QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?

“O futuro é como um ovo de serpente. Através de uma frágil membrana, distingue se um réptil formado.”
Ingmar Bergman


O Ovo da Serpente é um filme do sueco Ingmar Bergman que tem como cenário a Alemanha no período entre guerras; o país vivia uma tenebrosa recessão, com inflação de 29000%, onde um pãozinho custava quatro milhões de marcos, um maço de cigarros custava 8 bilhões de marcos. A trama retrata a saga de três judeus circenses que desempregados, em ambiente lúgubre, aceitaram trabalhar em uma clínica de experimentos com humanos. O título da obra se tornou metáfora para todas as questões inconcluídas, por sugerir o surgimento de tempos ainda mais sombrios na Alemanha, quiçá no mundo, o nazismo, o que se confirmou com a ascensão de Adolf Hitler, dez anos depois.
No Brasil de panorama político polarizado é possível também aplicar a metáfora; com a coincidente redemocratização e o início de uma nova constituição, tal como na República de Weimar; cá também com índices de inflação assombrosos em seu início.
Diferentemente do que era a Alemanha dos anos 1920, o Brasil redemocratizado enfrentou turbulências típicas de país de terceiro mundo, como alta inflação e dois processos legítimos de impeachment contra presidentes da república, mas em algum momento, o país conquistou respeito no mundo pela moeda forte, o Real e o combate à corrupção que assola o Brasil, porém, há vinte anos, vivemos uma dicotomia rasa que impede o exercício de discernimento do eleitor, que empunha uma bandeira imaginária de direita ou de esquerda, sem entender exatamente o significado, mas em nome de um líder para tratá-lo como salvador da pátria, enquanto os experimentos se seguem. Aqui não sabemos ainda se somos os pesquisadores ou as cobaias humanas, em referência à obra de Ingmar Bergman.
Recentemente, assistimos atônitos – salvo à shadenfreude dos adoradores de Lula – à cassação do Deputado Dallagnol, e já ocupamos a fila do gargarejo para assistir a inegelibilidade de Jair Bolsonaro, o mito de alguns milhões de brasileiros.
A premente cassação dos direitos políticos de Bolsonaro pode ser mais um ovo da serpente incubado, a martirização de um político populista que divide a atenção com outro de igual quilate tende a polarizar ainda mais, arruinando momentaneamente a carreira de um líder, motivando o surgimento de um substituto por oito anos – período de inegebilidade.
Na ciência política usamos a teoria do bode na sala, que é a troca de algo ruim por algo pior, que proporciona o retorno do anterior como um alento, e é razoável admitir que o ovo da serpente é fruto dessa teoria, no nosso caso de acentuada divisão, pode se prever alternância de poder, com prejuízos à nação.
A filósofa Hannah Arendt, fez a cobertura jornalística do julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém em 1963. Para o New Yorker, Arendt descreveu Eichmann como um oportunista, de ex-vendedor, de parcos recursos, a um cumpridor de ordens que conquistou a confiança do Führer. Contudo, Arendt não estava o perdoando ou o absolvendo dos crimes de guerra por ele cometidos – Eichman fora responsabilizado pela morte de mais de 400 mil judeus; ela havia compreendido os motivos que o levaram a enviar judeus para os campos de extermínios, surge neste contexto, a banalidade do mal.
O mal se torna banal quando uma figura proeminente se abstrai das condutas éticas e assume mau comportamento, oferecendo prejuízo a outrem, invariavelmente com o respaldo de cúmplices, os ditos oportunistas, como interpretado por Arendt.
Quando o ex presidente Fernando Henrique Cardoso indicou para a Suprema Corte, o Minsitro Gilmar Mendes, a escolha pareceu acertada, Mendes já possuía notório saber jurídico, tinha um ótimo currículo de carreira sólida versada no Ministério Público. Ao longo dos governos Lula I e II, Gilmar Mendes foi um implacável e pragmático orador contra a corrupção e apoiador inconteste da Força Tarefa que viria desbaratar a quadrilha que se ocupava de corrupção sistêmica, liderada, não por acaso pelo próprio então ex presidente. Ocupante há mais tempo na Suprema Corte, Gilmar Mendes foi motivado a exercer o mal de forma banal, quando confrontado, e hoje é uma ferramenta inoxidável contra os operadores da justiça.
O mesmo pode se dizer do Ministro Alexandre de Moraes, indicado pelo ex presidente Michel Temer, com uma folha de bons serviços prestados na Segurança Pública do Estado de São Paulo e Ministro da Justiça, Moraes foi provocado durante quatro anos pelo ex presidente Bolsonaro, que extraiu do Ministro, seu instinto mais perverso. Mais um exemplo da banalidade do mal, oportunizada por um fracassado golpe de estado, mal gestado durante uma eleição decidida com 1,8%. Moraes enfrentou com galhardia qualquer um que se opusesse aos ditames da lei, mas ganhou envergadura para afrontar o Estado Democrático de Direito censurando formadores de opinião.
No Senado Federal, Zanin, o novo indicado, já é um quadro político e entre suas promessas de campanha, há a de se declarar impedido nos julgamentos que envolvam seu ex cliente mais famoso. O mesmo não foi dito a respeito dos julgamentos que envolvam a Operação Lava Jato e/ou seus atores, talvez porque não foi interpelado por aqueles que podem evitar a eclosão de novos ovos da serpente, ou por fazer parte de uma ninhada sólida comandada por dois líderes, um incumbente, outro tentando se equilibrar na ribalta política dividindo diametralmente um auditório cada vez mais néscio.

A CRUZADA PETISTA E A FALÊNCIA MORAL DO BRASIL

“Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança”
Hannah Arendt

O Brasil tem um presidente que mira o improvável Prêmio Nobel da Paz, e desconectado com a realidade brasileira, torra o dinheiro do povo em interminável lua de mel – Lula já está de malas prontas com sua giriquita para viagem à Paris e Roma.
Enquanto isso, os palhaços do seu reino falam e acusam seus inimigos escolhidos do que bem entendem nas redes sociais, sob a complacência dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o que falta com os palhaços do reino vizinho, ou seja, pau que bate em Zambelli não é o mesmo que bate em Janones. O STF está de cócoras, comendo nas mãos de bandidos de colarinho branco, em suma, a Suprema Corte está completamente acovardada, liderada por um batráquio que emite um som muito parecido com a voz humana, mas não passa de um sopro fétido de insultos à operação que ousou combater os males que há muito tempo destróem a nação.
Para completar a desonra chancelada por estes que deveriam guardar com zelo a nossa constituição, vem aí um novo colega, o Zanim para o STF, mas é melhor aceitar calado, pode ser pior; e se Lula decidir que melhor que o Zanim é o Tacla Duran? É… manda quem pode, obedece, quem tem juízo!
O Brasil regrediu no combate à corrupção nos últimos dez anos, conforme divulgado pela Transparência Internacional em 31 de janeiro último, com base nos dados do IPC (ìndice de Percepção da Corrupção). Em 2012, o Brasil figurava na 69ª posição entre 180 países, agora, figura entre os mesmos 180 países, na 94ª posição.
O IPC utiliza a escala de zero a cem, sendo zero, “altamente corrupto” e cem “muito íntegro”, o destaque positivo é a Dinamarca, a melhor colocada com 90 pontos e o destaque negativo, a Somália com 12 pontos, a pior colocada. O Brasil, com 38 pontos está abaixo da média mundial de 43 pontos.
Considerando os blocos econômicos, o BRICS tem média de 39 pontos; o G20, média de 53 pontos; OCDE, média de 66 pontos. Na América Latina e Caribe, a média é de 43 pontos, o que mostra a clara decadência do Brasil, no que concerne ao trato da coisa pública.


