QUANDO NÃO ESCOLHER É UMA ESCOLHA

A falta de alternativas clarifica maravilhosamente a mente.

Henry Kissinger

Foto: Senado Federal

Na Grécia antiga, com a democracia ainda incipiente, na Ágora – praças públicas onde os atenienses discutiam sobre a cidade, figuravam sofistas. Enquanto a preocupação dos expoentes da democracia era combater a apatia, uma das justificativas para o grande número de apáticos – aqueles que não se importavam com a coisa pública, era a inocência dos que se valiam apenas de suas oratórias, a discursar sobre o que não dominavam. Assim acontece no Brasil do século XXI, com o agravante de que os artistas da ventriloquia – de Tiririca a Nikolas estão se elegendo. Nossos sofistas ganham votos! Portanto, na atual conjuntura, não escolher, é uma escolha, mormente, enquanto a escolha é entre duas figuras cansativas da política brasileira. Não se pode garantir que os elevados índices de abstenção são de apáticos, mas pode se apostar que são eleitores conscientes de que não há escolha.

Deu a lógica no país da incoerência. Para o segundo turno da eleição presidencial sobraram Lula e Bolsonaro. Ambos com discursos viciados sobre o que fizeram e sem propostas para os quatro anos vindouros. O que assistimos no Brasil, no interregno do primeiro para o segundo turno é a figura de um monstro de duas cabeças, sendo alimentado por dois tipos de ignaros adoradores dos mesmos valores.

As falácias, as guerras, as desinformações e fake news, remetem um ao outro, que na tentativa de se distanciarem, aproximam seus militantes como a base de uma ferradura. A teoria da ferradura, de autoria do escritor francês Jean-Pierre Faye, consiste em nivelar por baixo os militantes da extrema esquerda e extrema direita. Também conhecida como “Les extrêmes se touchent” (os extremos se tocam) é recorrentemente percebida entre o eleitorado mediano, que pasma diante da indignação seletiva. Os opostos que se tocam, defendem seus respectivos espectros e atacam o público contraditório em uma discussão bizantina, quando não se chega a um consenso sobre o umbigo de Adão.

Há entre os extremos, aqueles que não cultuam a quimera e percebem uma exacerbação do uso político no ambiente religioso, deixando latente, a imagem de que eles não acreditam no deus que professam. De um lado a extrema direita que quebra a harmonia familiar, subvertendo um ao outro, e de vez em vez clama por uma interferência militar com o seu ídolo no poder. Ora! Mas não é sobre Deus, Pátria e Família? Está evidente, que o tridente que forma o lema do corrupto em exercício se desfaz a passos largos. Na esquerda do corrupto de antanho, as lideranças caem na esparrela de seu possível, porém nada crível antagonista, emitindo carta para o setor evangélico e praticando fake news.

Em face de tantas anomalias na nova composição congressual, surgem dois nomes egressos da Operação Lava Jato, Sergio Moro e Deltan Dalagnol, ex-juiz e ex-promotor, respectivamente. Ato contínuo às vossas eleições, com números que justificaram a independência adotada, o apoio ou mesmo que a declaração de voto ao atual presidente eriçou uma turba que sempre deu anteparo à operação. Moro e Dalagnol optaram pela não neutralidade, que é combatida desde os primórdios, seja por Dante Alighieri ou pelo Messias – o verdadeiro, Jesus Cristo. Há uma razão clara para o apoio da dupla da lei. Eles ouvem desde 2014, início da Operação Lava Jato, ameaças escancaradas de vingança por parte daqueles que foram alcançados, não por acaso, advindas de membros do PT e seus satélites.

Sergio Moro, Deltan Dalagnol e Rosângela Moro, esposa do ex-juiz, são uma lufada de sensatez, dignidade, honra, moral e ética no centro do poder e não há hipótese que se alinharão aos maus feitos, seja qual for o vencedor.

Noves fora o apoio aqui esmiuçado da nova bancada, entre os atores políticos e aqueles que vivem da política, é quase uma heresia sugerir o voto nulo, em branco, abstenção ou qualquer coisa que o valha. Há até mesmo um comercial de uma conceituada rede de fast food que em seu enredo, a escolha dos opcionais é exercida pelos atendentes, uma analogia que em tese mostra ao eleitor que se a escolha for feita por outrem, o resultado pode ser algo que não se gosta. Mas, já parou para pensar que muitos não gostam dos produtos oferecidos por aquela rede? Então, muitos nem entram para saciar a sua fome, pode se encontrar algo mais palatável na próxima esquina. A analogia é simplória e afeta em cheio ao cidadão comum, mas a quem sabe pensar, votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas pode ser uma opção.

Estamos em meio a uma guerra entre esquerda e direita, mas nem mesmo os bravos figurantes sabem pelo que lutam. A esquerda tem a honrosa missão do movimento, mas não se movimenta, enquanto a direita que domina momentaneamente o país não exerce a missão da ordem, impondo uma desordem sem precedentes até nos átrios das igrejas. O momento sugere olhar para frente, nem à direita, tampouco à esquerda!

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