula se deleitava na Índia, em Cuba e nos Estados Unidos. A passagem de Janja pelo Rio Grande do Sul é intempestiva e por essa razão, contestada.
A Segunda-Dama, Lu Alckmin, enquanto Primeira-Dama do Estado de São Paulo, estado que Alckmin governou por quatro vezes, coordenou várias ações sociais, entre elas a Escola de Moda, Escola de Imagem Pessoal, e a de maior destaque, a Padaria Artesanal, um projeto vitorioso que consiste em ensinar panificação em comunidades carentes com método artesanal sem uso de conservantes, e que no ano de 2012, apresentou à colega Primeira-Dama do Canadá, Sharon Johnston, que levaria o projeto para a comunidade indígena em seu país.
A Ex-Primeira Minsitra da Nova Zelândia, Jacinda Ardem, enquanto participava da Assembleia Geral da ONU em 2018 em Nova Iorque, deixou sob os cuidados do marido Clarke Gayford, a filha do casal; Gayford utilizava um ambiente reservado na sede para trocar as fraldas da criança. Lógico que não se pode exigir o mesmo de Janja, e se for o caso de ela trocar as fraldas do seu digníssimo esposo, que o faça sem os holofotes.
Ouve se da mídia travestida de imprensa, a falácia de que se fosse o contrário, Lula em lugar de Primeiro-Cavalheiro, e Janja Presidente, as críticas seriam mais suaves, confesso que é um exercício difícil de assimilar, pois o queixume acerca do machismo ou do feminismo é mais pujante no campo esquerdista, no qual, integra o casal, e ofereço o exemplo da Ex-Primeira Ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, casada com o bem-sucedido empresário Dennis Thatcher, com quem se aconselhava; Margaret Thatcher se consolidou como importante quadro político nos anos 1980, era uma liberal clássica, o Primeiro-Cavalheiro, tem sim, conforme o livro The Autobiography (A autobiografia), suas participações na administração pública, mas com discrição, sem atrair os louros de quaisquer conquistas, ao contrário do que se vê por aqui, e isso pode ser comprovado com uma frase marcante e reveladora de Margaret Thatcher: “Ele era um poço de conselhos e de comentários penetrantes. Mas ele guardava estes comentários para mim, em vez de compartilhá-los com o mundo de fora”. Ainda, sobre as relações conjugais de nossos representantes, gozamos hoje da presença do Senador Moro e sua esposa, a Deputada Rosângela Moro, que vêm se destacando sem interferências, e a mais recente boa nova, vinda de Curitiba, a predisposição do lançamento da candidatura de Fernanda Dallagnol, esposa do Ex-Deputado, Deltan Dallagnol, sumariamente cassado pelo regime arcaico de um país sem justiça, capitaneado por um casal de onde não se sabe quem é a cabeça ou quem é a cauda.
Desprezar o seu Vice-Presidente em favor de sua esposa, que não conquistou votos, é mais um movimento errático de Lula. Sabia se que a disputa presidencial em 2022 seria árdua, os dois candidatos que foram para o segundo turno – Lula e Bolsonaro se escolheram com a certeza de que venceriam, Alckmin foi a cereja do bolo da candidatura do PT, sem a sua presença na chapa não existiria terceiro mandato, e o respeito ao seu parceiro é mandatório; não considerar isto, beira o mau caratismo. Defendo a tese de que na política não existe traição, mas para que não se confunda, em uma relação duradoura, como uma chapa no exercício do mandato, há de se avaliar os riscos, portanto, Alckmin pode estar saindo menor na relação de momento ao atrelar sua biografia a de alguém com enorme ficha corrida que embora anulada por uma justiça comprada, não fora totalmente rasgada. Vale o registro de que Lula é um mentiroso contumaz no campo analógico, no campo digital, suas falácias não prosperam, e se hoje está presidente, isto se dá pelo fato, de que o povo escolheu conforme sua avaliação, se livrar de uma mal maior.
Consorte é uma expressão usada para designar a esposa de um monarca ou de quem detenha título honorífico, mas sem os mesmos direitos políticos, e o título, para além da licença poética, é uma provocação àqueles que normalizam a situação, não somos monarquias e não somos a Nicarágua, dois cenários distintos que Janja arremeda. Para azar do povo brasileiro, temos uma Presidente Consorte!

LULA USA O JUDICIÁRIO COMO ARMA DE VINGANÇA

“Eu sou um castigo de Deus. E se você não cometeu grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu.”
Gengis Khan
Genghis Khan trazia consigo o lema de unificação do território mongol, mas redundou na eliminação de rivais e dominação absoluta, a custa de muito sangue e barbárie, seus inimigos eram decapitados, quando não cozidos ainda vivos, Genghis Khan tinha prazer na vingança, tendo matado, segundo historiadores, cerca de 40 milhões de pessoas no século XIII. Tudo que envolve o nome de Ghengis Khan tem caráter hiperbólico, e isso se explica pela falta de comunicação que havia na época.