⦁ 2012: 43 pontos
⦁ 2013: 42 pontos
⦁ 2014: 43 pontos
⦁ 2015: 38 pontos
⦁ 2016: 40 pontos
⦁ 2017: 37 pontos
⦁ 2018 e 2019: 35 pontos
⦁ 2020, 2021 e 2022: 38 pontos

Curiosamente, essa decadência do Brasil no IPC, se deu no período em que a Lava Jato atuou frontalmente contra o crime de colarinho branco, colocando na prisão, barões da corrupção no Brasil e até no exterior.
No último dia 07 de junho, o jornalista Carlos Graieb, em artigo para O Antogonista, atribuiu ao STF, o retrocesso do Brasil no combate à corrupção – “O STF faz o Brasil regredir dez anos no combate à corrupção”.
Analisando friamente o exposto, para corroborar a menção do artigo, lembremos que desde prisão do então ex presidente Lula, em 2018 e aos primeiros vazamentos das mensagens não periciadas da vaza jato em junho de 2019, o Brasil chegou ao seu pior índice, 35 pontos.
A interrupção dos valores reconhecidos pela Operação Lava Jato no mundo, deu azo ao surgimento de uma Suprema Corte parcial, até mesmo se utilizando de mensagens clandestinas não atestadas por seus supostos autores e sem perícia técnica, mas que trouxe uma catarse aos seus preclaros ministros.
O que se tem no conjunto de mensagens é até hoje distribuído em doses homeopáticas, não se sabe se para edição, conforme os acontecimentos, se para medir a temperatura e fazer disso um cavalo de batalha a fim de fragilizar ainda mais os seus principais atores, Moro/Dallagnol ou se por insegurança em divulgar um material supostamente adulterado.
O rumo escolhido pelo STF a partir de então, foi o de anular os processos de Lula, declarar Moro imparcial, propiciando uma nova candidatura de do então ex à presidência da República, que se aproveitando da tragédia do Governo Bolsonaro, se elegeu para o seu terceiro mandato.
O que se prevê para um futuro próximo é a estagnação, haja vista que no Brasil do PT, o correto é ser errado. O combate a corrupção não está na agenda do atual governo, assim como não esteve no anterior, com o agravante de que hoje, o ocupante do Palácio do Planalto fora o pricipal alvo da Operação Lava Jato e oferecera ainda durante sua prisão, vingar se de todo o sistema que visava passar a limpo os dutos de corrupção que desviavam dinheiro público.
O Brasil está moralmente falido, inimigos da corrupção estão sendo alijados de seus postos, vide Dallagnol que cassado, se vê obrigado a pagar por despesas de uma operação por ele comandada, e digo sem medo de errar, caminha a passos largos para o calabouço construído no projeto de vingança liderado por Lula com o anteparo do “anarquismo judiciário”.
Como nada é absoluto, sobretudo na política, urge uma manifestação decente e ordeira para romper a cruzada petista que pouco se importa com a moralidade.
Os dados do IPC jamais farão parte do debate público, que é perdido em troca de insultos e desinformações. O nós contra eles, deve ganhar uma nova modalidade, nós, povo, eles, governo. O que se vê hoje é de tudo um pouco, menos política, e a mudança está na mentalidade de quem mais sofre, o povo!

A RESPONSABILIDADE PARA O FUTURO

“Não vamos tentar consertar a culpa do passado vamos aceitar nossa responsabilidade pelo futuro”.
John F. Kennedy

A cassação sumária de Deltan Dallagnol, fez aflorar uma manifestação pública com pautas antigoverno e pró justiça. Com o sentimento de que não houve julgamento sadio no último dia 16 de maio, Deltan atraiu uma substancial multidão em Curitiba no último domingo. O ato voluntário da direita aqui chamada de direita lavajatista foi apenas o embrião para uma manifestação maior com força suficiente para se unir com a direita mais raivosa, digo a direita bolsonarista.
A militância esquerdista vive agora em uma zona de conforto, a mesma zona que o bolsonarismo ousa frequentar, e isso pode ser um enorme ganho para a direita moderada, que representa um terço do eleitorado, e sua luta primordial é tirar o poder judiciário da zona de conforto, os ultras, que lá permaneçam, porque quando estes ganham as ruas apresentando métodos rudimentares, o povo padece.
Em busca de se manter no protagonismo ameaçado na direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro orienta a sua caterva a não aderir à manifestação, com a justificativa de que os lavajatistas não o apoiaram o suficiente durante a campanha presidencial e que o interesse maior, no momento é focar na CPMI do 8 de janeiro, em que sugere que seus apaniguados farão boa performance.
A divisão dentro do mesmo espectro não é novidade, sobretudo, no curto vácuo de poder permitido pela dinâmica política, e a partir dessa divisão, se enseja a terceira via, o que favorece o crescimento da ala menos radical, ora liderada pelo ex-deputado federal Deltan Dallagnol, abatido pelo famigerado TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O histórico de manifestações do Governo Bolsonaro não é animador, houve movimentos nos feriados de 7 de Setembro, com ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) com posterior pedido de desculpas, além de um enfadonho acampamento nas portas dos quartéis do Exército Brasileiro após a perda da reeleição. Durante o acampamento, uma ópera bufona: o Hino Nacional cantado para pneus, as orações nos muros dos quartéis, o caminhão bomba que não explodiu, a minuta do golpe que não chegou a ser editada e assinada, a fuga do líder e a tentativa malfadada de golpe de estado num domingo de verão em uma capital esvaziada, sem a presença do Presidente da República. Em nada acertou o líder da ultra direita, que agora prioriza a CPMI com a presença dos Senadores Magno Malta, Marcos do Val e dos Deputados Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira, o que diminui as chances de êxito na comissão, dado o repertório histriônico do quarteto trapalhão. Para fazer justiça, enquanto presidente, Bolsonaro reunia motociclistas para movimentar suas bases nas principais cidades do país, sem um tema digno a defender, mas pelo apoio ao capitão. Como oposição, cambaleia e propõe uma CPI para cada circunstância, tal como um desfile de carnaval tendo a comissão, como uma escola de samba, apresentando alegorias diversas. O Bolsonarismo não agregaria em nada a manifestação do dia 04 de junho, não há do que se lamentar, pois é a oportunidade de a direita moderada se posicionar, se deslocando definitivamente do Bolsonarismo trôpego.
Enquanto a direita não se entende, o governo Lula tem encontrado dificuldades em vários campos, não tem sido fácil a negociação com o Congresso Nacional; as pautas e as reformas apresentadas têm sido imiscuídas pelo legislativo, como é o caso do arcabouço fiscal, agora chamado de Regime Fiscal Sustentável, e a desidratação dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, depreciando o bom relacionamento com as ministras Marina Silva e Sônia Guajajara, respectivamente, em função da votação das Medidas Provisórias acerca da reestruturação ministerial.
A tentativa tresloucada de Lula em promover a paz entre Rússia e Ucrânia é mais uma tragicomédia, basta ver como o atual mandatário fugiu de Zelenski na reunião do G7 no Japão, em que Lula representou o Brasil como convidado, um resumo do primo pobre convidado para a festa do primo rico, que nada favoreceu em seu intento. Já no Brasil, Lula se reuniu açodadamente com Alckmin na condição de Ministro do Comércio e Indústria e com representantes do setor automobilístico para propor a construção de carros populares na ordem de 60 mil reais a unidade; algo inviável, a começar pelo ganho médio das classes C e D, pela qualidade dos veículos e a crise já declarada por membros do governo, que acusam insegurança alimentar, e mais; não há um plano definido para o enunciado, mas há a clara intenção de agradar o setor automotivo com desonerações fiscais, um projeto para além de errático, viciado e fracassado, como vimos nos governos anteriores de Lula e Dilma Roussef.
Ainda sobre as trapalhadas do atual governante, há em curso, o projeto de vingança que tem em seu próximo ato, a indicação de seu advogado como Ministro do STF; momento certo para em ambiente também certo, o Senado, barrar o nome de Cristiano Zanin, mas o vezo garantista do advogado é de lavar os olhos de senadores encalacrados com a justiça. O garantismo supera a avaliação do currículo raso do causídico, sem desmerecer a qualidade como criminalista, que livrou da cadeia seu cliente mais famoso, mesmo com robusteza de provas. O impedimento ao seu nome, é o papel que se espera de uma oposição minimamente séria, ainda que dividida, diante de um governante desgastado, decadente e vingativo, tão inoperante como o antecessor.
Percebe se que a semelhança entre os adeptos de Lula e Bolsonaro é maior do que concebe nosso ilusório conhecimento dos fatos; apostam no populismo barato, guardam reservada idolatria e assumem um troglodismo simbiótico, quando se nivelam dentro ou fora de suas cavernas, denotando a teoria da ferradura do escritor francês Jean-Pierre Fayet, insinuando que dois espectros ideológicos fundamentalistas são idênticos, quando aferidos na base.
A manifestação prevista para 04 de junho é o início de uma era, e não se pode esperar grandes louros logo na primeira empreitada; com a recusa do bolsonarismo raiz em aderir ao movimento engrossado por MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, o bloco lavajatista terá sua identidade reconhecida como a centro direita que dominará o campo da terceira via. Vale dizer que é uma chance e precisa ser bem aproveitada, o processo pelo qual passamos, é de depuração, de separar os homens dos meninos, e tempestivamente, haverá o entendimento de que há um Brasil para reconstruir, sem a necessidade de reescrever a história, há capítulos no horizonte a serem preenchidos, mas com ética, moral, respeito e a verdadeira justiça.
O asseveramento da direita moderada significará o fim da polarização que imbeciliza, e no dia 04 de junho, com a certeza de que as cavernas acolherão bolsonaristas e petistas, um importante passo será dado rumo ao futuro!

