A ESCOLHA DE SOFIA!

fotos: google

A Escolha de Sofia é um livro de William Styron, lançado em 1979 e que virou filme em 1982, dirigido por Allan Pakula. Estrelado por Meryl Streep, a personagem Sofia é mantida com um casal de filhos em um campo de concentração na Polônia durante a II Guerra Mundial; em um dos tantos rompantes dos carrascos, se vê diante da difícil escolha entre qual de seus filhos seria mandado à câmara de gás. Sofia escolhe com fundamento bem definido, mas a obra não reserva somente este evento, e todo o enredo é carregado de escolhas difíceis que impactam sobremaneira a vida da personagem.

No Brasil, a solução para minimizar a polarização exacerbada vigente ainda é a terceira via que sucumbe diante dos vários interesses. Sergio Moro seria o vetor ideal para combater os polos, mas fora envolvido sordidamente por velhas raposas políticas, primeiro, Álvaro Dias e Renata Abreu, depois, Luciano Bivar ladeado por Ronaldo Caiado e ACM Neto. À priori, Moro seria o candidato à presidência pelo Podemos, mas atraído pelo canto da sereia, fora relegado à disputa por uma vaga no Senado Federal por São Paulo, pelo União Brasil.

A polarização nunca vai acabar, e é bom que ela permaneça, pois é inerente à democracia. É assim na França com direita e esquerda, no Reino Unido com trabalhistas e conservadores e nos Estados Unidos com Republicanos e Democratas, para ficar em três exemplos clássicos. O que se espera é que os embates sejam mais leves, sem ameaças, sem notícias falsas e sem a artificialidade latente que domina nosso cenário.

O Fato que incomoda o fiel auditório de Sergio Moro é desconhecer o real interesse de Bivar, que segundo os segredos de coxia da política, se reaproxima de Jair Bolsonaro, e caso isso ocorra, não me surpreenderá se Sergio Moro subir no palanque do atual presidente, ainda que de forma involuntária em eventual disputa no segundo turno, haja vista que Moro conquistou adeptos pelas suas qualidades como magistrado, mas na política anda engatinha, e enquanto espera apoio de quem cobiça seu capital, assiste passivamente a mais uma especulação, a de que Ciro Gomes poderá também desistir de sua campanha em um acordo com Lula, o que praticamente liquidaria a fatura em 2022 no primeiro turno em favor do petista egresso da cadeia. A corrida babélica entre a esquerda e a extrema direita, em que ambos os representantes possuem poder de barganha para se polarizarem, fez surgir o movimento pelo voto nulo, legitimado pelo eleitor da terceira via, diga se, eleitor de Moro.

Por ora alheio a todos os movimentos do eleitor, Bivar se comporta impávido, com a frieza de quem possui um cheque de quase um bilhão de reais no bolso para gastar em campanha fadada ao fracasso.

Bivar parece apostar na manutenção do atual governo; tendo o melhor antídoto para neutralizar os malfazejos candidatos de eleitores não convictos, finge ser a solução para o Brasil.

Para Jair Bolsonaro, apostando na onda antipetista em que surfou durante o último pleito, Lula seria o candidato mais fácil de ser derrotado na próxima eleição. Três ex-ministros (Moro, Weintraub e Ernesto Araújo) mencionaram uma comemoração efusiva pela soltura de Lula, que está livre, inclusive das condenações, abençoado pela Suprema Corte, e lidera com folga a corrida eleitoral com mais de 40% em todas as pesquisas de intenção de votos. Bolsonaro está aproximadamente com 30%.

O que se vislumbra em um horizonte próximo é a disputa entre um político aposentado e um protótipo de tiranete que planeja um golpe contra a apuração dos votos, parecendo já acreditar na derrota e teimando em não aceitá-la, impõe o exército brasileiro como observador eleitoral, afrontando mais uma vez a lei – a Resolução 23.678 de 17/12/2021, que não reconhece o exército ou qualquer força estatal como Missão de Observação Eleitoral.  Apesar de alta rejeição, a cada ameaça de golpe, recrudesce o apoio a Lula, por não haver opção viável.

Na democracia, ao escolher seu presidente, o primeiro tomador de decisão é o povo, e quando não há boas opções, o eleitor se vê diante de uma escolha de Sofia. É preciso avaliar os candidatos para estabelecer critérios menores diante de uma situação insuportável em que o chefe do executivo irá comandar a nação por quatro anos.

Nós, brasileiros vivemos um dilema que impactará as nossas vidas e de nossos descendentes e a citação desta excelente obra laureada à época nos principais festivais é uma dica de leitura ou filme; um convite à reflexão diante de uma eleição muito difícil!

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