Fundador do Império Mongol, Genghis Khan foi implacável e vingativo guerreiro; nascido Temudjin, mudou seu nome para Gengis, que significa Guerreiro Perfeito, se desenvolveu com a sanha de vingança pela morte dos pais por tribos rivais, e ainda no processo inicial dessa mudança, teve sua esposa sequestrada, e quando a resgatou, estava grávida, suscitando dúvidas sobre a paternidade de seu primogênito, Jochi, o que aumentou a sua amargura.
Considerando somente os dois primeiros mandatos do Presidente Lula, o avanço comunicacional tem o deixado vulnerável às suas falácias, suas mentiras, suas narrativas, suas retóricas vulgares ao lado de sua fiel escudeira, Janja em sua volta pelo mundo.
É preocupante o caminho escolhido por quem detém o poder no Brasil em 2023. Um governo midiático, populista, cujo presidente senescente, com traços de senilidade que não apresenta compromisso com o povo, enquanto empreende em viagens luxuosas com comitivas inchadas que afastam do país aquele que deveria zelar pela nação. Sobra disposição para seus passeios, falta apreço pelo povo gaúcho, castigado pelas enchentes que ceifou a vida de mais de 40 cidadãos.
A primeira-dama, Janja, em muitos casos, dá sinais de falta de empatia com o povo brasileiro, e vale aqui a ressalva de que Lula ofereceu durante a campanha, pacificar o país, mas vem sistematicamente incentivando ainda mais a polarização consolidando-a por meio de discursos vazios, raivosos e com jocosidade manifesta, como ficou restado no último dia 07 de setembro, vestido da faixa presidencial, sob uma jabuticabeira fazendo troça de seus desafetos da Operação Lava Jato. Lula é escravo da vingança!
A lembrar, o ministro Dias Tóffoli decidiu monocraticamente por anular o acordo de leniência da Construtora Odebrecht, em um despacho de 145 páginas, eivado de ira, palavras torpes e juízo de valor, classificando a condenação de Lula como um erro histórico. O texto, para os desavisados, seria do Ministro Gilmar Mendes, que desde a Operação Spoofing vem tratando os membros da Operação Lava Jato com ira figadal. Mas a patetice – marca registrada de Dias Tóffoli, o mais raso dos Ministros da Suprema Corte, ficou para o fim da peça que determina que o TCU abra processos contra os atores da finada operação, que em uma análise superficial, poderá atender aos interesses de mais de 400 envolvidos nas tantas colaborações premiadas, onde foram apresentadas provas irrefragáveis.
No despacho do Ministro, consta que os procuradores da Operação Lava Jato “queriam tomar o poder”, mas só no processo de colaboração premiada da Odebrecht trabalharam 150 procuradores, somente um deles chegou a assumir cargo no política – Deltan Dallagnol, além do então juiz Sergio Moro, o que explicita a estupidez grafada por Tóffoli.
Há o pretexto concebido após as tais mensagens da vaza jato, sem autenticidade reconhecida, de que a Operação Lava Jato agia em conluio entre o juiz e os promotores, mas fica sempre a dúvida, será que a Lava Jato poderia propor um conluio com o STF? Talvez o resultado seria mais palatável aos políticos corruptos e os Ministros suspeitos da Suprema Corte, mas o povo estaria distante de conhecer a a sistemática desvirtuação do dinheiro público.
Não alheio a tudo o que se passa no Judiciário, Lula finge desconhecer seus desplantes, acenando com vagas em postos estratégicos no poder. A política é um jogo de xadrez, embora não atenda à máxima chinesa, de que o rei e o peão sejam guardados na mesma caixa, o xadrez político é um jogo interminável, os três poderes da república estão inseridos permanentemente; o momento atual é demasiadamente turbulento e a aceitação dos seus atores principais ao se submeterem a tal baixeza é digna de vilões chinfrins.
Vamos combinar que o Poder Judiciário, salvo desonrosas exceções, é composto de gente graúda, com notável conhecimento jurídico; entre os nomeados, o maior emblema de subserviência ao Presidente, é o Ministro da Justiça, que desfilou importante carreira como Juiz Federal, mas presente no executivo, se atrapalha como Mestre de Cerimônias do Governo, se revelando mal intencionado no trato com a justiça, pois não deveria agir ao arrepio da lei que domina tão bem; a incúria, ao não preservar as imagens do dia 08 de janeiro durante atos de vandalismo, seria o suficiente para demissão, quiçá, um pedido de impeachment muito bem fundamentado.
Na Suprema Corte, há visível perseguição aos antagonistas do poder, não se sabe se por encomenda ou por arbítrio, faço uma ressalva aos atos de vandalismo em que o Ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão de 1399 autointitulados patriotas; por mais que parecera afronta ao Estado Democrático, Moraes evitou o que poderia ser muito pior, mas causou espécie, o tempo esticado de prisão e a patente opressão.
Augusto Aras, o pivô do Poder Judiciário, age com o método de João Bobo, pendendo entre o bolsonarismo e o lulismo, tentando se equilibrar no poder por mais tempo; na casta judiciária, é o que melhor representa aquilo se convencionou chamar de bolsopetismo.
