“No comunismo é o homem dominando o homem, já no socialismo é o contrário.”
Roosevelt

Quando o Vice-Presidente Geraldo Alckmin iniciou a transição de governo, o ainda presidente e candidato derrotado Jair Bolsonaro fez questão de cumprimentá-lo de modo informal, a despeito de não cumprimentar Lula o vencedor da disputa. Bolsonaro teria dito a Alckmin: – “Não entregue nosso país ao comunismo!”. Alckmin apenas sorriu e trouxe a público, a parte mais pitoresca do diálogo, corroborando a imagem folclórica do que é o comunismo no Brasil. A última tentativa frustrada se deu em 1935, com a intentona comunista liderada por Júlio Prestes, e rechaçada sem envidar muitos esforços, por falta de apoio. De lá para cá, houve relativo avanço da esquerda no país, que inclusive provocou um enclave na nossa democracia durante o período do regime militar, entre 1964 e 1985. O militarismo nesse período foi uma ditadura com outra roupagem, e após a saída do poder, a democracia se restabeleceu com a participação dos mais variados espectros – tendo a esquerda que até aqui apenas flerta com o comunismo, vencido cinco pleitos presidenciais.
No último dia 01/07 o Datafolha divulgou pesquisa que expressou o receio por parte de 52% da população brasileira de o Brasil se tornar um país comunista. Não há motivos para a preocupação, embora haja quem defenda um regime igualitário, mas a distância entre um militante adepto do comunismo e o líder comunista é abissal, o adepto, na maior parte dos casos é um mero sonhador. O líder molda seu sistema à custa do suor do povo que repassa suas decisões – em um país comunista, não se tem um governante, mas um tutor.
Relativizar a democracia, o comunismo, o fascismo e o nazismo são erros corriqueiros cometidos por lideranças e por eleitores. Quando Lula verborragiu que a democracia é relativa, Gilmar Mendes, o mais boca-rota e seguro Ministro da Suprema Corte, em um átimo de clarividência, lhe deu uma aula sobre o que é democracia; disse Gilmar, entre outras coisas: “A realização de eleições, em tal hipotético cenário, jamais poderia afiançar o caráter democrático de um regime político: aos eleitores não cumpre escolher entre governo e oposição, mas apenas referendar a vontade do ditador de plantão”.
Lula dá claros sinais de que pretende transformar o Brasil em um país comunista, sabe se lá, se por um devaneio de alguém que viveu os apanágios do socialismo e emitiu voz em favor de uma esquerda outrora falida, mas agora, traz consigo um discurso além de agressivo, alinhado com a esquerda mais extremada, representada pelo mais conhecido e há mais tempo no poder, Nicolás Maduro, a quem Lula afagou como um democrata e que ele deveria criar narrativas para defender a democracia empenhada na Venezuela. Mentira!
Faço um convite à reminiscência de uma das primeiras viagens de Lula ao exterior, quando foi à China com uma comitiva de mais de 70 figurantes, entre eles, João Pedro Stédile, líder do MST, (Movimento dos Sem Terra) sem qualquer agenda prevista, ao menos é o que se tem ciência. O apreço que Lula nutre à invasão de terras, que somado ao seu histórico de sindicalista, e a repentina evasão de multinacionais, sobretudo automotivas, indicam uma interiorização premente no radar do governo, confirmando o vezo comunista do presidente Lula, que ignora os sofrimentos e mortes, como foi o caso do Khmer Vermelho, o Partido Comunista no Camboja do líder Pol Pot, que governou o país entre 1975 e 1979, só para mencionar como exemplo, um dos mais recentes e lúgubres capítulos do comunismo.
Pol Pot tinha fixação pelo ruralismo, e acreditava que a produção no campo afastaria o seu povo de informações, a vida na produção agrícola sob os auspícios do Estado, purificaria e fortaleceria o povo corrompido pela vida urbana. O resultado fora um massacre que ceifou a vida de mais de 1,5 milhão cambojanos extenuados pelos serviçõs braçais ou de fome; somado às mortes de vietnamitas que fugiam da guerra em seu país, o número de mortos ultrapassou 2 milhões, segundo R.J Rummel no seu livro Death by Government (Mortos pelo governo) em tradução livre, o número de mortos, chegou a 2.035 mil pessoas.
