Max Miguel é cientista político, palestrante, articulista e consultor comercial. Bacharel em ciências políticas pela Uninter, fundador da Macedônia Consultoria Política. Autor de vários artigos sobre a conjuntura política do Brasil. Especialista em Compliance na politica e interpretação de pesquisas. Serviços oferecidos: Consultoria part-time para empresas, cooperativas, partidos e/ou candidatos a cargo público; Diagnóstico conjuntural escrito ou falado de política nacional e internacional e seus respectivos cenários econômicos, nas diversas esferas; elaboração de pesquisas quantitativas e qualitativas, produção musical (jingles) para campanha política; Elaboração de textos para inserções em rádio e tv; Elaboração de discursos; Palestra introdutória a campanhas políticas.
O recente acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, embora necessário para interromper o derramamento de sangue, não é comemorado como uma vitória, aliás, quando as guerras acabam, todos comemoram – na verdade, o fim de um conflito duradouro, de incontáveis barbáries e perda da dignidade entre os povos – em que as duas partes do conflito vislumbram tempos de paz.
Sou contrário a qualquer negociação com grupos terroristas, e essa ressalva se faz mais urgente diante do desequilíbrio flagrante presente nesse pacto: enquanto Israel concorda em libertar quase dois mil prisioneiros palestinos, muitos deles com histórico de envolvimento em atentados, outros tantos, condenados à prisão perpétua, o Hamas se compromete apenas a liberar os últimos 20 reféns israelenses, além de cadáveres.
O acordo, além de refratário a qualquer senso de justiça, carrega em si o peso de uma urgência política particular. Donald Trump, enfrentando rejeição crescente nos Estados Unidos, e Benjamin Netanyahu, alvo de críticas internas e protestos em Israel, encontram no cessar-fogo uma oportunidade de recuperar fôlego político. Essa conjuntura torna o pacto açodado, desequilibrado e distante da proporcionalidade necessária para um processo de paz absoluta. Trocar centenas — ou milhares — de prisioneiros por algumas dezenas de reféns não é apenas um desequilíbrio logístico, é um sintoma de desespero político, um indicativo de que interesses eleitorais e pessoais se sobrepõem ao interesse nacional e à busca por justiça. É inconcebível imaginar que o serviço de inteligência de Israel não tenha conseguido eliminar o Hamas ao longo dos dois anos de guerra na Faixa de Gaza, mesmo com incursões pontuais em países da região. O Mossad, outrora admirado por sua excelência — ainda que, por vezes, violasse a soberania de outras nações — desta vez se mostrou ineficaz, refletindo a inércia do combalido Benjamin Netanyahu. Recordo aqui a célebre captura de Adolf Eichmann, realizada na Argentina nos anos 1960, quando Israel, sem qualquer formalidade diplomática, prendeu um dos principais responsáveis pelo Holocausto em território estrangeiro Por fim, é importante destacar que a criação do Estado da Palestina é uma causa legítima e necessária para a estabilidade regional, mas jamais deve ser confundida com a legitimação de grupos terroristas como o Hamas. Defender o reconhecimento do Estado palestino não significa apoiar seus métodos, mas sim buscar um caminho justo, que respeite os direitos humanos, a segurança de todos e o direito à autodeterminação dos povos.
Entre abraços públicos e alianças silenciosas, o ex-presidente Jair Bolsonaro revive o mito de Fausto: um pacto por vantagens imediatas que cobra um preço inegociável. O Judiciário assume o papel de julgador e fiador do destino de um líder político que tentou subverter o próprio sistema com seus instrumentos.
Em 2019, Jair Bolsonaro, recém-eleito com um forte discurso contra o “sistema”, surpreendeu ao selar um acordo político com o então presidente do STF, Dias Toffoli – simbolizado por um abraço público. Logo no início do mandato, manchetes sobre um esquema robusto de rachadinhas no gabinete do filho Flávio Bolsonaro se multiplicavam. Para proteger o primogênito, o presidente aceitou um pacto com o Supremo Tribunal Federal, então sob comando de Toffoli — um acordo que remete, simbolicamente, ao pacto entre Fausto e Mefistófeles, na clássica obra de Goethe: uma aliança que oferece vantagens imediatas, mas cobra um preço alto no futuro. Na obra, Fausto, um idoso erudito insatisfeito com os limites do conhecimento humano, firma com Mefistófeles o compromisso de entregar sua alma após a morte, desde que seus desejos — juventude, energia e sabedoria — fossem atendidos. Embora agraciado, Fausto é perseguido por tragédias, refletindo o custo oculto de seu acordo. Dias Toffoli e Mefistófeles têm mais em comum do que a simples semelhança fonética de seus nomes. Ambos oferecem favores com uma mão e, com a outra, retiram o que concederam. Toffoli, ao selar o pacto com Bolsonaro, mobilizou a estrutura do Judiciário e sua legião de arautos dissimulados — Aras, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Barroso, entre outros — que, juntos, fizeram do ex-presidente um pária no sistema político que ele jurava combater. Bolsonaro fez um pacto com o diabo — e afundou na lama putrefata do mesmo sistema que prometera expurgar. Na política, pactos têm consequências. E, como na obra de Goethe, ao firmar acordos com “forças superiores”, a cobrança sempre chega — com juros e correção. O Supremo Tribunal Federal opera sob uma liderança rotativa. Outros “anjos caídos” herdam os contratos firmados. Hoje, sob a batuta do ministro Luís Roberto Barroso, a decadência de Bolsonaro se agrava, com a atuação implacável de Alexandre de Moraes — cuja autoridade inflexível parece arrematar o que pode ser a última linha de uma trajetória política marcada por rupturas, contradições e acordos sombrios. O pacto entre Jair Bolsonaro e o sistema judicial — personificado em Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal e nas engrenagens do Judiciário — só diverge do enredo de Fausto, de Goethe, em seu desfecho. No clássico, Fausto é salvo, ao fim, por anjos. Já no drama político brasileiro, os supostos “anjos” que hoje acenam a Bolsonaro com promessas de redenção possuem biografias profundamente comprometidas dentro do mesmo sistema que o ex-presidente diz combater. Entre eles, Michel Temer — ex-presidente da República, acusado de corrupção e alvo de investigações da Operação Lava Jato — e Aécio Neves, derrotado pelo PT em 2014 e igualmente citado nas delações da mesma operação. Ambos, sob o pretexto de pacificação nacional, articulam uma proposta alternativa à anistia: a chamada “PEC da Dosimetria”, que visa atenuar as penas dos condenados por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. No entanto, essa manobra não representa perdão, nem absolvição, tampouco a recuperação dos direitos políticos de Bolsonaro. Nos capítulos mais recentes dessa aliança obscura, um novo personagem desponta: Eduardo Bolsonaro, filho tido como símbolo da ala ideológica da família. Apontado como o mais inteligente e articulado, recusa-se a enfrentar diretamente os efeitos do pacto. Preferindo o exílio ideológico, esconde-se atrás da bandeira norte-americana e, à distância, lança ataques verbais contra aqueles mesmos atores com quem seu pai firmou, no passado, o acordo que hoje o imola politicamente. As manifestações promovidas pela esquerda no dia 21 de setembro em todo o país reforçaram um cenário já delineado: a polarização política brasileira atingiu seu ponto mais agudo. Os números de participantes espelham os registrados em atos da direita, indicando que o embate segue equilibrado — e que os desdobramentos futuros dificilmente trarão estabilidade ou vantagem definitiva a qualquer dos lados. Eduardo Bolsonaro refugiou-se politicamente nos Estados Unidos, valendo-se da rivalidade entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva — intensificada pelos recentes movimentos do Brasil no âmbito do BRICS — para impulsionar uma ofensiva diplomática contra o governo brasileiro. Tem pleiteado a revogação de vistos, a imposição de tarifas e até a aplicação da famigerada Lei Magnitsky: um dispositivo que estabelece sanções severas contra indivíduos envolvidos em corrupção, violações de direitos humanos e crimes internacionais. Por mais inconcebível que pareça, Eduardo tem obtido êxito em algumas dessas frentes. Contudo, esse sucesso isolado não se traduz em salvação para Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, inelegível e com saúde debilitada.