Convidar o ditador russo Vladimir Putin para o Brasil sob a alegação de que aqui quem manda é ele, fingindo desconhecer o Tribunal Penal de Haia, que ele já indicou uma representante brasileira há 20 anos – a juíza Sylvia Steiner, e mesmo tribunal que fora apelado por sua defesa em 2018, é a prova cabal de que Lula não é mais levado à sério, embora se confunda protocolo com diplomacia e boa articulação geopolítica, haja vista, a recente mudança que turbinou o BRICS celebrada por seus adeptos que não consideram a proporção e o números de ditadores e/ou populistas em seus quadros, sem contar que na esteira está a Venezuela de Nicolás Maduro.
A formação do BRICS para janeiro próximo, se fosse um país teria um PIB de U$ 31,25 trilhões, 35% do PIB mundial; com IDH de 0,639, na 133ª posição – o Brasil ocupa atualmente, a 66ª posição, população de 3.65 bilhões de pessoas, 45,6% da população mundial, com população islâmica de 472,7 milhões de pessoas.
A nova formação do BRICS será composta por países aliados ou simpáticos a Vladimir Putin, os sauditas defenestram continuadamente o mercado norteamericano em vários segmentos, o mercado energético e petrolífero entre russos e sauditas é economicamente ajustado, agora com apoio ainda mais firme de Xi Ji Ping, líder chinês, tudo alinhavado sob a influência de Lula, mas é claro que esta união tem tudo para ser nociva, o Brasil sai do protagonismo no bloco para status de coadjuvante, com o agravante de alimentar ainda mais os discursos de guerra. Um dia após a atrapalhada fala de Lula sobre convidar Putin para o Brasil, a Rússia recebeu o mais belicoso e bravateiro líder comunista do mundo, Kim Jong-Un, para negociar armas.
Os movimentos de Lula afastam o Brasil dos Estados Unidos, onde se vê algo semelhante, a aparente senilidade de Joe Biden atraindo para a Casa Branca, Donald Trump. Se lá, há brechas para Trump disputar e assumir a presidência, mesmo se estiver condenado, cá, o bolsonarismo sobrevive ao Bolsonaro, e também poderá surpreender.
A cassação relâmpago de Deltan Dallagnol e a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro são retratos na galeria de Lula, que só ficará completa com a humilhação de Sergio Moro, mas valendo me da máxima de que o sucesso exige queda, o povo, inclusive aquele que votou em Lula acreditando que este seria um mal menor, dá sinais de descontentamento; os atos de vandalismo trouxeram consequências que inibem protestos mais veementes, oportunizando até aqui o sucesso do atual Presidente, mas já se ouve um clamor por um governo austero, impoluto e no mínimo equilibrado.

¿POR QUÉ NO TE CALLAS, BARROSO?

“Não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.
Mateus 7;6

O Ministro Luís Roberto Barroso é destaque em uma corte contaminada pela mistura do mal com o atraso e os males secretos que a compõem. O Ministro tem se empenhado com honradez nas funções correlatas ao cargo que ocupa desde que indicado pela ex-presidente Dilma Roussef; votou a favor do seu impeachement quando devidamente provocado na Suprema Corte, se declarou impedido de atuar em processos em que ele teria sido advogado em sua vocação pregressa – caso do terrorista Cesare Battisti; travou batalhas épicas contra o seu colega, o Ministro Gilmar Mendes, um dos mais malqueridos da nação, ganhando a simpatia do povo, em que pese seu posicionamento político original, Barroso nunca escondeu ser adepto da esquerda.
Barroso perdeu a compostura com o público por duas vezes no espaço de apenas seis meses; primeiro em Nova Iorque, quando cunhou a frase “Perdeu, Mané, não amola!”, em resposta aos que pediam a abertura do código fonte; no último dia 12 de julho, Barroso não tolerou os insultos advindos de manifestantes da UNE (União Nacional dos Estudantes), que protestaram pela sua conduta diante do que chamam de golpe de 2016, o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, Barroso em resposta aos protestos, alegou ter ajudado a derrotar o Bolsonarismo, e que teria lutado contra o regime militar.
A fala em Nova Iorque, em primeiro momento causou espécie, Barroso nem era o mais atacado pelo bolsonarismo, o alvo dileto de sempre é o Ministro Alexandre de Moraes, por ser o “depositário do código fonte”, o que para muitos que não sabem do que se trata, é mais ou menos a “rebimboca da parafuseta”, nos anos 80, palavra de fuga de um mecânico ruim quando não sabia identificar o defeito do carro – Moraes em mais de uma entrevista alegou que o tal código já estava disponível um ano antes das eleições de 2022. Barroso saiu em sua defesa, com uma frase burlesca, característica do alegre povo carioca, que por sua espontaneidade, apenas virou meme; já o contra ataque oferecido aos manifestantes da UNE são de difícil deglutição, pois chancela a oclocracia que domina o cenário político.
Oclocracia não é um sistema consagrado de governo, e destoa da democracia, ambos são governos do povo, mas a oclocracia é regida pelas turbas; do grego (oklho = turba + kratia = poder) é definida como um visível despotismo em governos até então democráticos, mas tomado por uma massa que se apropria da coisa pública por meio de inibições das autoridades de turno, ferindo diretamente o Estado Democrático de Direito.