A SUPREMA JUSTIÇA CORROMPIDA!

Duas coisas que me enchem a alma de crescente admiração e respeito: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim.
Imanuel Kant

O Deputado Deltan Dalagnol/PODEMOS-PR será julgado em 16 de maio próximo, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em recurso apresentado pela federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) no Paraná e pelo PMN, por que estaria inelegível em face de pendências processuais. O relator do procecsso é o Ministro Benedito Gonçalves, e o julgamento foi agendado, coincidentemente, logo após o Deputado se manifestar em apoio ao Senador Sergio Moro, por ocasião do arroubo do Ministro Gilmar Mendes, em que acusa Moro de calúnia, sobre Mendes vender sentenças, o que restou provado ter sido uma brincadeira em ambiente privado de festa junina. Fato é que tanto Dalagnol quanto Moro são alvos constantes, mas jamais vítimas de um sistema viciado.
No início do mandato do ex-presidente Bolsonaro, esboçou se uma CPI, que investigaria o STF( Supremo Tribunal Federal), a Lava Toga. Já naquela época, se percebia um poder absoluto do poder judiciário, cujos ministros agiam sem sobressaltos em desfavor da república. Silenciosamente, alguns senadores, capitaneados por Flávio Bolsonaro, retiraram as assinaturas, o que deu ainda mais impulso para os togados. Na sequência, a vaza jato foi um prato cheio para que ministros da Suprema Corte atacasse a maior operação contra o crime do colarinho branco já vista na história do Brasil, com destaque para Gilmar Mendes, que demonstrou uma catarse diante de documentos clandestinos, que a propósito, nada provavam, e dali, com o anteparo de seu fiel escudeiro, o Procurador Geral da República, Augusto Aras, desmontaram a operação, e desde então tentam marginalizar os seus procuradores e juízes.
Ressoaria repetitivo argumentar sobre o ocorrido desde a vaza jato, os interesses dos Ministros e outros pares, a abrupta mudança de percepção tanto de políticos, togados como de jornalistas, mas há clara falta de postura ética; para Aristóteles, as quatro virtudes cardiais que formam a bússola que define a postura ética são: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. Note se no entanto, que os três poderes da república estão contaminados pela imoralidade, a prova maior, é a consagração da Suprema Corte como entreposto de profissionais do direito, conforme noticiado em vários veículos de comunicação. Ministro que se aposenta e aceita convite para trabalhar em empresa julgada por ele mesmo – sem que haja quarentena – ou advogado do réu mais famoso da Operação Lava Jato, em vias de ser indicado para a vaga aberta em decorrência da aposentadoria do mesmo ex-ministro. As rudezas de Gilmar Mendes, que se apresenta iracundo contra a operação outrora por ele apreciada. O que se pode dizer sem pudor, é que na tentativa de desmoralizar e/ou de vingar dos respectivos procuradores e dos juízes (Gabriela Hardt também é alvo da fúria), saem desmoralizados, o Ministro Gilmar Mendes e o ex- ministro Ricardo Lewandovski, que sobejam o morubixaba da esquerda, ora Presidente do Brasil, condenado em três instâncias, mas isso não é um fator novidade. Lewandovski já teria atuado em favor da ex-Presidente Dilma Roussef, mantendo seus direitos políticos. Lembremos que a data do julgamento fora antecipada, a Ministra Carmen Lúcia presidiria a seção definidora. Por fim, a troca que se avizinha, é a ida de um advogado medíocre para a iniciativa privada, agora sem a toga, a vinda de um advogado porta de xadrez para corte mais alta da nação.
O STF existe para fiscalizar o legislativo e o executivo, seus ministros são chamados de guardiões da constituição, e mesmo se não houvesse o documento formal, lá estariam para dar garantia de que as leis estariam sendo cumpridas. Um bom exemplo vem do Reino Unido, onde não há um documento que reúna as leis, mas elas são aplicadas, desde 2005 pela Suprema Corte, antes desse período, a fiscalização e os julgamentos inerente aos interesses governamentais ficavam sob os auspícios da Câmara dos Lordes. Para título de curiosidade, no Havaí, enquanto reino, antes de ser um estado norteamericano, durante a dinastia de Kamehameha (séc. XIX), a constituição tinha apenas 10 artigos, eram os dez mandamentos, no livro de Êxodo 20: 2 a 17 na Bíblia Sagrada. Cito apenas para pontuar a simplicidade do documento.
Não é o momento de se aplaudir qualquer que seja o ministro da nossa Suprema Corte, é hora de admoestação dura contra a instituição que se mostra corrupta. Não há hipótese de loas a quem deve simplesmente ser justo, nem bom, nem mau, embora a imoralidade de alguns reverbera para todo o poder judiciário que não goza da confiança da maioria dos brasileiros. Reconheço a boa condução do Ministro Alexandre de Moraes à frente do TSE, que com bravura, impediu um golpe de estado, mas não é o bastante para o exercício da função, com o agravante de sua postura maquiavélica, na acepção da palavra, dada a conduta de um nomeado que articula politicamente.
Votamos em deputados e senadores não somente para fazer as lei, mas para frear outros poderes. Há muito o que ser corrigido, e não basta focar apenas no executivo, como tem ocorrido. É preocupante ter no judiciário brasileiro, o departamento jurídico do Sr. Luís Inácio Lula da Silva, no país em que há corrupção até no futebol, entretenimento da predileção do povo.
O povo brasileiro que sofre as agruras da corrupção desde sempre, encontrou na Operação Lava Jato um alento. É dever moral, defender a Operação que devolveu bilhões de reais e colocou corruptos graúdos atrás das grades, mas não é de se surpreender que todo o corpo da Lava Jato seja vilipendiado por defensores da entidade alcançada. Moro, Dallagnol e demais membros seriam igualmente defenestrados, só pelo fato de terem investigado o cativante Lula.
Que o julgamento de Dallagnol sirva como freio de arrumação, que se absolva o Deputado, posto que o contrário disso seria inflamar ainda mais uma turba extenuada pelas afrontas recorrentes, em um território ainda desgastado pelos últimos eventos, que por sinal afloraram ainda mais o protagonismo do pior escrete de ministros da Suprema Corte já visto na história da república. Há uma combinação perigosíssima de um governo claudicante, uma oposição inexperiente e um judiciário complacente, antiético e imoral que poderá redundar em mais manifestações. Oxalá, tudo se resolva de forma civilizada!

