O JULGAMENTO DE BOLSONARO

Quem perde e quem ganha? Quem será o herdeiro político?

As decisões que envolvem as forças políticas da nação afetam o povo, sobretudo quando deixam incertezas, e no momento de polarização que desequilibra outros matizes políticos ideológicos, as atenções se viram para avaliar quem é mais perdedor e quem será o herdeiro político do principal líder da direita no Brasil, diante de cenário tão nebuloso
Enquanto a atenção do bolsonarismo estava nas urnas eletrônicas, a surpresa estava reservada para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral ) onde se desfez os votos de Deltan Dalagnol, e de onde se suspendeu a carreira política de Jair Bolsonaro; a diferença entre um processo e outro, é o que do ex-presidente, houve de fato um julgamento, com sustentação oral, votos fundamentados divididos em três sessões, enquanto o primeiro, fora executado sumariamente em 66 segundos. Há a expectativa sobre o julgamento que envolve o Senador Sergio Moro, o último bastião anticorrupção no panorama político nacional e sabendo que todo processo político é precedido de ameaça, a que está recorrendo apresenta açodamento de campanha para Senador no Paraná, e a já conhecida aleivosia do petismo tradicional entra em cena, com Gleise Hoffmann e Zeca Dirceu.
Bolsonaro foi julgado por prática de abuso de poder político e pelo uso indevido de meios de comunicação ao se reunir com embaixadores no Palácio do Alvorada, de onde vituperou o sistema eleitoral brasileiro. O julgamento que decidiu pela inelegibilidade transcorreu na absoluta normalidade, sem pedido de vista. Logo após o resultado, Bolsonaro falou para imprensa e para o seu auditório mais fiel, que ele teria sido condenado sem ter cometido corrupção, ignorando ou fazendo se ignorar o fato de que a reunião teve um custo dispendioso.
Como presidente, Bolsonaro atuou com firmeza além da conta na manutenção de suas discursos, e as urnas eletrônicas foram alvos prioritários, mesmo tendo vencido eleições por mais de 20 anos – para Bolsonaro, não fossem as urnas, ele teria vencido no primeiro turno, em 2018. Mas a opção em tumultuar o ambiente eleitoral deu margem para que os responsáveis pelas cortes abrissem o sistema para que fosse auditado, inclusive pelo Exército Braslieiro, tão respeitado pelo ex presidente.
Jair Bolsonaro foi eleito em 2018, após vencer no segundo turno o petista Fernando Haddad, um então candidato extenuado que tomava a benção de Lula semanalmente, no cárcere em Curitiba. Haddad deixou a Prefeitura de São Paulo dois anos antes, classificado entre os paulistanos, como o pior prefeito da história do município, e seu partido era igualmente combalido após ser alcançado pela Operação Lava Jato, proporcionando a prisão do então ex-presidente, o que rechaça a teoria seguida por muitos, de que a comoção motivada por um atentado sofrido enquanto fazia campanha em Juiz de Fora/MG, contribuiu para a vitória de Bolsonaro, que obteve durante a campanha, um domínio sem sobressaltos. Bolsonaro até então, era um deputado de baixo clero, descoberto pelo grande público em um programa de humor; um dos figurantes preferidos do extinto CQC da Rede Bandeirantes que fazia incursões no Congresso Nacional, mas ao ser superestimado, alimentou sua base, gerando o bolsonarismo desabrido.
Reuniões no centro do poder não vão de encontro a qualquer preceito republicano, mas a razão para se promover uma – levantada a questão com embaixadores, é sobre a necessidade de convescote, sobretudo com uso indiscriminado do aparelho público, com acepipes, e nesse caso, se deu em período pré-eleitoral, o que é vedado pela Lei 9.504/97, Lei das eleições, posto que o anfitrião, então pré-candidato, exaltou suas qualidades pessoais, além da evidente crítica às urnas eletrônicas.
Arrisco me a dizer que o prejuízo político de maior monta, no que tange à inelegibilidade de Bolsonaro, é do Presidente Lula, que não terá mais o discurso de que fora afastado de uma eleição para o favorecimento de outro, com o agravante de que no momento do julgamento, Bolsonaro não disputava cargo público – em tempo; não há qualquer menção na Constituição Federal, na lei das eleições ou em qualquer código inerente, de que se deva interromper uma investigação, porque este ou aquele indiciado, é potencial candidato a cargo público em dois ou três anos; perde também, o fiel eleitor de Bolsonaro, que não terá a foto de seu ídolo nas urnas, e quem menos perde, é Bolsonaro, que com o apoio incondicional de sua claque, alimentará o bolsonarismo, agora com discurso ainda mais vitimista, se tornando cabo eleitoral de luxo. Os demais, tratados jocosamente como isentões, pela fidelidade que nutre ao comedimento político, vivem sob a expectativa de que desta feita, a decisão sejam consolidada, e que o baderneiro jogo de baralho de cartas marcadas jogado por atores desqualificados volte a ser um jogo pensado, silencioso e adequado.
Ainda navegando nos reflexos do processo do ex-presidente, há um sempre curto vácuo de liderança, agora no espectro da direita. Nomes como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Tereza Cristina e Romeu Zema são os mais citados, além do cachorro caramelo viralizado em memes que sugerem como indicação do capitão.
A sanha por cassação de mandatos no TSE assombra o eleitor que já presenciou um movimento abrupto contra Dalagnol e agora cassa Bolsonaro que pareceu em vários momentos, cavar sua própria sepultura, embora tenhamos a lição de que na política nunca devemos enterrar um defunto político, pois eles renascem em forma de anulações de processos, conforme os interesses dos julgadores.
É bom vigiar e argumentar sobre quem será a próxima vítima da máquina de moer votos, se terá um julgamento imparcial e justo como fora o de Jair Bolsonaro.