Há pouco vivíamos um governo que estimulava sua militância a atacar outros poderes, hoje presenciamos representantes de outros poderes atacando o povo, e por mais que se nomine o fenômeno como um desgoverno ou anarquismo, a oclocracia se apresenta em forma de desunião entre os poderes.
Lutar contra a oclocracia é uma tarefa árdua, e o primeiro passo é não se unir com grupos que antagonizam com o bem estar social, enquanto hostilizam a quem pensa diferente. É bom ressaltar que a recente mudança no executivo só alterou a agenda, a ralé política que que arquitetou a oclocracia vigente é a mesma, e Barroso, sem jamais abandonar a luta contra a corrupção, vem sendo atacado pelas duas pontas.
A fala do Ministro feriu claramente a harmonia entre os poderes e deu azo a uma nova investida contra o poder que em tese guarda a Constituição Brasileira, levando o à vala comum do contestado escrete do Poder judiciário, muito pela contundência e pela ira que estão fora de suas características.
Falas impensadas, corriqueiramente, não manifestam a realidade, o Ministro Barroso não derrotou o bolsonarismo, sequer ajudou a derrotá-lo, o bolsonarismo pulsa entre nós como uma herança do governo anterior, e entoa o mantra do comunismo que não passa de um fantasma. No executivo, a corrupção continua em forma de balcão de negócios com o legislativo, o que confirma o poder oclocrático que há mais de 20 anos domina o poder.
Tentar remediar sua fala, com a tese de que teria falado como eleitor, não colou, muito menos teria ajudado a livrar o país de um golpe de estado, posto que não houve tentativa de golpe, mas vandalismo, o que foi prontamente rechaçado e vem sendo sistematicamente investigado, ainda que se superestime os atos de 08 de janeiro. Para se caracterizar tentativa de golpe, seria necessário uma liderança efetiva, mas o que se viu, foi uma multidão descontente, ainda assim, dá se a impressão, que o 08 de janeiro se tornará feriado nacional, dada a exacerbada importância dispensada a uma covardia, digna de um política cada vez mais ralé ou um ralé cada vez mais política.
O que se espera de um Ministro da Suprema Corte, para além do notável saber jurídico, é austeridade e discrição, e do momento que assume o cargo político – Ministros da Suprema Corte são quadros políticos, sem bandeira partidária – limita a sua vida privada ao seio familiar. Opiniões de Ministros somente têm algum valor se isentas e quando emitidas em lócus adequado, por óbvio, uma reunião com estudantes militantes é um risco que poderia ter sido evitado. Escolher o ambiente para proferir suas palestras é no mínimo prudente, e se no meio eminentemente acadêmico jurídico, que lá se empenhe a estimular a formação de novos causídicos.
O incidente ocorrido na UNE pela circunstância das tolas palavras de Barroso foi agravado pelo fato de ele estar ao lado do Ministro da Justiça, Flávio Dino, que desde o advento do atual governo, é sondado ou mencionado como futuro Ministro do Supremo Tribunal Federal. Em que pese, seja o Sr. Flávio Dino, um fiador natural da angustiante oclocracia. Ato contínuo, membros infradotados da oposição, apresentaram pedidos de impeachment do Ministro Barroso.
“Quo Vadis, Barroso?”. Para onde vais, Barroso? Me aludo a um desvio daquele que sempre procedeu com sensatez e justeza o seu trabalho, com largo espírito de justiça e imparcialidade, que como ser humano, falhou, mas há tempo de voltar o foco, assumir seu bastão e seguir em frente.
Valendo me ainda do aconselhamento, me dirijo com a frase que virou meme, esta, parafraseada do rei Juan Carlos I em direção a Hugo Chaves em 2007, durante a XVII Conferência Ibero-Americana, no Chile. “¿Por qué no te callas, Barroso?”. Por que não te calas, Barroso?

NO BRASIL, O COMUNISMO É UM FANTASMA CAMARADA!

“No comunismo é o homem dominando o homem, já no socialismo é o contrário.”
Roosevelt

Quando o Vice-Presidente Geraldo Alckmin iniciou a transição de governo, o ainda presidente e candidato derrotado Jair Bolsonaro fez questão de cumprimentá-lo de modo informal, a despeito de não cumprimentar Lula o vencedor da disputa. Bolsonaro teria dito a Alckmin: – “Não entregue nosso país ao comunismo!”. Alckmin apenas sorriu e trouxe a público, a parte mais pitoresca do diálogo, corroborando a imagem folclórica do que é o comunismo no Brasil. A última tentativa frustrada se deu em 1935, com a intentona comunista liderada por Júlio Prestes, e rechaçada sem envidar muitos esforços, por falta de apoio. De lá para cá, houve relativo avanço da esquerda no país, que inclusive provocou um enclave na nossa democracia durante o período do regime militar, entre 1964 e 1985. O militarismo nesse período foi uma ditadura com outra roupagem, e após a saída do poder, a democracia se restabeleceu com a participação dos mais variados espectros – tendo a esquerda que até aqui apenas flerta com o comunismo, vencido cinco pleitos presidenciais.