O JARDIM DA TERCEIRA VIA E O ROMANTISMO POLÍTICO JURÍDICO!

O romantismo é um movimento cultural nascido na Franca, no século XVIII, na esteira das grandes revoluções, como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial na Inglaterra, para muitos, uma babalaze, onde se vivia o momento, como se não houvesse amanhã, é o que presenciamos cá em Pindorama. A divisão política, assim como está, não dispensa nada além do que a contaminação de palavras sem mesuras, muitas vezes sem fundamentos, que por fim reduzem o debate político à rasa defesa das incongruências que tanto prejuízo já causaram e causam ao Brasil.
O assunto da semana, foi a operação Verine, que executou busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um processo que investiga fraude em cartões de vacina, mas como é dito no popular, puxaram um pena, veio uma galinha. Seria um caso de Fishing Expedition (pesca probatória)? Ou um caso de encontro fortuito de provas? Não há quem nos dirima essa dúvida, o Ministro Alexandre Moraes não receberá de quem quer que seja, qualquer reprimenda formal; não há acima dele, quem o faça.
Fishing Expedition é um termo em inglês utilizado no meio jurídico, que em que a investigação lança a rede, e puxa uma quantidade de provas além do objeto originalmente investigado. Há ainda o encontro fortuito de provas, como aquele em que ex juiz Sergio Moro flagrou a ex-presidente Dilma Roussef em conversas telefônicas com o então ex-presidente Lula. Moro recebeu uma reprimenda do saudoso Ministro Teori Zavaski, mas a ação deu impulso para o processo de impeachment que se avizinhava, e consequentemente, o indiciamento de Lula.
Vivemos um impasse, quando o povo brasileiro em sua maioria se divide entre o errado e o mais errado; governos perdulários saem, governos perdulários entram. No período Bolsonaro, gastos estratosféricos foram divulgados para causas não republicanas no cartão corporativo, como os gastos com as paradas de motocicletas nas principais cidades do Brasil ou comemorações de custos três vezes maior que o valor da obra inaugurada. No atual governo, Lula queima o dinheiro dos pagadores de impostos, numa extensão de sua contumaz irresponsabilidade com o dinheiro público. Lembremos, que apesar de não ser de sua alçada, o seu apartamento, na prisão da Sede da Polícia Federal em Curitiba tinha um custo diário de 10 mil reais, ou seja, ao final, foram gastos mais de 5,8 mi reais para mantê lo preso. Se optassem por uma tornozeleira eletrônica, sem atrativos, além da economia, talvez Lula ainda estivesse cumprindo a sua pena, mas agora, o bon vivant despeja dinheiro para cobrir luxos em terras distantes, e o que é história serve apenas para corrigirmos um futuro que a cada dia se mostra mais incerto
No que concerne à governabilidade, diverso do que apregoado por Lula durante a campanha, não há união, exacerba se a luta infantil do nós contra eles. Derrotas na Câmara dos Deputados têm sido corriqueiras, mesmo que estas sejam apenas termômetros que medem a temperatura e o ânimo do Congresso majoritariamente oposicionista.
Governos, sobretudo populistas, valorizam as moedas de troca, sejam em forma de emendas parlamentares ou em distribuição de cargos, mas até aqui não têm sido suficientes para o intento do governo de turno, e no campo da viabilidade, em face das tantas rupturas institucionais, em nada irá me surpreender, a anistia aos “patriotas que tentaram o golpe de estado em 08 de janeiro”; o que seria um pagamento, típico daqueles escambos ainda presentes nos interiores, cujos interesses vêm em troca de tantas cabeças de gado, sem qualquer alusão ao epíteto do bolsonarismo. A meta da oposição é o desgaste do atual governo, portanto, passa pela sua continuidade, melhor se igualmente combalido como o anterior, que se aproveita do palanque ainda não desmontado pelo seu sucessor, mas os argumentos e narrativas se mostram cada dia mais frágeis, graças aos cartões de vacinas fraudados, a minuta do golpe, o errático atentado a bomba no aeroporto de Brasília, e agora, do oficial do Éxercito Brasileiro que consta como morto, mas vivo está, e até há pouco articulava um golpe rocambolesco, enquanto a esposa recebe polpuda pensão de mais de 22 mil reais ao mês.
Pelas atitudes dos nossos governantes, passamos por um panorama sintetizado do que foi um dia o romantismo, no mínimo, nas características; com a licença poética, um romantismo político jurídico, onde se vê exagerado sentimentalismo, nacionalismo nas duas pontas da dicotomia vigente, tom depressivo, fuga da realidade, e o que há de mais descarado, a egolatria empreendida por vários líderes do três poderes. Quando age com o fígado para atacar a Lava Jato, Gilmar Mendes mostra como cultua a própria personalidade, o nacionalismo carregado de sentimentalismo apresentados por bolsonaristas e petistas que se vertem no mesmo caminho; a sagacidade de Alexandre de Moraes, as vezes criticada pela direita, na mesma medida em que é ovacionada pela esquerda, é uma demonstração de egolatria. Lula e Bolsonaro por mais que queiram nos impingir o contrário, dividem o mesmo palco, cada qual projetando a rejeição do outro corroborando a famosa frase de Napoleão Bonaparte, dita em uma batalha das tantas lideradas pelo francês, “Quando o inimigo está executando um movimento em falso, nós devemos ter o cuidado de não interrompê-lo”. A aposta da oposição é sempre no insucesso da situação, evidenciando total desprezo pelos portadores eleitores.
Ministros de cortes superiores tornam se quadros políticos desde que se entrevê a abertura de uma vaga, a postura do até então jurista e/ou operador de direito muda em busca de apoio. A sabatina no Senado Federal, é precedida de um périplo pelos gabinetes, em manifesta campanha política. Uma vez empossados, detém poderes extraordinários, maiores dos que aqueles que emcamparam as ruas e as estradas do Brasil em busca de votos. Vale lembrar que o requisito primário para adesão no cargo de Ministro é o de possuir o notório saber jurídico, algo que tem sido muito questionado por aqui, dada as interpretações dos atores com arroubos constantes. Em suma, é a justificativa para o ativismo político. O Poder Judiciário passa a ser, não um organismo arbitrário, mas um grupo político dividido em blocos
Para quem não comunga dos despautérios dos extremos, é o momento propício para regar o jardim da terceira via. Se em momentos de campanha, é válido se optar pela neutralidade, a terceira via, somente irá prosperar com independência, enfrentando com inteligência a ciranda extremista que impera a política de estado envolvendo os três poderes, que trava uma batalha hercúlea para impedir o surgimento de uma figura que desbasta os dois gumes da espada que fere o seu próprio povo.