A TEMPESTADE QUASE PERFEITA

Aquele que sabe mandar encontra sempre quem deva obedecer. Friederich Nietzche


A semana que se encerrou foi muito esperada por todos que contemplam o mundo político, mas logo na segunda-feira, o mundo ficou aflito com o caso do submersível desaparecido na costa de St John’s, Newfoundland, no Canadá, que transportava cinco tripulantes para visitar os destroços do Titanic.
No dia seguinte aconteceu a oitiva com o ex-Diretor Geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, no âmbito da CPMI do atos antidemocráticos de 08/01. Para algum desavisado que estivesse ouvindo a dissertação do currículo do inquirido, sem saber de quem se tratava, poderia confundir e acreditar que aquele era o indicado ao STF (Supremo Tribunal Ferderal), graças à robusteza apresentada: Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Administração de empresas pela Universidade de Santa Catarina, Direito pela Universidade Itajaí, Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina, sete pós graduações, MBA em gestão empresarial, mestrado em Administração em gestão de pessoas, créditos de doutorado em direito pela Universidade Católica Argentina, Cursos na SWAT em Los Angeles e no ICE (Imigração e Execução Aduaneira) sigla em inglês, mais de 100 comendas recebidas ao longo da carreira pelos relevantes serviços prestados.
A expectativa sobre o seu depoimento se encerrou por aí, no mais, uma sucessão de dados expostos contestados pelos Deputados e Senadores governistas, que caso se confirmem as inverdades, Silvinei corre o risco de deixar a condição de testemunha para a condição de investigado.
Firme no propósito de mandelização – sem se ocupar com a pacificação do próprio país, Lula discursou durante apresentação da banda inglesa Coldplay em Paris, com tradução simultânea para o inglês em um país que não adere a língua inglesa. Lula não falou para franceses e não recebeu destaque esperado nos principais jornais do país. O discurso agressivo, cobrando dívida histórica dos países envolvidos nas grandes revoluções pode ter sido emocionante, mas não surtiu o efeito desejado pelo líder petista, que almeja o Prêmio Nobel da Paz,
Enquanto vagueva por Itália/Vaticano e França, no Brasil, se desenvolveu a sabatina ao seu indicado para a Suprema Corte, seu ex advogado, Cristiano Zanin, que fora bem aceito no Senado Federal, lócus conveniente para a sabatina prevista. O deleite de boa parte dos inquiridores se deu exatamente pelo vezo garantista do causídico, o que ficou explícito na fala do Senador Flávio Bolsonaro.
O garantismo jurídico pode ser resumido como um atenuante ao digressor da lei, e partindo dessa premissa, o garantista propende garantir o conforto do seu cliente. No Senado Federal de hoje, 35 (43%) nobres senadores respondem a inquéritos no STF , e contar com um Ministro que lhes garanta conforto é o mais prudente, dentro da ética dos parlamentares; portanto, votamos, na maioria das vezes, naqueles que nos corrompem, os legisladores votam em quem os julga.
Os requisitos para o cargo de ministro da Suprema Corte, são os seguintes: ser brasileiro nato; idade entre 35 anos e 65 anos; gozar dos direitos políticos; possuir notável saber jurídico e ter reputação ilibada.
Zanin reúne quatro das cinco condições formais para o cargo, falta lhe o notável saber jurídico, ao menos não restou comprovado durante a sabatina. O advogado do réu mais famoso do Brasil não apresentou grandes feitos no exercício de seu mister a não ser um amontoado de conquistas inautênticas, como respondera com pompa sobre uma virtual vitória do seu cliente mais famoso no âmbito da Operação Lava Jato, mas o que todos sabemos, foram duas condenações e havia outros processos na esteira, a prisão, 400 recursos negados após excelente trabalho investido pelos procuradores da Operação Lava Jato.
Ao contrário do que se viu, houve aceitação até o surgimento de mensagens vazadas e não periciadas, contradizendo o prisma garantista, quando usadas por Ministros da velha guarda do STF (Surepmo Tribunal Federal), o que indica que Zanin não foi vitorioso nos processos da Lava Jato, aliás, jamais conseguiu provar a inocência de seu suserano, que teve seus processos anulados com base na competência geográfica.
Outra controvérsia no currículo do Zanin, é sobre uma suposta decisão da ONU em relação aos julgamentos de Lula. Não houve resolução, mas sim um entendimento de que teria havido incongruências nos processos, mas só se ouviu uma das partes, e a tal resolução não tem qualquer valor em qualquer parte do mundo, entre os países filiados; e no Brasil é preciso que se esgotem todas as instâncias, e em caso de incongruências, pode se apelar em um tribunal internacional.
Quando o Senador Sérgio Moro interpelou o indicado se ele se declararia impedido de julgar processos inerentes à operação, foi respondido que a etiqueta Lava Jato não o intimidaria, e que sim, votaria com imparcialidade. Um claro flerte aos tantos senadores encalaclarados com a justiça. O resultado foi o esperado, com 58 votos favoráveis – 18 contra, Zanin é o mais novo Ministro do Supremo Tribunal Federal. Ainda sobre a intepelação, Moro provou mais uma vez dos perdigotos corrosivos dos Senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato que indiretamente, bafejaram sobre ele, ódio platônico.
Já na quinta-feira, dia 22 de junho, o evento mais aguardado, mormente no espectro da direita, o início do julgamento da inelegebilidade de Jair Bolsonaro por liderar uma reunião com embaixadores para denunciar supostas irregularidades com as urnas eletrônicas.
O julgamento iniciou com a leitura do relatório de 40 páginas, sustentação oral acrescida com a autorização cortez do Ministro Alexandre de Moraes, e a seção interrompida para reinício na semana que se inicia, sabe se que o voto do relator, Ministro Benedito Gonçalves contém 400 páginas. Há entre os adeptos do ex-presidente, a torcida pelo pedido de vista pelo Ministro Kássio Nunes, retardando o processo em mais 90 dias.
Mesmo que a inelegebilidade seja esperada, em caso de pedido de vista, o ex-presidente teria a manutenção de uma forte narrativa ainda com os seus direitos políticos, um artifício para a construção de seu eventual substituto sem deixar vácuo de liderança.
A iminente perda dos direitos políticos de Jair Bolsonaro é fruto de sua costumeira falta de temperança e serve como saboroso acompanhamento de um prato indigesto, que se come frio, a vingança servida por Lula, que usa de seus aduladores para afrontar o povo brasileiro e subestimar o cenário global que não lhe reconhece. A certeza de momento, enquanto flui o julgamento contra Bolsonaro e adesão de Zanin ao poder, é a que Lula tempera seu prato com ingredientes picantes para o povo brasileiro, enquanto o mundo lhe ignora. A impunidade que brindou Lula, é a mesma esperada por Bolsonaro, que vaticina sua candidatura a presidente, por ter indicado os ministros Kássio Nunes e André Mendonça, que formarão a Presidência e Vice-Presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), respectivamente, em 2026.
Para fechar a semana em que se prenunciava uma tempestade perfeita, veio a notícia já esperada da morte dos exploradores dos restos do Titanic após a implosão do submersível, a sexta-feira ainda nos reservava uma surpresa, o barulho advindo da Rússia e uma mal esclarecida tentativa de golpe, e de lá, não notamos a presença do “presidente turista” para resolver a questão, tomando uma cervejinha com os cossacos contemporâneos. Os eventos de uma semana conturbada corroboram para uma importante lição, a de que o passado não se reescreve!

QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?

“O futuro é como um ovo de serpente. Através de uma frágil membrana, distingue se um réptil formado.”
Ingmar Bergman