No último dia 01/07 o Datafolha divulgou pesquisa que expressou o receio por parte de 52% da população brasileira de o Brasil se tornar um país comunista. Não há motivos para a preocupação, embora haja quem defenda um regime igualitário, mas a distância entre um militante adepto do comunismo e o líder comunista é abissal, o adepto, na maior parte dos casos é um mero sonhador. O líder molda seu sistema à custa do suor do povo que repassa suas decisões – em um país comunista, não se tem um governante, mas um tutor.
Relativizar a democracia, o comunismo, o fascismo e o nazismo são erros corriqueiros cometidos por lideranças e por eleitores. Quando Lula verborragiu que a democracia é relativa, Gilmar Mendes, o mais boca-rota e seguro Ministro da Suprema Corte, em um átimo de clarividência, lhe deu uma aula sobre o que é democracia; disse Gilmar, entre outras coisas: “A realização de eleições, em tal hipotético cenário, jamais poderia afiançar o caráter democrático de um regime político: aos eleitores não cumpre escolher entre governo e oposição, mas apenas referendar a vontade do ditador de plantão”.
Lula dá claros sinais de que pretende transformar o Brasil em um país comunista, sabe se lá, se por um devaneio de alguém que viveu os apanágios do socialismo e emitiu voz em favor de uma esquerda outrora falida, mas agora, traz consigo um discurso além de agressivo, alinhado com a esquerda mais extremada, representada pelo mais conhecido e há mais tempo no poder, Nicolás Maduro, a quem Lula afagou como um democrata e que ele deveria criar narrativas para defender a democracia empenhada na Venezuela. Mentira!
Faço um convite à reminiscência de uma das primeiras viagens de Lula ao exterior, quando foi à China com uma comitiva de mais de 70 figurantes, entre eles, João Pedro Stédile, líder do MST, (Movimento dos Sem Terra) sem qualquer agenda prevista, ao menos é o que se tem ciência. O apreço que Lula nutre à invasão de terras, que somado ao seu histórico de sindicalista, e a repentina evasão de multinacionais, sobretudo automotivas, indicam uma interiorização premente no radar do governo, confirmando o vezo comunista do presidente Lula, que ignora os sofrimentos e mortes, como foi o caso do Khmer Vermelho, o Partido Comunista no Camboja do líder Pol Pot, que governou o país entre 1975 e 1979, só para mencionar como exemplo, um dos mais recentes e lúgubres capítulos do comunismo.
Pol Pot tinha fixação pelo ruralismo, e acreditava que a produção no campo afastaria o seu povo de informações, a vida na produção agrícola sob os auspícios do Estado, purificaria e fortaleceria o povo corrompido pela vida urbana. O resultado fora um massacre que ceifou a vida de mais de 1,5 milhão cambojanos extenuados pelos serviçõs braçais ou de fome; somado às mortes de vietnamitas que fugiam da guerra em seu país, o número de mortos ultrapassou 2 milhões, segundo R.J Rummel no seu livro Death by Government (Mortos pelo governo) em tradução livre, o número de mortos, chegou a 2.035 mil pessoas.
Engenharia Social é um conceito que tende a influenciar o comportamento social; enquanto no ambiente democrático, a persuasão se dá pelo governo por meio de discursos, decretos e a apresentação da visão de poder em negociações com o legislativo, o que vem sendo mostrado. A volta do Mais Médicos, o PL (Projeto de Lei) 2630 – PL das fake news, o afago a Maduro e Ortega e a criação de um Cesta Básica Nacional de Alimentos, que compõe a PEC da Reforma Tributária (Proposta de Emenda Parlamentar) 45/2019; desonerar a cesta básica é um ato humanitário, por óbvio, mas deve ser acompanhada por mecanismos que garantam a distribuição dos alimentos e quais os são, bem como a qualidade dos produtos ofertados. O imposto do pecado, que onera o custo de bem nocivos, como o tabaco, bebida alcóolica e afins é mais uma indicação de engenharia Social, e estaria impedindo o consumidor habituado aos produtos contemplados de adquirí-los.
No livro Utopia, o conceito de comunismo é difundido de forma velada, há na obra de Thomas More, menção ao cristianismo, a única questão que distancia do comunismo, posto que o conceito não prevê liberdade religiosa. A família é a base da organização social, que elege seu líder, o sifogrante. Os métodos são copiados para a eleição do príncipe. Os sifograntes são eleitos anualmente, mas geralmente se perpetuam nos cargos, tal como o Chavismo, hoje representado por Maduro. No poder de Utopia – uma ilha, não há representantes mulheres, há menções a escravos, uniformização salarial, assistencialismo, enfim, uma leitura obrigatória para se entender aquilo que horroriza a quem goza da democracia.
Viabilizar o comunismo não é tão fácil, sobretudo quando a intenção já está identificada pelo povo. As constantes reuniões de países latinoamericanos trazem ao palco da política regional, lideranças que contrapõem com galhardia o comunismo, o mais polido é Luís Lacalle Pou, presidente do Uruguai, um pequeno país ao sul da América do Sul, um algodão entre cristais – entre Brasil e Argentina, que desenvolvem movimentos mais agudos de esquerda. Pou tem se tornado, importante liderança ante à governantes que envergam suas bandeiras vermelhas. Em tempo; o Uruguai foi governado até há pouco por Pepe Mujica, um adepto do comunismo, que com o desenho igualitário e sem pompas para o seu entorno, realizou de forma inusual o seu sonho, uma exceção! O comunismo no Brasil tem dois sonhadores na comissão de frente do poder, o presidente Lula, e o seu ministro da Justiça, Flávio Dino, o Mestre de Cerimônias da República, e de modo temperamental, defendem suas convicções ao mesmo passo em que atacam seus antagonistas.
