ESTAGFLAÇÃO

Estagflaçãostagflacton – termo cunhado na década de 70, pelo Ministro das Finanças, do Reino Unido Ian Mc Leod, de onde se vivia uma estagnação, após a conhecida Crise Mundial, ocasionada por falta de regulamentação no sistema monetário e vinha de duas instabilidades no mercado petrolífero pela desregulamentação provocada por uma guerra entre os países árabes e Israel, elevando o valor do preço do barril. Há um risco de estagflação no Brasil, motivado pela pandemia, negligência ou despreparo do governo, o que aqui estará traduzindo em números reais, a condição em que nos encontramos, mas sem apresentar uma solução, haja vista que não há um modelo econômico consagrado, praticado por quem está no poder para desenvolver o país. Aliás, embora os números aqui expostos, o ensejo me leva a sugerir que concentremos mais nossas atenções ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), método que aponta o desenvolvimento em cada país ou território, o Brasil ocupava em 2020, a 84ª colocação em 189 países.

Quando a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou pandemia do novo coronavírus, a consequente pausa no mundo era o momento de todas as nações ditas civilizadas, se organizarem junto aos seus gabinetes de crise, e desenvolverem planos de retomada, ainda que não se soubessem por quanto tempo, era o momento de todos os países começarem do zero, a hora certa para apresentar mudanças, e em se tratando de Brasil, o momento de se impor no mercado. A pandemia do novo coronavírus colocou o mundo em stand by. Sem uma efetiva e eficaz substância que imunizasse a população global, as incertezas dominaram o cenário, sobretudo o cenário econômico.

Com o advento das vacinas, os países minimamente bem geridos aceleraram o processo de vacinação e se projetaram para o que se convencionou chamar de “o novo normal”. Aos poucos, as populações foram se vacinando, se vendo livres das máscaras faciais, acessórios controversos, pelo incômodo causado, mas com muita valia no intento de barrar a proliferação do vírus. O transporte público, o trânsito nos aeroportos, os cafés, a volta da presença física ao local do trabalho, shows e eventos esportivos com a presença de público, subindo gradativamente. O susto passou, mas o vírus ainda não, esta é a consciência que ainda nos falta, onde sobra indolência. A vacinação em massa, por mais que queiram nos informar que o Brasil é o país que mais vacina, não é verdade, pois se estamos vacinando mais que em outras plagas, isso se dá, pela morosidade no início do Plano Nacional de Imunização.

Ao avaliar um candidato a Presidente da República em início de campanha, se observa com mais atenção, quem é o seu mentor econômico, e caso aliado à ideologia contemplada, além de apoiar, reverbera o seu candidato, elevando seu nome para os mais próximos. Não foi diferente com o Ministro Paulo Guedes em relação a Jair Bolsonaro; Guedes é proveniente da Escola de Chicago, caracterizada como condão da política econômica liberal, apregoada pelo Presidente, de quem fazia eco, mesmo tendo ciência de que Bolsonaro jamais votou alinhado com as pautas liberais, em seus sete mandatos como Deputado Federal.

No Brasil, a polarização exacerbada eliminou o debate sobre economia, enquanto os debates sobre ideologia recrudesceram, o que fatalmente, imergiu os temas para o senso comum, transformando os em falas prosaicas.

Se compararmos o mundo moderno a um grande mercado, o Brasil figuraria como uma banca na feira. O Brasil poderia ser um grande supermercado com gôndolas lotadas de produtos de ótima qualidade, podendo se impor no mercado de commodities, além – do até o início do mandato de Jair Bolsonaro – um parque industrial em ascensão. Há no Brasil, estrutura suficiente para a manutenção das duas frentes, o que falta, é política pública, ainda não apresentada pelo atual governo, falta ainda, ousadia do Ministro da Economia, Sr. Paulo Guedes.

Os números sugerem taxas, que em tese animam o brasileiro médio, aqui me refiro ao PIB, que acumulado para o ano corrente, apresenta o número de 6,4%. Depois de passar pelo primeiro ano de pandemia, com uma retração de -4,1%. Com o desemprego – 14,1% ou 14, 8 milhões de brasileiros, somando os desocupados, aproximamos perigosamente ao número de 18,5 milhões de brasileiros com deficiência econômica. Com a meta da inflação, prevista em 3,75%, com tolerância prevista pelo BC (Banco Central), poderíamos alcançar a 5,25%, taxa ora superada, ao atingirmos 6,06% ao final de agosto, o cumprimento das metas estabelecidas se tornam inviáveis.

Os números acima elencados estancam o otimismo e alerta para o fenômeno estagflação, junção de estagnação e inflação. Um dos pontos para se confirmar a fenômenoé a má condução da política cambial, que, em tempos de recuperação econômica, o real se desvalorizando, provoca flutuação financeira, em que o primeiro a perceber é o consumidor. A proximidade do fenômeno divide opiniões entre economistas e analistas, mas ao associar a estagnação provocada por uma crise que nos foi imposta, a crise sanitária à escalada de preços, podemos sugerir que os tempos vindouros serão complicados, graças aos muitos ingredientes em forma de crise, quais sejam: política, financeira, hídrica, elétrica, além daquelas criadas cotidianamente pelo Presidente da República.

O CLUBE DA TERCEIRA VIA

Com a percepção de que há um vácuo no poder e uma polarização forçada, entre Lula e Bolsonaro, a terceira via está na pauta. Alguns quadros se oferecem para ocupar efetivamente essa lacuna que não só a preencheria, mas sepultaria a falsa dicotomia que domina o debate.

Nomes como Simone Tebet (MDB/MS), João Amoedo (Novo/RJ), Luís Henrique Mandetta (DEM/MS) e Alessandro Vieira (Cidadania/SE) são vistos no radar da terceira via, mas para que prospere, há de haver consenso, como forma de aglutinar os pré-candidatos em torno de um nome viável.

Fazer política é ceder em alguns pontos e abrir concessões em outros, é uma arte designada a poucos, é negociar dentro dos parâmetros éticos e morais, e qualquer excepcionalidade, não é política, por essa razão, muito se discute sobre a marginalização da política, como uma tônica na atualidade, o que discordo; nomine se os vetores da má política, pari passu, que no curso da política de boa fé, saibamos reconhecê-los sem sabujice. Estamos em uma guerra de retóricas infelizes, e “a guerra é a continuação da política, por outros meios”, frase celebrizada pelo estrategista prussiano, Carl Von Clausewitz.

O nome de Sergio Moro grassa no Clube da Terceira Via, nome que encanta uma parcela substancial da população, pelo reconhecimento de sua folha de serviços prestados na magistratura e mais tarde, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, e o contraponto está na cúpula do poder legislativo, de onde surgem medidas com características de medidas legítimas, como a proposta apresentada pela Deputada Federal Margarete Coelho (PP/PI), que reprime candidaturas de juízes, promotores, delegados e militares, o que afeta frontalmente ao ex-ministro e ex-juiz e a de qualquer outro que se dispuser ao pleito, independentemente do cargo que venha a disputar, qualquer que seja a linha, programática ou ideológica, afetando inclusive ao Gal. Pazuello, pupilo do atual mandatário da nação. A proposta esdrúxula apresentada para figurar no Código Eleitoral, será votada em regime de urgência, prevê a validade a partir de 2022 e caso prospere na Câmara dos Deputados, provavelmente será mitigada no Senado Federal, onde compulsa a eleição majoritária em detrimento da eleição proporcional aplicada na Câmara, que exporia os atores da casa mais alta do parlamento, trocando em miúdos, os Senadores da República não vão querer “rifar” o prestígio que lhes assegura o poder.

