
Foto: IA Meta
“Que piração, eu tô na terra ou no céu? Ninguém se entende nessa Torre de Babel”
Cazuza
Lançado em 2006, o filme Babel, dirigido pelo mexicano Alejandro Gonzales Inãrritu apresenta quatro histórias distintas, mas que no decorrer das tramas, são interligadas. Um casal americano no Marrocos, a babá mexicana; o pai japonês, viúvo que cuida da filha surda e no Marrocos onde a polícia tenta elucidar um aparente caso de terrorismo. Em tempo, uma ótima produção com ótimo elenco coestrelado por Brad Pitt e Cate Blanchet. Babel, que dá título ao filme é uma palavra de origem hebraica que significa confusão, e conforme a tradição judaica, em hebraico Babilônia é a grande confusão, embora a sua tradução para o grego nos traga outro significado, “A porta de Deus” – o que já justifica o conceito, mas certo é, que a confusão está armada, a Babel se apresenta em tempo real, e o texto que ora ofereço é babélico para escapar do senso comum, com muitas tramas que tendem a nos levar à III Guerra Mundial.
Desde o primeiro dia após o término da Segunda Guerra Mundial, criou se a expectativa de uma Terceira Grande Guerra, para tanto, em ato contínuo, fora criada a ONU (Organização das Nações UNIDAS), organismo responsável por defender a paz mundial, embora não a encontramos absolutamente no mundo; sempre há conflitos em algumas partes, de décadas ainda sem solução que entre tréguas e batalhas, há contagens de baixas e tensões diplomáticas em várias partes do mundo, como Nagorno Karabach (Armênia e Azerbaijão), Arunachal Pradesh (ìndia-China), além de guerras civis como na Síria.
Hoje, o mundo assiste a duas guerras de grandes proporções, o assédio de forças ora extrassomáticas que estimulam conflitos entre vizinhos, como o Irã que abastece com armamentos e munições aos grupos terroristas, a Coreia do Norte que cede militares para a lutar contra a Ucrânia que por sua vez, recebe militares da Coreia do Sul para lutar contra a Rússia; na Turquia, o ditador Erdogan fecha os caminhos mais viáveis para evental diáspora na região do Levante, na Venezuela, o ditador Maduro acolhe o Grupo Wagner para intimidar os opositores do regime e Taiwan vive sob ameaça de ataque chinês em uma tentativa de reanexação.
O sistema eleitoral dos Estados Unidos permitiu que Donald Trump se candidatasse à Presidência, mesmo tendo contra si, 34 condenações, e vencer a eleição parecia ser uma tarefa fácil contra o candidato democrata, o Presidente Joe Biden, de 82 anos, com aparentes sinais de senilidade, mas a pressão no partido Democrata o fez dissuadir do intento, abrindo caminho para Kamala Harris, que lutou bravamente, mas se perdeu nos discursos feministas e étnico-raciais, trazendo à baila, a contradança do republicano com as mesmas, porém renovadas narrativas, como o muro na divisa com o México, o aumento nas alíquotas de importação e o negacionismo nas causas ambientais.
Em 2018, Donald Trump, no exercício de seu primeiro mandato, interrompeu o tratado nuclear, sob o pretexto de que o Irã estaria enriquecendo Urânio, não nos parece algo tão sábio, pois embora não haja confirmação, a verdade incognoscível é a de que o Irã possui um robusto arsenal nuclear na região de Isfahan, cultivado sem a necessária vigilância dos organismos internacionais, transformando o país em uma potência bélica ainda desconhecida, a despeito dos ataques contra Israel serem inóxios até o momento, mas as guerras estão em vias de se interagirem, o que poria o mundo à mercê de mais uma grande guerra – não necessariamente todo o planeta sendo atacado para a reivindicação do status de III Guerra Mundial, este seria um choque macrocósmico, mas o afetamento de todos os povos, seja na escassez de alimentos, na carestia, na falta de mão de obra, nas ondas migratórias e a baixa expectativa por momentos de paz.
As guerras não acontecem de surpresa, longe de se imaginar um líder autoritário apresentar um repentino plano de invasão ou de ataque a um país vizinho, geralmente as guerras são oriundas dos devaneios destes líderes, que acompanham uma eventual situação por eles julgadas como vulneráveis, vide o caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, mas perdura às vésperas de 2025. Vladimir Putin acompanhava à relativa distância os movimentos da Ucrânia e o interesse de Volodomyr Zelenski em ingressar na Otan (Organização do Tratado Atlântico Norte), bloco que nasceu para fazer contraponto ao extinto bloco soviético, que entre outros países da Europa Oriental, unia Rússia e Ucrânia.
Em outubro de 2023, militantes do Hamas invadiram Israel e mataram mais de 1200 inocentes, além de prender como reféns, mais de 250 pessoas, entre judeus e estrangeiros de todas as faixas etárias. A consequência foi a imediata resposta de Israel, que sem clemência vem destruindo o Hamas e o Hezbollah – grupo terrorista libanês que controla a divisa entre Líbano e Israel, que se une ao Hamas, fomentado pelo Irã – e é preciso dizer, que para além de grupos terroristas, são partidos políticos, o que não muda a terminilogia da guerra assimétrica que se desenvolveu no Oriente Médio.
No Brasil, um governante errático, o Presidente Lula se intromete com simplicidade a temas complexos, Lula já esbravejou que terminaria a guerra da Ucrânia com uma rodada de cervejas e aponta seu dedo na ferida de Israel, exigindo cessar fogo, sem ao menos ponderar o contexto de um país que fora atrozmente atentado. Vale aqui considerar o acerto de Lula ao trazer de volta ao Brasil, os brasileiros na Palestina e agora no Líbano, aliás, muitos destes, saíram do Brasil por não contemplarem os seus governos anteriores afundados em casos de corrupção, enquanto isso, na outra ponta do populismo, a direita bolsonarista se ampara no velho conhecido presidente americano eleito, Donald Trump para pressionar os poderes constituídos em face da inelegibilidade do ex-Presidente Jair Bolsonaro e produzir em 2026, um copia e cola da eleição americana, sempre lembrando que aqui a maioria votante perdoou o corrupto, mas não perdoou o obtuso, que interprende a reprodução de uma história mal contada.
Estamos, no limiar de uma guerra apocalíptica que dá sinais claros que não tardará, os confrontos no Cáucaso e no Oriente Médio, em breve, reverberarão na Europa, sem uma forte liderança para contê-la ou mesmo para evitá-la, nos Estados Unidos, que sempre se posicionaram como o quartel general do mundo, um covarde se fecha em copas, e a América do Sul ganha um novo protagonista, Nicolás Maduro, que do lado errado na história, mas certo para os seus padrões, se impõe mais uma vez após bem sucedido golpe, e o Brasil, eterno vendedor de commodities, assistirá a tudo sem se preparar, promovendo guerras de nervos entre dois polos carcomidos, envolvendo outros poderes da República. Péssima combinação para o anão diplomático que há de figurar na última fileira, como mero expectador de um trágico espetáculo.





