A TEMPESTADE QUASE PERFEITA

Aquele que sabe mandar encontra sempre quem deva obedecer. Friederich Nietzche


A semana que se encerrou foi muito esperada por todos que contemplam o mundo político, mas logo na segunda-feira, o mundo ficou aflito com o caso do submersível desaparecido na costa de St John’s, Newfoundland, no Canadá, que transportava cinco tripulantes para visitar os destroços do Titanic.
No dia seguinte aconteceu a oitiva com o ex-Diretor Geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, no âmbito da CPMI do atos antidemocráticos de 08/01. Para algum desavisado que estivesse ouvindo a dissertação do currículo do inquirido, sem saber de quem se tratava, poderia confundir e acreditar que aquele era o indicado ao STF (Supremo Tribunal Ferderal), graças à robusteza apresentada: Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Administração de empresas pela Universidade de Santa Catarina, Direito pela Universidade Itajaí, Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina, sete pós graduações, MBA em gestão empresarial, mestrado em Administração em gestão de pessoas, créditos de doutorado em direito pela Universidade Católica Argentina, Cursos na SWAT em Los Angeles e no ICE (Imigração e Execução Aduaneira) sigla em inglês, mais de 100 comendas recebidas ao longo da carreira pelos relevantes serviços prestados.
A expectativa sobre o seu depoimento se encerrou por aí, no mais, uma sucessão de dados expostos contestados pelos Deputados e Senadores governistas, que caso se confirmem as inverdades, Silvinei corre o risco de deixar a condição de testemunha para a condição de investigado.
Firme no propósito de mandelização – sem se ocupar com a pacificação do próprio país, Lula discursou durante apresentação da banda inglesa Coldplay em Paris, com tradução simultânea para o inglês em um país que não adere a língua inglesa. Lula não falou para franceses e não recebeu destaque esperado nos principais jornais do país. O discurso agressivo, cobrando dívida histórica dos países envolvidos nas grandes revoluções pode ter sido emocionante, mas não surtiu o efeito desejado pelo líder petista, que almeja o Prêmio Nobel da Paz,
Enquanto vagueva por Itália/Vaticano e França, no Brasil, se desenvolveu a sabatina ao seu indicado para a Suprema Corte, seu ex advogado, Cristiano Zanin, que fora bem aceito no Senado Federal, lócus conveniente para a sabatina prevista. O deleite de boa parte dos inquiridores se deu exatamente pelo vezo garantista do causídico, o que ficou explícito na fala do Senador Flávio Bolsonaro.
O garantismo jurídico pode ser resumido como um atenuante ao digressor da lei, e partindo dessa premissa, o garantista propende garantir o conforto do seu cliente. No Senado Federal de hoje, 35 (43%) nobres senadores respondem a inquéritos no STF , e contar com um Ministro que lhes garanta conforto é o mais prudente, dentro da ética dos parlamentares; portanto, votamos, na maioria das vezes, naqueles que nos corrompem, os legisladores votam em quem os julga.
Os requisitos para o cargo de ministro da Suprema Corte, são os seguintes: ser brasileiro nato; idade entre 35 anos e 65 anos; gozar dos direitos políticos; possuir notável saber jurídico e ter reputação ilibada.
Zanin reúne quatro das cinco condições formais para o cargo, falta lhe o notável saber jurídico, ao menos não restou comprovado durante a sabatina. O advogado do réu mais famoso do Brasil não apresentou grandes feitos no exercício de seu mister a não ser um amontoado de conquistas inautênticas, como respondera com pompa sobre uma virtual vitória do seu cliente mais famoso no âmbito da Operação Lava Jato, mas o que todos sabemos, foram duas condenações e havia outros processos na esteira, a prisão, 400 recursos negados após excelente trabalho investido pelos procuradores da Operação Lava Jato.
Ao contrário do que se viu, houve aceitação até o surgimento de mensagens vazadas e não periciadas, contradizendo o prisma garantista, quando usadas por Ministros da velha guarda do STF (Surepmo Tribunal Federal), o que indica que Zanin não foi vitorioso nos processos da Lava Jato, aliás, jamais conseguiu provar a inocência de seu suserano, que teve seus processos anulados com base na competência geográfica.
Outra controvérsia no currículo do Zanin, é sobre uma suposta decisão da ONU em relação aos julgamentos de Lula. Não houve resolução, mas sim um entendimento de que teria havido incongruências nos processos, mas só se ouviu uma das partes, e a tal resolução não tem qualquer valor em qualquer parte do mundo, entre os países filiados; e no Brasil é preciso que se esgotem todas as instâncias, e em caso de incongruências, pode se apelar em um tribunal internacional.
Quando o Senador Sérgio Moro interpelou o indicado se ele se declararia impedido de julgar processos inerentes à operação, foi respondido que a etiqueta Lava Jato não o intimidaria, e que sim, votaria com imparcialidade. Um claro flerte aos tantos senadores encalaclarados com a justiça. O resultado foi o esperado, com 58 votos favoráveis – 18 contra, Zanin é o mais novo Ministro do Supremo Tribunal Federal. Ainda sobre a intepelação, Moro provou mais uma vez dos perdigotos corrosivos dos Senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato que indiretamente, bafejaram sobre ele, ódio platônico.
Já na quinta-feira, dia 22 de junho, o evento mais aguardado, mormente no espectro da direita, o início do julgamento da inelegebilidade de Jair Bolsonaro por liderar uma reunião com embaixadores para denunciar supostas irregularidades com as urnas eletrônicas.
O julgamento iniciou com a leitura do relatório de 40 páginas, sustentação oral acrescida com a autorização cortez do Ministro Alexandre de Moraes, e a seção interrompida para reinício na semana que se inicia, sabe se que o voto do relator, Ministro Benedito Gonçalves contém 400 páginas. Há entre os adeptos do ex-presidente, a torcida pelo pedido de vista pelo Ministro Kássio Nunes, retardando o processo em mais 90 dias.
Mesmo que a inelegebilidade seja esperada, em caso de pedido de vista, o ex-presidente teria a manutenção de uma forte narrativa ainda com os seus direitos políticos, um artifício para a construção de seu eventual substituto sem deixar vácuo de liderança.
A iminente perda dos direitos políticos de Jair Bolsonaro é fruto de sua costumeira falta de temperança e serve como saboroso acompanhamento de um prato indigesto, que se come frio, a vingança servida por Lula, que usa de seus aduladores para afrontar o povo brasileiro e subestimar o cenário global que não lhe reconhece. A certeza de momento, enquanto flui o julgamento contra Bolsonaro e adesão de Zanin ao poder, é a que Lula tempera seu prato com ingredientes picantes para o povo brasileiro, enquanto o mundo lhe ignora. A impunidade que brindou Lula, é a mesma esperada por Bolsonaro, que vaticina sua candidatura a presidente, por ter indicado os ministros Kássio Nunes e André Mendonça, que formarão a Presidência e Vice-Presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), respectivamente, em 2026.
Para fechar a semana em que se prenunciava uma tempestade perfeita, veio a notícia já esperada da morte dos exploradores dos restos do Titanic após a implosão do submersível, a sexta-feira ainda nos reservava uma surpresa, o barulho advindo da Rússia e uma mal esclarecida tentativa de golpe, e de lá, não notamos a presença do “presidente turista” para resolver a questão, tomando uma cervejinha com os cossacos contemporâneos. Os eventos de uma semana conturbada corroboram para uma importante lição, a de que o passado não se reescreve!

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