O Senador Alessandro Vieira, mais novo integrante do Clube da Terceira Via, era um mero desconhecido do público, fora do seu reduto eleitoral, mas após se destacar na CPI da Covid, ganhou status de expoente contra o atual governo. Vieira é o nome mais palatável até o momento, contando, claro, com o oportuno silêncio de Sergio Moro; Vieira foi um destacado Delegado de Polícia no Sergipe, o que lhe conferiu em 2016, a nomeação de comandante da Polícia Civil em seu estado, entretanto, ao confrontar graúdos operadores de corrupção sistêmica, fora exonerado por Jackson Barreto (MDB) em 2017, o mesmo governador que o nomeara um ano antes; uma trajetória que em certa medida, nos remete a Sergio Moro e a Lava Jato, que em resposta, pune a quem deve punir, mas por sorte dedica merecido reconhecimento, viabilizando o como postulante à Presidência da República.

Cada um dos quadros que se apresentam, trazem consigo importante capital político, e em se tratando de um avanço na terceira via para enfrentar o status quo, o mais interessante, é a aglutinação dos nomes de centro, assim sendo, a despeito de grandes nomes, Sergio Moro é capaz de catalisar os votos da seara, o que leva a crer que a base da terceira via, está se formando.

Distantes do Clube da Terceira via, situam se o PSD (Partido Social Democrata), de Gilberto Kassab e o PSDB (Partido Social Democrata do Brasil), de FHC, mas também de João Dória e Eduardo Leite, que almejam galgar o posto de candidato a Presidente da República. Seriam muito bem vindos ao clube, são nomes importantes, que colaborariam na derrubada da aventura Bolsonaro, a reboque ajudaria a recolocar o Brasil nos trilhos, sob a égide de quem pode escrever uma nova história com a pena da justiça. O povo está aplastado do clima hostil, do discurso belicoso, da condução aurívora da coisa pública.

Dória tem capitalizado muito bem e com muita justiça no quesito vacinação, enquanto Leite tem saneado as contas do Rio Grande do Sul; que seja então uma alvissareira rotina para que reúnam boas condições para outras eleições, porque agora, mais que nunca, o Brasil precisa de união em torno de uma política estruturante.

O Clube da Terceira Via está formado, o cabeça, será confirmada em outubro de 2021, e Sergio Moro é viável e está no páreo, a era da guerra dicotômica está chegando ao fim!

ELEIÇÃO PRÉT-À-PORTER

A proposta do Código Eleitoral protocolada por Margarete Coelho, Deputada Federal (PP/PI), gema do Centrão, prevê o impedimento de delegados, promotores, juízes e militares exonerados há menos de cinco anos a candidaturas para cargos eletivos a vigorar já no próximo pleito em 2022, em clara intenção de barrar a candidatura de Sergio Moro, principal referência à  terceira via, e tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT/CE) em pesquisas de intenção de votos para presidente da República em 2022; 9% e 10%, respectivamente.

Enquanto a Lava Jato surpreendia políticos e empresários quase todas as manhãs, Lula já era ex-presidente, e não gozava de prerrogativa de foro por função. Era um cidadão comum, mas com as provas cada vez mais robustas convencendo os procuradores – Lembram se das convicções? Aí está a origem do termo. Foram convencidos pela robusteza de provas – um dia Lula, foi julgado e condenado, por um de tantos crimes.

De lá para cá, Lula recebeu a solidariedade de seus pares, da Suprema Corte, que um dia chamara de “Suprema Corte completamente acovardada”, além da pressão, de seus fiéis e vigilantes eleitores.

Em meados de 2020, ao espreitar o Centrão, Bolsonaro assumiu um risco mal calculado, o que podemos corroborar agora com os novos movimentos do bloco, Bolsonaro atraiu Lula para o seu campo. Seria Lula um adversário mais fácil em 2022? Na verdade, Lula é um adversário desgastado, com discurso vitimista, em busca da cura do seu orgulho ferido.

A Pandemia no novo coronavírus transpareceu a incapacidade de Bolsonaro em governar, sobretudo em tempos de crise, que não sejam aquelas programadas e executadas por ele. O Coronavírus é um inimigo invisível e o Presidente da República empreendeu uma desastrosa política de combate, ou o que deveria ser.  Lula está livre, inclusive, livre de processo inteiro, como é o caso do Sítio de Atibaia, e é evidente o desejo de vingança, a exemplo dos políticos do Centrão, bloco que representa o epicentro da corrupção. Lula encontrou presa fácil e foca com sua natural desenvoltura as eleições de 2022, uma volta triunfal!

Enquanto transcorria o enredo acima, Sergio Moro e demais membros da Operação Lava Jato, foram interceptados ilegalmente por hackers, os vazamentos vieram à tona, ainda enquanto Ministro da Justiça, e pouco fora defendido pelo chefe da nação, apenas protocolares menções a respeito; Moro fora traído por Bolsonaro, e viu o Diretor Geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo ser substituído à margem dos interesses da instituição. Moro se demitiu, tornou se executivo de uma importante consultoria nos Estados Unidos e de lá assistiu ao desmonte da Lava Jato, tendo as sentenças por ele assinadas, canceladas, e ainda assiste aos rompantes de alguns Ministros do STF, que querem provar a parcialidade do ex- juiz, porém, Moro tem um capital político reservado e inalterado, apesar dos reveses.

No dia 25 de agosto de 2021, a Deputada Margarete apresentou o citado texto para votação em regime de urgência, confirmando uma eleição pret-à-porter, na medida para Lula, ou alguém ainda duvida de que lado estará o Centrão, agora representado por uma medíocre parlamentar, que já ocupou o cargo de vice-governadora pelo seu estado, o Piauí, com o petista Wellington Dias? A resposta virá com o tempo, mas que seja o tempo na visão de Aristóteles – O tempo que não tem  fim, já que o movimento também não cessa.  Portanto, cabe a nós, eleitores,  a decisão mais acertada!

ACCOUNTABILITY E FREIOS E CONTRAPESOS

É uma falta de responsabilidade, esperarmos que alguém faça alguma coisa por nós!

Johnn Lennon

Accountability é um termo em inglês sem tradução para o português, e pela sua amplitude, tem muitos significados, aqui vamos tratar como responsabilização que para além de um mero conceito, é uma disciplina aplicada com galhardia em países desenvolvidos, que não por acaso, têm mais êxito em qualquer que seja o contratempo. Accountability é prestação de contas, é o exercício da responsabilização com ética.

Com todo o cuidado de não adentrar na seara jurídica, me refiro aqui à negligência do Procurador Geral da República Sr. Augusto Aras, por conseguinte, o posicionamento do Ministério Público sem qualquer grau de accountabilty, frente aos rompantes do Presidente, que atenta contra o processo eleitoral e ameaça deliberadamente um golpe de estado, com a fala simplista de que não permitirá eleições, caso não haja o voto impresso.