PROCLAME A VERDADE E NÃO SE CALE POR MEDO!

O PL 2630 não deve ser aprovado sem debate. Isso também é golpe!

No Brasil, o PL 2630 teve seu pedido de urgência aceito e vai a plenário, provavelmente no próximo dia 02 de maio, sem sequer passar pelas comissões. E com o nascimento do PL, outras narrativas surgem e muitas delas são taxadas como fake news, como a manifestação do Deputado Deltan Dalagnol, em que citava passagens bíblicas. As narrativas existem, e a do Deputado Deltan está muito bem elaborada, porque há a preocupação de se tolher a liberdade religiosa, quando se atribui a ela toda a sorte de infortúnios, pois o texto do PL das fakes news que é facilmente encontrado na Internet, está incompleto, e é prosaico não haver separação do que é dogma, doutrina e do que é crime, ou do que é bênção ou sacrilégio. Deltan tem a necessidade de arrogar um discurso de oposição, onde não há liderança. Ridicularizado seria, se não se manifestasse, e esta é a outra ponta da narrativa que mantém a polarização de pé.

As fakes news se tornaram um elemento chave para o novo padrão de comportamento político em várias partes do mundo, e combatê-las sem uma regulação é inviável, mas não se pode fazer da regulação, uma lei da mordaça. Há entre as nações do mundo civilizado, orgãos que controlam as plataformas de notícias e redes sociais, posto que é um ambiente em que tem recrudescido as desinformações. Hoje em dia, temos que ler uma notícia por mais de uma vez em veículos diferentes, para atestar a veracidade do que está publicado.



O hábito de disseminar fake news vem de longe, trago algumas reminiscências. Em 2014, o então ex-presidente Lula, ora político aposentado, relutava em subir no palanque de Dilma Roussef, mas diante da iminente perda da eleição, na última semana, se abalou para o Nordeste do Brasil para discursar contra quem ele chamava de playboy, o Dep. Aécio Neves que extinguiria o Bolsa Família, isso falado em reduto fiel a Lula e ao PT. Dilma venceu a eleição em 26 de outubro daquele ano, dia em que entraria em vigor o horário de verão, fazendo com que Dias Tófolli suspendesse a a divulgação da apuração nas primeiras horas, pois no Norte do país ainda havia votação, uma imprudência que propiciou mais uma narrativa, a de que Toffoli apurou os votos em uma sala fechada no Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego aéreo) – onde a eleição foi apurada, adulterando o resultado da eleição, para êxtase do eleitorado tucano.


Um outro exemplo de fake news, que envolveu o judiciário brasileiro, foi a vaza jato, que surgiu com frases soltas de procuradores e juízes da Operação mais bem sucedida da história do Brasil, que sem pericia, foi admitida por importantes e experimentados ministros da mais alta corte do país, liberando para a disputa da eleição presidencial, um político igualmente experimentado, mas condenado por práticas de corrupção, que agora ocupa a principal cadeira política do Brasil ou a cabine do AeroLula, perambulando pelo mundo a derramar mentiras sobre o Brasil, dando margem a novas narrativas.


A narrativa é muito mais que uma mera “contação” de história, é um objeto que deve constar no check list do ator político, a se utilizar conforme a ocasião, e deve ser mudada para evitar o desgaste. Em 2018, quando o ex-presidente Bolsonaro foi eleito, ainda entre os turnos, o então candidato vinha a público contestar as urnas eletrônicas, e os ataques continuaram por todo o seu mandato, obrigando o TSE dos Ministros Barroso, Fachin e Alexandre de Moraes a engendrar um plano que fexibiliza a auditoria às urnas com a participação até mesmo do Exército Brasileiro, um braço forte do bolsonarismo, mas que ficara exposto a uma fake news que fomentou os atos antidecráticos em 08 de janeiro, resultando em perda de credibilidade e o seu consequente enfraquecimento.


Nos Estados Unidos, o jornalista Alex Jones foi condenado a pagar indenização de U$ 965 milhões de dólares (mais de quatro bilhões de reais), por insinuar que o massacre à Sandy Hook Elementary School, em que um jovem com um rifle matou 26 pessoas, entre elas, 20 crianças, era uma farsa criada para afetar a política armamentista do governo Trump. Mais recentemente a Fox News foi condenada a pagar 3,9 bi de dólares (mais de 19 bilhões de reais), o que culminou com a demissão da estrela do canal, o jornalista Tucker Carlson, por ter atentado contra as urnas eletrônicas da Dominion. É preciso salientar duas coisas, a primeira é que as indenizações somente foram possíveis, graças á legislação vigente no país, e em segundo lugar, a liberdade de expressão dos acusados não foi aviltada, eles se manifestaram conforme desejaram, contudo, foram responsabilizados.


A CPMI do dia 08 de janeiro é o gancho para o açodamento da votação do referido PL, quando da situação se vê um favoritismo claro, mas seja qual for o interesse, não há o que justifique colocar em votação um Projeto de Lei sem passar pelas comissões que funcionam como palco de um preâmbulo para importantes definições. A mensagem clara que fica, é a de que a censura só será possível por mérito de quadros eleitos legitimamente, por aqueles que terão suas vozes suprimidas. Por sorte, nos dias atuais, temos acesso aos parlamentares em quem votamos, podendo cobrar civilizadamente para que eles não votem favoravelmente em uma aberração imposta por um lado ao sabor dos seus interesses.