Engenharia Social é um conceito que tende a influenciar o comportamento social; enquanto no ambiente democrático, a persuasão se dá pelo governo por meio de discursos, decretos e a apresentação da visão de poder em negociações com o legislativo, o que vem sendo mostrado. A volta do Mais Médicos, o PL (Projeto de Lei) 2630 – PL das fake news, o afago a Maduro e Ortega e a criação de um Cesta Básica Nacional de Alimentos, que compõe a PEC da Reforma Tributária (Proposta de Emenda Parlamentar) 45/2019; desonerar a cesta básica é um ato humanitário, por óbvio, mas deve ser acompanhada por mecanismos que garantam a distribuição dos alimentos e quais os são, bem como a qualidade dos produtos ofertados. O imposto do pecado, que onera o custo de bem nocivos, como o tabaco, bebida alcóolica e afins é mais uma indicação de engenharia Social, e estaria impedindo o consumidor habituado aos produtos contemplados de adquirí-los.
No livro Utopia, o conceito de comunismo é difundido de forma velada, há na obra de Thomas More, menção ao cristianismo, a única questão que distancia do comunismo, posto que o conceito não prevê liberdade religiosa. A família é a base da organização social, que elege seu líder, o sifogrante. Os métodos são copiados para a eleição do príncipe. Os sifograntes são eleitos anualmente, mas geralmente se perpetuam nos cargos, tal como o Chavismo, hoje representado por Maduro. No poder de Utopia – uma ilha, não há representantes mulheres, há menções a escravos, uniformização salarial, assistencialismo, enfim, uma leitura obrigatória para se entender aquilo que horroriza a quem goza da democracia.
Viabilizar o comunismo não é tão fácil, sobretudo quando a intenção já está identificada pelo povo. As constantes reuniões de países latinoamericanos trazem ao palco da política regional, lideranças que contrapõem com galhardia o comunismo, o mais polido é Luís Lacalle Pou, presidente do Uruguai, um pequeno país ao sul da América do Sul, um algodão entre cristais – entre Brasil e Argentina, que desenvolvem movimentos mais agudos de esquerda. Pou tem se tornado, importante liderança ante à governantes que envergam suas bandeiras vermelhas. Em tempo; o Uruguai foi governado até há pouco por Pepe Mujica, um adepto do comunismo, que com o desenho igualitário e sem pompas para o seu entorno, realizou de forma inusual o seu sonho, uma exceção! O comunismo no Brasil tem dois sonhadores na comissão de frente do poder, o presidente Lula, e o seu ministro da Justiça, Flávio Dino, o Mestre de Cerimônias da República, e de modo temperamental, defendem suas convicções ao mesmo passo em que atacam seus antagonistas.
Durante as negociações para a votação da Reforma Tributária, um nome do espectro da direita despontou no exato momento em que um vácuo turbulento de liderança neste campo é latente. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ex-alcólito de Bolsonaro é uma estaca que sistematicamente discrepará de forças extremistas, e em certa medida não dará brechas para o surgimento do comunismo no Brasil.
O PT (Partido dos Trabalhadores), com sua conduta costumeira e comprovada de atos de corrupção enquanto no poder, seria em tese, um vetor importante para a implantação do comunismo, considerando a corrupção como desatino para se livrar das tantas privações que o regime impõe ao povo.
O Exército Brasileiro assim como não embarcou na proposta insana de golpe recentemente – por sorte, pois seria o golpe mais facilmente aplicado, dada a vulnerabilidade de um governo ainda incipiente, não embarcará em uma proposta comunista, tão amalucada como a primeira. A Constituição Federal tem muito mais que quatro linhas, e a ela se deve dedicar respeito absoluto. A Suprema Corte, antes acovardada na visão de Lula, quando agiu concorrente ao governo anterior, não deu salvo conduto ao atual, como nos externa a forte admoestação de seu decano, levando nos a crer que qualquer tentativa de se implantar o comunismo no Brasil será aplacada por uma conjunção de forças, do povo aos poderes constitucionais.
O que embaraça a implantação do comunismo no Brasil são as intenções do Presidente, que mendiga o Prêmio Nobel da Paz com a mão direita e com a esquerda oferece um regime falido, que não prosperou em qualquer lugar do mundo. Lula vive um paradoxo e precisa se decidir por um ou outro intento, e o que nos resta é acompanhar com atenção os rumos até que se apresente o prometido governo de frente ampla.