Tão logo, o Ministro Luís Roberto Barroso, na qualidade de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu inquérito para apurar as desinformações advindas de Bolsonaro contra o processo eleitoral, juristas, jornalistas, estudiosos de todos os matizes se arvoraram nas redes sociais, para denunciar que somente o PGR (Procurador Geral da República) poderia dar aval para que se investigue o Presidente no exercício do cargo, exatamente o que determina a Constituição Federal, posto que em situação normal, a prática adotada por Barroso, estaria açodada e incompetente, mas, faz se necessário inserir neste contexto, o Check and Balance System – Sistema de Pesos e Contrapesos – consagrado por Montesquieu, em seu livro, “O Espírito das Leis”, que versa sobre a separação dos poderes e as diferentes maneiras em que um poder audite ao outro. Barroso no exercício da função de presidente da maior instância eleitoral protege o Estado Democrático de Direito, à margem das negligências do Procurador Augusto Aras, que “se escondeu do jogo”.

No futebol, quando o jogador não se apresenta no calor do jogo, não se disponibiliza para a cobrança de um pênalti, prefere cair, no intento de cavar uma falta a desenvolver uma jogada efetiva, dizem os especialistas que ele está fugindo do jogo. Não é comum que isso aconteça, mas quando acontece, via de regra seu time sai derrotado, e nas raríssimas exceções, outro jogador sem o mesmo status se apresenta para o jogo, assume a responsabilidade a caminho da vitória.

Gosto de futebol e sou torcedor do Galo, Clube Atlético Mineiro, e não me furto de utilizar a metáfora acima, mas também seria bem aplicada, se utilizasse algo que exemplificasse no mundo corporativo, como um vendedor que se escora em sua equipe e popularmente, “só sai na boa”, mas o campo esportivo é uma metáfora mais pertinente, pois exatamente no momento em que o Presidente da República profere como mantra que não agirá fora das quatro linhas, ele sai do campo do debate para o campo da ameaça de golpe de estado.   

Com o país à deriva, em que o Presidente da República é o principal vetor das instabilidades, o Ministro Barroso, se comportou como aquele que assume responsabilidades. Não denego aqui que o cenário ideal seria o Supremo Tribunal Federal provocado pelo Ministério Público, na figura do Procurador Geral, mas ele não se interessou pelo tema, e assistiu a tudo impávido e colosso, até que surgisse alguém com ferramentas apropriadas – Check and Balance System – para a conclusão do ato. Barroso instaurou um inquérito e incluiu Jair Bolsonaro no inquérito das Fakenews – presidido pelo Ministro Alexandre de Moraes – contestado por acompanhar o mesmo diapasão, mas por sorte de ainda não ter sido arquivado, serviu de arapuca para caçar o boquirroto e desinteligente presidente, que doravante terá que se defender para que não se torne inelegível. Observem que o impasse se resolverá, retornando para o seu lócus original, as instâncias superiores, não mais de ofício, mas provocadas, cumprindo o roteiro que se espera. Vale realçar que o mesmo Barroso determinou a instalação da CPI da Covid, enquanto o Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), figura competente, se escondia do jogo, algo que vem se normalizando no campo político exposto na nação. Para uma reposta epistêmica, um lema clássico em accountability, “Aquilo que se deve fazer e você não o faz, alguém o fará em seu lugar”.

Accountability, especificamente no tema aqui proposto é a legitimação do Sistema de Freios e Contrapesos. É inadmissível que peças chaves da República, braços do governo ou do Ministério Público, se eximam de responsabilidades ou que não responsabilize aquele que foi eleito para entre outras atribuições, zelar pelo povo brasileiro e da ameaça à consumação do golpe de estado, basta o próximo passo, e se Barroso agiu fora das quatro linhas, isso se deu, porque o mandatário da nação trouxe o jogo para fora do campo oficial.

A TURMA DO FUNDÃO

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi instituído em 2017, e ganhou o apelido de Fundão. Nascido para cobrir um hiato causado pela resolução 105/2017 do Supremo Tribunal Federal (STF), em que não permite mais o financiamento de empresas em campanhas políticas, o Estado, desde então, passou a reservar o fundo para democratizar as eleições, proporcionando candidaturas de atores desprovidos de recursos.

Em 2019, o Congresso Nacional aprovou o Fundão de 2 bi de reais, à época, um valor que causou espécie àqueles que lidam diariamente com a coisa pública. Do Presidente se esperava o veto, mas ainda gozando de bons índices de aprovação, alegou que não poderia vetar, pois incorreria em crime de responsabilidade, uma de tantas verborreias ditas por ele, pois é sabido que só o chefe do executivo tem a prerrogativa de sancionar ou não, destaco ainda que em caso de veto, a peça voltaria ao plenário para sua confirmação.

Em 2021, na LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias – foi incluído o reajuste 185% do dito fundão, saltando dos atuais 2 bi de reais para  5,7 bi de reais, de forma surpreendente, enquanto o chefe da nação se encontrava internado em um hospital em São Paulo. O nome que se dá a esse tipo de inclusão é jabuti, algo que só existe no Brasil. Deputados e Senadores de espectros diversos votaram a favor, pela obrigatoriedade de se aprovar a LDO, levando ao público, entender que são contrários ao referido reajuste.

Uma característica do nosso parlamento é votar pautas importantes ou de interesses escusos em momento de comoção nacional. Como não citar o exemplo da votação em que seis ítens do pacote anticorrupção foram retirados, enquanto o Brasil chorava a morte das vítimas do avião da Chapecoense? Desta feita, fiando em comoção nacional com a suposta doença do Presidente da República, o que felizmente, não se confirmou, o Congresso Nacional aprovou o indecente reajuste, o que proporcionou enorme perplexidade do povo que padece dos problemas inerentes à pandemia, no exato momento em que a CPI investiga os prementes casos de corrupção no Ministério da Saúde.

O patrocínio de campanha política pelo Estado não é uma medida indispensável, e nem poderia ser substitutiva, há outros meios de inserir no cenário político, atores coadjuvantes que almejam galgar posições maiores. O autofinanciamento de campanha existe em outras democracias, como na Alemanha e França, por exemplo, onde um percentual do valor arrecadado é destinado para a manutenção dos partidos, sem que haja a necessidade de subtração do erário, trocando em miúdos, as doações, sejam de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas abastecem as agremiações partidárias, que injetam valores não substanciais em novos quadros, promovendo expoentes futuros para o partido de maneira transparente, exatamente o oposto do que ocorre no Brasil, posto que aqui, o Fundão é destinado para a produção de material gráfico e mídias para execução na internet. A última minirreforma eleitoral veta a produção de comícios, showmícios e a veiculação de jingles nas ruas, reduzindo a panfletagens, noves fora, as despesas de viagens dos candidatos, quando as eleições são majoritárias. Antes da resolução, as campanhas políticas eram municiadas por doações de grandes empresas, sem que elas resguardassem exclusividade, independente das preferências ou interesses. As doações eram como investimentos; grandes empresários faziam aplicações, e conforme os resultados das eleições teriam trânsito leve nos labirintos do poder.