Na política, não se deve vaticinar a morte de um ator relevante. Luiz Inácio Lula da Silva, outrora considerado um cadáver político durante sua prisão, foi ressuscitado pelo próprio sistema. Aécio Neves, silenciado e amocambado nos últimos anos, hoje ressurge como voz de conciliação. Agora, é a vez de Jair Messias Bolsonaro, fadado ao ostracismo, sob o eco da voz endemoniada de Mefistófeles, que parece zombar de seu destino:
“Não és mais, meu senhor, do que és: um mortal! Perucas podes ter, com louros aos milhões. Alçar-te com teus pés nos mais altos tacões, Serás sempre o que és: um pobre ser mortal!” — Johann Wolfgang von Goethe
“Que piração, eu tô na terra ou no céu? Ninguém se entende nessa Torre de Babel” Cazuza Lançado em 2006, o filme Babel, dirigido pelo mexicano Alejandro Gonzales Inãrritu apresenta quatro histórias distintas, mas que no decorrer das tramas, são interligadas. Um casal americano no Marrocos, a babá mexicana; o pai japonês, viúvo que cuida da filha surda e no Marrocos onde a polícia tenta elucidar um aparente caso de terrorismo. Em tempo, uma ótima produção com ótimo elenco coestrelado por Brad Pitt e Cate Blanchet. Babel, que dá título ao filme é uma palavra de origem hebraica que significa confusão, e conforme a tradição judaica, em hebraico Babilônia é a grande confusão, embora a sua tradução para o grego nos traga outro significado, “A porta de Deus” – o que já justifica o conceito, mas certo é, que a confusão está armada, a Babel se apresenta em tempo real, e o texto que ora ofereço é babélico para escapar do senso comum, com muitas tramas que tendem a nos levar à III Guerra Mundial. Desde o primeiro dia após o término da Segunda Guerra Mundial, criou se a expectativa de uma Terceira Grande Guerra, para tanto, em ato contínuo, fora criada a ONU (Organização das Nações UNIDAS), organismo responsável por defender a paz mundial, embora não a encontramos absolutamente no mundo; sempre há conflitos em algumas partes, de décadas ainda sem solução que entre tréguas e batalhas, há contagens de baixas e tensões diplomáticas em várias partes do mundo, como Nagorno Karabach (Armênia e Azerbaijão), Arunachal Pradesh (ìndia-China), além de guerras civis como na Síria. Hoje, o mundo assiste a duas guerras de grandes proporções, o assédio de forças ora extrassomáticas que estimulam conflitos entre vizinhos, como o Irã que abastece com armamentos e munições aos grupos terroristas, a Coreia do Norte que cede militares para a lutar contra a Ucrânia que por sua vez, recebe militares da Coreia do Sul para lutar contra a Rússia; na Turquia, o ditador Erdogan fecha os caminhos mais viáveis para evental diáspora na região do Levante, na Venezuela, o ditador Maduro acolhe o Grupo Wagner para intimidar os opositores do regime e Taiwan vive sob ameaça de ataque chinês em uma tentativa de reanexação. O sistema eleitoral dos Estados Unidos permitiu que Donald Trump se candidatasse à Presidência, mesmo tendo contra si, 34 condenações, e vencer a eleição parecia ser uma tarefa fácil contra o candidato democrata, o Presidente Joe Biden, de 82 anos, com aparentes sinais de senilidade, mas a pressão no partido Democrata o fez dissuadir do intento, abrindo caminho para Kamala Harris, que lutou bravamente, mas se perdeu nos discursos feministas e étnico-raciais, trazendo à baila, a contradança do republicano com as mesmas, porém renovadas narrativas, como o muro na divisa com o México, o aumento nas alíquotas de importação e o negacionismo nas causas ambientais. Em 2018, Donald Trump, no exercício de seu primeiro mandato, interrompeu o tratado nuclear, sob o pretexto de que o Irã estaria enriquecendo Urânio, não nos parece algo tão sábio, pois embora não haja confirmação, a verdade incognoscível é a de que o Irã possui um robusto arsenal nuclear na região de Isfahan, cultivado sem a necessária vigilância dos organismos internacionais, transformando o país em uma potência bélica ainda desconhecida, a despeito dos ataques contra Israel serem inóxios até o momento, mas as guerras estão em vias de se interagirem, o que poria o mundo à mercê de mais uma grande guerra – não necessariamente todo o planeta sendo atacado para a reivindicação do status de III Guerra Mundial, este seria um choque macrocósmico, mas o afetamento de todos os povos, seja na escassez de alimentos, na carestia, na falta de mão de obra, nas ondas migratórias e a baixa expectativa por momentos de paz. As guerras não acontecem de surpresa, longe de se imaginar um líder autoritário apresentar um repentino plano de invasão ou de ataque a um país vizinho, geralmente as guerras são oriundas dos devaneios destes líderes, que acompanham uma eventual situação por eles julgadas como vulneráveis, vide o caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, mas perdura às vésperas de 2025. Vladimir Putin acompanhava à relativa distância os movimentos da Ucrânia e o interesse de Volodomyr Zelenski em ingressar na Otan (Organização do Tratado Atlântico Norte), bloco que nasceu para fazer contraponto ao extinto bloco soviético, que entre outros países da Europa Oriental, unia Rússia e Ucrânia. Em outubro de 2023, militantes do Hamas invadiram Israel e mataram mais de 1200 inocentes, além de prender como reféns, mais de 250 pessoas, entre judeus e estrangeiros de todas as faixas etárias. A consequência foi a imediata resposta de Israel, que sem clemência vem destruindo o Hamas e o Hezbollah – grupo terrorista libanês que controla a divisa entre Líbano e Israel, que se une ao Hamas, fomentado pelo Irã – e é preciso dizer, que para além de grupos terroristas, são partidos políticos, o que não muda a terminilogia da guerra assimétrica que se desenvolveu no Oriente Médio. No Brasil, um governante errático, o Presidente Lula se intromete com simplicidade a temas complexos, Lula já esbravejou que terminaria a guerra da Ucrânia com uma rodada de cervejas e aponta seu dedo na ferida de Israel, exigindo cessar fogo, sem ao menos ponderar o contexto de um país que fora atrozmente atentado. Vale aqui considerar o acerto de Lula ao trazer de volta ao Brasil, os brasileiros na Palestina e agora no Líbano, aliás, muitos destes, saíram do Brasil por não contemplarem os seus governos anteriores afundados em casos de corrupção, enquanto isso, na outra ponta do populismo, a direita bolsonarista se ampara no velho conhecido presidente americano eleito, Donald Trump para pressionar os poderes constituídos em face da inelegibilidade do ex-Presidente Jair Bolsonaro e produzir em 2026, um copia e cola da eleição americana, sempre lembrando que aqui a maioria votante perdoou o corrupto, mas não perdoou o obtuso, que interprende a reprodução de uma história mal contada. Estamos, no limiar de uma guerra apocalíptica que dá sinais claros que não tardará, os confrontos no Cáucaso e no Oriente Médio, em breve, reverberarão na Europa, sem uma forte liderança para contê-la ou mesmo para evitá-la, nos Estados Unidos, que sempre se posicionaram como o quartel general do mundo, um covarde se fecha em copas, e a América do Sul ganha um novo protagonista, Nicolás Maduro, que do lado errado na história, mas certo para os seus padrões, se impõe mais uma vez após bem sucedido golpe, e o Brasil, eterno vendedor de commodities, assistirá a tudo sem se preparar, promovendo guerras de nervos entre dois polos carcomidos, envolvendo outros poderes da República. Péssima combinação para o anão diplomático que há de figurar na última fileira, como mero expectador de um trágico espetáculo.