O Ovo da Serpente é um filme do sueco Ingmar Bergman que tem como cenário a Alemanha no período entre guerras; o país vivia uma tenebrosa recessão, com inflação de 29000%, onde um pãozinho custava quatro milhões de marcos, um maço de cigarros custava 8 bilhões de marcos. A trama retrata a saga de três judeus circenses que desempregados, em ambiente lúgubre, aceitaram trabalhar em uma clínica de experimentos com humanos. O título da obra se tornou metáfora para todas as questões inconcluídas, por sugerir o surgimento de tempos ainda mais sombrios na Alemanha, quiçá no mundo, o nazismo, o que se confirmou com a ascensão de Adolf Hitler, dez anos depois.
No Brasil de panorama político polarizado é possível também aplicar a metáfora; com a coincidente redemocratização e o início de uma nova constituição, tal como na República de Weimar; cá também com índices de inflação assombrosos em seu início.
Diferentemente do que era a Alemanha dos anos 1920, o Brasil redemocratizado enfrentou turbulências típicas de país de terceiro mundo, como alta inflação e dois processos legítimos de impeachment contra presidentes da república, mas em algum momento, o país conquistou respeito no mundo pela moeda forte, o Real e o combate à corrupção que assola o Brasil, porém, há vinte anos, vivemos uma dicotomia rasa que impede o exercício de discernimento do eleitor, que empunha uma bandeira imaginária de direita ou de esquerda, sem entender exatamente o significado, mas em nome de um líder para tratá-lo como salvador da pátria, enquanto os experimentos se seguem. Aqui não sabemos ainda se somos os pesquisadores ou as cobaias humanas, em referência à obra de Ingmar Bergman.
Recentemente, assistimos atônitos – salvo à shadenfreude dos adoradores de Lula – à cassação do Deputado Dallagnol, e já ocupamos a fila do gargarejo para assistir a inegelibilidade de Jair Bolsonaro, o mito de alguns milhões de brasileiros.
A premente cassação dos direitos políticos de Bolsonaro pode ser mais um ovo da serpente incubado, a martirização de um político populista que divide a atenção com outro de igual quilate tende a polarizar ainda mais, arruinando momentaneamente a carreira de um líder, motivando o surgimento de um substituto por oito anos – período de inegebilidade.
Na ciência política usamos a teoria do bode na sala, que é a troca de algo ruim por algo pior, que proporciona o retorno do anterior como um alento, e é razoável admitir que o ovo da serpente é fruto dessa teoria, no nosso caso de acentuada divisão, pode se prever alternância de poder, com prejuízos à nação.
A filósofa Hannah Arendt, fez a cobertura jornalística do julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém em 1963. Para o New Yorker, Arendt descreveu Eichmann como um oportunista, de ex-vendedor, de parcos recursos, a um cumpridor de ordens que conquistou a confiança do Führer. Contudo, Arendt não estava o perdoando ou o absolvendo dos crimes de guerra por ele cometidos – Eichman fora responsabilizado pela morte de mais de 400 mil judeus; ela havia compreendido os motivos que o levaram a enviar judeus para os campos de extermínios, surge neste contexto, a banalidade do mal.
O mal se torna banal quando uma figura proeminente se abstrai das condutas éticas e assume mau comportamento, oferecendo prejuízo a outrem, invariavelmente com o respaldo de cúmplices, os ditos oportunistas, como interpretado por Arendt.
Quando o ex presidente Fernando Henrique Cardoso indicou para a Suprema Corte, o Minsitro Gilmar Mendes, a escolha pareceu acertada, Mendes já possuía notório saber jurídico, tinha um ótimo currículo de carreira sólida versada no Ministério Público. Ao longo dos governos Lula I e II, Gilmar Mendes foi um implacável e pragmático orador contra a corrupção e apoiador inconteste da Força Tarefa que viria desbaratar a quadrilha que se ocupava de corrupção sistêmica, liderada, não por acaso pelo próprio então ex presidente. Ocupante há mais tempo na Suprema Corte, Gilmar Mendes foi motivado a exercer o mal de forma banal, quando confrontado, e hoje é uma ferramenta inoxidável contra os operadores da justiça.
O mesmo pode se dizer do Ministro Alexandre de Moraes, indicado pelo ex presidente Michel Temer, com uma folha de bons serviços prestados na Segurança Pública do Estado de São Paulo e Ministro da Justiça, Moraes foi provocado durante quatro anos pelo ex presidente Bolsonaro, que extraiu do Ministro, seu instinto mais perverso. Mais um exemplo da banalidade do mal, oportunizada por um fracassado golpe de estado, mal gestado durante uma eleição decidida com 1,8%. Moraes enfrentou com galhardia qualquer um que se opusesse aos ditames da lei, mas ganhou envergadura para afrontar o Estado Democrático de Direito censurando formadores de opinião.
No Senado Federal, Zanin, o novo indicado, já é um quadro político e entre suas promessas de campanha, há a de se declarar impedido nos julgamentos que envolvam seu ex cliente mais famoso. O mesmo não foi dito a respeito dos julgamentos que envolvam a Operação Lava Jato e/ou seus atores, talvez porque não foi interpelado por aqueles que podem evitar a eclosão de novos ovos da serpente, ou por fazer parte de uma ninhada sólida comandada por dois líderes, um incumbente, outro tentando se equilibrar na ribalta política dividindo diametralmente um auditório cada vez mais néscio.

A CRUZADA PETISTA E A FALÊNCIA MORAL DO BRASIL

“Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança”
Hannah Arendt

O Brasil tem um presidente que mira o improvável Prêmio Nobel da Paz, e desconectado com a realidade brasileira, torra o dinheiro do povo em interminável lua de mel – Lula já está de malas prontas com sua giriquita para viagem à Paris e Roma.
Enquanto isso, os palhaços do seu reino falam e acusam seus inimigos escolhidos do que bem entendem nas redes sociais, sob a complacência dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o que falta com os palhaços do reino vizinho, ou seja, pau que bate em Zambelli não é o mesmo que bate em Janones. O STF está de cócoras, comendo nas mãos de bandidos de colarinho branco, em suma, a Suprema Corte está completamente acovardada, liderada por um batráquio que emite um som muito parecido com a voz humana, mas não passa de um sopro fétido de insultos à operação que ousou combater os males que há muito tempo destróem a nação.
Para completar a desonra chancelada por estes que deveriam guardar com zelo a nossa constituição, vem aí um novo colega, o Zanim para o STF, mas é melhor aceitar calado, pode ser pior; e se Lula decidir que melhor que o Zanim é o Tacla Duran? É… manda quem pode, obedece, quem tem juízo!
O Brasil regrediu no combate à corrupção nos últimos dez anos, conforme divulgado pela Transparência Internacional em 31 de janeiro último, com base nos dados do IPC (ìndice de Percepção da Corrupção). Em 2012, o Brasil figurava na 69ª posição entre 180 países, agora, figura entre os mesmos 180 países, na 94ª posição.
O IPC utiliza a escala de zero a cem, sendo zero, “altamente corrupto” e cem “muito íntegro”, o destaque positivo é a Dinamarca, a melhor colocada com 90 pontos e o destaque negativo, a Somália com 12 pontos, a pior colocada. O Brasil, com 38 pontos está abaixo da média mundial de 43 pontos.
Considerando os blocos econômicos, o BRICS tem média de 39 pontos; o G20, média de 53 pontos; OCDE, média de 66 pontos. Na América Latina e Caribe, a média é de 43 pontos, o que mostra a clara decadência do Brasil, no que concerne ao trato da coisa pública.


⦁ 2012: 43 pontos
⦁ 2013: 42 pontos
⦁ 2014: 43 pontos
⦁ 2015: 38 pontos
⦁ 2016: 40 pontos
⦁ 2017: 37 pontos
⦁ 2018 e 2019: 35 pontos
⦁ 2020, 2021 e 2022: 38 pontos

