A visita que o Senador Sergio Moro fez ao decano do STF (Supremo Tribunal Federal), poderia ser vista como um ato de coragem, uma presa não visita o predador em seu habitat. Moro saiu de lá, segundo relatos jornalísticos, atônito, o que seria previsível, mas está praticamente pacificado que a visita foi uma péssima ideia, por ela ter alimentado hostilidades tão comuns à quem “não tem ideia, não tem patriotismo, está sempre atrás de algum interesse que não o da Justiça. Uma vergonha, um constrangimento!”, parafreseando o Ministro Luiz Roberto Barroso.
A CNN Brasil publicou em 20/12/2020, uma entrevista exclusiva com o hacker Walter Delgatti, em que o entrevistado afirmou que a Operação Lava Jato queria prender Gilmar Mendes e Dias Tóffoli, disse ainda que o Ministro Barroso utilizava sua conta no Telegram para auxiliar Dalagnol nas peças. Observem que aí está um ponto não tão bem divulgado, o Ministro Barroso rechaçou a possibilidade, afirmando em nota (abaixo), não ser usuário da plataforma Telegram, nem nunca ter sido. Essa foi uma mentira confirmada da vaza jato, mas não explorada, porque o que vendia à época, era a informação de que a Lava Jato era um imenso conluio, sem que nada de desagregador fosse apresentado no material clandestino e não periciado.
Voltando à suposta almejada prisão de dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), não precisamos acreditar nas falas do hacker, mas o Ministro Gilmar acreditou, desde de então, de entusiasta da Operação, passou a acionar sua máquina de expelir logorreias aos Procuradores e principalmente, contra o ex-Juiz Sérgio Moro.
Gilmar usa do peso da sua caneta, que aliás, é o único valor que ostenta, abdicando dos valores morais e éticos quando se dirige para falar daqueles que supostamente teriam o alcançado. Parte substancial da população já suspeitava, e hoje tem certeza de que ele é parcial e não pratica o devido ordenamento jurídico, oferecendo entrevistas a respeito de casos e réus a serem por ele julgados em futuro próximo, além de gratuitamente, ofender com peculiar sagacidade e depreciar a quem ousa contrapor seus movimentos mais sórdidos.
O que leva o povo brasileiro, que acompanha os meandros do poder a duvidar da índole de Gilmar Mendes? Trago dois exemplos, a ligação amistosa com o Aécio Neves, alcançado pela Lava Jato e o telefonema do próprio decano ao ex-governador Silval Barbosa, após busca e apreensão assinada por Tóffoli, em que Gilmar diz sem pudor: “Que loucura! Que loucura! Estou indo para o TSE agora, vou conversar com o Tóffoli!”, assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UBdiRKf4tH4
Sobre Toffoli, o que dizer? É um pateta diametralmente oposto ao decano, no que tange à capacidade intelectual , mas é por ele apoiado, formam uma dupla, que não reedita, mas traz breve lembrança do clássico infantil, “Memórias de Um Burro”, de Condessa de Ségur; a analogia aqui se limita aos personagens – um burro inteligente entre burros burros – o burro inteligente, Cadichon, ao contrário de Gilmar, tinha como um de seus principais atributos, saber o momento exato de corrigir os rumos, enquanto que o burro burro, é burro e continua sendo burro, e complementando, ele é Ministro. Ministros da Suprema Corte têm brilhantes auxiliares que dão aspectos de erudição e legalidade, favorecendo os, até que pendurem as togas, quando a verdade sobre a capacidade cognitiva dos preclaros é desnudada, vide Ricardo Lewandovski à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Possivelmente motivado pela incerteza e ansiedade que afeta ao Senador neste momento, a visita a Gilmar seria um encontro cordial entre as partes, pelo que a liturgia de ambos os cargos exige, todavia, aquilo que sempre criticamos, o malfadado embargo auricular aconteceu, e segundo a fonte – o próprio Gilmar, lhe garantiu que ele terá seus direitos garantidos na Suprema Corte, mas antes soltou toda a sorte de impropérios à Sergio Moro.
