CARTA ABERTA AOS BOLSONARISTAS

Caros bolsonaristas de quatro costados;
Hoje vocês choram por algo que nunca lhes pertenceu. Gritam por uma lei que não é lei, cujo nome mal sabem pronunciar – e, se sabem, não sabem grafar corretamente. Eduardo Bolsonaro um dia sonhou que daria certo aplicar uma lista negra voltada a estrangular movimentações financeiras de violadores internacionais. Mas errou ao crer que, ao direcioná-la a um ministro da Suprema Corte de um país soberano, conseguiria trazer seu pai de volta ao poder. 
O recuo foi providencial, a Lei Magnistsky é de difícil operacionalização em nosso sólido sistema e a revogação foi fruto de negociações diplomáticas silenciosas, mas eficazes.
Hoje vocês brigam entre si, temos visto à exaustão: Allan dos Santos contra Nikolas Ferreira, Kim Paim contra Rodrigo Constantino, Paulo Figueiredo contra Paula Schmidt. Sem contar as discussões mais rasas e residuais espalhadas pelas mesas de bar, Brasil afora.
Há um ditado antigo que diz: “Casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão.” Aqui, basta trocar o pão pelo poder. Perdemos a rima, mas não a essência.
A direita bolsonarista é, talvez, a expressão mais fraca do espectro político brasileiro. Uma direita pobre, de baixo nível intelectual e marcada pela arrogância. Não estendo essa crítica aos seus adeptos, muitos já perceberam as trapalhadas e os equívocos da liderança bolsonarista.
Vocês não acertaram uma, sequer! O “supremo líder”, que hoje se refestela em uma pomposa cela improvisada na Polícia Federal, resolveu desafiar justamente aquele que talvez seja o mais técnico e mais forte dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Aqui cabe uma consideração importante: reconhecer os atributos jurídicos de um ministro não significa endossar seus excessos ou seus rompantes autoritários. Mas, bolsonaristas, prestem atenção: ministros do STF são, sim, políticos. Sobretudo quando percorrem corredores em busca de apoio no Senado. Eles sabem jogar o jogo, e jogam bem.
Falando em jogo, queridos bolsonaristas, é hora de colocar a bola no chão, pensar a melhor jogada e evitar os chutões. É hora de repensar 2026 como um ciclo que, não contará com o sobrenome Bolsonaro nas urnas. É preciso compreender que um estepe manchado por suspeitas de peculato não logrará o intento da famiglia.
De passes errados a gols contra, o patriarca do bolsonarismo entregou a vitória de bandeja ao Lula em 2022, e vocês ainda não perceberam que, se continuarem errando, o PT continuará no poder, com ou sem Lula.
O povo brasileiro já mostrou uma vez que perdoa o ladrão, mas não o burro.
Finalizando, caros bolsonaristas, reitero: insistir no nome de Flávio Bolsonaro para a presidência em 2026 será a chancela definitiva para classificá-los como asnos. E deixo um conselho ao Eduardo Bolsonaro: arrefeça os ânimos e retorne ao seu país. Venha responder pelos seus atos com bravura,  não com a manifesta covardia de seu genitor. 
Sua temporada nos Estados Unidos e a produção de conteúdos lesa-pátria serviram de entretenimento até para os brasileiros mais mal-humorados. Eu mesmo o tinha como minha pílula diária de humor.  Mas a brincadeira acabou.
Com respeito à democracia, zelo pelo bom senso  e esperança de dias mais lúcidos;
Max Miguel

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