PERSPECTIVA ELEITORAL COMPARADA: SERGIO MORO/CARLOS BOLSONARO

No contexto do PL catarinense, algumas análises indicam que a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado Federal poderia se sobrepor à da deputada Carol de Toni, considerada a candidata natural do partido no estado. Tal situação ocorre mesmo com o apoio público da primeira-dama, Michele Bolsonaro à deputada, evidenciando tensões internas na estratégia eleitoral e levantando hipóteses sobre decisões baseadas em projeções políticas e influência familiar, mais do que em critérios de representatividade local, um desafio do sobrenome Bolsonaro, ignorando o politicamente correto, demandado pelo público feminino – um homem irá ocupar o espaço de uma mulher, na disputa por uma cadeira no Senado Federal.
Uma candidatura se constrói a partir dos registros eleitorais, além dos vínculos efetivos com a circunscrição em que o candidato pretende concorrer, e o precedente aberto por Sergio Moro, impedido de disputar o Senado em São Paulo em 2022 por ausência de comprovação de vínculo (Processo nº 0600053‑16.2022.6.26.0005, TRE‑SP), evidencia a importância do domicílio eleitoral como condição legal de elegibilidade. O vínculo de Moro com o Paraná já era sólido  à época da eleição, tanto que havia uma grita pela sua candidatura à Presidência da República e as pesquisas de intenção de voto indicavam 8%–10% para a corrida presidencial naquele momento. O curioso, que a candidatura de Rosângela Moro foi deferida à Câmara dos Deputados por São Paulo, à despeito de apresentar o mesmo domicílio eleitoral do marido, um hotel em São Paulo, numa absoluta falta de interpretação ou de critérios, o importante, é que ambos foram eleitos a Senador e a Deputada, respectivamente.
Hoje,  a possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar cargos em Santa Catarina revive ao tema. Dada a notoriedade e o poder econômico da família, algumas análises políticas especulam sobre o estabelecimento de vínculos estratégicos, como aquisição de imóveis, haja vista o histórico de compras com pagamentos em espécie, especula se ainda, registros de empresas ou atividades profissionais no estado. É imperioso destacar,  que não há informações públicas que confirmem  vínculos, de modo que qualquer avaliação sobre elegibilidade depende de documentação oficial e decisão da Justiça Eleitoral. 
Além das questões eleitorais formais, Carlos Bolsonaro se destaca por sua habilidade nas redes sociais, instrumento que contribuiu de maneira significativa para a campanha presidencial de 2018. Seu papel não se restringe ao ambiente digital: relatos de bastidores indicam que sua atuação influenciava nas  decisões do pai, enquanto Presidente, e negociações políticas, inclusive em mesas de negociações internacionais, reforçando a importância de compreender sua presença estratégica no cenário político brasileiro. Hoje vimos o mesmo acontecer com Janja da Silva, a atual primeira-dama.
Carlos Bolsonaro é reconhecido como uma figura torpe, de baixo nível intelecutal, e há um episódio que dificilmente cairá no esquecimento, inclusive do seu auditório, a confusão entre LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)  e LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) durante sessão na Câmara Municipal do Rio, que reforça debates sobre o preparo técnico necessário para o exercício de funções legislativas. Situação que denota  como a falta de domínio sobre temas essenciais pode afetar a percepção pública e a confiança na atuação de representantes eleitos. 
Em síntese, embora o poder econômico, a influência familiar e a capacidade estratégica em redes sociais possam gerar especulações sobre a elegibilidade de Carlos Bolsonaro, a Justiça Eleitoral e os precedentes jurídicos continuam sendo os instrumentos decisivos para aferir a elegibilidade. O caso Moro oferece um marco de análise: a ausência de vínculo efetivo com a circunscrição pode, sim, resultar em impedimento, independentemente de projeções políticas ou conjecturas sobre estratégias de estabelecimento de vínculos. Assim, qualquer análise deve se apoiar em hipóteses prudentes, fatos públicos e interpretação legal, mantendo rigor e sobriedade na avaliação, mas é bom que fiquemos todos atentos se os mesmos critérios que alijaram Sergio Moro do maior colégio eleitoral do país, serão aplicados ante à intenção de Carlos Bolsonaro e seu staff no estado mais conservador do Brasil.

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