“A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”
George Orwell

O dia 1º de abril é conhecido no mundo como o dia da mentira, dia dedicado a disseminar boatos, brincadeiras e trotes, e a data coincide com o julgamento do Senador Sergio Moro (UB-PR), e por mais involuntário que seja, o evento representa uma ode ao sistema político-jurídico brasileiro, em que seus principais atores são mentirosos pertinazes. A mentira que permeia a política brasileira é a mesma enunciada por George Orwell na frase de referência deste texto, é eivada de descrença, o que é factual.
A celeuma sobre a candidatura de Sergio Moro em 2022 é um resumo bem aplicado em que a mentira adivinda das duas pontas do poder tem a missão de tirar de cena um dos mais promissores players no cenário político nacional, em julgamento que pode alijar o Senador acusado de abuso de poder econômico, caixa dois e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral. As ações pedem a cassação do mandato parlamentar, inelegibilidade por oito anos e a realização de eleição suplementar para o Senado no estado do Paraná. Moro é alvo de duas AIJEs (Ação de Investigação Eleitoral), protocoladas pelo Partido Liberal (PL) e pela Federação Brasil da Esperança – FÉ BRASIL (PT/PCdoB/PV), em novembro e dezembro de 2022.
Sergio Moro era Diretor da Alvarez & Marsal nos Estados Unidos até outubro de 2021, reta final do governo Bolsonaro. Decidiu voltar ao Brasil, atendendo ao apelo de milhões de eleitores descontentes com os rumos do país. Ao menos um terço da população clamava pela terceira via, e pesquisas da época apontavam Moro com aproximadamente 10% das intençoes de votos para Presidente da República. Era a senha para o retorno triunfante de quem operou a justiça com galhardia, mas depois se aventurou em um governo errático, cujo líder era um contumaz interveniente nos assuntos relacionados aos braços restritos de ministérios como o Ministério Justiça e Segurança Pública, pasta que foi do atual Senador em questão.
Logo após desembarcar no Brasil, Moro se filiou ao Podemos, partido de Renata Abreu, Oriovisto Guimarães, Álvaro Dias, entre outros, por quem fora bem acolhido. Por razões ainda não bem esclarecidas ao público, o partido, no último dia para registrar sua candidatura, desistiu de patrocinar seu novo pupilo. Moro atendeu ao chamado de Luciano Bivar (UB-PE) e ingressou no União Brasil, mas na undécima hora fora avisado de que não seria o candidato à presidência pelo partido, disponibilizando a ele a disputa ao cargo de Deputado Federal ou a Senador da República por São Paulo. Era o que lhe restara, Moro então, aceitou ser candidato por São Paulo até sua candidatura ser rechaçada, pois seu endereço eleitoral é no Paraná, segundo entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), lá se candidatou a Senador e venceu a disputa contra grandes e tradicionais nomes da política local, desbancando o ex-correligionário e então recém-desafeto Álvaro Dias (Podemos-PR) e Paulo Martins (PL-PR). Moro amealhou 1.953.159 votos.
O caso Marielle é mais um caso da mentira institucional, o caso já estava resolvido, mas para dar um suspiro ao Ministro amigo, Lula destacou Lewandovski para anunciar a homologação da colaboração premiada de Ronie Lessa, o executor, proporcionando o açodamento da operação para evitar vazamentos ou fugas, mas será? Vejam que tudo se deu na semana em que o mandatário traçava estratégias para recuperar popularidade perdida, de quebra apresentou o atabalhoado Ministro da Justiça que patina na busca pelos fugitivos de Mossoró, o que justificaria a parametrização da elucidação do caso que alcançou velhos conhecidos da justiça brasileira, Domingos Brazão foi preso e afastado do Conselho do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro em março de 2017, na Operação Quinto do Ouro, âmbito da Operação Lava Jato, mas liberado e reconduzido ao cargo pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça); o irmão, Chiquinho Brazão (UB-RJ) é Deputado Federal, por isso a entrada do Supremo Tribunal Federal no caso, além do ex- chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa.
A também mentirosa Corte Suprema, não por acaso, fizera uso de mensagens roubadas por hackers para defenestrar o juiz e os procuradores da Operação Lava Jato, em tempo, a mais eficaz Operação de combate à corrupção já vista no Brasil e uma das mais portentosas de todo o mundo em todos os tempos. Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) – Gilmar Mendes e Ricardo Lewandovski – hoje Ministro da Justiça, usaram as mensagens sem que elas fossem jamais periciadas, o que me dá total liberdade em apontar como mentirosos, aqueles que trabalharam pelo fim da Operação Lava Jato. Dias Tóffoli, ainda faz uso, quando anula acordos de leniência. Mas não para por aí, as aldrabices foram proferidas aos borbotões com a missão de livrar da cadeia, aquele que sempre foi amante da mentira, que a usa como condão político, Lula grasna que tirou o Brasil do mapa da fome e hoje esbraveja para o mundo que foi inocentado pelos crimes a ele atribuídos durante a Operação Lava Jato.
Não confundamos narrativas com mentiras deslavadas como aqui expostas, as narrativas são do uso político, e para que elas sejam bem utilizadas e gerem o fruto pretendido, faz se necessário o discurso retórico, caso contrário, se desgasta e cai no mesmo senso da mentira. O golpe de 2016 é uma narrativa vencida, mas renovada com a tentativa de golpe em 08 de janeiro de 2023, que na verdade, foi apenas uma perspectiva, acreditada pela militância que alimentou uma expectativa. O mesmo não se deu com a narrativa das urnas eletrônicas, que venceu mas não se renovou, causando a falsa ideia de golpe de estado que culminou com os atos de vandalismo.
A cada evento político, sobretudo em período eleitoral, interpretamos o papel de jurados em campeonatos de mentiras, os debates são peças modorrentas de trocas de provocações e desinformações, não se discute política pública, e aquele que mentir melhor vence.
A solução, para nós eleitores, é analisar com frieza, cada fala de quem nos dirige, jamais tomá-las como literal, pois são metódicos em busca por espaço de poder, o que não se espera da justiça que em tese seria imparcial e com imperioso compromisso com a verdade.
A provável cassação de Sergio Moro sob a argumentação degenerada de um acervo de mentiras é mais uma vez um desrespeito ao povo paranaense, verdadeira violação das urnas – trago-lhes a reminiscência da anulação da eleição de Deltan Dalagnol – é também uma ameaça àqueles que acreditam que Moro possa efetivamente, ser a personalidade a liderar a almejada terceira via.
Veritas lux mea – a verdade é a minha luz, e é sempre mais conveniente que a mentira, que ela prevaleça com os bons fluidos da Páscoa, renovando a esperança de milhões de brasileiros, com as bênçãos da regeneração do falido Poder Judiciário e a retomada de confiança em nosso ora viciado sistema político.
Boa Páscoa!
* Para o julgamento do Senador Sergio Moro, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE/PR), reservou três datas, 1º, 3 e 8/abril de 2024