Curiosamente, essa decadência do Brasil no IPC, se deu no período em que a Lava Jato atuou frontalmente contra o crime de colarinho branco, colocando na prisão, barões da corrupção no Brasil e até no exterior.
No último dia 07 de junho, o jornalista Carlos Graieb, em artigo para O Antogonista, atribuiu ao STF, o retrocesso do Brasil no combate à corrupção – “O STF faz o Brasil regredir dez anos no combate à corrupção”.
Analisando friamente o exposto, para corroborar a menção do artigo, lembremos que desde prisão do então ex presidente Lula, em 2018 e aos primeiros vazamentos das mensagens não periciadas da vaza jato em junho de 2019, o Brasil chegou ao seu pior índice, 35 pontos.
A interrupção dos valores reconhecidos pela Operação Lava Jato no mundo, deu azo ao surgimento de uma Suprema Corte parcial, até mesmo se utilizando de mensagens clandestinas não atestadas por seus supostos autores e sem perícia técnica, mas que trouxe uma catarse aos seus preclaros ministros.
O que se tem no conjunto de mensagens é até hoje distribuído em doses homeopáticas, não se sabe se para edição, conforme os acontecimentos, se para medir a temperatura e fazer disso um cavalo de batalha a fim de fragilizar ainda mais os seus principais atores, Moro/Dallagnol ou se por insegurança em divulgar um material supostamente adulterado.
O rumo escolhido pelo STF a partir de então, foi o de anular os processos de Lula, declarar Moro imparcial, propiciando uma nova candidatura de do então ex à presidência da República, que se aproveitando da tragédia do Governo Bolsonaro, se elegeu para o seu terceiro mandato.
O que se prevê para um futuro próximo é a estagnação, haja vista que no Brasil do PT, o correto é ser errado. O combate a corrupção não está na agenda do atual governo, assim como não esteve no anterior, com o agravante de que hoje, o ocupante do Palácio do Planalto fora o pricipal alvo da Operação Lava Jato e oferecera ainda durante sua prisão, vingar se de todo o sistema que visava passar a limpo os dutos de corrupção que desviavam dinheiro público.
O Brasil está moralmente falido, inimigos da corrupção estão sendo alijados de seus postos, vide Dallagnol que cassado, se vê obrigado a pagar por despesas de uma operação por ele comandada, e digo sem medo de errar, caminha a passos largos para o calabouço construído no projeto de vingança liderado por Lula com o anteparo do “anarquismo judiciário”.
Como nada é absoluto, sobretudo na política, urge uma manifestação decente e ordeira para romper a cruzada petista que pouco se importa com a moralidade.
Os dados do IPC jamais farão parte do debate público, que é perdido em troca de insultos e desinformações. O nós contra eles, deve ganhar uma nova modalidade, nós, povo, eles, governo. O que se vê hoje é de tudo um pouco, menos política, e a mudança está na mentalidade de quem mais sofre, o povo!

A RESPONSABILIDADE PARA O FUTURO

“Não vamos tentar consertar a culpa do passado vamos aceitar nossa responsabilidade pelo futuro”.
John F. Kennedy

A cassação sumária de Deltan Dallagnol, fez aflorar uma manifestação pública com pautas antigoverno e pró justiça. Com o sentimento de que não houve julgamento sadio no último dia 16 de maio, Deltan atraiu uma substancial multidão em Curitiba no último domingo. O ato voluntário da direita aqui chamada de direita lavajatista foi apenas o embrião para uma manifestação maior com força suficiente para se unir com a direita mais raivosa, digo a direita bolsonarista.
A militância esquerdista vive agora em uma zona de conforto, a mesma zona que o bolsonarismo ousa frequentar, e isso pode ser um enorme ganho para a direita moderada, que representa um terço do eleitorado, e sua luta primordial é tirar o poder judiciário da zona de conforto, os ultras, que lá permaneçam, porque quando estes ganham as ruas apresentando métodos rudimentares, o povo padece.
Em busca de se manter no protagonismo ameaçado na direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro orienta a sua caterva a não aderir à manifestação, com a justificativa de que os lavajatistas não o apoiaram o suficiente durante a campanha presidencial e que o interesse maior, no momento é focar na CPMI do 8 de janeiro, em que sugere que seus apaniguados farão boa performance.
A divisão dentro do mesmo espectro não é novidade, sobretudo, no curto vácuo de poder permitido pela dinâmica política, e a partir dessa divisão, se enseja a terceira via, o que favorece o crescimento da ala menos radical, ora liderada pelo ex-deputado federal Deltan Dallagnol, abatido pelo famigerado TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O histórico de manifestações do Governo Bolsonaro não é animador, houve movimentos nos feriados de 7 de Setembro, com ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) com posterior pedido de desculpas, além de um enfadonho acampamento nas portas dos quartéis do Exército Brasileiro após a perda da reeleição. Durante o acampamento, uma ópera bufona: o Hino Nacional cantado para pneus, as orações nos muros dos quartéis, o caminhão bomba que não explodiu, a minuta do golpe que não chegou a ser editada e assinada, a fuga do líder e a tentativa malfadada de golpe de estado num domingo de verão em uma capital esvaziada, sem a presença do Presidente da República. Em nada acertou o líder da ultra direita, que agora prioriza a CPMI com a presença dos Senadores Magno Malta, Marcos do Val e dos Deputados Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, o que diminui as chances de êxito na comissão, dado o repertório histriônico do quarteto trapalhão. Para fazer justiça, enquanto presidente, Bolsonaro reunia motociclistas para movimentar suas bases nas principais cidades do país, sem um tema digno a defender, mas pelo apoio ao capitão. Como oposição, cambaleia e propõe uma CPI para cada circunstância, tal como um desfile de carnaval tendo a comissão, como uma escola de samba, apresentando alegorias diversas. O Bolsonarismo não agregaria em nada a manifestação do dia 04 de junho, não há do que se lamentar, pois é a oportunidade de a direita moderada se posicionar, se deslocando definitivamente do Bolsonarismo trôpego.
Enquanto a direita não se entende, o governo Lula tem encontrado dificuldades em vários campos, não tem sido fácil a negociação com o Congresso Nacional; as pautas e as reformas apresentadas têm sido imiscuídas pelo legislativo, como é o caso do arcabouço fiscal, agora chamado de Regime Fiscal Sustentável, e a desidratação dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, depreciando o bom relacionamento com as ministras Marina Silva e Sônia Guajajara, respectivamente, em função da votação das Medidas Provisórias acerca da reestruturação ministerial.
A tentativa tresloucada de Lula em promover a paz entre Rússia e Ucrânia é mais uma tragicomédia, basta ver como o atual mandatário fugiu de Zelenski na reunião do G7 no Japão, em que Lula representou o Brasil como convidado, um resumo do primo pobre convidado para a festa do primo rico, que nada favoreceu em seu intento. Já no Brasil, Lula se reuniu açodadamente com Alckmin na condição de Ministro do Comércio e Indústria e com representantes do setor automobilístico para propor a construção de carros populares na ordem de 60 mil reais a unidade; algo inviável, a começar pelo ganho médio das classes C e D, pela qualidade dos veículos e a crise já declarada por membros do governo, que acusam insegurança alimentar, e mais; não há um plano definido para o enunciado, mas há a clara intenção de agradar o setor automotivo com desonerações fiscais, um projeto para além de errático, viciado e fracassado, como vimos nos governos anteriores de Lula e Dilma Roussef.
Ainda sobre as trapalhadas do atual governante, há em curso, o projeto de vingança que tem em seu próximo ato, a indicação de seu advogado como Ministro do STF; momento certo para em ambiente também certo, o Senado, barrar o nome de Cristiano Zanin, mas o vezo garantista do advogado é de lavar os olhos de senadores encalacrados com a justiça. O garantismo supera a avaliação do currículo raso do causídico, sem desmerecer a qualidade como criminalista, que livrou da cadeia seu cliente mais famoso, mesmo com robusteza de provas. O impedimento ao seu nome, é o papel que se espera de uma oposição minimamente séria, ainda que dividida, diante de um governante desgastado, decadente e vingativo, tão inoperante como o antecessor.
Percebe se que a semelhança entre os adeptos de Lula e Bolsonaro é maior do que concebe nosso ilusório conhecimento dos fatos; apostam no populismo barato, guardam reservada idolatria e assumem um troglodismo simbiótico, quando se nivelam dentro ou fora de suas cavernas, denotando a teoria da ferradura do escritor francês Jean-Pierre Fayet, insinuando que dois espectros ideológicos fundamentalistas são idênticos, quando aferidos na base.
A manifestação prevista para 04 de junho é o início de uma era, e não se pode esperar grandes louros logo na primeira empreitada; com a recusa do bolsonarismo raiz em aderir ao movimento engrossado por MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, o bloco lavajatista terá sua identidade reconhecida como a centro direita que dominará o campo da terceira via. Vale dizer que é uma chance e precisa ser bem aproveitada, o processo pelo qual passamos, é de depuração, de separar os homens dos meninos, e tempestivamente, haverá o entendimento de que há um Brasil para reconstruir, sem a necessidade de reescrever a história, há capítulos no horizonte a serem preenchidos, mas com ética, moral, respeito e a verdadeira justiça.
O asseveramento da direita moderada significará o fim da polarização que imbeciliza, e no dia 04 de junho, com a certeza de que as cavernas acolherão bolsonaristas e petistas, um importante passo será dado rumo ao futuro!