Durante as negociações para a votação da Reforma Tributária, um nome do espectro da direita despontou no exato momento em que um vácuo turbulento de liderança neste campo é latente. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ex-alcólito de Bolsonaro é uma estaca que sistematicamente discrepará de forças extremistas, e em certa medida não dará brechas para o surgimento do comunismo no Brasil.
O PT (Partido dos Trabalhadores), com sua conduta costumeira e comprovada de atos de corrupção enquanto no poder, seria em tese, um vetor importante para a implantação do comunismo, considerando a corrupção como desatino para se livrar das tantas privações que o regime impõe ao povo.
O Exército Brasileiro assim como não embarcou na proposta insana de golpe recentemente – por sorte, pois seria o golpe mais facilmente aplicado, dada a vulnerabilidade de um governo ainda incipiente, não embarcará em uma proposta comunista, tão amalucada como a primeira. A Constituição Federal tem muito mais que quatro linhas, e a ela se deve dedicar respeito absoluto. A Suprema Corte, antes acovardada na visão de Lula, quando agiu concorrente ao governo anterior, não deu salvo conduto ao atual, como nos externa a forte admoestação de seu decano, levando nos a crer que qualquer tentativa de se implantar o comunismo no Brasil será aplacada por uma conjunção de forças, do povo aos poderes constitucionais.
O que embaraça a implantação do comunismo no Brasil são as intenções do Presidente, que mendiga o Prêmio Nobel da Paz com a mão direita e com a esquerda oferece um regime falido, que não prosperou em qualquer lugar do mundo. Lula vive um paradoxo e precisa se decidir por um ou outro intento, e o que nos resta é acompanhar com atenção os rumos até que se apresente o prometido governo de frente ampla.

O JULGAMENTO DE BOLSONARO

Quem perde e quem ganha? Quem será o herdeiro político?

As decisões que envolvem as forças políticas da nação afetam o povo, sobretudo quando deixam incertezas, e no momento de polarização que desequilibra outros matizes políticos ideológicos, as atenções se viram para avaliar quem é mais perdedor e quem será o herdeiro político do principal líder da direita no Brasil, diante de cenário tão nebuloso
Enquanto a atenção do bolsonarismo estava nas urnas eletrônicas, a surpresa estava reservada para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral ) onde se desfez os votos de Deltan Dalagnol, e de onde se suspendeu a carreira política de Jair Bolsonaro; a diferença entre um processo e outro, é o que do ex-presidente, houve de fato um julgamento, com sustentação oral, votos fundamentados divididos em três sessões, enquanto o primeiro, fora executado sumariamente em 66 segundos. Há a expectativa sobre o julgamento que envolve o Senador Sergio Moro, o último bastião anticorrupção no panorama político nacional e sabendo que todo processo político é precedido de ameaça, a que está recorrendo apresenta açodamento de campanha para Senador no Paraná, e a já conhecida aleivosia do petismo tradicional entra em cena, com Gleise Hoffmann e Zeca Dirceu.
Bolsonaro foi julgado por prática de abuso de poder político e pelo uso indevido de meios de comunicação ao se reunir com embaixadores no Palácio do Alvorada, de onde vituperou o sistema eleitoral brasileiro. O julgamento que decidiu pela inelegibilidade transcorreu na absoluta normalidade, sem pedido de vista. Logo após o resultado, Bolsonaro falou para imprensa e para o seu auditório mais fiel, que ele teria sido condenado sem ter cometido corrupção, ignorando ou fazendo se ignorar o fato de que a reunião teve um custo dispendioso.
Como presidente, Bolsonaro atuou com firmeza além da conta na manutenção de suas discursos, e as urnas eletrônicas foram alvos prioritários, mesmo tendo vencido eleições por mais de 20 anos – para Bolsonaro, não fossem as urnas, ele teria vencido no primeiro turno, em 2018. Mas a opção em tumultuar o ambiente eleitoral deu margem para que os responsáveis pelas cortes abrissem o sistema para que fosse auditado, inclusive pelo Exército Braslieiro, tão respeitado pelo ex presidente.
Jair Bolsonaro foi eleito em 2018, após vencer no segundo turno o petista Fernando Haddad, um então candidato extenuado que tomava a benção de Lula semanalmente, no cárcere em Curitiba. Haddad deixou a Prefeitura de São Paulo dois anos antes, classificado entre os paulistanos, como o pior prefeito da história do município, e seu partido era igualmente combalido após ser alcançado pela Operação Lava Jato, proporcionando a prisão do então ex-presidente, o que rechaça a teoria seguida por muitos, de que a comoção motivada por um atentado sofrido enquanto fazia campanha em Juiz de Fora/MG, contribuiu para a vitória de Bolsonaro, que obteve durante a campanha, um domínio sem sobressaltos. Bolsonaro até então, era um deputado de baixo clero, descoberto pelo grande público em um programa de humor; um dos figurantes preferidos do extinto CQC da Rede Bandeirantes que fazia incursões no Congresso Nacional, mas ao ser superestimado, alimentou sua base, gerando o bolsonarismo desabrido.