O julgamento que pode culminar com a cassação de Moro está em curso, a sete meses das eleições municipais que já movimentam o cenário político, sem definição sobre o valor do limite de gastos para candidatos a prefeito e vereadores; nas eleições gerais em 2022, a definição só aconteceu em julho, um mês antes do início da campanha. Então, como exigir que um candidato apresente um percentual, se não há valor definido? Isso denota leviandade, dado que aqueles que apresentaram denúncia contra Sergio Moro, foram e continuam incapazes de mostrar suas contas tal como suas demandas, uma insignificância que contamina células do judiciário brasileiro e deixa claro que Moro responde pela Lava Jato, não pela sua candidatura ou por atuação no exercício do seu mandato.
Moro é órfão na política, que sozinho tem de aprender a se comunicar e a andar, hoje engatinha, se atrapalha, e está longe da aura de Juiz Federal, função que exerceu por 22 anos, julgando e condenando os principais bandidos e corruptos do Brasil. Importante salientar, que a régua do julgamento de um político é a opinião pública, que gera resultados em período eleitoral, os que convecem são eleitos, os que não convencem não ultrapassam a linha de chegada. Assistir ao debacle de Moro na política não é mais desanimador do que acompanhar o perdão a tantos políticos corruptos que hoje gozam do poder.
Moro errou quando aceitou compor o governo anterior, errou em apoiar Bolsonaro no segundo turno da eleição pregressa, e agora errou ao tentar dialogar com o referido batráquio, por todas razãoes aqui expostas. Em resumo, nada do que Gilmar fala de Moro é elemento para reforçar as decisões do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná e por conseguinte, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cujas composições, contam com a participação de juristas nomeados por aquele que um dia fora condenado pelo hoje Senador; mais uma vez, abusando da paráfrase, faço uso de uma fala do pai da psicanálise, Sigmund Freud, “Quando Gilmar me fala de Sergio, sei mais sobre Gilmar do que de Sergio”.
O Brasil sofre de patologias crônicas que passam de um governo para outro, no anterior o filho do então Presidente da República sentava se à mesa com interlocutores do Palácio do Planalto, e esta é uma doença que se agravou nos dias atuais, quando se vê a Primeira Dama despachando com Ministros e até pressionando um Ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para recolher na prisão, o ex-jogador Robinho – são corpos estranhos a serem extirpados e o caso Robinho chama atenção, por se dá no mesmo período em que a companheira do filho do atual Presidente o acusa de agressão, mas há um silêncio sepulcral da sempre falante pavoa do Palácio da Alvorada.
Após a cassação do mandato de Deltan Dallagnol, o atual governo vislumbra a cassação, quiçá prisão de Moro e a prisão de Bolsonaro, estando assim, em um mar propício para navegação segura no intento de gerenciar o país em conformidade com o espectro de seus comandantes, com oposição esvaziada – sem querer cair no senso comum, rumo à Venezuela, apresento o exemplo do mandatário, Maduro, que aborta candidaturas – vide ” as Corinas”, enquanto no Brasil, por ora, quadros apostam os seus capitais políticos na ignorância do próprio povo, haja vista o que temos hoje no poder é fruto do pretexto de se votar no menos ruim, e não seria diferente se o resultado fosse o oposto.
No Brasil, os processos de cassação de mandato estão cada vez mais corriqueiros e eles são majoritariamente divagados em ambiente jurídico, ocupando tribunais especializados, tirante aos casos emblemáticos de impeachment de dois ex-presidentes – Fernando Collor em 1992 e Dilma Roussef em 2016, em que pese o instituto de deposição de cargo executivo seja um processo político-jurídico, de fato, é eminentemente político, no mais, o que assistimos passivamente, é a interferência imoderada dos homens de toga.
* Nota do Ministro Luiz Roberto Barroso“
“O ministro Luís Roberto Barroso nunca teve o aplicativo “Telegram” e, consequentemente, jamais conversou com alguém utilizando essa plataforma. O Ministro jamais prestou qualquer auxílio a procurador da Lava Jato sobre o que colocar em alguma peça. Mais que isso, ele nunca sequer conversou com qualquer procurador da Lava Jato sobre mérito de processos da competência deles. Trata-se de informação falsa.”