O formador de opinião é alguém com capacidade para influenciar positivamente a outrem em diversas áreas, seja na religião, na medicina, na política, entre outras; exemplo: um médico aconselha melhor sobre a sua saúde que um indivíduo não afeito à área, o mesmo se dá entre os líderes religiosos, que aconselham, guiam e traduzem suas doutrinas e os dogmas inerentes à religião professada. Nos tempos modernos, a figura do formador de opinião se esvaiu e deu lugar ao influenciador digital ou digital influencer. Mas quem são os influenciadores digitais? São homens e mulheres, na maioria jovens que produzem conteúdo na internet, explorando as redes sociais com peculiar desenvoltura, comunicam-se com as massas, influenciando o vocabulário de seus seguidores, que recebem qualquer factoide criado por eles como verdades absolutas. O influenciador não precisa demonstrar conhecimento no tema que escolheu para dissertar, mas cultivar a opinião além da notícia distorcida. Com a velocidade da Internet, com o advento abrupto das redes sociais, os temas são reverberados sem critério, não raramente fomentando intolerância e ódio. O mundo digital, se avolumou, mas não a ponto de substituir as ações impostas pelo sistema, a propósito, muito se fala do sistema, e o quão difícil combatê-lo, mas ainda graças ao poder de persuasão dos ditos influenciadores, não perceberam que todos os atores políticos, dele fazem parte, e a babel provocada por ignóbeis digitadores redunda n´uma jocosa caldeação ideológica. Assim como tem acontecido recorrentemente em outras eleições, a disputa em São Paulo parecia ser entre a clássica disputa de talentos preparados não apenas para o certame, mas para a gestão de um município de orçamento de 120 bilhões de reais/ano – equivalente ao Pib da Jamaica. Os nomes certos para centralizar a disputa eram o de Kim Kataguiri (UB/SP) e Tábata Amaral (PSB/SP), o primeiro desistiu da disputa por não contemplar os interesses do partido, a segunda, segue claudicante sem o apoio suficiente de seus pares, e mesmo que não seja materialmente importante para Tábata, é sempre bom lembrar que o Presidente da República, cabeça de chapa na última eleição, apoia ilimitadamente o desgastado Guilherme Boulos (Psol/SP), enquanto o maior nome do seu partido, o vice-Presidente Geraldo Alckmin (PSB/SP), pouco aparece. Lula (PT) diz apoiar Boulos, mas as costumeiras trapalhadas do morubixaba petista mais o atrapalham que o ajudam, haja vista o pedido explícito de votos ainda no dia 1° de maio, longe da data limite para Boulos se consagrar candidato, mais recentemente, em evento de campanha, ambos participaram de uma cerimônia em que executaram o Hino Nacional, usando a linguagem neutra, um prato cheio para seus opositores, causando frissón, até mesmo no campo da esquerda, que entendem como inaceitável, dada a estupidez de se criar um dialeto temático. Marçal navega em leito calmo, e para muitos, já está eleito – a futurologia é dos influenciadores, mas é muito bom se cuidar, pois as narrativas vencem, e tomo como exemplo a eleição de 2022, que contrariando prognósticos, Bolsonaro (PL/SP) – preso às falácias sobre as urnas eletrônicas, perdeu para Lula, recém egresso do sistema prisional. O influenciador digital já ganhou destaque na política em várias partes do mundo, e no Brasil não é diferente, o Deputado Federal mais votado em 2022, Níkolas Ferreira (PL/MG), era influenciador de pautas conservadoras, que lastreado pela igreja dirigida pelo pai, alçou um exitoso voo até o Congresso Nacional, ainda que desde que lá pousou, nada tenha agregado, limitando-se a se comportar como se estivesse diante das câmeras. O exemplo mais recente de influenciador que explora seu sucesso em nome da política é o de Pablo Marçal, aliás, um multifacetado influencer, que atua como coach, depois de atuar no “chão de fábrica” no mundo corporativo. Marçal é um homem de raciocínio rápido, com formação em direito e dela se vale, discursa tempestivamente contra ou a favor, conforme a contingência do eleitorado. Acusa sem provas, confiando na morosidade das investigações e a sobrecarga nos tribunais, enquanto recrudesce seu nome em uma campanha ajustada para a Prefeitura Municipal de São Paulo; Marçal definiu rapidamente o seu alvo, Guilherme Boulos, e o vem trucidando no curto período de campanha, a despeito dos gaps, Marçal alterna com seus principais rivais o topo nas pesquisas de intenção de votos, e faz circular a “boa nova” n´um ambiente em que ele conhece melhor que qualquer brasileiro, a rede social. Marçal cansa a plateia adjacente à sua, com seu discurso de prosperidade e ostentação exacerbada de uma riqueza concebida no meio digital, sua luta contra a dupla Ricardo Nunes (PSD/SP) e Guilherme Boulos (Psol/SP) somente será vencida pelo voto estratégico ou seja o voto útil para limar dentre ambos o mais rejeitado. Aqui não falo de voto de protesto, por crer no alto grau de maturidade do eleitor paulista, até porque, já vivenciou administrações de esquerda em tempos idos, como Luíza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad, portanto, o povo paulistano não se assustaria com a presença da figura ameaçadora de Boulos e o seu emblemático partido que tem como bandeira a ocupação de propriedade privada, a propósito, Boulos, sim, se veria assustado, pois passaria a atuar do lado de dentro do balcão, com interesses diversos. Não precisa gostar de Pablo Marçal para perceber que ele entendeu como jogar o jogo usando a ferramenta mais acessível da atualidade. Marçal empreende um discurso agressivo, ligeiro, suscetível a cortes de edição, alimentando as massas, colaborando para um espetáculo dantesco na maior cidade do Brasil, tentando em vida, herdar a turba do clã Bolsonaro, com quem vem trocando rusgas, seguidas de pedidos de desculpas, e é perceptível que os adeptos do Capitão, hoje votariam em Marçal, que caso vença, terá o peso de se render ao policarpismo que vigora no Brasil desde 2019. A confusão não será tão cedo resolvida, o influenciador político não tem compromisso com a verdade, mas com a opinião e os seguidores têm compromisso perpétuo com lideranças construídas à base das narrativas criadas em ambiente puramente digital. Estamos no auge da campanha em seu primeiro turno, e o apoio de Bolsonaro a Ricardo Nunes é mera formalidade, mas acossado por Marçal, não será surpresa, uma postura mais incisiva do Capitão em favor de seu indigesto apaniguado, o que provocaria, de fato o primeiro racha na direita pós-Bolsonaro, e até lá, impossível fazer um prognóstico de uma eleição superlativa, dada o ajuste na disputa, a dimensão do município, os quadros políticos envolvidos e claro, a força advinda de ambiente tóxico como as redes sociais.