O que se espera como consequência dessa aberração, é o veto presidencial, isso é pacificado entre entusiastas e não entusiastas do Governo Federal. O Presidente ao deixar o hospital onde se hospedou por quatro dias, nas entrelinhas disse que algo será feito, no entanto, mais uma vez, resta ao povo, vigiar o que está por vir, primeiramente, divagando em hipóteses, entre elas, a de aprovar a LDO, em sua totalidade, garantir seu bom relacionamento junto ao Centrão, e sua governabilidade, que por mais estremecida, tem a baliza do Presidente da Câmara dos Deputados. Seria uma direção segura rumo à reta final do seu governo, mas sem o apoio das massas, exporia seu capital político, visando a reeleição já ameaçada; aprovar a LDO, mas vetar o Fundão, devolvendo o texto destacado ao Congresso Nacional, que faria esforço hercúleo para aprovar um reajuste ainda considerado alto, assim, qualquer valor antes inimaginável seria aprovado,  o bode na sala, seria um verdadeiro golpe contra a inteligência do povo brasileiro.

O bode na sala é uma fábula com diversas versões, umas das quais, a que mais me identifico, relata a história de um judeu, pai de filhos pequenos, cuja esposa, muito atarefada, considerava parcas as ajudas para a manutenção do lar. O pai atordoado pelas constantes reclamações e pelos ruídos ensurdecedores das crianças, fora tomar uma opinião com o rabino, que lhe ofereceu uma ideia, no mínimo, sue gêneris:

– Coloque um bode no centro da sala principal da sua casa, onde a família mais se reúne, e retorne em uma semana.

Assim, o desenchavido o fez. Colocou o bode na sala, e além do barulho que se multiplicou, o cheiro forte tomou conta do lugar, e claro, o animal atravancou o espaço. Uma semana após, conforme combinado, o homem lamuriou ainda com mais veemência:

– Rabi, a minha vida virou um inferno, as coisas pioraram, acredito que sua ideia não tenha sido de grande valia para mim e para minha família.

O rabino, novamente lhe sugeriu, desta feita, com uma proposta bem mais simples:

– Retire o bode da sala, desinfete o ambiente, areje até que saia o odor, e retorne em uma semana.

Depois de uma semana, o homem retornou ao rabino com o a fisionomia descansada e com brilho nos olhos:

– Obrigado, Rabi! As coisas, enfim, voltaram ao normal em casa.

A fábula nos mostra que o ruim pode ganhar a aparência de bom, quando algo que seja ainda mais nocivo se apresenta, portanto, não é de se admirar que o Fundão, recurso desnecessário, seja reajustado e aceito com a parcimônia peculiar do calejado povo brasileiro.

Desculpe nos pelo transtorno, a turma do Fundão está trabalhando para isso!

A Turma do Fundão

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foi instituído em 2017, e ganhou o apelido de Fundão. Nascido para cobrir um hiato causado pela resolução 105/2017 do Supremo Tribunal Federal (STF), em que não permite mais o financiamento de empresas em campanhas políticas, o Estado, desde então, passou a reservar o fundo para democratizar as eleições, proporcionando candidaturas de atores desprovidos de recursos para se candidatarem.

Em 2019, o Congresso Nacional aprovou o Fundão de 2 bi de reais, à época, um valor que causou espécie àqueles que lidam diariamente com a coisa pública. Do Presidente se esperava o veto, mas ainda gozando de bons índices de aprovação, alegou  que não poderia vetar, pois incorreria em crime de responsabilidade, uma de tantas verborreias ditas por ele, pois é sabido que só o chefe do executivo tem a prerrogativa de sancionar ou não, destaco ainda que em caso de veto, a peça voltaria ao plenário para sua confirmação.

Em 2021, na LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias – foi incluído o reajuste 185% do dito fundão, saltando dos atuais 2 bi de reais para  5,7 bi de reais, de forma surpreendente, enquanto o chefe da nação se encontrava internado em um hospital em São Paulo. O nome que se dá a esse tipo de inclusão é jabuti, algo que só existe no Brasil. Deputados e Senadores de espectros diversos votaram a favor, pela obrigatoriedade de se aprovar a LDO, levando ao público, entender que são contrários ao referido reajuste.

Uma característica do nosso parlamento é votar pautas importantes ou de interesses escusos em momento de comoção nacional. Como não citar o exemplo da votação em que seis ítens do pacote anticorrupção foram retirados, enquanto o Brasil chorava a morte das vítimas do avião da Chapecoense? Desta feita, fiando em comoção nacional com a suposta doença do Presidente da República, o que felizmente, não se confirmou, o Congresso Nacional aprovou o indecente reajuste, o que proporcionou enorme perplexidade do povo que padece dos problemas inerentes à pandemia, no exato momento em que a CPI investiga os prementes casos de corrupção no Ministério da Saúde.

O patrocínio de campanha política pelo Estado não é uma medida indispensável, e nem poderia ser substitutiva, há outros meios de inserir no cenário político, atores coadjuvantes que almejam galgar posições maiores. O autofinanciamento de campanha existe em outras democracias, como na Alemanha e França, por exemplo, onde um percentual do valor arrecadado é destinado para a manutenção dos partidos, sem que haja a necessidade de subtração do erário, trocando em miúdos, as doações, sejam de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas abastecem as agremiações partidárias, que injetam valores não substanciais em novos quadros, promovendo expoentes futuros para o partido de maneira transparente, exatamente o oposto do que ocorre no Brasil, posto que aqui, o Fundão é destinado para a produção de material gráfico e mídias para execução na internet. A última minirreforma eleitoral veta a produção de comícios, showmícios e a veiculação de jingles nas ruas, reduzindo a panfletagens, noves fora, as despesas de viagens dos candidatos, quando as eleições são majoritárias. Antes da resolução, as campanhas políticas eram municiadas por doações de grandes empresas, sem que elas resguardassem exclusividade, independente das preferências ou interesses. As doações eram como investimentos; grandes empresários faziam aplicações, e conforme os resultados das eleições teriam trânsito leve nos labirintos do poder.

O que se espera como consequência dessa aberração, é o veto presidencial, isso é pacificado entre entusiastas e não entusiastas do Governo Federal. O Presidente ao deixar o hospital onde se hospedou por quatro dias, nas entrelinhas disse que algo será feito, no entanto, mais uma vez, resta ao povo, vigiar o que está por vir, primeiramente, divagando em hipóteses, entre elas, a de aprovar a LDO, em sua totalidade, garantir seu bom relacionamento junto ao Centrão, e sua governabilidade, que por mais estremecida, tem a baliza do Presidente da Câmara dos Deputados. Seria uma direção segura rumo à reta final do seu governo, mas sem o apoio das massas, exporia seu capital político, visando a reeleição já ameaçada; aprovar a LDO, mas vetar o Fundão, devolvendo o texto destacado ao Congresso Nacional, que faria esforço hercúleo para aprovar um reajuste ainda considerado alto, assim, qualquer valor antes inimaginável seria aprovado,  o bode na sala, seria um verdadeiro golpe contra a inteligência do povo brasileiro.