Reuniões no centro do poder não vão de encontro a qualquer preceito republicano, mas a razão para se promover uma – levantada a questão com embaixadores, é sobre a necessidade de convescote, sobretudo com uso indiscriminado do aparelho público, com acepipes, e nesse caso, se deu em período pré-eleitoral, o que é vedado pela Lei 9.504/97, Lei das eleições, posto que o anfitrião, então pré-candidato, exaltou suas qualidades pessoais, além da evidente crítica às urnas eletrônicas.
Arrisco me a dizer que o prejuízo político de maior monta, no que tange à inelegibilidade de Bolsonaro, é do Presidente Lula, que não terá mais o discurso de que fora afastado de uma eleição para o favorecimento de outro, com o agravante de que no momento do julgamento, Bolsonaro não disputava cargo público – em tempo; não há qualquer menção na Constituição Federal, na lei das eleições ou em qualquer código inerente, de que se deva interromper uma investigação, porque este ou aquele indiciado, é potencial candidato a cargo público em dois ou três anos; perde também, o fiel eleitor de Bolsonaro, que não terá a foto de seu ídolo nas urnas, e quem menos perde, é Bolsonaro, que com o apoio incondicional de sua claque, alimentará o bolsonarismo, agora com discurso ainda mais vitimista, se tornando cabo eleitoral de luxo. Os demais, tratados jocosamente como isentões, pela fidelidade que nutre ao comedimento político, vivem sob a expectativa de que desta feita, a decisão sejam consolidada, e que o baderneiro jogo de baralho de cartas marcadas jogado por atores desqualificados volte a ser um jogo pensado, silencioso e adequado.
Ainda navegando nos reflexos do processo do ex-presidente, há um sempre curto vácuo de liderança, agora no espectro da direita. Nomes como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Tereza Cristina e Romeu Zema são os mais citados, além do cachorro caramelo viralizado em memes que sugerem como indicação do capitão.
A sanha por cassação de mandatos no TSE assombra o eleitor que já presenciou um movimento abrupto contra Dalagnol e agora cassa Bolsonaro que pareceu em vários momentos, cavar sua própria sepultura, embora tenhamos a lição de que na política nunca devemos enterrar um defunto político, pois eles renascem em forma de anulações de processos, conforme os interesses dos julgadores.
É bom vigiar e argumentar sobre quem será a próxima vítima da máquina de moer votos, se terá um julgamento imparcial e justo como fora o de Jair Bolsonaro.

A TEMPESTADE QUASE PERFEITA

Aquele que sabe mandar encontra sempre quem deva obedecer. Friederich Nietzche


A semana que se encerrou foi muito esperada por todos que contemplam o mundo político, mas logo na segunda-feira, o mundo ficou aflito com o caso do submersível desaparecido na costa de St John’s, Newfoundland, no Canadá, que transportava cinco tripulantes para visitar os destroços do Titanic.
No dia seguinte aconteceu a oitiva com o ex-Diretor Geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, no âmbito da CPMI do atos antidemocráticos de 08/01. Para algum desavisado que estivesse ouvindo a dissertação do currículo do inquirido, sem saber de quem se tratava, poderia confundir e acreditar que aquele era o indicado ao STF (Supremo Tribunal Ferderal), graças à robusteza apresentada: Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Administração de empresas pela Universidade de Santa Catarina, Direito pela Universidade Itajaí, Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina, sete pós graduações, MBA em gestão empresarial, mestrado em Administração em gestão de pessoas, créditos de doutorado em direito pela Universidade Católica Argentina, Cursos na SWAT em Los Angeles e no ICE (Imigração e Execução Aduaneira) sigla em inglês, mais de 100 comendas recebidas ao longo da carreira pelos relevantes serviços prestados.
A expectativa sobre o seu depoimento se encerrou por aí, no mais, uma sucessão de dados expostos contestados pelos Deputados e Senadores governistas, que caso se confirmem as inverdades, Silvinei corre o risco de deixar a condição de testemunha para a condição de investigado.
Firme no propósito de mandelização – sem se ocupar com a pacificação do próprio país, Lula discursou durante apresentação da banda inglesa Coldplay em Paris, com tradução simultânea para o inglês em um país que não adere a língua inglesa. Lula não falou para franceses e não recebeu destaque esperado nos principais jornais do país. O discurso agressivo, cobrando dívida histórica dos países envolvidos nas grandes revoluções pode ter sido emocionante, mas não surtiu o efeito desejado pelo líder petista, que almeja o Prêmio Nobel da Paz,
Enquanto vagueva por Itália/Vaticano e França, no Brasil, se desenvolveu a sabatina ao seu indicado para a Suprema Corte, seu ex advogado, Cristiano Zanin, que fora bem aceito no Senado Federal, lócus conveniente para a sabatina prevista. O deleite de boa parte dos inquiridores se deu exatamente pelo vezo garantista do causídico, o que ficou explícito na fala do Senador Flávio Bolsonaro.