Existe no Brasil uma importante tradição inserida na cultura política, o patriarcalismo, narrado por Max Weber no começo do século XX. Do patriarcalismo surgiram o cordialismo, o flihotismo e o familismo. Em comum, a subserviência ao chefe de família que comanda seu clã, inclusive favorecendo aos seus membros com cargos, funções e relativo poder colateral. Nos dias atuais, o patriarcalismo salta aos olhos, mesmo em tempos de compliance, que redunda em aglutinar normas éticas em favor da boa governança e acountabiltiy, que determina a responsabilização, transparência e controle. Vale o registro de que a lei que versa sobre o nepotismo é ambígua, com exceções, como a de um líder contratar um parente em linha reta, desde que para cargos estritamente político, em que o nomeado ou indicado tenha conhecimento robusto da função da qual irá exercer, o que nem sempre ocorre nas nomeações, causando furor na sociedade. Mas como identificar as diferentes ideologias através de suas características? • Cordialismo: Empregado na política contemporânea brasileira como troca de favores ou como pagamento por serviços prestados, podemos observar que a aproximação se dá no âmbito profissional, político ou ideológico; como exemplo, as indicações para Ministros do Supremo Tribunal Federal – Dias Tófolli, claramente sem envergadura jurídica para o exercício da função, mas pertencente à visão socialista do Presidente de turno, Lula (PT), outro exemplo ainda mais patente, o Ministro Alexandre de Moraes, que como Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, fora ágil em servir ao então Vice-Presidente Michel Temer, que ao assumir a Presidência da República, içou o seu mais novo pupilo ao Ministério da Justiça e posteriormente à Suprema Corte, e com Temer, goza além de prestígio, uma relação amistosa, tanto que longe do poder, Temer serviu como interlocutor para resolver uma quizumba em forma de desafio por parte de outro Presidente de turno, Jair Bolsonaro. Como missão de apresentar o aspecto nocivo de indicações não técnicas, mas apenas cordiais, basta observar as condutas dos dois mencionados, apontados somente para efeito de exemplo, pois se averiguarmos cada um dos ocupantes das onze cadeiras, poderemos ter surpresas odiosas, além de clara obrigação que os apaniguados têm para com seus pater familae. • Filhotismo: o mais clássico e perene contributo repulsivo que compõe o patriarcalismo; presente em todas as esferas do poder, o filhotismo foi a marca do governo Bolsonaro, seus filhos, eram e continuam respectivamente, Vereador, Deputado Federal e Senador, lembremos da tresloucada tentativa do ex-Presidente em nomear seu filho 02, o Deputado Federal, Eduardo Bolsonaro a Embaixador do Brasil no Estados Unidos. Sua experiência? Fritar hambúrguer no Maine. Fora do poder, mas ocupando importante lacuna no debate púbico, o bolsonarismo tende a emplacar mais um membro da família, agora na Câmara dos Vereadores de Camboriú/SC. Mas não para por aí, a prática no Brasil se tornou trivial e está amocambada nos rincões do país, há um caso mais recente para exemplificar que ocorreu na pequena Simolândia/GO, de 6 mil habitantes; a prefeita, D. Dete (UB/GO), nomeou como Secretário de Administração, o seu filho, Hugo Gomes, que na sanha de reeleger a mãe, a fim de se manter no poder, teria oferecido benefício pecuniário a uma candidata a vereadora na chapa adversária, para que ela desistisse da candidatura, o que provocaria fraude no sistema de cota feminina; imediatamente após, faria a denúncia no Tribunal Regional Eleitoral, visando culminar com a impugnação da candidatura de Vander Terra (PL), o adversário da mãe. O valor constante no processo que transita no TRE/GO em Alvorada do Norte/GO, cidade contígua a Simolândia seria de 5 mil reais e um emprego na Prefeitura, somente pela desistência, que teria sido aceita, conforme noticiado no site jornalístico Goiás24horas. • Familismo: Também conhecido como familialismo é uma ideologia que privilegia o seio familiar em quaisquer que sejam as questões abordadas, o filme “O Poderoso Chefão” de Mario Puzzo, dirigido por Francis Ford Copolla, é o que melhor sintetiza o tema na política nacional, não por acaso, estamos vivenciando-a no Governo Lula, aliás de maneira recorrente, vale trazer a reminiscência de seus mandatos anteriores, em que os filhos se valeram das prerrogativas do pai para se promoverem; o que cuidava de animais no zoológico em São Paulo, tornou se importante empresário em vários segmentos, chamado de “ O Ronaldinho dos negócios”, outro, um frustrado desportista, deteve e/ou detém contratos vultosos com agremiações de diversas modalidades. Já no seu terceiro mandato, delega funções de Estado para a Primeira Dama Janja, que durante a enchente no Rio Grande do Sul, pavoneou se juntos aos flagelados em busca das luzes da ribalta, mais tarde, representou o país, na França, por ocasião das Olimpíadas de Paris, em detrimento do Vice-Presidente Geraldo Alckimin (PSB).
A democracia é um regime em evolução, não se pode afirmar que seja um conceito pronto e embalado, mas na contramão da ideia surgida há mais de 2500 anos, nós, não somente brasileiros, mas latino-americanos temos definhado, e incorremos em sério risco de vê-la distante. As relações parentais em governos sejam de direita ou de esquerda, como querem entender sobre a política rasteira que nos norteia, trazem um enorme peso, em que testemunhamos círculos familiares prosperarem enquanto assistimos passivamente as classes dominadas servindo a famílias inteiras. Não esperemos de nossos governantes, algo diverso ao exposto, mas nos informemos mais sobre os abusos, para denunciarmos as más condutas daqueles em quem confiamos nossos votos. O patriarcalismo vem de muito longe, Plutarco mencionava no século VIII a.c. um diálogo entre um cidadão dório e Licurgo, legislador espartano, que ao ser questionado por que não implantou em Esparta a democracia, ele respondeu: – Comece, amigo, monte-o e sua família! O patriarcalismo não é o único condão do retrocesso político, cultural e judicial no Brasil, mas são visíveis, a corrosão social, os abusos e a desonra a todo um povo.