O bode na sala é uma fábula com diversas versões, umas das quais, a que mais me identifico, relata a história de um judeu, pai de filhos pequenos, cuja esposa, muito atarefada, considerava parcas as ajudas para a manutenção do lar. O pai atordoado pelas constantes reclamações e pelos ruídos ensurdecedores das crianças, fora tomar uma opinião com o rabino, que lhe ofereceu uma ideia, no mínimo, sue gêneris:

– Coloque um bode no centro da sala principal da sua casa, onde a família mais se reúne, e retorne em uma semana.

Assim, o desenchavido o fez. Colocou o bode na sala, e além do barulho que se multiplicou, o cheiro forte tomou conta do lugar, e claro, o animal atravancou o espaço. Uma semana após, conforme combinado, o homem lamuriou ainda com mais veemência:

– Rabi, a minha vida virou um inferno, as coisas pioraram, acredito que sua ideia não tenha sido de grande valia para mim e para minha família.

O rabino, novamente lhe sugeriu, desta feita, com uma proposta bem mais simples:

– Retire o bode da sala, desinfete o ambiente, areje até que saia o odor, e retorne em uma semana.

Depois de uma semana, o homem retornou ao rabino com o a fisionomia descansada e com brilho nos olhos:

– Obrigado, Rabi! As coisas, enfim, voltaram ao normal em casa.

A fábula nos mostra que o ruim pode ganhar a aparência de bom, quando algo que seja ainda mais nocivo se apresenta, portanto, não é de se admirar que o Fundão, recurso desnecessário, seja reajustado e aceito com a parcimônia peculiar do calejado povo brasileiro.

Desculpe nos pelo transtorno, a turma do Fundão está trabalhando para isso!

O VOTO IMPRESSO NÃO ESTANCA A CORRUPÇÃO SISTÊMICA

A principal bandeira de Bolsonaro durante campanha eleitoral em 2018 foi o combate à corrupção, na esteira do relevante trabalho da Operação Lava Jato. Importante destacar que a Operação desbaratou uma cadeia de corrupção desenvolvida durante os governos do PT, e por essa razão, a maioria dos envolvidos são ou eram ligados ao partido.

Ao assumir o governo, já surpreendido com as investigações de peculato de um dos seus filhos, Bolsonaro rasgou a primeira página daquele seria um importante capítulo da nossa história. O combate à corrupção fora relegado a proteger sua prole, mas restava ainda a esperança de que algo de novo nos seria entregue. Sobre proteger seus filhos, não chega a ser um despropósito, a despeito de um ato não republicano, ali figurava a imagem de homem cioso de sua família, portanto, Bolsonaro ganhou uma boa dose de tolerância.

Enfrentar os barões da corrupção não é tarefa fácil para quem ousa corrigir o mal feito. O senador Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), hoje expoente no Senado Federal, iluminado pelos holofotes da CPI da Covid, ocupou o Comando da Polícia Civil em seu estado, mas fora exonerado em 2017, quando começou processos que levariam corruptos poderosos à prisão, apenas uma amostra do que foi o fim da Lava Jato.

Os mais de 57 milhões de votos é um número nem tanto expressivo, mas legítimo. A trupe bolsonarista se vangloria do valor, enquanto seu eleitorado inicial não se mostra assim tão fiel. Segundo o IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), Bolsonaro perdeu 53% dos votos, vislumbrando a próxima eleição, Bolsonaro teria hoje, aproximadamente, a ordem de 30 milhões de votos, e na toada que se segue, dificilmente se assegurará no segundo turno.

A polarização Lula/Bolsonaro não é genuína, Bolsonaro sempre polarizou com o PT e a esquerda a quem atribui como comunista, e quando atraiu Lula para o seu campo, parecia desconhecer sua força política e o apoio imoral e arbitrário de membros da Suprema Corte.

Há uma disputa deliberada, entre ambos os governos. Lula não inventou a corrupção, mas dela e por ela, se notabilizou, enquanto o governo Bolsonaro, ainda que com volume ínfimo, contribuiu para a morte de centenas de milhares de brasileiros que angustiados aguardavam por vacinas, que mais tarde fora se saber das transações corruptas que as envolviam.

Lula, pré-candidato favorito ao próximo pleito, não tem compromisso com o povo brasileiro, seja seu eleitor ou não, ao acusar fortemente o descaso de Bolsonaro à frente do Governo Federal, e não apoiar o impeachment. Jactando se de ser o homem público melhor avaliado em pesquisas, teme um concorrente maior em 2022. Lula goza de muito prestígio na esquerda brasileira, e basta o seu aval para o andamento de apenas um de 123 pedidos. Há entre os polos, os entusiastas pela terceira via, mesmo não havendo, por ora, um nome de consenso, mas Lula não quer enfrentá-la.

Ciro Gomes, em voo solo, vem exercendo açodadamente sua campanha capitaneada por João Santana que repaginou a figura Ciro, mas parece ainda incapaz de controlar seus impulsos.

Luís Henrique Mandetta, que até o advento do atual governo era um ilustre desconhecido, se apresenta como o aglutinador da via que se espera.

No PSDB, há uma disputa interna entre Dória, Tasso Jereissatti e Eduardo Leite.

Os quadros elencados possuem características distintas das de Bolsonaro e Lula, mas enquanto ainda se discute o melhor, uma parcela substancial dos pretensos eleitores da terceira via, aguarda ansiosamente pela candidatura de Sérgio Moro – muito em razão de sua bandeira anticorrupção – uma das causas de ansiedade da parcela indignada, que espera por uma resposta positiva e se candidate em 2022.

Com o avanço da CPI da Covid, o Governo vem perdendo importantes batalhas, a CPI que fora instaurada para averiguar questões negligenciais no combate à pandemia, encontrou nos últimos dias, fortes indícios de corrupção pertinentes à compra de vacinas da Covaxin e AstraZeneca, envolvendo inclusive, empresas sem estrutura para tal operação, sendo uma delas, instalada em paraíso fiscal. Com isso, Bolsonaro, desesperado, tendo uma ormetá * a seu dispor, reacende a cantilena do voto auditável, já percebendo o fracasso retumbante nas próximas eleições.

As urnas eletrônicas foram instituídas no Brasil 1996. Outros países as usaram por um período, entre os quais, Holanda, Alemanha e México, mas as aboliram dos seus sistemas eleitorais, a fim de resguardar a segurança na apuração dos votos. No Brasil, de dimensão continental, as urnas eletrônicas foram dádivas para uma população espalhada que pode acompanhar até o fim da apuração, invariavelmente no mesmo dia. É um sucesso! Afirmo sem medo de errar que a única apuração que causou celeuma desde então, foi a da eleição presidencial 2014, no segundo turno, sem nada ter que ver com as urnas, mas pela falta de transparência de quem conduziu a apuração.

A lei do voto auditável já foi votada e vencedora em 2018, mas barrada pelo STF, porque naquela época, teria um custo de 1,8 bi de reais, valor atualizado, de 2,0 bi de reais, para que se ponham em prática, as impressoras.  A propósito, o autor dessa lei, é Jair Bolsonaro, que enquanto deputado apresentou 171 projetos, tendo apenas dois aprovados, um deles, este que agora volta ao centro do debate.