RESPEITÁVEL PÚBLICO, COM VOCÊS, A CPMI!

“O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”
Nando Reis

O sonho de Lula é conquistar o Prêmio Nobel da Paz, mas calcula mal a sua rota. Lula é um arremedo distante de Nelson Mandela que em 2003 tentou dissuadir George W Bush de invadir o Iraque e tentou falar com Saddam Hussein, que se escondia – Mandela já havia sido laureado em 1993, dividindo o prêmio com o seu antecessor, Frederik Leclerk, por juntos terem desfeito o regime segregacionista Apartheid, enquanto no Brasil Lula é incapaz de findar a polarização agressiva alimentada por ele mesmo.
Durante a campanha que o alçou à presidência, o mote fulcral foi o de pacificar a nação, o que não cumpre e nem faz menção de levar a cabo a nociva dicotomia surgida com o advento de PT ao poder. Lula passa ao largo de um prêmio de tal magnitude, mas se acaso qualquer láurea lhe for concedida, é digno que seja dividida com o seu antecessor, Bolsonaro, a exemplo do Prêmio atribuído à Mandela/Leclerck, com a licença pela ironia.
Os atos antidemocráticos de 08 de janeiro de 2023 foram a síntese de uma tentativa de golpe de estado. Uma sucessão de atos em uma via sem obstruções, em que atuantes de uma incipiente oposição ao governo Lula teimava em não admitir, indicando que os verdadeiros vândalos seriam infiltrados.
Segundo informações de diferentes órgãos de imprensa, a Abin disponibilizou relatório para 48 organismos de Governo Federal e Distrital, ainda assim, as férias do Secretário de Segurança Pública do DF foram confirmadas e até a viagem do mandatário da nação em solidariedade a seu aliado Edinho Silva em Araraquara fora consumada; Brasília vivia um final de semana típico, órfão como de costume, mas com a ressalva de que havia manifestantes de todas as plagas do país, que enebriados por uma ideologia cega, acreditavam, em função de tantas desinformações, que seria fácil desinstalar um governo recém empossado.
A semana que passou ficou marcada por tantas turbulências em Brasília, a começar pela interpelação da PGR, que acionou o STF a pedido de Gilmar Mendes contra Sergio Moro, por conta de – mais uma vez, um vídeo clandestino e editado. O jornalista Felipe Moura Brasil, que ousou apresentar a íntegra do material, foi demitido da CNN Brasil, a mesma emissora que apresentou o vazamento das imagens no Palácio do Planalto, flagrando um esbirro do Governo, complacente com invasores, o que provocou a alta cúpula do petismo que dá lastro ao governo de turno a apoiar a CPMI, e mais, ampliando o raio de atuação, mirando desde a votação do dia 30/10/2022, em que forças da PRF (Polícia Rodoviária Federal) empreenderam campanha rodoviária com o propósito de impedir a presença de eleitores de Lula.
A discussão entre o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) e o Deputado Federal Marcon (PT/RS), de quase vias de fato, resume o que virá na CPMI. Troca de provocações e narrativas mal sucedidas; todos vimos a facada, sabemos que aconteceu, e a ausência de sangue é um desafio inteligente aos biólogos, mas ainda que seja um contra argumento dos mais sórdidos, o campo para se defender um familiar, não é exatamente uma saleta do legislativo em uma comissão; aliás, os fatos dessa semana, me remeteram a um trecho de Relicário, letra de Nando Reis quando entoa uma surpresa “O que está acontecendo? O mundo está ao contrário ninguém reparou…”.
A expectativa é a de que teremos mais um circo armado. A ribalta que uma Comissão de tamanha dimensão oferece aos envolvidos, exige dos mesmos, muita perícia, estratégia e acima de tudo, experiência, o que tem de sobra o PT e adjacências. Lula e o seus, com a experiência de 14 anos de governo, se desvencilhou até da CPI do mensalão, se reelegeu no mesmo ano de sua instalação em 2006.
A oposição, com quadros inexperientes, aposta no alarido provocado por suas turbas para a sequência de um malfadado embate; enquanto acusa o governo de desgoverno, por entender como falta de comando, deve rever seus conceitos, pois não se atinou que para se antagonizar ao governo incumbente é necessário quadros sérios, austeros, sem a necessidade de se impor com falas vãs e preconceituosas, ostentando adereços em plenários ou nas redes sociais.
Enquanto dizem que não há governo, a outra ponta pode de igual maneira, comemorar que não há oposição, portanto, tudo pode ser feito, sem entraves. A esquerda – como gostam de reduzir o governo não espera da direita, como gostam de de reduzir a oposição, muita resistência, pois sabe em qual momento a pira da vaidade acenderá e em quais quadros ela os afeta. Por essa razão, visando sucesso na empreitada que se avizinha, a oposição deve escalar quadros com atributos intelectuais e cognitivos necessários para bater de frente com o governo. O Centrão ainda não está totalmente consolidado com Lula, o que se não facilita, não dificulta, desde que o escrete oposicionista esteja devidamente montado para um embate que não tem data para terminar.
Os movimentos do Presidente Lula demonstram fragilidade, haja vista, que a cada ameaça ou a cada necessidade de se manifestar, se esvai para outro continente com sua giriquita, para tagarelar sobre a guerra ou para mentir acerca do país que lhe confiou. Lula sonha com o Nobel da Paz, a paz que lhe falta, que lhe tirou os parafusos, mas não os problemas, Lula tem o castigo de ser presidente de um país herdado de um governo inepto, mas sem condição de governar, finge o que jamais o foi e jamais o será. Lula foi a tábua de salvação do bolsonarismo que agora o ameaça, Lula não tem força para governar, mas foi levado a sério por um rival irrelevante, assim como é levado a sério por líderes mundiais, sempre que ele se expressa sobre a guerra em curso, embora a seriedade de quem ouve suas logorreias é mais aparente que as vanglórias nada críveis de um eterno candidato, agora ao Prêmio Nobel da Paz. Eu conto ou vocês contam?

Ó TEMPOS, Ó COSTUMES!