A polarização política que ora nos afeta é protagonizada pela dicotomia direita/esquerda, enquanto a direita vislumbra voltar à ribalta, a esquerda governa o país com o anteparo de partidos satélites da estrela maior, o PT (Partido dos Trabalhadores) e convivem equidistantes, porém coordenados, e isso é visto a olhos nus, e não é incomum que alguns de nós, caiamos na esparrela de vulgarizar as sínteses “extrema” e “ultra”, em razão das atitudes das militâncias ignorantes de ambos os lados; a direita e a esquerda não são extremistas, são monoteístas, em que não se permite a existência de outros deuses; aqui eu me adentro a uma tese de que a religião e a política se retroalimentam, não por acaso, o conservadorismo brasileiro pega carona na crença cristã para difundir sua agenda, e não é desrespeitoso divagarmos sobre, enquanto na outra ponta, o discurso retórico reflete o contraditório.
Para suavizar os reflexos nefastos que o fundamentalismo nos proporciona, é de suma importância, fugir dos extremos, e ainda na esteira da simbiose política/religião, apresento o distributismo ou distributivismo – inspirada na Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII de 1891– Doutrina Social da Igreja, um sumário ético e moral que abarca as transações econômicas, relação patrão empregado, ações sociais e amplificação do tema propriedade; em tempo, nos primórdios da política polarizada, a discussão principal era sobre a propriedade, mas o preceito do distributismo idealizado pelo escritor britânico de origem francesa, Hilaire Belloc e pelo jornalista britânico Gilbert Chersteston, surgiu para difundir outros motes não menos importantes.
O distributismo por sua vez, inspirou o sociólogo britânico Anthony Giddens a criar o conceito da Terceira Via, que soa para o eleitor em qualquer parte do mundo como mera alternativa aos debates promovidos pelo liberalismo e o socialismo, que em muitas vezes redunda no surgimento de opções não viáveis aos certames, leve se em conta a eleição presidencial de 2022, que ainda no primeiro turno era possível aferir o descontentamento do eleitorado, que se mostrou não afeito aos quadros dispostos no pleito, o primeiro turno, claramente fora resolvido com base na rejeição, houve empate técnico, abstenção de 20,59% somada aos votos em branco, nulos ou em candidatos com baixo índice nas pesquisas de intenção de votos, totalizaram o valor espantoso de 33,51% do eleitorado, um terço da população politicamente ativa que não contempla qualquer uma das duas pontas. A Doutrina Social da Igreja que inspirara Belloc e Chersteton pulsa no conceito de terceira via que visa realocar os pensamentos políticos, econômicos e sociais em um vácuo indiferente à polarização.
A Terceira Via foi muito comentada às vésperas da eleição de 2022, tentou se emplacar um nome, mas não foi o bastante, é preciso discernimento dos poucos e valorosos quadros verdadeiramente envolvidos com suas demandas, que com destreza possa romper com o sistema binário, enfadonho e putrefato que vigora hoje no poder.
Há exemplos de Terceira Via com relativo sucesso, e o período mais fértil para se apreciar, vem da década de 1990, em que a Terceira via era representada pelo ex-Presidente norte americano, Bill Clinton, pelo ex-Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, além de atores políticos importantes na América Latina, como o ex-Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e o ex-Presidente chileno Ricardo Lagos; nos dias atuais, percebemos duas correntes de Terceira Via; na Alemanha, o semáforo alemão, título oriundo das cores dos partidos que compõem a fusão – o SPD (vermelho), o Liberal (amarelo) e o Partido Verde, colocando um basta na divisão pós Merkel. Na França, há uma Terceira Via, porém não bem elaborada, por isso, fadada ao esvaziamento, em que o Presidente Macron se apresentou fragilmente contra os extremos da esquerda de Jean-Luc Mélenchon e a direta de Marine Le Pen, confirmando que viabilizá-la não é simplesmente apontar um nome, mas cultivar robusta coalizão.
Giddens acredita que a Terceira Via deve ser desenvolvida no espectro de centro-esquerda – social democracia, mas há correntes que defendem a união de centro, envolvendo desde a centro-esquerda, o centro até a centro-direita, visão da qual eu assinto, mas no Brasil, somente será possível, enquanto o debate versar sobre temas políticos não eleitoreiros, com visão benéfica para a população.
É possível emplacar a Terceira Via no Brasil, e o tiro de largada deve ser dado muito antes da campanha eleitoral para a Presidência da República, em que pese os palanques políticos aqui estão se perpetuando, é hora de uma nova súplica, é hora de uma nova grita, é hora de outra via, a polarização tem nos roubado a liturgia, a erudição, a inteligência e a civilidade, sempre que abrimos mãos dos princípios morais e éticos em favor de qualquer populista que não nos encanta, mas se opõe a outro de igual quilate
Aos que postulam a Terceira Via, o primeiro passo é prescindir aos debates gerados pelas turbas, não há necessidade de emitir opiniões, reverberar as jocosidades produzidas pelos polos, mas abstrair e cobrar dos eleitos com eloquência. Há a necessidade premente de união com forças políticas de vezo conciliador em busca da soberania popular, com discurso fácil, sem rótulos ou nomenclaturas que muito mais confundem e não traduzem a paz almejada por um terço da nação,
Paul Valery, filósofo francês, define bem os movimentos colaterais da política, inclusive nos nossos dias, em que temos sempre uma opinião formada sobre tudo, mesmo de fatos ou matérias distantes de nossa realidade, mas por mais tentadora que possa parecer, não é difícil se afastar da polarização, é apenas o primeiro passo para a conscientização do mais importante quadro político no sistema eleitoral, o eleitor, o que não contraria a visão de Bertold Brecht sobre o analfabeto político, aliás, a reforça, quando renunciamos aos debates infrutíferos, e vivenciamos sabiamente a política como vetor de qualidade de vida.
“A política foi primeiro a arte de impedir as pessoas de se intrometerem naquilo que lhes diz respeito. Em época posterior, acrescentam-lhe a arte de forçar as pessoas a decidir sobre o que não entendem”.
Onde me devo abster da moral, deixo de ter poder. Goethe
O STF (Supremo Tribunal Federal) abriu licitação para contratação de uma empresa especializada em monitoramento de redes sociais com fito exclusivo de vigiar as menções à Suprema Corte. O valor destinado para a contratação é de 345 mil reais, um valor considerado exorbitante para que conheçam as demandas de um povo cada vez mais indignado. Há na Suprema Corte do nosso país, um triunvirato pernicioso, em que Ministros com características evidentes da síndrome do pequeno poder – quando um indivíduo que ascende a um posto hierárquico superior, reduz aos que estão próximos; por que não, aplicar o transtorno na mais alta corte do Brasil, em que homens de baixa qualidade moral, cognitiva e intelectual a compõem? Nos dias atuais, dividem as páginas dos noticiários nomes daqueles que deveriam ser discretos, polidos e o mais importante, serem os verdadeiros e confiáveis guardiões da Constituição. Para Maquiavel, “o poder deixa de ser um vício dos poderosos, e torna se uma constante da natureza humana antes de toda a política. Dominar o outro para não ser dominado”. É possível divagar a frase de Nicolau Maquiavel, imaginando-o com o dedo para três dos ministros que não honram as togas que ostentam.