Não podemos deixar de reconhecer que as urnas podem ser problemas eventualmente, mas seria impossível votar e aprovar essa mudança em tão pouco tempo; nada que seja inerente à lei das eleições poderá ser alterado no prazo de um ano da próxima, portanto, teríamos apenas três meses para a consumação da lei.

Ainda sobre a apuração das eleições, não há nada que confirme que a contenda não se perpetue, estaríamos rompendo uma tradição, para ir de encontro a outra, pois um eleitor poderá apresentar uma queixa infundada em sua seção, com o fito exclusivo de causar balbúrdia, o que não se pode desprezar; enfim, a lei do voto auditável é tão ou mais improvável que o impeachement, e resta sangrar com o governo, por mero capricho de atores políticos sejam em fim de mandato ou final de carreira.

Estamos a 15 meses das próximas eleições e até lá, viveremos de incertezas. Somente em agosto de 2022 o funil irá se estreitar, tempo suficiente para que avaliemos as peças mais nobres do tabuleiro, não somente para presidente e governador. É imperioso que avaliemos as figuras que irão concorrer aos cargos vacantes no legislativo, caso queiramos mesmo mudanças substanciais no cenário político, e um país com o mínimo possível de corrupção, com ou sei o voto impresso.

*OrmetáCódigo de honra da máfia italiana, que preza pelo silêncio em prol da irmandade mafiosa. Para além da sonegação de informações que subsidiaria as investigações, não se envida esforços para confundí-las, usando membros de menor expressão para tal. O exemplo mais recente foi a presença desastrosa de Dominguetti na 30ª sessão da CPI da Covid. A ruptura da ormetá pode ser danosa ao delator, conforme o código.

OS MITOS NÃO EXISTEM

Acossado pelas pesquisas que apontam o avanço de Lula nas eleições de 2022, Bolsonaro parece sem rumo, cada dia mais histriônico, sem apresentar avanços, e coincidentemente vê seu nome envolvido em corrupção no escândalo Covaxin. Lula, na última pesquisa de intenção de votos (IPEC), aparece com 49% contra 23% de Bolsonaro, sugestionando uma vitória no primeiro turno, considerando a margem de erro de 3%. A polarização estimulada por ambos não dá espaço para uma terceira opção, por ora denominada terceira via, portanto, caso Bolsonaro termine o mandato, é mandatório que tenhamos esse nome que venha suprir a taxa de dispersão. Lula é uma válvula de escape para quem está frustrado com Bolsonaro, que é a opção do movimento anti-pt. Nunca foi tão fácil captar os votos dos descontentes, basta a presença de um quadro dotado de muita seriedade para liderar o levante e destruir o cenário desgastado do presidencialismo de coalizão.

Lula e Dilma Rousseff, dignos representantes do governo na era esquerdista, conviveram com a corrupção arraigada no Brasil, mantendo o discurso em contrário, à custa do péssimo momento do impedido ex-presidente Fernando Collor de Mello. A corrupção no governo “collorido” deu legitimidade ao seu primeiro antagonista, Lula do PT. FHC conduziu com alguns indícios de corrupção, stricto sensu, no que tange à PEC da reeleição. Lula em dois mandatos, não foi um desastre, mas absorveu a corrupção como mola propulsora, corrupção tão bem armada, que não sucumbiu durante os desdobramentos do mensalão. Dilma Rousseff, não resistiu à pedalada fiscal. Michel Temer resistiu bravamente à impopularidade, e passou o bastão ao “mito” que hoje, tem como principal plataforma, a verborreia contida em um vocabulário chulo de mais ou menos trinta palavras que usa contra todos os que espicaçam aos seus desmandos.

Em 2014, muito por conta das respostas ríspidas, enquanto confrontado, mormente por sua ideologia, Jair Bolsonaro ganhou o epíteto de Mito. Assim é ovacionado por seu auditório em seus périplos pelo Brasil. As respostas continuam ríspidas, sobretudo contra jornalistas do sexo feminino, e os veículos de comunicação perceberam a fraqueza do mito tupiniquim e desafiam-no ao escalar mulheres para confrontá-lo. O mito não gosta de responder sobre a sua gestão ou não sabe muito do que acontece no Palácio do Planalto, e isso provoca os instintos mais cruéis do principal personagem da mitologia brasileira. A impostura do presidente é nítida desde que incorporou o personagem, e não há em quem se espelhar, embora possa se conflitar com o Rei Midas, aquele em que tudo que toca vira ouro, Bolsonaro tem o dom de em que tudo o que toca vira qualquer coisa que cheira muito mal.

A mitologia é um conjunto de fábulas, de heróis, guerreiros e deuses, cujas histórias são contadas após o seu término, o que justifica a imagem do mito mais famoso do Brasil; um burro que fala, um burro que tem medo de mulheres com microfone, um burro que pilota motos e encanta outros pilotos, um burro que multiplica o número das aglomerações em seu favor e desmerece o contrário, resumindo, temos em nossa mitologia, um burro de faixa presidencial  em corpo humano, portanto a história que presenciamos está perto do fim, e dela surgem figuras secundárias que se tornarão importantes na bibliografia do nosso folclore, entre elas, a história do Ministro Posto de Gasolina; o Homem Banana (o chapeiro que queria ser embaixador); Karlucho, o homem de fala estranha que moía reputações; Pazuello, o General que negou oxigênio a um povo que morria asfixiado; o astronauta que vendia travesseiros…  Miranda, o homem que derrubou a república.

Na 27ª Sessão da CPI da Covid, o Deputado Luis Miranda acompanhou o irmão, o servidor público Luís Ricardo e apresentou denúncia gravosa contra o Presidente da República e ao líder do Governo na Câmara dos Deputados, Deputado Ricardo Barros (PP/PR). Há fortes indícios de prevaricação do primeiro, e ato de corrupção do segundo. Miranda alertou ao Presidente sobre os fatos, mas Bolsonaro não levou a informação à investigação mais profunda, mesmo afirmando que levaria para a Polícia Federal, o que já se confirmou não ter acontecido.  Enquanto ocorriam fatos nada republicanos, o povo padecia por falta de vacinas, mesmo tendo outras cinco devidamente aprovadas e ofertadas por valores mais baixos, o que dá ao depoente, a credibilidade que por conta de sua vida pregressa, lhe faltou em algum momento e ainda é contestada.

A deputada Federal Bia kicis (PSL/DF), no dia 26 de junho, saudou sua claque com um “Bom dia, a república não caiu!”. Ora, Deputada, a república é cadente desde que os atos não republicanos são meios contumazes de direcionamento da nação por vários ex-presidentes. Há que se visitar o passado para refrigério da memória de muitos e para o conhecimento de outros tantos.  Em 1993, durante a CPI dos Anões do Orçamento, surgiram vagas denúncias contra o ex Ministro da Casa Civil, Henrique Hargreaves, homem de confiança do então Presidente da República Itamar Franco. Ato contínuo, Hargreaves pediu exoneração do cargo para que se aprofundassem as investigações sem que sua interferência fosse conjecturada e prontamente aceita pelo então presidente. Após três meses, Hargreaves voltou ao posto, sem nada que o desabonasse. Talvez este seja o último explícito lampejo de decência no cenário político nacional, noves fora, os atos anticorrupção, dirigidos pelo Ministério Público.