A SUPREMA JUSTIÇA CORROMPIDA!

Duas coisas que me enchem a alma de crescente admiração e respeito: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim.
Imanuel Kant

O Deputado Deltan Dalagnol/PODEMOS-PR será julgado em 16 de maio próximo, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em recurso apresentado pela federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) no Paraná e pelo PMN, por que estaria inelegível em face de pendências processuais. O relator do procecsso é o Ministro Benedito Gonçalves, e o julgamento foi agendado, coincidentemente, logo após o Deputado se manifestar em apoio ao Senador Sergio Moro, por ocasião do arroubo do Ministro Gilmar Mendes, em que acusa Moro de calúnia, sobre Mendes vender sentenças, o que restou provado ter sido uma brincadeira em ambiente privado de festa junina. Fato é que tanto Dalagnol quanto Moro são alvos constantes, mas jamais vítimas de um sistema viciado.
No início do mandato do ex-presidente Bolsonaro, esboçou se uma CPI, que investigaria o STF( Supremo Tribunal Federal), a Lava Toga. Já naquela época, se percebia um poder absoluto do poder judiciário, cujos ministros agiam sem sobressaltos em desfavor da república. Silenciosamente, alguns senadores, capitaneados por Flávio Bolsonaro, retiraram as assinaturas, o que deu ainda mais impulso para os togados. Na sequência, a vaza jato foi um prato cheio para que ministros da Suprema Corte atacasse a maior operação contra o crime do colarinho branco já vista na história do Brasil, com destaque para Gilmar Mendes, que demonstrou uma catarse diante de documentos clandestinos, que a propósito, nada provavam, e dali, com o anteparo de seu fiel escudeiro, o Procurador Geral da República, Augusto Aras, desmontaram a operação, e desde então tentam marginalizar os seus procuradores e juízes.
Ressoaria repetitivo argumentar sobre o ocorrido desde a vaza jato, os interesses dos Ministros e outros pares, a abrupta mudança de percepção tanto de políticos, togados como de jornalistas, mas há clara falta de postura ética; para Aristóteles, as quatro virtudes cardiais que formam a bússola que define a postura ética são: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. Note se no entanto, que os três poderes da república estão contaminados pela imoralidade, a prova maior, é a consagração da Suprema Corte como entreposto de profissionais do direito, conforme noticiado em vários veículos de comunicação. Ministro que se aposenta e aceita convite para trabalhar em empresa julgada por ele mesmo – sem que haja quarentena – ou advogado do réu mais famoso da Operação Lava Jato, em vias de ser indicado para a vaga aberta em decorrência da aposentadoria do mesmo ex-ministro. As rudezas de Gilmar Mendes, que se apresenta iracundo contra a operação outrora por ele apreciada. O que se pode dizer sem pudor, é que na tentativa de desmoralizar e/ou de vingar dos respectivos procuradores e dos juízes (Gabriela Hardt também é alvo da fúria), saem desmoralizados, o Ministro Gilmar Mendes e o ex- ministro Ricardo Lewandovski, que sobejam o morubixaba da esquerda, ora Presidente do Brasil, condenado em três instâncias, mas isso não é um fator novidade. Lewandovski já teria atuado em favor da ex-Presidente Dilma Roussef, mantendo seus direitos políticos. Lembremos que a data do julgamento fora antecipada, a Ministra Carmen Lúcia presidiria a seção definidora. Por fim, a troca que se avizinha, é a ida de um advogado medíocre para a iniciativa privada, agora sem a toga, a vinda de um advogado porta de xadrez para corte mais alta da nação.
O STF existe para fiscalizar o legislativo e o executivo, seus ministros são chamados de guardiões da constituição, e mesmo se não houvesse o documento formal, lá estariam para dar garantia de que as leis estariam sendo cumpridas. Um bom exemplo vem do Reino Unido, onde não há um documento que reúna as leis, mas elas são aplicadas, desde 2005 pela Suprema Corte, antes desse período, a fiscalização e os julgamentos inerente aos interesses governamentais ficavam sob os auspícios da Câmara dos Lordes. Para título de curiosidade, no Havaí, enquanto reino, antes de ser um estado norteamericano, durante a dinastia de Kamehameha (séc. XIX), a constituição tinha apenas 10 artigos, eram os dez mandamentos, no livro de Êxodo 20: 2 a 17 na Bíblia Sagrada. Cito apenas para pontuar a simplicidade do documento.
Não é o momento de se aplaudir qualquer que seja o ministro da nossa Suprema Corte, é hora de admoestação dura contra a instituição que se mostra corrupta. Não há hipótese de loas a quem deve simplesmente ser justo, nem bom, nem mau, embora a imoralidade de alguns reverbera para todo o poder judiciário que não goza da confiança da maioria dos brasileiros. Reconheço a boa condução do Ministro Alexandre de Moraes à frente do TSE, que com bravura, impediu um golpe de estado, mas não é o bastante para o exercício da função, com o agravante de sua postura maquiavélica, na acepção da palavra, dada a conduta de um nomeado que articula politicamente.
Votamos em deputados e senadores não somente para fazer as lei, mas para frear outros poderes. Há muito o que ser corrigido, e não basta focar apenas no executivo, como tem ocorrido. É preocupante ter no judiciário brasileiro, o departamento jurídico do Sr. Luís Inácio Lula da Silva, no país em que há corrupção até no futebol, entretenimento da predileção do povo.
O povo brasileiro que sofre as agruras da corrupção desde sempre, encontrou na Operação Lava Jato um alento. É dever moral, defender a Operação que devolveu bilhões de reais e colocou corruptos graúdos atrás das grades, mas não é de se surpreender que todo o corpo da Lava Jato seja vilipendiado por defensores da entidade alcançada. Moro, Dallagnol e demais membros seriam igualmente defenestrados, só pelo fato de terem investigado o cativante Lula.
Que o julgamento de Dallagnol sirva como freio de arrumação, que se absolva o Deputado, posto que o contrário disso seria inflamar ainda mais uma turba extenuada pelas afrontas recorrentes, em um território ainda desgastado pelos últimos eventos, que por sinal afloraram ainda mais o protagonismo do pior escrete de ministros da Suprema Corte já visto na história da república. Há uma combinação perigosíssima de um governo claudicante, uma oposição inexperiente e um judiciário complacente, antiético e imoral que poderá redundar em mais manifestações. Oxalá, tudo se resolva de forma civilizada!