• Gilmar Mendes usa das paredes de seu gabinete um panteão dos seus desafetos, se utiliza de provas imprestáveis para tomada de decisões – a vaza-jato; defere habeas corpus como emitimos opiniões (às vezes sem o mínimo entendimento da matéria), mantém contatos negociais sem transparência, usa do cargo que ocupa para requerer polpudas indenizações… mas lembremos, ele é um bom operador da justiça, é tido como o mais técnico dos ministros, o que faz dele a mais degradante figura do judiciário, uma herança maldita do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso que nos deixou um ótimo legado;
• Alexandre de Moraes, acossado pelo governo anterior, aceitou o desafio na disputa pelo poder, o pequeno poder de um ex-Presidente que figurou no baixo clero da Câmara dos Deputados por quase 30 anos, mas subitamente e inesperadamente presidente, em posse de famosa caneta bic, tagarelou com ameaças, bravatas e blefes, Moraes caiu como um pato, faltou a ele equilíbrio para lidar com situações adversas, fora traído pelo seu temperamento, deduzidas as características da síndrome, recebeu homenagens em forma de epítetos jocosos e desrespeitosos advindos de uma turba raivosa, vítima de suas decisões. Moraes fora indicado pelo ex-Presidente Temer, e o que se dizia à época, para além de seus interesses, como retribuição aos serviços prestados, algo que não por coincidência, estamos assistindo ao vivo no Governo de Luís III;
• Dias Tófolli, um homem que venceu na vida com muita humildade e hombridade; de cultura limitada, estudou direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) – Largo de São Francisco em São Paulo; para se sustentar na capital do estado, apontava pedidos em uma pizzaria na Vila Madalena, após a formatura, passou pelo exame da OAB, advogou por quatro anos, mas manteve a ambição de se tornar juiz, e tentou… tentou e tentou… mas não conseguiu! Aproximou se de José Dirceu (dispensa apresentações) por afinidade ideológica, de quem foi assessor na Casa Civil, mas até hoje nos perguntamos, como pode um ser tão simplório, ocupar um cargo na Suprema Corte do Brasil? Bom, a resposta é clássica e enfadonha, o Senado Federal poluído e de cócoras para o sistema judiciário lhe concedeu o direito que as bancas de concursos públicos lhe negaram. Toffoli fora indicado por Lula, um soez de caráter compatível. Não podemos deixar cair no esquecimento que Antônio Dias Toffoli foi citado na delação de Marcelo Odebrecht como a amigo do amigo do meu pai, ou seja, o amigo de Lula, o que culminou na primeira crise da síndrome do pequeno poder, ao censurar a reportagem que trazia à tona sua ignomínia. Há um ditado antigo e muito utilizado no interior do Brasil, o de que “é o boi sonso é o que derruba a cerca”, mas Toffoli vem derrubando não somente a cerca, mas decisões exuberantemente fundamentadas pela Corte, que ora desonram.
Os ilustres tomam decisões ou negligenciam muitas delas, relegando a verdadeira justiça ao Deus-dará, e o que os aproxima da síndrome é a pequenez diante do cargo que ocupam, e a nós, povo, não há uma lista com as dez medidas de como lidar com a situação, nos resta cobrar veementemente os senadores que elegemos, para entre tantos atributos, frear o poder do judiciário, aqui, apontei três ministros, mas quantos já passaram? E há ainda outros se criando. A contratação de uma empresa que perscrutará o povo não me impedirá de criticar homens que não nasceram para o Supremo Tribunal Federal, mas que por uma razão distante de qualquer entendimento comezinho lá estão. É hora de irromper com sabedoria, exigir com a arma que temos em mãos – o nosso título de eleitor, aliás, o obtuso Toffoli me colocou caraminholas na cabeça, eles, os ministros são legitimados por 100 milhões de votos, claro, numa equação insana resolvida por ele mesmo, sob efeito inebriante de seu cafezinho de toda hora.
“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.” Johnny Welch
Desastres ambientais ou ecológicos podem ser naturais ou oriundos da ação humana, a exploração desenfreada de minérios de ferro causou a catástrofe de Brumadinho/MG em 2019, a ignorância precedida da negligência causou o acidente com o Césio 137 em Goiânia/GO em 1987, as chuvas vêm assolando o litoral brasileiro há tempos, e com pouco esforço chegaremos, não à ação do homem, mas à falta dela, à inépcia, há exemplos em países desenvolvidos com climas mais severos que o nosso, que corrigiram os problemas, haja vista em Copenhague na Dinamarca, em 2011, que após passar por problemas semelhantes ao que se passa no Rio Grande do Sul, ganhou a alcunha de a cidade esponja, ou na Holanda que por estar abaixo do nível do mar, permanece em constante vigilância, evacuando a população ameaçada antes dos efeitos das chuvas. As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 chegaram abruptamente, mesmo havendo uma tendência de aumento nas chuvas naquela região, conforme o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, órgão do Governo Federal, divulgado em 2013, durante o primeiro mandato de Dilma Roussef. Tudo que o já se falou sobre a tragédia no Rio Grande do Sul é suficiente para o entendimento de todos, afora o obscurantismo provindo de todos os lados, mas cabe um resumo da catástrofe até aqui. São 458 municípios destruídos, 151 mortos, 104 desaparecidos, 806 feridos, 2,28 mi de pessoas afetadas e 615 mil desabrigados. O prejuízo estimado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) é de 8,9 bi de reais, podendo aumentar, posto que a maioria dos municípios afetados ainda não começaram a contabilizar o prejuízo. O fatídico evento climático tem dado azo à politicagem rasteira, com a participação do mandatário da nação e sua consorte; Lula conhece cada palmo deste país, e sabia da existência de uma população negra considerável no Rio Grande do Sul, são 20% de 10.880.505 habitantes, o que enseja o número de 2.176.101 habitantes negros, correspondente a quase o dobro da população da capital, Porto Alegre, portanto, soa falsa a repentina percepção do Presidente quanto à estratificação étnica do estado, a propósito, muito bem representado por negros, como Ronaldinho Gaúcho, a ex-ginasta Daiane dos Santos, a atriz Sheron Menezes, e na política, o Senador Paulo Paim e o ex-Governador Alceu Collares. O Presidente Lula está há mais de quarenta anos vivendo da política no Brasil, e tem como tônica de seus atos, dividí-lo; quando fala de improviso, provoca estragos, mas será mesmo que Lula improvisa? Tenho a convicção de que não, ele provoca como poucos, e com sua peculiar malandagem convence o povo de que ele está improvisando. Não é a primeira vez que Lula marginaliza o povo gaúcho, no ano 2000, em Pelotas/RS, valendo se do anedotário brasileiro, sobretudo do Rio Grande do Sul, teria deixado escapar que a cidade era um polo exportador de “veados”, mais uma clara provocação com o verniz da falsa improvisação. Lula denota não simpatizar com o povo sulista, e já deixou claro que não absorve muito bem o agronegócio, setor pujante na região afetada, mas oferece afagos ao povo nordestino, impondo-lhes limites, sempre alimentando o vitimismo que fomenta o sectarismo e a xenofobia entre o próprio povo. O povo brasileiro não se odeia, mas se divide em adorar seus ídolos, e transformam suas vozes em verdades absolutas, em ordens que os emparvoecem até mesmo em momentos que dispensam muita solidariedade, a militância em especial, é um instrumento de ataque, mas o povo é solidário, isso é o que mais vale e a prova está dada desde o início das intempéries. Em meio ao caos estabelecido, as duas pontas da política mesquinha e polarizada que nos conduz se exorbitam em falsas acusações e desinformações. De um lado, partidários do governo acusam seus adversários políticos de mentirem sobre a mentira que eles criaram, do outro lado, acusam o governo de inércia, com mídias muito bem elaboradas, até mesmo com uso de inteligência artificial fazendo propagandas de algo que não está ao alcance de qualquer que seja o anti-herói, aqui me refiro à falta de atributos morais para a condição de heróis. O maior exemplo vem de dentro do Palácio do Planalto, onde a Primeira Dama dizia que estar acordada desde às 6h00 , se empenhando no resgate do cavalo Caramelo, enquanto o Corpo de Bombeiros de São Paulo trabalhava sem pleitear holofotes, logrando êxito, para o bem do animal. Vale o registro dos vários abnegados brasileiros que saíram da zona de conforto e se aventuram no sul do país, e em tempos de influencers, foi bom que se mostraram fazendo algo, pois assim de fato, influenciaram outros que ainda não haviam se atinado para tamanha catástrofe, mas precisavam apenas de um bom exemplo para se obter a coragem necessária, seja para doarem ou para se doarem no intento de oferecer conforto ao povo gaúcho. Para fechar o circo lulista nos Pampas, o Presidente nomeou um velho conhecido da Operação Lava Jato, o Ministro Paulo Pimenta, o Montanha na planilha da Odebrecht para o cargo de Ministro Extraordinário da Reconstrução do Rio Grande do Sul, inaugurando palanque erguido em um lamaçal sem precedentes na história do Brasil – Montanha atuará em seu reduto eleitoral, mesmo sem a expertise necessária para o cargo simbólico com a manutenção do status de Ministro de Estado, deixando a SECOM (Secretaria de Comunicação), nas mãos de Lula, para usá-la como moeda de troca . O certo é, que lamentavelmente, fazer política à custas do flagelo do povo tem dado bons resultados para os postulantes, mas o que pouco se discute, é a consequência dessas ações, que tendem a perpetuar as crises.