A república mais parece um Império regido por um tresloucado que brinca de quartel, e ainda que legitimamente, no voto, alçou dois dos filhos às principais esferas do poder, e mantém outro filho como seu principal ajudante de ordem, mesmo sendo vereador na cidade do Rio de Janeiro; que na primeira ameaça de queda de popularidade, se uniu a um bloco conhecidamente tóxico à nossa política, o Centrão, que em troca de emendas e cargos, lhe confere o mínimo de governabilidade.

Há a clara intenção de perpetuação no poder pelo clã, que por sorte, em pouco tempo já se mostrou incapaz, e alguns membros apresentam indícios de cometimento de atos de corrupção sistêmica, desde suas bases.

Uma escolha muito difícil é um termo que virou meme. De um lado, havia um insolente deputado direitista do baixo clero, especialista em reduzir o debate a gritos histéricos, de outro lado, um experiente político de esquerda, ex-prefeito da maior cidade do país, ex-ministro da educação, um professor, mas naquele momento, pesava contra ele a peregrinação semanal à cadeia em Curitiba para tomar as bênçãos de seu suserano. No segundo turno das eleições de 2018, eram as opções, e não há quem possa contestar, independentemente da vertente que defenda.

Acreditar que o atual panteão do Estado irá afastar os envolvidos em atitudes ilícitas, mesmo que sejam meras suspeitas é o mesmo que acreditar em mitos e mitos, não existem!

O GOVERNO BOLSONARO NÃO EXISTE

A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes.

George Bernard Shawn

Bolsonaro ainda ocupa a cadeira de presidente da República graças ao silêncio dos poderes adjacentes. Há uma pilha de pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados e um silêncio enervante da Suprema Corte que tem como lastro, frear o poder. Pode se entender que os poderes conferidos ao chefe de Estado são menores que os seus direitos. Bolsonaro já cometeu dezenas de crimes de responsabilidade, alguns deles, recorrentes; perambular pelo país incitando a desordem, ameaçar a democracia, fazer proselitismo religioso em rede estatal de televisão, chantagear e/ou bravatear a quem deveria arbitrar, como vem rotineiramente fazendo contra o Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), caso não haja voto impresso na próxima eleição, só para mencionar o exemplo. Bolsonaro flerta com o totalitarismo, que está a um passo de onde ele está no momento; o autoritário detém a última palavra, o totalitário, a única.

Já vivemos a atmosfera do golpe, e isso pode ser visto nas tantas interferências do presidente, em todos os organismos que atravanca seus intentos ou quiçá possa oferecer algum suposto benefício.

Um Golpe de Estado é impensado em democracias consolidadas, como, Estados Unidos e Inglaterra. Não há um termo em inglês para definir o golpe de estado, e os nativos emprestam do francês: “couple d’etat”. No Brasil, por não reunir condições geopolíticas favoráveis, qualquer tentativa de golpe, será rechaçada pela comunidade internacional.

O termo golpe é banalizado no Brasil desde 2016, durante a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando partidários da então presidente acusaram a oposição de aplicar, a despeito do rito respeitado em duas casas com a corroboração do Supremo Tribunal Federal, sempre às limpas.

Pequenos para as posições que lhes foram conferidas, o Deputado Arthur Lira não desonra apenas ao cargo, mas desonra o seu estado, Alagoas, desonra o Nordeste e ao Brasil, que esperam dele uma atitude digna. Avançar com o processo de impeachment, de longe não significa destituir o Presidente, mas é a abertura de processo, com direito a defesa do contraditório, como fora feito em duas oportunidades em nossa recente história pós-redemocratização. O Ministro Luiz Fux, que preside o STF, de quem se esperava que freasse o poder insano, lastreado pela Constituição Federal que lhe reserva o dever sagrado de guardar a constituição. Ou será que ambos não perceberam que estamos no limiar de um golpe de estado? Não posso eximir de qualquer responsabilidade, o Senador Rodrigo Pacheco, que tentou barrar a abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, mas graças ao bom desempenho do Ministro Barroso, que fez valer o que reza a CF/88 em seu artigo 58, a Comissão fora instalada, e é a única baliza que sustenta a abertura do processo de impeachment. Dali vem se descobrindo os responsáveis pelo descalabro que é o combate à pandemia, dali vem se descobrindo que a corrupção continua maçante em nosso país, e concomitantemente o Congresso Nacional altera ao seu bel prazer, a Lei da Improbidade, ipso facto, tratada, jocosamente e merecidamente como a “lei da impunidade”.

Para que o processo de impeachment seja próspero, faz se necessário que muitos dos que hoje apoiam o atual ocupante desembarquem do governo ou que renunciem do direito de apoiá-lo, pelo bem do povo, por mais que a coalizão lhes favoreça, pois o povo brasileiro está desguarnecido no pior momento de sua história contemporânea. Realço a carta de desabafo enviada do então vice-presidente Michel Temer a Dilma Rousseff. A carta era a senha para os seus aliados, assim como as entrevistas de Mourão as são. Mourão já não participa mais de reuniões e reconhece que não faz parte dos planos do presidente na próxima eleição. O que estão esperando? Como se diz no interior do Brasil, a boa oportunidade é um cavalo selado, e o cavalo selado passa por nós mais uma vez.

O impeachment, por ora, só não interessa a Lula, que tem no horizonte uma disputa contra o atual presidente, e só dele, teria reais condições de vencer. É hora de despertar, antes que acordemos ao sabor do toque da alvorada, trazidos pelo tenente rebelde, que mesmo que não prospere, deixará um rastro de ódio e sangue.

Enquanto choramos 500 mil mortos pela Covid-19, o desmando continua. Não se ouviu uma palavra de apoio advinda do comando da nação. Não temos um governo, temos uma camarilha formada na quinta-série. O ocupante da cadeira presidencial se desloca em comitiva para em pompa, inaugurar ponte de 18 m, no Amazonas; promove motoatas pelas principais cidades do Brasil com afluxos e sem o devido cumprimento do protocolo recomendado para conter a disseminação do novo coronavírus; promove medicamentos sem eficácia, enquanto o mundo já defenestrou o dito tratamento precoce, nomenclatura recentemente criada para definir um paliativo ante uma desgraça maior que é a mortandade do seu povo, agora, sob os auspícios do quarto ministro da saúde.

Não existe governo Bolsonaro, não somos governados por ninguém, não temos ministro da economia, se não um palpiteiro que agora, sugere reservar os restos para a classe abaixo; não temos Forças Armadas, temos uma trinca que no sentido brasileiríssimo da palavra, conota a reunião de meninos de má índole. São meninos de fardas e medalhas, não temos presidente, não temos primeira dama, logo não teremos um país!

Estamos a quinze meses da próxima eleição presidencial, e toda a celeuma que cerca o tema, leva à dicotomia Lula/Bolsonaro, mas engana se quem pensa que Bolsonaro está mesmo preocupado com Lula, ele se prepara para insurgir, vislumbrando o sucesso que seu ídolo Trump não alcançou, portanto, é preciso mais do que nunca, proteger as instituições para romper aos devaneios deste incapaz presidente.