O JARDIM DA TERCEIRA VIA E O ROMANTISMO POLÍTICO JURÍDICO!

O romantismo é um movimento cultural nascido na Franca, no século XVIII, na esteira das grandes revoluções, como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial na Inglaterra, para muitos, uma babalaze, onde se vivia o momento, como se não houvesse amanhã, é o que presenciamos cá em Pindorama. A divisão política, assim como está, não dispensa nada além do que a contaminação de palavras sem mesuras, muitas vezes sem fundamentos, que por fim reduzem o debate político à rasa defesa das incongruências que tanto prejuízo já causaram e causam ao Brasil.
O assunto da semana, foi a operação Verine, que executou busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um processo que investiga fraude em cartões de vacina, mas como é dito no popular, puxaram um pena, veio uma galinha. Seria um caso de Fishing Expedition (pesca probatória)? Ou um caso de encontro fortuito de provas? Não há quem nos dirima essa dúvida, o Ministro Alexandre Moraes não receberá de quem quer que seja, qualquer reprimenda formal; não há acima dele, quem o faça.
Fishing Expedition é um termo em inglês utilizado no meio jurídico, que em que a investigação lança a rede, e puxa uma quantidade de provas além do objeto originalmente investigado. Há ainda o encontro fortuito de provas, como aquele em que ex juiz Sergio Moro flagrou a ex-presidente Dilma Roussef em conversas telefônicas com o então ex-presidente Lula. Moro recebeu uma reprimenda do saudoso Ministro Teori Zavaski, mas a ação deu impulso para o processo de impeachment que se avizinhava, e consequentemente, o indiciamento de Lula.
Vivemos um impasse, quando o povo brasileiro em sua maioria se divide entre o errado e o mais errado; governos perdulários saem, governos perdulários entram. No período Bolsonaro, gastos estratosféricos foram divulgados para causas não republicanas no cartão corporativo, como os gastos com as paradas de motocicletas nas principais cidades do Brasil ou comemorações de custos três vezes maior que o valor da obra inaugurada. No atual governo, Lula queima o dinheiro dos pagadores de impostos, numa extensão de sua contumaz irresponsabilidade com o dinheiro público. Lembremos, que apesar de não ser de sua alçada, o seu apartamento, na prisão da Sede da Polícia Federal em Curitiba tinha um custo diário de 10 mil reais, ou seja, ao final, foram gastos mais de 5,8 mi reais para mantê lo preso. Se optassem por uma tornozeleira eletrônica, sem atrativos, além da economia, talvez Lula ainda estivesse cumprindo a sua pena, mas agora, o bon vivant despeja dinheiro para cobrir luxos em terras distantes, e o que é história serve apenas para corrigirmos um futuro que a cada dia se mostra mais incerto
No que concerne à governabilidade, diverso do que apregoado por Lula durante a campanha, não há união, exacerba se a luta infantil do nós contra eles. Derrotas na Câmara dos Deputados têm sido corriqueiras, mesmo que estas sejam apenas termômetros que medem a temperatura e o ânimo do Congresso majoritariamente oposicionista.
Governos, sobretudo populistas, valorizam as moedas de troca, sejam em forma de emendas parlamentares ou em distribuição de cargos, mas até aqui não têm sido suficientes para o intento do governo de turno, e no campo da viabilidade, em face das tantas rupturas institucionais, em nada irá me surpreender, a anistia aos “patriotas que tentaram o golpe de estado em 08 de janeiro”; o que seria um pagamento, típico daqueles escambos ainda presentes nos interiores, cujos interesses vêm em troca de tantas cabeças de gado, sem qualquer alusão ao epíteto do bolsonarismo. A meta da oposição é o desgaste do atual governo, portanto, passa pela sua continuidade, melhor se igualmente combalido como o anterior, que se aproveita do palanque ainda não desmontado pelo seu sucessor, mas os argumentos e narrativas se mostram cada dia mais frágeis, graças aos cartões de vacinas fraudados, a minuta do golpe, o errático atentado a bomba no aeroporto de Brasília, e agora, do oficial do Éxercito Brasileiro que consta como morto, mas vivo está, e até há pouco articulava um golpe rocambolesco, enquanto a esposa recebe polpuda pensão de mais de 22 mil reais ao mês.
Pelas atitudes dos nossos governantes, passamos por um panorama sintetizado do que foi um dia o romantismo, no mínimo, nas características; com a licença poética, um romantismo político jurídico, onde se vê exagerado sentimentalismo, nacionalismo nas duas pontas da dicotomia vigente, tom depressivo, fuga da realidade, e o que há de mais descarado, a egolatria empreendida por vários líderes do três poderes. Quando age com o fígado para atacar a Lava Jato, Gilmar Mendes mostra como cultua a própria personalidade, o nacionalismo carregado de sentimentalismo apresentados por bolsonaristas e petistas que se vertem no mesmo caminho; a sagacidade de Alexandre de Moraes, as vezes criticada pela direita, na mesma medida em que é ovacionada pela esquerda, é uma demonstração de egolatria. Lula e Bolsonaro por mais que queiram nos impingir o contrário, dividem o mesmo palco, cada qual projetando a rejeição do outro corroborando a famosa frase de Napoleão Bonaparte, dita em uma batalha das tantas lideradas pelo francês, “Quando o inimigo está executando um movimento em falso, nós devemos ter o cuidado de não interrompê-lo”. A aposta da oposição é sempre no insucesso da situação, evidenciando total desprezo pelos portadores eleitores.
Ministros de cortes superiores tornam se quadros políticos desde que se entrevê a abertura de uma vaga, a postura do até então jurista e/ou operador de direito muda em busca de apoio. A sabatina no Senado Federal, é precedida de um périplo pelos gabinetes, em manifesta campanha política. Uma vez empossados, detém poderes extraordinários, maiores dos que aqueles que emcamparam as ruas e as estradas do Brasil em busca de votos. Vale lembrar que o requisito primário para adesão no cargo de Ministro é o de possuir o notório saber jurídico, algo que tem sido muito questionado por aqui, dada as interpretações dos atores com arroubos constantes. Em suma, é a justificativa para o ativismo político. O Poder Judiciário passa a ser, não um organismo arbitrário, mas um grupo político dividido em blocos
Para quem não comunga dos despautérios dos extremos, é o momento propício para regar o jardim da terceira via. Se em momentos de campanha, é válido se optar pela neutralidade, a terceira via, somente irá prosperar com independência, enfrentando com inteligência a ciranda extremista que impera a política de estado envolvendo os três poderes, que trava uma batalha hercúlea para impedir o surgimento de uma figura que desbasta os dois gumes da espada que fere o seu próprio povo.

PROCLAME A VERDADE E NÃO SE CALE POR MEDO!

O PL 2630 não deve ser aprovado sem debate. Isso também é golpe!