“Eu não tinha noção de que tinha tanta gente negra no RS” – Inácio, Luís
“Às vezes, o pensamento mais estranho, mais impossível na aparência, apodera-se de nós com tal poder, que acabamos por julgá-lo realizável, mais ainda:, se a ideia se associa a um desejo violento, apaixonado, tomamo-la às vezes, no fim das contas, por algo fatal, inelutável, predestinado.” Fiódor Dostoiévski
Deputados de oposição visitaram os Estados Unidos em março de 2024 para vociferar na OEA (Organização dos Estados Americanos) ao lado da ex-juíza Ludmila Grillo, que o Brasil vive uma ditadura, a grita de que vivemos uma tirania é recorrente, sobretudo no judiciário, mas em território nacional, agora, a oposição se vale de um flanco aberto para divulgar no mundo aquilo que eles acreditam ser a verdade. O ex-Presidente Donald Trump os recebeu para um jantar em Mar- a-Lago para alinhamento de pautas e a proposta de fortalecimento do eixo da direita, com a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro, via ligação por vídeo, Trump posou para fotos ladeado por Eduardo Bolsonaro (PL/SP) e o ator Mário Frias (PL/SP), aqui teço elogios para a sua melhor representação, que como Deputado Federal é um excelente ator. Em tempo, Trump goza de bom relacionamento com Elon Musk, megaempresário, proprietário da rede social X, daí, não se vê coincidência em relação à barafunda envolvendo o Ministro Alexandre de Moraes. Moraes chamou para si a responsabilidade de paladino da Suprema Corte após ser desafiado pelo ex-Presidente Jair Bolsonaro, mas se perdeu no personagem, exagerando nas ações antropocentrisas na Corte, agindo como o Grande Inquisidor – personagem do personagem Ivan Karamazov, do romance “Os Irmãos Karamazov” de Fiodor Dostoievski, que prendeu Jesus e o condenou ao fogo, em suma pelo rigor imposto pelo cristianismo ao povo que o segue. A referência leva ao entendimento de que Xandão prenderia Jesus, pelo fato de que o povo não usufrui adequadamente da liberdade dada por ele, por sorte, não pagaremos para ver, contudo é importante ponderar o que vem ocorrendo sistematicamente no Brasil e como foi possível chegar ao ponto em que estamos, e isso só será possível avaliando como banalização o termo ditadura do judiciário. O Presidente da República conforme reza a Constituição Federal, (art. 92 a 126) tem a prerrogativa de indicar nomes com requisitos pré-determinados para as esferas do judiciário, alguns casos, como no STF (Supremo Tribunal Federal), o cargo é vitalício, não atrelando com aquele que o indicou, agora percebam o capricho utilizado no termo acima, o Presidente indica, mas não é ele quem decide, a nomeação se dá, após sabatina exercida por Senadores eleitos, no exercício da função. Atendo-me apenas ao nome de Alexandre de Moraes, o Ministro mais inclemente do escrete da Suprema Corte, indicado pelo ex-Presidente Michel Temer, obteve 55 votos favoráves ao seu ingresso, contra 13 em uma votação secreta em 2017, 68% do contingente do Senado Federal, muitos dos quais ainda cumprem mandato, e mais, alguns que se apresentaram veementemente contra a indicação, hoje apoiam o Ministro contra as investidas da oposição. Há mecanismo legal para a deposição de Ministros do STF, só o Senado Federal poderá admitir processo de impeachment, mas não o faz porque é sabido que muitos dos nobres Senadores que aderem à indicação do Presidente da República estão encalacrados com a justiça, portanto se tornam reféns dos ilustríssimos, e o que sobra é o alarido desprezível de que há em curso uma ditadura. É também sabido que em caso de deposição de um Ministro, o Presidente tem o direito de indicar um novo nome, impondo no nosso sistema político, um enorme círculo vicioso, mas também é sabido, que o Presidente da República pode sofrer processo de impeachment por crimes de responsabilidade, e os mecanismos estão aí, postos e consolidados, à vista disso, o que vivemos hoje é a consequência das nossas ações, consequência dos nossos votos. Não se vislumbra sucesso a partir de um espetáculo desenxabido promovido por títeres mambembes que teriam muito o que fazer em homenagem aos seus eleitores. Viajar pelo mundo falando mal do Brasil é uma peripécia repetida, sem que se esgotem todos os meios legais. Hoje, em meados de abril, a mesma banda está ampliando a voz da indignação no Parlamento Europeu, dando mostra de que a guerra fria cibernética não tem data para acabar, o que nos relegará à condição de democracia tacanha.