O garantismo jurídico pode ser resumido como um atenuante ao digressor da lei, e partindo dessa premissa, o garantista propende garantir o conforto do seu cliente. No Senado Federal de hoje, 35 (43%) nobres senadores respondem a inquéritos no STF , e contar com um Ministro que lhes garanta conforto é o mais prudente, dentro da ética dos parlamentares; portanto, votamos, na maioria das vezes, naqueles que nos corrompem, os legisladores votam em quem os julga.
Os requisitos para o cargo de ministro da Suprema Corte, são os seguintes: ser brasileiro nato; idade entre 35 anos e 65 anos; gozar dos direitos políticos; possuir notável saber jurídico e ter reputação ilibada.
Zanin reúne quatro das cinco condições formais para o cargo, falta lhe o notável saber jurídico, ao menos não restou comprovado durante a sabatina. O advogado do réu mais famoso do Brasil não apresentou grandes feitos no exercício de seu mister a não ser um amontoado de conquistas inautênticas, como respondera com pompa sobre uma virtual vitória do seu cliente mais famoso no âmbito da Operação Lava Jato, mas o que todos sabemos, foram duas condenações e havia outros processos na esteira, a prisão, 400 recursos negados após excelente trabalho investido pelos procuradores da Operação Lava Jato.
Ao contrário do que se viu, houve aceitação até o surgimento de mensagens vazadas e não periciadas, contradizendo o prisma garantista, quando usadas por Ministros da velha guarda do STF (Surepmo Tribunal Federal), o que indica que Zanin não foi vitorioso nos processos da Lava Jato, aliás, jamais conseguiu provar a inocência de seu suserano, que teve seus processos anulados com base na competência geográfica.
Outra controvérsia no currículo do Zanin, é sobre uma suposta decisão da ONU em relação aos julgamentos de Lula. Não houve resolução, mas sim um entendimento de que teria havido incongruências nos processos, mas só se ouviu uma das partes, e a tal resolução não tem qualquer valor em qualquer parte do mundo, entre os países filiados; e no Brasil é preciso que se esgotem todas as instâncias, e em caso de incongruências, pode se apelar em um tribunal internacional.
Quando o Senador Sérgio Moro interpelou o indicado se ele se declararia impedido de julgar processos inerentes à operação, foi respondido que a etiqueta Lava Jato não o intimidaria, e que sim, votaria com imparcialidade. Um claro flerte aos tantos senadores encalaclarados com a justiça. O resultado foi o esperado, com 58 votos favoráveis – 18 contra, Zanin é o mais novo Ministro do Supremo Tribunal Federal. Ainda sobre a intepelação, Moro provou mais uma vez dos perdigotos corrosivos dos Senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato que indiretamente, bafejaram sobre ele, ódio platônico.
Já na quinta-feira, dia 22 de junho, o evento mais aguardado, mormente no espectro da direita, o início do julgamento da inelegebilidade de Jair Bolsonaro por liderar uma reunião com embaixadores para denunciar supostas irregularidades com as urnas eletrônicas.
O julgamento iniciou com a leitura do relatório de 40 páginas, sustentação oral acrescida com a autorização cortez do Ministro Alexandre de Moraes, e a seção interrompida para reinício na semana que se inicia, sabe se que o voto do relator, Ministro Benedito Gonçalves contém 400 páginas. Há entre os adeptos do ex-presidente, a torcida pelo pedido de vista pelo Ministro Kássio Nunes, retardando o processo em mais 90 dias.
Mesmo que a inelegebilidade seja esperada, em caso de pedido de vista, o ex-presidente teria a manutenção de uma forte narrativa ainda com os seus direitos políticos, um artifício para a construção de seu eventual substituto sem deixar vácuo de liderança.
A iminente perda dos direitos políticos de Jair Bolsonaro é fruto de sua costumeira falta de temperança e serve como saboroso acompanhamento de um prato indigesto, que se come frio, a vingança servida por Lula, que usa de seus aduladores para afrontar o povo brasileiro e subestimar o cenário global que não lhe reconhece. A certeza de momento, enquanto flui o julgamento contra Bolsonaro e adesão de Zanin ao poder, é a que Lula tempera seu prato com ingredientes picantes para o povo brasileiro, enquanto o mundo lhe ignora. A impunidade que brindou Lula, é a mesma esperada por Bolsonaro, que vaticina sua candidatura a presidente, por ter indicado os ministros Kássio Nunes e André Mendonça, que formarão a Presidência e Vice-Presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), respectivamente, em 2026.
Para fechar a semana em que se prenunciava uma tempestade perfeita, veio a notícia já esperada da morte dos exploradores dos restos do Titanic após a implosão do submersível, a sexta-feira ainda nos reservava uma surpresa, o barulho advindo da Rússia e uma mal esclarecida tentativa de golpe, e de lá, não notamos a presença do “presidente turista” para resolver a questão, tomando uma cervejinha com os cossacos contemporâneos. Os eventos de uma semana conturbada corroboram para uma importante lição, a de que o passado não se reescreve!