No Brasil, o PL 2630 teve seu pedido de urgência aceito e vai a plenário, provavelmente no próximo dia 02 de maio, sem sequer passar pelas comissões. E com o nascimento do PL, outras narrativas surgem e muitas delas são taxadas como fake news, como a manifestação do Deputado Deltan Dalagnol, em que citava passagens bíblicas. As narrativas existem, e a do Deputado Deltan está muito bem elaborada, porque há a preocupação de se tolher a liberdade religiosa, quando se atribui a ela toda a sorte de infortúnios, pois o texto do PL das fakes news que é facilmente encontrado na Internet, está incompleto, e é prosaico não haver separação do que é dogma, doutrina e do que é crime, ou do que é bênção ou sacrilégio. Deltan tem a necessidade de arrogar um discurso de oposição, onde não há liderança. Ridicularizado seria, se não se manifestasse, e esta é a outra ponta da narrativa que mantém a polarização de pé.

As fakes news se tornaram um elemento chave para o novo padrão de comportamento político em várias partes do mundo, e combatê-las sem uma regulação é inviável, mas não se pode fazer da regulação, uma lei da mordaça. Há entre as nações do mundo civilizado, orgãos que controlam as plataformas de notícias e redes sociais, posto que é um ambiente em que tem recrudescido as desinformações. Hoje em dia, temos que ler uma notícia por mais de uma vez em veículos diferentes, para atestar a veracidade do que está publicado.



O hábito de disseminar fake news vem de longe, trago algumas reminiscências. Em 2014, o então ex-presidente Lula, ora político aposentado, relutava em subir no palanque de Dilma Roussef, mas diante da iminente perda da eleição, na última semana, se abalou para o Nordeste do Brasil para discursar contra quem ele chamava de playboy, o Dep. Aécio Neves que extinguiria o Bolsa Família, isso falado em reduto fiel a Lula e ao PT. Dilma venceu a eleição em 26 de outubro daquele ano, dia em que entraria em vigor o horário de verão, fazendo com que Dias Tófolli suspendesse a a divulgação da apuração nas primeiras horas, pois no Norte do país ainda havia votação, uma imprudência que propiciou mais uma narrativa, a de que Toffoli apurou os votos em uma sala fechada no Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego aéreo) – onde a eleição foi apurada, adulterando o resultado da eleição, para êxtase do eleitorado tucano.


Um outro exemplo de fake news, que envolveu o judiciário brasileiro, foi a vaza jato, que surgiu com frases soltas de procuradores e juízes da Operação mais bem sucedida da história do Brasil, que sem pericia, foi admitida por importantes e experimentados ministros da mais alta corte do país, liberando para a disputa da eleição presidencial, um político igualmente experimentado, mas condenado por práticas de corrupção, que agora ocupa a principal cadeira política do Brasil ou a cabine do AeroLula, perambulando pelo mundo a derramar mentiras sobre o Brasil, dando margem a novas narrativas.


A narrativa é muito mais que uma mera “contação” de história, é um objeto que deve constar no check list do ator político, a se utilizar conforme a ocasião, e deve ser mudada para evitar o desgaste. Em 2018, quando o ex-presidente Bolsonaro foi eleito, ainda entre os turnos, o então candidato vinha a público contestar as urnas eletrônicas, e os ataques continuaram por todo o seu mandato, obrigando o TSE dos Ministros Barroso, Fachin e Alexandre de Moraes a engendrar um plano que fexibiliza a auditoria às urnas com a participação até mesmo do Exército Brasileiro, um braço forte do bolsonarismo, mas que ficara exposto a uma fake news que fomentou os atos antidecráticos em 08 de janeiro, resultando em perda de credibilidade e o seu consequente enfraquecimento.


Nos Estados Unidos, o jornalista Alex Jones foi condenado a pagar indenização de U$ 965 milhões de dólares (mais de quatro bilhões de reais), por insinuar que o massacre à Sandy Hook Elementary School, em que um jovem com um rifle matou 26 pessoas, entre elas, 20 crianças, era uma farsa criada para afetar a política armamentista do governo Trump. Mais recentemente a Fox News foi condenada a pagar 3,9 bi de dólares (mais de 19 bilhões de reais), o que culminou com a demissão da estrela do canal, o jornalista Tucker Carlson, por ter atentado contra as urnas eletrônicas da Dominion. É preciso salientar duas coisas, a primeira é que as indenizações somente foram possíveis, graças á legislação vigente no país, e em segundo lugar, a liberdade de expressão dos acusados não foi aviltada, eles se manifestaram conforme desejaram, contudo, foram responsabilizados.


A CPMI do dia 08 de janeiro é o gancho para o açodamento da votação do referido PL, quando da situação se vê um favoritismo claro, mas seja qual for o interesse, não há o que justifique colocar em votação um Projeto de Lei sem passar pelas comissões que funcionam como palco de um preâmbulo para importantes definições. A mensagem clara que fica, é a de que a censura só será possível por mérito de quadros eleitos legitimamente, por aqueles que terão suas vozes suprimidas. Por sorte, nos dias atuais, temos acesso aos parlamentares em quem votamos, podendo cobrar civilizadamente para que eles não votem favoravelmente em uma aberração imposta por um lado ao sabor dos seus interesses.

RESPEITÁVEL PÚBLICO, COM VOCÊS, A CPMI!