A visita que o Senador Sergio Moro fez ao decano do STF (Supremo Tribunal Federal), poderia ser vista como um ato de coragem, uma presa não visita o predador em seu habitat. Moro saiu de lá, segundo relatos jornalísticos, atônito, o que seria previsível, mas está praticamente pacificado que a visita foi uma péssima ideia, por ela ter alimentado hostilidades tão comuns à quem “não tem ideia, não tem patriotismo, está sempre atrás de algum interesse que não o da Justiça. Uma vergonha, um constrangimento!”, parafreseando o Ministro Luiz Roberto Barroso. A CNN Brasil publicou em 20/12/2020, uma entrevista exclusiva com o hacker Walter Delgatti, em que o entrevistado afirmou que a Operação Lava Jato queria prender Gilmar Mendes e Dias Tóffoli, disse ainda que o Ministro Barroso utilizava sua conta no Telegram para auxiliar Dalagnol nas peças. Observem que aí está um ponto não tão bem divulgado, o Ministro Barroso rechaçou a possibilidade, afirmando em nota (abaixo), não ser usuário da plataforma Telegram, nem nunca ter sido. Essa foi uma mentira confirmada da vaza jato, mas não explorada, porque o que vendia à época, era a informação de que a Lava Jato era um imenso conluio, sem que nada de desagregador fosse apresentado no material clandestino e não periciado. Voltando à suposta almejada prisão de dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), não precisamos acreditar nas falas do hacker, mas o Ministro Gilmar acreditou, desde de então, de entusiasta da Operação, passou a acionar sua máquina de expelir logorreias aos Procuradores e principalmente, contra o ex-Juiz Sérgio Moro. Gilmar usa do peso da sua caneta, que aliás, é o único valor que ostenta, abdicando dos valores morais e éticos quando se dirige para falar daqueles que supostamente teriam o alcançado. Parte substancial da população já suspeitava, e hoje tem certeza de que ele é parcial e não pratica o devido ordenamento jurídico, oferecendo entrevistas a respeito de casos e réus a serem por ele julgados em futuro próximo, além de gratuitamente, ofender com peculiar sagacidade e depreciar a quem ousa contrapor seus movimentos mais sórdidos. O que leva o povo brasileiro, que acompanha os meandros do poder a duvidar da índole de Gilmar Mendes? Trago dois exemplos, a ligação amistosa com o Aécio Neves, alcançado pela Lava Jato e o telefonema do próprio decano ao ex-governador Silval Barbosa, após busca e apreensão assinada por Tóffoli, em que Gilmar diz sem pudor: “Que loucura! Que loucura! Estou indo para o TSE agora, vou conversar com o Tóffoli!”, assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UBdiRKf4tH4 Sobre Toffoli, o que dizer? É um pateta diametralmente oposto ao decano, no que tange à capacidade intelectual , mas é por ele apoiado, formam uma dupla, que não reedita, mas traz breve lembrança do clássico infantil, “Memórias de Um Burro”, de Condessa de Ségur; a analogia aqui se limita aos personagens – um burro inteligente entre burros burros – o burro inteligente, Cadichon, ao contrário de Gilmar, tinha como um de seus principais atributos, saber o momento exato de corrigir os rumos, enquanto que o burro burro, é burro e continua sendo burro, e complementando, ele é Ministro. Ministros da Suprema Corte têm brilhantes auxiliares que dão aspectos de erudição e legalidade, favorecendo os, até que pendurem as togas, quando a verdade sobre a capacidade cognitiva dos preclaros é desnudada, vide Ricardo Lewandovski à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Possivelmente motivado pela incerteza e ansiedade que afeta ao Senador neste momento, a visita a Gilmar seria um encontro cordial entre as partes, pelo que a liturgia de ambos os cargos exige, todavia, aquilo que sempre criticamos, o malfadado embargo auricular aconteceu, e segundo a fonte – o próprio Gilmar, lhe garantiu que ele terá seus direitos garantidos na Suprema Corte, mas antes soltou toda a sorte de impropérios à Sergio Moro. O julgamento que pode culminar com a cassação de Moro está em curso, a sete meses das eleições municipais que já movimentam o cenário político, sem definição sobre o valor do limite de gastos para candidatos a prefeito e vereadores; nas eleições gerais em 2022, a definição só aconteceu em julho, um mês antes do início da campanha. Então, como exigir que um candidato apresente um percentual, se não há valor definido? Isso denota leviandade, dado que aqueles que apresentaram denúncia contra Sergio Moro, foram e continuam incapazes de mostrar suas contas tal como suas demandas, uma insignificância que contamina células do judiciário brasileiro e deixa claro que Moro responde pela Lava Jato, não pela sua candidatura ou por atuação no exercício do seu mandato. Moro é órfão na política, que sozinho tem de aprender a se comunicar e a andar, hoje engatinha, se atrapalha, e está longe da aura de Juiz Federal, função que exerceu por 22 anos, julgando e condenando os principais bandidos e corruptos do Brasil. Importante salientar, que a régua do julgamento de um político é a opinião pública, que gera resultados em período eleitoral, os que convecem são eleitos, os que não convencem não ultrapassam a linha de chegada. Assistir ao debacle de Moro na política não é mais desanimador do que acompanhar o perdão a tantos políticos corruptos que hoje gozam do poder. Moro errou quando aceitou compor o governo anterior, errou em apoiar Bolsonaro no segundo turno da eleição pregressa, e agora errou ao tentar dialogar com o referido batráquio, por todas razãoes aqui expostas. Em resumo, nada do que Gilmar fala de Moro é elemento para reforçar as decisões do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná e por conseguinte, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cujas composições, contam com a participação de juristas nomeados por aquele que um dia fora condenado pelo hoje Senador; mais uma vez, abusando da paráfrase, faço uso de uma fala do pai da psicanálise, Sigmund Freud, “Quando Gilmar me fala de Sergio, sei mais sobre Gilmar do que de Sergio”. O Brasil sofre de patologias crônicas que passam de um governo para outro, no anterior o filho do então Presidente da República sentava se à mesa com interlocutores do Palácio do Planalto, e esta é uma doença que se agravou nos dias atuais, quando se vê a Primeira Dama despachando com Ministros e até pressionando um Ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para recolher na prisão, o ex-jogador Robinho – são corpos estranhos a serem extirpados e o caso Robinho chama atenção, por se dá no mesmo período em que a companheira do filho do atual Presidente o acusa de agressão, mas há um silêncio sepulcral da sempre falante pavoa do Palácio da Alvorada. Após a cassação do mandato de Deltan Dallagnol, o atual governo vislumbra a cassação, quiçá prisão de Moro e a prisão de Bolsonaro, estando assim, em um mar propício para navegação segura no intento de gerenciar o país em conformidade com o espectro de seus comandantes, com oposição esvaziada – sem querer cair no senso comum, rumo à Venezuela, apresento o exemplo do mandatário, Maduro, que aborta candidaturas – vide ” as Corinas”, enquanto no Brasil, por ora, quadros apostam os seus capitais políticos na ignorância do próprio povo, haja vista o que temos hoje no poder é fruto do pretexto de se votar no menos ruim, e não seria diferente se o resultado fosse o oposto. No Brasil, os processos de cassação de mandato estão cada vez mais corriqueiros e eles são majoritariamente divagados em ambiente jurídico, ocupando tribunais especializados, tirante aos casos emblemáticos de impeachment de dois ex-presidentes – Fernando Collor em 1992 e Dilma Roussef em 2016, em que pese o instituto de deposição de cargo executivo seja um processo político-jurídico, de fato, é eminentemente político, no mais, o que assistimos passivamente, é a interferência imoderada dos homens de toga.
* Nota do Ministro Luiz Roberto Barroso“
“Oministro Luís Roberto Barroso nunca teve o aplicativo “Telegram” e, consequentemente, jamais conversou com alguém utilizando essa plataforma. O Ministro jamais prestou qualquer auxílio a procurador da Lava Jato sobre o que colocar em alguma peça. Mais que isso, ele nunca sequer conversou com qualquer procurador da Lava Jato sobre mérito de processos da competência deles. Trata-se de informação falsa.”