PALANQUE SOBRE A LAMA

“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.”
Johnny Welch

Desastres ambientais ou ecológicos podem ser naturais ou oriundos da ação humana, a exploração desenfreada de minérios de ferro causou a catástrofe de Brumadinho/MG em 2019, a ignorância precedida da negligência causou o acidente com o Césio 137 em Goiânia/GO em 1987, as chuvas vêm assolando o litoral brasileiro há tempos, e com pouco esforço chegaremos, não à ação do homem, mas à falta dela, à inépcia, há exemplos em países desenvolvidos com climas mais severos que o nosso, que corrigiram os problemas, haja vista em Copenhague na Dinamarca, em 2011,  que após passar por problemas semelhantes ao que se passa no Rio Grande do Sul, ganhou a alcunha de a cidade esponja, ou na Holanda que por estar abaixo do nível do mar, permanece em constante vigilância, evacuando a população ameaçada antes dos efeitos das chuvas.
As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 chegaram abruptamente, mesmo havendo uma tendência de aumento nas chuvas naquela região, conforme o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, órgão do Governo Federal, divulgado em 2013, durante o primeiro mandato de Dilma Roussef.
Tudo que o já se falou sobre a tragédia no Rio Grande do Sul é suficiente para o entendimento de todos, afora o obscurantismo provindo de todos os lados, mas cabe um resumo da catástrofe até aqui. São 458 municípios destruídos, 151 mortos, 104 desaparecidos, 806 feridos, 2,28 mi de pessoas afetadas e 615 mil desabrigados. O prejuízo estimado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) é de 8,9 bi de reais, podendo aumentar, posto que a maioria dos municípios afetados ainda não começaram a contabilizar o prejuízo.
O fatídico evento climático tem dado azo à politicagem rasteira, com a participação do mandatário da nação e sua consorte; Lula conhece cada palmo deste país, e sabia da existência de uma população negra considerável no Rio Grande do Sul, são 20% de 10.880.505 habitantes, o que enseja o número de 2.176.101 habitantes negros, correspondente a quase o dobro da população da capital, Porto Alegre, portanto, soa falsa a repentina percepção do Presidente quanto à estratificação étnica do estado, a propósito, muito bem representado por negros, como Ronaldinho Gaúcho, a ex-ginasta Daiane dos Santos, a atriz
Sheron Menezes, e na política, o Senador Paulo Paim e o ex-Governador Alceu Collares.
O Presidente Lula está há mais de quarenta anos vivendo da política no Brasil, e tem como tônica de seus atos, dividí-lo; quando fala de improviso, provoca estragos, mas será mesmo que Lula improvisa? Tenho a convicção de que não, ele provoca como poucos, e com sua peculiar malandagem convence o povo de que ele está improvisando.
Não é a primeira vez que Lula marginaliza o povo gaúcho, no ano 2000, em Pelotas/RS, valendo se do anedotário brasileiro, sobretudo do Rio Grande do Sul, teria deixado escapar que a cidade era um polo exportador de “veados”, mais uma clara provocação com o verniz da falsa improvisação.
Lula denota não simpatizar com o povo sulista, e já deixou claro que não absorve muito bem o agronegócio, setor pujante na região afetada, mas oferece afagos ao povo nordestino, impondo-lhes limites, sempre alimentando o vitimismo que fomenta o sectarismo e a xenofobia entre o próprio povo.
O povo brasileiro não se odeia, mas se divide em adorar seus ídolos, e transformam suas vozes em verdades absolutas, em ordens que os emparvoecem até mesmo em momentos que dispensam muita solidariedade, a militância em especial, é um instrumento de ataque, mas o povo é solidário, isso é o que mais vale e a prova está dada desde o início das intempéries.
Em meio ao caos estabelecido, as duas pontas da política mesquinha e polarizada que nos conduz se exorbitam em falsas acusações e desinformações. De um lado, partidários do governo acusam seus adversários políticos de mentirem sobre a mentira que eles criaram, do outro lado, acusam o governo de inércia, com mídias muito bem elaboradas, até mesmo com uso de inteligência artificial fazendo propagandas de algo que não está ao alcance de qualquer que seja o anti-herói, aqui me refiro à falta de atributos morais para a condição de heróis. O maior exemplo vem de dentro do Palácio do Planalto, onde a Primeira Dama dizia que estar acordada desde às 6h00 , se empenhando no resgate do cavalo Caramelo, enquanto o Corpo de Bombeiros de São Paulo trabalhava sem pleitear holofotes, logrando êxito, para o bem do animal.
Vale o registro dos vários abnegados brasileiros que saíram da zona de conforto e se aventuram no sul do país, e em tempos de influencers, foi bom que se mostraram fazendo algo, pois assim de fato, influenciaram outros que ainda não haviam se atinado para tamanha catástrofe, mas precisavam apenas de um bom exemplo para se obter a coragem necessária, seja para doarem ou para se doarem no intento de oferecer conforto ao povo gaúcho.
Para fechar o circo lulista nos Pampas, o Presidente nomeou um velho conhecido da Operação Lava Jato, o Ministro Paulo Pimenta, o Montanha na planilha da Odebrecht para o cargo de Ministro Extraordinário da Reconstrução do Rio Grande do Sul, inaugurando palanque erguido em um lamaçal sem precedentes na história do Brasil – Montanha atuará em seu reduto eleitoral, mesmo sem a expertise necessária para o cargo simbólico com a manutenção do status de Ministro de Estado, deixando a SECOM (Secretaria de Comunicação), nas mãos de Lula, para usá-la como moeda de troca .
O certo é, que lamentavelmente, fazer política à custas do flagelo do povo tem dado bons resultados para os postulantes, mas o que pouco se discute, é a consequência dessas ações, que tendem a perpetuar as crises.

“Eu não tinha noção de que tinha tanta gente negra no RS” – Inácio, Luís

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