Protestos de rua começam a espocar, mesmo no decorrer das medidas de distanciamento social, dando mostra de que o vírus não é mais letal que o misantropo presidente.

Enquanto a terceira via não vem, a simbiose bolsolulista, involuntariamente promove aquela pode ser a verdadeira e única via, através dos ataques cibernéticos da direita e dos ataques premeditados dos resíduos da esquerda outrora derrotada. Devemos nos atinar para atuar em duas frentes, o impeachment e a busca incessante por uma via legítima de oposição a essa junção malfadada que nos corrompe.

BRASIL, UM PAÍS À DERIVA!

Instalada no Senado Federal, em 27 de abril de 2021, a CPI da Covid, estreou o rodízio de oitivas no dia 04 de maio, ouvindo o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. De lá para cá, ouviu se os outros dois ex-ministros da saúde, além do atual, Marcelo Queiroga. Tudo caprichosamente organizado para em ordem cronológica os envolvidos diretamente no Ministério da Saúde fossem inquiridos pelos Senadores. Secretários, representantes de laboratórios, colaboradores do governo, foram convocados como testemunhas, e nos trouxeram importantes informações, que em certa medida, indigna o cidadão brasileiro.

Houve recusa por 11 (onze) propostas de vacina, demora em dois meses para resposta de um e mail da pfizer, que ofereceu 70 milhões doses;  do Butantã, foram 60 milhões doses, totalizando um valor de 130 milhões de vacinas, suficiente para imunizar 65 milhões de brasileiros, somados os 10% já imunizados, estaríamos, hoje com 50% da população contemplativa ao Plano Nacional de Vacinação, devidamente imunizados, em uma honrosa condição de vanguarda, que nos traria nesse momento, um natural relaxamento no que concerne às medidas restritivas. Realço aqui, que a faixa que não contempla por ora o Plano Nacional de Imunização, de 0 a 17 anos, corresponde a 24,2% ou 51 milhões de brasileiros, a aproximadamente, dados do IBGE.

Mesmo que de forma individual, os inquiridos se confrontam em falas. Fechando o ciclo de três semanas de CPI, ouvindo os quatro ex-minsitros da Saúde, Secretário de Comunicação, o Sr. Carlos Murillo, representante da Pfizer no Brasil bem como a participação do Presidente do Butantã, Dimas Covas fica constatado que o Brasil largou atrasado na busca pela vacina, por mera liberalidade do Presidente da República e seus próceres, que na contramão do mundo, insistem em propagar medicamentos sem eficácia comprovada.

Enquanto o líder maior da nação açoda a campanha eleitoral, visando 2022, comemorando liberação de tráfego em ponte na divisa de Rondônia e o Acre, participando de passeio de motocicleta com seguidores fanáticos, inaugurando ponte de apenas 18 metros no Amazonas, além de sua contumaz arrogância contra os seus antagonistas, o Brasil caminha a passos largos para os 500 mil mortos de Covid-19.

No Rio de Janeiro em 22 de maio, 15 mil motociclistas acompanharam o Presidente, que trouxe para o seu palanque, o ex-Ministro  da Saúde, Gal. Pazuello, que infringiu o regulamento do Exército, ao participar ativamente de manifestação política; isso se deu, apenas quatro dias após, seu depoimento na CPI da Covid, onde foi abordado por não fazer uso  adequado de máscara de proteção em um shopping de Manaus/AM, no que se desculpou, prontamente,  mas Pazuello estava sem máscara, no Rio.

Diante de acontecimentos insólitos, espoucam pesquisas de intenção de votos, e elas apresentam o ex-presidente Lula, como o principal contraponto ao atual governo. Parcela substancial da população brasileira pleiteia por uma terceira via, uma via que seja única, que seja legítima. Lula deixou o poder em 2010, há 11 anos, a despeito de ter elegido sua apaniguada, Dilma Rousseff, Lula, era efetivamente aposentado dos cargos públicos, mas a obsessão de Bolsonaro, em invocar o seu fantasma, trouxe o de volta às trincheiras.

O STF, outrora chamado por Lula de “Suprema Corte completamente acovardada”, tem se apresentado em atos corajosos para defender a própria instituição, que ora permeado pela desconfiança daqueles que acompanham.  O teólogo petista, Leonardo Boff, cunhou a seguinte frase: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. A mesma corte que resgatou os direitos políticos de Lula votou pela suspeição de Moro, e agora anula a delação premiada de Sérgio Cabral, contando com o voto do Ministro que nela fora citado; Antônio Dias Toffoli, “o amigo do amigo do meu pai”.

Resumir o que o Brasil representa, no atual momento é uma tarefa árdua. Crise sanitária, crise financeira, que acompanhada de eterna crise política, transforma o país em um torvelinho de emoções.

Nossa democracia, ainda que jovem, tem se mostrado sólida, pois em qualquer ambiente desprovido de um sistema que garanta direito como no Brasil, os arroubos do Presidente da República passariam por reações que poderiam levar a cabo, prematuramente, o seu mandato, ou estaríamos assistindo um golpe com requintes de violência, mas não custa vigiar, pois o que estamos presenciando, é um governante que mede o terreno, aufere a temperatura, e sempre que possível dá um passo à frente, dando a nítida impressão de que há um golpe em curso.

Há na mesa do Deputado Arthur Lira (PP/AL), Presidente da Câmara dos Deputados, mais de uma centena de pedidos de impeachement, todos embasados nos mais de 20 crimes recorrentes de responsabilidade, mas o mais importante parlamentar da nação parece tocar violino diante de uma queda iminente. Em situação crítica de restrição de contato em obediência às diretrizes dos Estados e Municípios, há quem queira romper os ditames da OMS e sair às ruas pedindo a cabeça de Bolsonaro, enquanto os outros dois poderes fazem ouvidos moucos para a crise mutlinuclear instalada.

No sábado, 29 de maio, manifestantes de esquerda tomaram as principais vias de mais de 170 cidades em todos os Estados da Federação. No momento em que críticas acerca das aglomerações dos partidários do Presidente da República se exacerbam, os adeptos de Lula foram às ruas elevando gritos de ordem, pelo impeachment e por mais agilidade na vacinação. O fluxo de esquerdistas e/ou movimentos sociais surpreendeu e expôs ainda mais a fragilidade do atual governo, em uma polarização já consolidada. A somar os descontentes com as duas vertentes, o Governo Federal tem muito com o que se preocupar.

O Brasil está à deriva, o Capitão não conhece o mapa, a equipagem, aqui representada pelo Congresso Nacional, é omissa, a guarnição (STF) se ocupa apenas com os próprios interesses.

As informações adquiridas na CPI, já são suficientes para a sua fase final, sem sobressaltos, os convites para se ouvir governadores, podem em enfraquecer o ótimo trabalho, pois a CPI é para investigar apenas o Governo Federal, governadores devem se necessário ser investigados pelas Assembleias Legislativas, mesmo como testemunhas, podem tornar tênue o trabalho dos Senadores, por essa razão, faço coro às palavras do Excelentíssimo Presidente da República do Brasil: “Ô Omar Azziz, acaba logo com essa CPI, pelo amor de Deus!”.