O JULGAMENTO DE BOLSONARO

Quem perde e quem ganha? Quem será o herdeiro político?

As decisões que envolvem as forças políticas da nação afetam o povo, sobretudo quando deixam incertezas, e no momento de polarização que desequilibra outros matizes políticos ideológicos, as atenções se viram para avaliar quem é mais perdedor e quem será o herdeiro político do principal líder da direita no Brasil, diante de cenário tão nebuloso
Enquanto a atenção do bolsonarismo estava nas urnas eletrônicas, a surpresa estava reservada para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral ) onde se desfez os votos de Deltan Dalagnol, e de onde se suspendeu a carreira política de Jair Bolsonaro; a diferença entre um processo e outro, é o que do ex-presidente, houve de fato um julgamento, com sustentação oral, votos fundamentados divididos em três sessões, enquanto o primeiro, fora executado sumariamente em 66 segundos. Há a expectativa sobre o julgamento que envolve o Senador Sergio Moro, o último bastião anticorrupção no panorama político nacional e sabendo que todo processo político é precedido de ameaça, a que está recorrendo apresenta açodamento de campanha para Senador no Paraná, e a já conhecida aleivosia do petismo tradicional entra em cena, com Gleise Hoffmann e Zeca Dirceu.
Bolsonaro foi julgado por prática de abuso de poder político e pelo uso indevido de meios de comunicação ao se reunir com embaixadores no Palácio do Alvorada, de onde vituperou o sistema eleitoral brasileiro. O julgamento que decidiu pela inelegibilidade transcorreu na absoluta normalidade, sem pedido de vista. Logo após o resultado, Bolsonaro falou para imprensa e para o seu auditório mais fiel, que ele teria sido condenado sem ter cometido corrupção, ignorando ou fazendo se ignorar o fato de que a reunião teve um custo dispendioso.
Como presidente, Bolsonaro atuou com firmeza além da conta na manutenção de suas discursos, e as urnas eletrônicas foram alvos prioritários, mesmo tendo vencido eleições por mais de 20 anos – para Bolsonaro, não fossem as urnas, ele teria vencido no primeiro turno, em 2018. Mas a opção em tumultuar o ambiente eleitoral deu margem para que os responsáveis pelas cortes abrissem o sistema para que fosse auditado, inclusive pelo Exército Braslieiro, tão respeitado pelo ex presidente.
Jair Bolsonaro foi eleito em 2018, após vencer no segundo turno o petista Fernando Haddad, um então candidato extenuado que tomava a benção de Lula semanalmente, no cárcere em Curitiba. Haddad deixou a Prefeitura de São Paulo dois anos antes, classificado entre os paulistanos, como o pior prefeito da história do município, e seu partido era igualmente combalido após ser alcançado pela Operação Lava Jato, proporcionando a prisão do então ex-presidente, o que rechaça a teoria seguida por muitos, de que a comoção motivada por um atentado sofrido enquanto fazia campanha em Juiz de Fora/MG, contribuiu para a vitória de Bolsonaro, que obteve durante a campanha, um domínio sem sobressaltos. Bolsonaro até então, era um deputado de baixo clero, descoberto pelo grande público em um programa de humor; um dos figurantes preferidos do extinto CQC da Rede Bandeirantes que fazia incursões no Congresso Nacional, mas ao ser superestimado, alimentou sua base, gerando o bolsonarismo desabrido.
Reuniões no centro do poder não vão de encontro a qualquer preceito republicano, mas a razão para se promover uma – levantada a questão com embaixadores, é sobre a necessidade de convescote, sobretudo com uso indiscriminado do aparelho público, com acepipes, e nesse caso, se deu em período pré-eleitoral, o que é vedado pela Lei 9.504/97, Lei das eleições, posto que o anfitrião, então pré-candidato, exaltou suas qualidades pessoais, além da evidente crítica às urnas eletrônicas.
Arrisco me a dizer que o prejuízo político de maior monta, no que tange à inelegibilidade de Bolsonaro, é do Presidente Lula, que não terá mais o discurso de que fora afastado de uma eleição para o favorecimento de outro, com o agravante de que no momento do julgamento, Bolsonaro não disputava cargo público – em tempo; não há qualquer menção na Constituição Federal, na lei das eleições ou em qualquer código inerente, de que se deva interromper uma investigação, porque este ou aquele indiciado, é potencial candidato a cargo público em dois ou três anos; perde também, o fiel eleitor de Bolsonaro, que não terá a foto de seu ídolo nas urnas, e quem menos perde, é Bolsonaro, que com o apoio incondicional de sua claque, alimentará o bolsonarismo, agora com discurso ainda mais vitimista, se tornando cabo eleitoral de luxo. Os demais, tratados jocosamente como isentões, pela fidelidade que nutre ao comedimento político, vivem sob a expectativa de que desta feita, a decisão sejam consolidada, e que o baderneiro jogo de baralho de cartas marcadas jogado por atores desqualificados volte a ser um jogo pensado, silencioso e adequado.
Ainda navegando nos reflexos do processo do ex-presidente, há um sempre curto vácuo de liderança, agora no espectro da direita. Nomes como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Tereza Cristina e Romeu Zema são os mais citados, além do cachorro caramelo viralizado em memes que sugerem como indicação do capitão.
A sanha por cassação de mandatos no TSE assombra o eleitor que já presenciou um movimento abrupto contra Dalagnol e agora cassa Bolsonaro que pareceu em vários momentos, cavar sua própria sepultura, embora tenhamos a lição de que na política nunca devemos enterrar um defunto político, pois eles renascem em forma de anulações de processos, conforme os interesses dos julgadores.
É bom vigiar e argumentar sobre quem será a próxima vítima da máquina de moer votos, se terá um julgamento imparcial e justo como fora o de Jair Bolsonaro.

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