NACIONALISMO REATIVO: O JOGO QUE NINGUÉM QUER PERDER

Diante do tarifaço imposto por Donald Trump e das provocações orquestradas por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo — que atacam o Judiciário brasileiro em território estrangeiro —, emerge um cenário típico do Nacionalismo Reativo: a defesa da soberania nacional como reflexo da humilhação percebida.

Nesse contexto, o sentimento patriótico não nasce de orgulho pleno, mas da sensação de humilhação externa e da necessidade de reafirmar a soberania nacional. A retórica agressiva vinda de fora, quando internalizada, provoca uma resposta emocional e política que tende a blindar o governo contra críticas internas e a reforçar a coesão nacional — mesmo que momentaneamente.

É o Estado-nação tentando se afirmar, não por vontade autônoma, mas em reação à ameaça externa e ao constrangimento internacional. Assim, sem grande esforço, o presidente Lula passa a se beneficiar desse movimento involuntário, com respaldo institucional e popular, em nome da defesa da pátria e das instituições.
Essa movimentação externa, que mira o Brasil como submisso ou desorganizado, ativa internamente um sentimento coletivo de proteção institucional. E, paradoxalmente, coloca Lula — um presidente desgastado – como símbolo da unidade nacional diante do “inimigo de fora”,  mas, exagerando no uso de jargões do futebol, tão comumente utilizado nos temas políticos, Lula jogou parado e hoje dá seus primeiros passes em direção aos seus pontas de lança da Diplomacia e da Fazenda em território americano.
Esse movimento tem implicações diretas na polarização política. Ao reagrupar em torno do governo parte do eleitorado mais moderado, o gap de aproximadamente 40% da população que rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro começa a se mover — ainda que discretamente — em direção a quem oferece estabilidade diante do caos retórico e da ameaça externa.
As últimas pesquisas qualitativas já apresentam estas nuances: crescimento da falsa percepção de Lula como “estadista” frente ao cenário internacional e leve desgaste no campo da oposição, que passa a ser vista por alguns como inconsequente ou subversiva. Assim, o que parecia um revés comercial e diplomático, pode se tornar um elemento de coesão, interna, ainda que efêmera, e reposicionamento político, sobretudo se o governo souber capitalizar o momento sem exagerar na retórica nacionalista.
E num desses gestos que misturam sarcasmo e cálculo político, Lula teria se referido a Eduardo Bolsonaro como “seu camisa 10” — uma fala que, para além da ironia, revela o quanto a oposição, às vezes, joga contra si própria… e a favor de quem está no poder.
Além disso, não se pode ignorar os rumores de saídas de Ministros do Supremo Tribunal Federal, após Luís Roberto Barroso puxar a fila, diante das pressões e sanções políticas em curso, o que proporcionaria ao atual mandatário, indicar mais “jogadores”, digo Ministros da Suprema Corte, que estejam ainda mais alinhados com seu perpétuo projeto de poder.
Até que ponto essa instabilidade no Judiciário influenciará o cenário político nacional e a segurança das instituições democráticas? 
Quem está realmente marcando gol: o governo… ou seus adversários?
Quem realmente está jogando em qual time?

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