No próximo dia 11 de abril, o ministro do STF, Ricardo Lewandovski irá se aposentar, mas não há o que comemorar. O mais carrancudo ministro da atualidade, amigo do presidente, já troca segredos de polichinelo com Lula sobre o seu substituto. Lewandosvki coleciona polêmicas amealhadas ao longo de sua trajetória como ministro da Suprema Corte, como a antecipação do julgamento de impeachment da ex-Presidente Dilma Roussef e a consequente manutenção dos seus direitos políticos; de ter ordenado a prisão de um cidadão por se manifestar envergonhado com o STF; da utilização de provas clandestinas para justificar a suspeição do então juiz Sergio Moro, entre outras. Lewandovski não é um sujeito dado ao debate, talvez por limitação intelectual ou pela arrogância com que procede seus votos no plenário e enfrenta seus críticos.
Diz se muito de que o advogado de Lula, Dr. Cristiano Zanin será o indicado; é importante dar ciência, de que o presidente não nomeia o ministro, mas o indica para uma sabatina no Senado Federal, o que aponta a condição de ator político daquele que é o preferido, posto que o ápice da carreira de quem possui o notório saber jurídico é o de conquistar uma cadeira na Suprema Corte, que nos dias atuais, prevê o vencimento de 41.650,00. A despeito de tantos penduricalhos, o salário está muito aquém dos valores colossais recebidos enquanto Zanin se notabilizava como advogado de corruptos do colarinho branco. Vale ressaltar que Zanim advoga há mais de 20 anos, e esnoba uma excelente folha de serviços prestados, que lhe garantiriam a indicação, mas a forte ligação com Lula, a deslegitima, pois denota mais um avanço em seu projeto de vingança.
Lula se perde na pequenez dos atos revanchistas e a jogada de mestre sob o prisma lulista, é a indicação de Zanin para a vaga de Lewandovksi. Zanin, a exemplo de outros ministros, não teria o dever de se declarar suspeito. É comun acompanhar ministros dando entrevistas sobre causas e investigados que irão julgar em breve. Não se pode afirmar que Zanin será um dente da engrenagem que dará movimento às represálias de Lula da Silva, mas a imprudência é latente. Desde que assumiu para o seu terceiro mandato, Lula opta pela vendeta, mirando sobretudo os agentes da Lava Jato, personificando a figura do Senador Sergio Moro. Durante as oitivas de Lula, no âmbito da Operação, os duelos entre o advogado Zanim e o então juiz Sergo Moro foram publicizados, e o que se via, era uma guerra entre um causídico desprovido de elementos que sustentasse a defesa de seu patrocinado em face da robusteza de provas apresentadas pelo MP contra o então ex Presidente Lula – ironicamente, provas invisíveis para muitos de seus adeptos e militantes. Fato é que Lula foi condenado em três instâncias, e teve seus processos anulados, graças a uma manobra articulada na suprema corte, tendo voto favorável, inclusive do ministro saliente. Chamou atenção também, o choro copioso do ministro Gilmar Mendes, que ainda hoje, intriga a tantos, pela aparente cartase demonstrada.
Na década de 60 antes de Cristo, Cícero e Catilínia travaram um embate no Senado Romano, a história é favorável a Cícero que vencera a eleição para cônsul e sofria a ameaça de usurpação de Catilina, mas o que a manteve rica e magnífica, foram os discursos proferidos por Cícero, que ainda hoje são mencionadas como Cartas Catilinárias, aqui reproduzo um trecho adaptado, independente do contexto, como uma carta aberta a Luís Inácio Lula da Silva, o homem que corrompe até mesmo a justiça.
“Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
“Até quando, Lula, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!
Adaptado de Marcus Tullius Cícero
Já são seis, os pedidos de impeachment contra Lula, mesmo com a remota possibilidade de admissão de ao menos um, e caso seja o Dr. Cristiano Zanin a ingressar no cargo de ministro, que ele assuma o compromisso ético de não se submeter aos caprichos daquele que tem como intento, incendiar ainda mais a polarização fomentada por ele mesmo.

LULA, O FARDO PESADO DO GOVERNO!

“Engolir as más palavras que não se dizem, nunca fez mal a ninguém.”
Winston Churchil

Pairavam dúvidas do que seria o terceiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva, haja vista a terra arrasada que herdaria. O Lula que durante a campanha eleitoral foi uma figura low profile, disposta a lançar cargas ao mar e que desprovido de mágoas, pacificaria um país dividido, mas Lula não cumpre com sua promessa e o que se vê é uma sucessão de palavras mal postas, a recusa em deixar o palanque, negociações espúrias, mantendo cargos como moeda de troca, e a manutenção do orçamento secreto, o que dificulta prever a continuidade de seu mandato, enquanto se percebe uma conduta mais alinhada por alguns de seus pares, inclusive nas manifestações de seu vice, Geraldo Alckmin – PSB/SP, que destoa das falas dos quadros mais radicais do PT, não por acaso, do Governo Federal.

Lula – Foto: Gazeta do Povo


O PCC ganha cada dia mais, contornos de máfia, o Senador Sergio Moro se deparou como alvo principal da organização, que teria desprendido mais de 3 milhões de reais para a consumação de seu assassinato e de sua família, além do promotor Lincoln Gakiya, lotado em Presidente Prudente/SP. Ao desmantelar a bolha que faria o serviço, o Governo Federal, se arvorou em capitalizar a operação Sequaz, pois estaria interrompendo uma ação contra o principal algoz do mandatário da nação. No dia seguinte, Lula apontou como armação de Sergio Moro, desmentindo a narrativa criada para a polarização já incrustrada em nosso cenário. Lembremos que no mesmo período, o Sindicato do Crime – dissidência do PCC no nordeste, barbariza no Rio Grande do Norte.
O PCC (Primeiro Comando da Capital) surgiu em 1993 no estado de São Paulo, com o propósito de reivindicar melhor tratamento no sistema prisional e veio na esteira do massacre do Carandiru, onde morreram 111 detentos em 1992; nos dias atuais, o PCC está presente em todo o território nacional, além de Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Uma organização criminosa que ganha status de máfia, uma grande corporação atroz que possui um estatuto de vezo paternalista, exigindo de seus membros, apoio financeiro aos associados que estiverem presos, sob ameaça de pena de morte, declarada pelo tribunal peculiar do grupo. Erradicar o PCC, parece uma missão impossível, mas é importante estudar essa viabilidade onde o combate à violência vem dando certo, ao menos até aqui.
Trago o exemplo de El Salvador, onde duas gangues dominaram o país por muitos anos, a Mara Barrio 18 e Mara Salvatrucha 13. As pandillas como são chamadas as gangues, nasceram longe do território salvadorenho. Durante a guerra civil que assolou o país, entre meados da década de 1980 e meados da década de 1990, fez se uma diáspora salvadorenha nos Estados Unidos, com uma forte presença em Los Angeles. Os jovens que lá chegaram, se uniram à casta mais pobre situada na periferia e formaram duas gangues, uma de origem genuinamente salvadorenha, a Salvatrucha 13, que rivalizava com a Barrio 18 de origem mexicana, mas com acesso facilitado aos jovens salvadorenhos. Nos anos 1990, mais de 4 mil salvadorenhos foram deportados, a maioria, membros das duas gangues que em território salvadorenho transformaram El Salvador no país mais violento do mundo. Em 2019, ascendeu ao poder, Nayib Bukele, um jovem de 37 anos, de origem palestina, que com mãos de ferro, cumpre a promessa de erradicar as pandillas. Bukele decretou um regime de exceção, e vem sistematicamente prorrogando o. Neste decreto, fica autorizada a prisão sumária de qualquer cidadão que seja suspeito de pertencer a qualquer uma das gangues; alguns direitos foram retirados, como o direito de se defender, o de apresentar o contraditório, de receber visitas, e entre outros, e não raro, ainda que venha de uma cada vez mais escassa oposição, Bukele é acusado de maus tratos no sistema penitenciário, pois estaria causando a morte de suspeitos, cujos corpos são entregues de surpresa aos familiares. Bukele não nega as acusações, sob o pretexto de devolver a paz ao país, e vislumbra a reeleição, por ora inconstitucional. O maior Centro Penitenciário das Américas, o CECOT (Centro de Confinamiento de Terroristas) foi inaugurado para 40 mil detentos, com a presença do presidente.