“O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”
Nando Reis

O sonho de Lula é conquistar o Prêmio Nobel da Paz, mas calcula mal a sua rota. Lula é um arremedo distante de Nelson Mandela que em 2003 tentou dissuadir George W Bush de invadir o Iraque e tentou falar com Saddam Hussein, que se escondia – Mandela já havia sido laureado em 1993, dividindo o prêmio com o seu antecessor, Frederik Leclerk, por juntos terem desfeito o regime segregacionista Apartheid, enquanto no Brasil Lula é incapaz de findar a polarização agressiva alimentada por ele mesmo.
Durante a campanha que o alçou à presidência, o mote fulcral foi o de pacificar a nação, o que não cumpre e nem faz menção de levar a cabo a nociva dicotomia surgida com o advento de PT ao poder. Lula passa ao largo de um prêmio de tal magnitude, mas se acaso qualquer láurea lhe for concedida, é digno que seja dividida com o seu antecessor, Bolsonaro, a exemplo do Prêmio atribuído à Mandela/Leclerck, com a licença pela ironia.
Os atos antidemocráticos de 08 de janeiro de 2023 foram a síntese de uma tentativa de golpe de estado. Uma sucessão de atos em uma via sem obstruções, em que atuantes de uma incipiente oposição ao governo Lula teimava em não admitir, indicando que os verdadeiros vândalos seriam infiltrados.
Segundo informações de diferentes órgãos de imprensa, a Abin disponibilizou relatório para 48 organismos de Governo Federal e Distrital, ainda assim, as férias do Secretário de Segurança Pública do DF foram confirmadas e até a viagem do mandatário da nação em solidariedade a seu aliado Edinho Silva em Araraquara fora consumada; Brasília vivia um final de semana típico, órfão como de costume, mas com a ressalva de que havia manifestantes de todas as plagas do país, que enebriados por uma ideologia cega, acreditavam, em função de tantas desinformações, que seria fácil desinstalar um governo recém empossado.
A semana que passou ficou marcada por tantas turbulências em Brasília, a começar pela interpelação da PGR, que acionou o STF a pedido de Gilmar Mendes contra Sergio Moro, por conta de – mais uma vez, um vídeo clandestino e editado. O jornalista Felipe Moura Brasil, que ousou apresentar a íntegra do material, foi demitido da CNN Brasil, a mesma emissora que apresentou o vazamento das imagens no Palácio do Planalto, flagrando um esbirro do Governo, complacente com invasores, o que provocou a alta cúpula do petismo que dá lastro ao governo de turno a apoiar a CPMI, e mais, ampliando o raio de atuação, mirando desde a votação do dia 30/10/2022, em que forças da PRF (Polícia Rodoviária Federal) empreenderam campanha rodoviária com o propósito de impedir a presença de eleitores de Lula.
A discussão entre o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) e o Deputado Federal Marcon (PT/RS), de quase vias de fato, resume o que virá na CPMI. Troca de provocações e narrativas mal sucedidas; todos vimos a facada, sabemos que aconteceu, e a ausência de sangue é um desafio inteligente aos biólogos, mas ainda que seja um contra argumento dos mais sórdidos, o campo para se defender um familiar, não é exatamente uma saleta do legislativo em uma comissão; aliás, os fatos dessa semana, me remeteram a um trecho de Relicário, letra de Nando Reis quando entoa uma surpresa “O que está acontecendo? O mundo está ao contrário ninguém reparou…”.
A expectativa é a de que teremos mais um circo armado. A ribalta que uma Comissão de tamanha dimensão oferece aos envolvidos, exige dos mesmos, muita perícia, estratégia e acima de tudo, experiência, o que tem de sobra o PT e adjacências. Lula e o seus, com a experiência de 14 anos de governo, se desvencilhou até da CPI do mensalão, se reelegeu no mesmo ano de sua instalação em 2006.
A oposição, com quadros inexperientes, aposta no alarido provocado por suas turbas para a sequência de um malfadado embate; enquanto acusa o governo de desgoverno, por entender como falta de comando, deve rever seus conceitos, pois não se atinou que para se antagonizar ao governo incumbente é necessário quadros sérios, austeros, sem a necessidade de se impor com falas vãs e preconceituosas, ostentando adereços em plenários ou nas redes sociais.
Enquanto dizem que não há governo, a outra ponta pode de igual maneira, comemorar que não há oposição, portanto, tudo pode ser feito, sem entraves. A esquerda – como gostam de reduzir o governo não espera da direita, como gostam de de reduzir a oposição, muita resistência, pois sabe em qual momento a pira da vaidade acenderá e em quais quadros ela os afeta. Por essa razão, visando sucesso na empreitada que se avizinha, a oposição deve escalar quadros com atributos intelectuais e cognitivos necessários para bater de frente com o governo. O Centrão ainda não está totalmente consolidado com Lula, o que se não facilita, não dificulta, desde que o escrete oposicionista esteja devidamente montado para um embate que não tem data para terminar.
Os movimentos do Presidente Lula demonstram fragilidade, haja vista, que a cada ameaça ou a cada necessidade de se manifestar, se esvai para outro continente com sua giriquita, para tagarelar sobre a guerra ou para mentir acerca do país que lhe confiou. Lula sonha com o Nobel da Paz, a paz que lhe falta, que lhe tirou os parafusos, mas não os problemas, Lula tem o castigo de ser presidente de um país herdado de um governo inepto, mas sem condição de governar, finge o que jamais o foi e jamais o será. Lula foi a tábua de salvação do bolsonarismo que agora o ameaça, Lula não tem força para governar, mas foi levado a sério por um rival irrelevante, assim como é levado a sério por líderes mundiais, sempre que ele se expressa sobre a guerra em curso, embora a seriedade de quem ouve suas logorreias é mais aparente que as vanglórias nada críveis de um eterno candidato, agora ao Prêmio Nobel da Paz. Eu conto ou vocês contam?

Ó TEMPOS, Ó COSTUMES!

No próximo dia 11 de abril, o ministro do STF, Ricardo Lewandovski irá se aposentar, mas não há o que comemorar. O mais carrancudo ministro da atualidade, amigo do presidente, já troca segredos de polichinelo com Lula sobre o seu substituto. Lewandosvki coleciona polêmicas amealhadas ao longo de sua trajetória como ministro da Suprema Corte, como a antecipação do julgamento de impeachment da ex-Presidente Dilma Roussef e a consequente manutenção dos seus direitos políticos; de ter ordenado a prisão de um cidadão por se manifestar envergonhado com o STF; da utilização de provas clandestinas para justificar a suspeição do então juiz Sergio Moro, entre outras. Lewandovski não é um sujeito dado ao debate, talvez por limitação intelectual ou pela arrogância com que procede seus votos no plenário e enfrenta seus críticos.
Diz se muito de que o advogado de Lula, Dr. Cristiano Zanin será o indicado; é importante dar ciência, de que o presidente não nomeia o ministro, mas o indica para uma sabatina no Senado Federal, o que aponta a condição de ator político daquele que é o preferido, posto que o ápice da carreira de quem possui o notório saber jurídico é o de conquistar uma cadeira na Suprema Corte, que nos dias atuais, prevê o vencimento de 41.650,00. A despeito de tantos penduricalhos, o salário está muito aquém dos valores colossais recebidos enquanto Zanin se notabilizava como advogado de corruptos do colarinho branco. Vale ressaltar que Zanim advoga há mais de 20 anos, e esnoba uma excelente folha de serviços prestados, que lhe garantiriam a indicação, mas a forte ligação com Lula, a deslegitima, pois denota mais um avanço em seu projeto de vingança.
Lula se perde na pequenez dos atos revanchistas e a jogada de mestre sob o prisma lulista, é a indicação de Zanin para a vaga de Lewandovksi. Zanin, a exemplo de outros ministros, não teria o dever de se declarar suspeito. É comun acompanhar ministros dando entrevistas sobre causas e investigados que irão julgar em breve. Não se pode afirmar que Zanin será um dente da engrenagem que dará movimento às represálias de Lula da Silva, mas a imprudência é latente. Desde que assumiu para o seu terceiro mandato, Lula opta pela vendeta, mirando sobretudo os agentes da Lava Jato, personificando a figura do Senador Sergio Moro. Durante as oitivas de Lula, no âmbito da Operação, os duelos entre o advogado Zanim e o então juiz Sergo Moro foram publicizados, e o que se via, era uma guerra entre um causídico desprovido de elementos que sustentasse a defesa de seu patrocinado em face da robusteza de provas apresentadas pelo MP contra o então ex Presidente Lula – ironicamente, provas invisíveis para muitos de seus adeptos e militantes. Fato é que Lula foi condenado em três instâncias, e teve seus processos anulados, graças a uma manobra articulada na suprema corte, tendo voto favorável, inclusive do ministro saliente. Chamou atenção também, o choro copioso do ministro Gilmar Mendes, que ainda hoje, intriga a tantos, pela aparente cartase demonstrada.
Na década de 60 antes de Cristo, Cícero e Catilínia travaram um embate no Senado Romano, a história é favorável a Cícero que vencera a eleição para cônsul e sofria a ameaça de usurpação de Catilina, mas o que a manteve rica e magnífica, foram os discursos proferidos por Cícero, que ainda hoje são mencionadas como Cartas Catilinárias, aqui reproduzo um trecho adaptado, independente do contexto, como uma carta aberta a Luís Inácio Lula da Silva, o homem que corrompe até mesmo a justiça.
“Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
“Até quando, Lula, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!
Adaptado de Marcus Tullius Cícero
Já são seis, os pedidos de impeachment contra Lula, mesmo com a remota possibilidade de admissão de ao menos um, e caso seja o Dr. Cristiano Zanin a ingressar no cargo de ministro, que ele assuma o compromisso ético de não se submeter aos caprichos daquele que tem como intento, incendiar ainda mais a polarização fomentada por ele mesmo.