Nayib Bukele – Foto: Poder 360

Detentos no Cecot em processo de triagem – Foto: Cerolatitud


Voltando ao Brasil, é importante dar destaque para o portfólio do Senador Moro, que foi um juiz respeitado, até que condenasse o líder petista; foi Ministro da Justiça e Segurança Pública, até que em defesa da independência da Polícia Federal, se indispôs com Ex-Presidente Bolsonaro. Cantado em prosa e verso, como o representante da terceira via, Moro figurou nas pesquisas como o terceiro mais cotado a vencer a eleição presidencial que se avizinhava, antes mesmo da largada oficial da campanha, mas por motivo de força maior, advinda da engrenagem que move o legislativo brasileiro, fora preterido da disputa, interrompendo o sonho de 30% do eleitorado. Sergio Moro, que sempre ouviu de Lula uma saraivada de ameaças de vingança, sendo atacado por movimentos de esquerda, num gesto de sobrevivência, apoiou ao ex-presidente Bolsonaro no segundo turno, o que o teria desclassificado tecnicamente como terceira via, tão bem aproveitada por Soraya Tronicle e Simone Tebet – esta, até aceitar o convite para chefiar uma pasta do atual governo.

A Moro, restou lhe uma honrosa cadeira no Senado Federal pelo Paraná, e estando na condição de alvo dos principais investigados e/ou réus da Operação Lava Jato, não teria vida fácil, pois a exemplo do comandante Bukele, agiu com mãos de ferro, mas também no combate à corrupção. No Brasil, os nossos governantes não têm mãos de ferro, mas têm mãos leves e as línguas presas em bocas abertas e tudo de ruim que proferem, dão excelente palco ao seus antagonistas, e Sergio Moro, poderá além de incrementar seu projeto de lei anticrime, recrudescer seus tópicos, com a voz de quem é constantemente ameaçado, e tendo sido protegido por uma instituição bem dirigida, enquanto braço de um ministério por ele comandado. A alma penada que assombra o povo brasileiro não é Sergio Moro, mas um sofista do século XXI, dada a sua habilidade com as palavras, mesmo que sejam estrategicamente no intuito de destruir o que se tem pela frente, este é o Sr. Lula da Silva, que recebe como resposta à sua costumeira verborragia, a indagação do Senador Sergio Moro: – O Sr. não tem decência, Sr. Presidente?

Moro – Foto: Poder 360

Depois de três meses de governo, a maioria do povo, que não votou em Lula, resgata a frase pitoresca da Juiza Gabriela Hardt, que julgou galhardamente o então ex-presidente Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, no processo do sítio de Atibaia: – Se começar nesse tom comigo, vamos ter problemas!
O problema é a carga em excesso no barco do governo Lula, ou lance a ao mar, ou o naufrágio será inevitável.

O DINHEIRO DE BRINQUEDO

“A esperança constante chama se confiança… O desespero constante chama se desconfiança.”

Thomas Hobbes

Moedas comuns não são novidades, na Europa, desde 1999, circula o euro; há também casos em que países de moedas desvalorizadas equiparam suas unidades monetárias com outra mais forte, relegando a uma formalidade decorativa, como no Panamá, que alinhou o balboa, sua moeda original ao dólar em 1903, e não mais a imprime, as poucas cédulas ou moedas restantes são para colecionadores e numismatas.

No Mercado Comum Europeu, 20 das 27 nações signatárias adotaram ao euro, mas sem afetar a responsabilidade tributária de cada país. Quando se compra em países da zona do euro, a nota ou o cupom fiscal descrimina a moeda original, cotizado ali os impostos de consumo, como exemplo, se comprarmos na França, na nota ou no cupom fiscal, estará grafado em euro, convertido para o franco, com a devida tributação descontada. O sucesso do euro se deu pelo facilitador em negócios e no trânsito de turistas, dada à coesão do bloco, sem que isso interfira na soberania financeira de cada país. Na Comunidade Central Africana, opera o CAF (Communauté Financière d’Afrique), unidade monetária comum para efeito de comercialização macro regional, compreendendo oito países e sediada em Dacar, Senegal.

Quem jogou Banco Imobiliário, brinquedo de caráter pedagógico de sucesso entre os adolescentes na década de 1980, jamais ousou usar as cédulas em miniatura para comprar no mercado, aquele dinheiro é de brinquedo, e findado o jogo, é acondicionado em uma caixa até a próxima rodada. O jogo consiste em não falir e adquirir fortuna; ganha o mais “rico”, mas é apenas um jogo. A moeda única aventada por Lula e Alberto Fernandez, assemelha ao jogo porque será usada em um mercado exclusivo, a começar por Brasil e Argentina, e gradativamente, alcançando o Mercosul. A moeda não será palpável, não a colocaremos em nossas carteiras ou em contas no banco, não pagaremos ou receberemos nada com ela.

O tema moeda unificada é uma cortina de fumaça, e tem o propósito de encobrir o intento de Lula e Fernandez, o financiamento de um gasoduto na Argentina com recursos do BNDES, o que divide o povo brasileiro, que avista o retorno de uma política desgastada de mercado externo que já nos causou rombos homéricos.

Para além dos fatores políticos, há a escancarada corrupção, marcante durante o período em que a Operação Lava Jato atuou bravamente em vários países da América do Sul, encontrando casos de desvios de dinheiro para pagamentos de propinas em obras de grande valor.

A atual conjuntura nos apresenta o presidente argentino, Fernandez que vem fracassando na condução da economia do seu país; o presidente brasileiro, Lula, arvorado em seu projeto de vingança, insistindo em não deixar o palanque e os respectivos ministros da Fazenda, Sergio Massa e Fernando Haddad que não gozam do prestígio do mercado por não pertencerem ao universo financeiro, entretanto, Alberto Fernandez cumpriu o protocolo ignorado pelo colega brasileiro, Lula, que em uma frente ampla de sucesso, preteriu outros nomes de maior relevância para o mercado, não só regional, mas de alcance mundial, como Armínio Fraga ou Henrique Meirelles.

O governante brasileiro tem habilidade para lidar com a mídia, sabe como poucos manipulá la e se utiliza da agenda setting para promover assuntos secundários, abrindo lhe caminho para avançar com suas propostas antipáticas. Agenda Setting é uma hipótese, de que a mídia ocupa a maior parte do seu espaço com um determinado assunto que inevitavelmente irá interessar aos consumidores de informação, dando a ela o fim que se espera. Em tempos de internet, informação gratuita e a necessidade de leitura fácil, no máximo se cria desinformações e uma chuva de memes, pelo menos, pode se dizer que na hipótese de agendamento de mídia, a estratégia é certeira, e conseguiu o que se almejava. A moeda unificada domina o imaginário de leigos e os debates entre os especialistas.

A pretensa moeda comunitária, se não é uma estupidez ideológica que nos levará do nada a lugar algum, é um instrumento de via rápida viável, mas sob a compreendida desconfiança, dado o histórico de seus idealizadores, ao atual momento e a credibilidade dos atores envolvidos. A ideia da moeda unificada para fluxo exclusivo de negociações no bloco é uma ótima sacada, o problema é quem irá executá-la.