DINO ESTÁ À ALTURA DO SUPREMO

“A nomeação para os cargos públicos de grande valor e que gera grandes efeitos dentro da sociedade sempre serão atribuídos aos mais desqualificados, onde o único critério a ser observado na hora da nomeação é o grau de importância ou nível de fanatismo “babão” dentro do grupo político do recém-eleito.”
Edgar Neto

Após indicar com êxito, o nome de seu advogado, Cristiano Zanin ao Supremo Tribunal Federal (STF), para a vaga do ex-Ministro Ricardo Lewandovski, Lula ousou ao indicar agora, para a vaga da ex-Ministra Rosa Weber, o seu Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. Indicar nomes para o STF é prerrogativa do Presidente da República, mas não cabe a ele absorver toda a carga, pois os nomes somente são admitidos após passar pelo crivo do Senado Federal em dois atos, o primeiro, a admissão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), composta por 27 senadores e por conseguinte, a sabatina em plenário em que todos os 81 Senadores têm direito a voto.
Lula já havia se decidido por Flávio Dino – o Cuba na planilha da Odebrecht, mas ainda não o havia anunciado porque não havia número satisfatório que corroborasse a indicação, e com o avanço da PEC 8/2021 no Senado Federal, com voto de Jacques Wagner (PT/BA) em favor de que se limite a função de ministros do STF no que tange à demandas monocráticas, realinhou-se a ordem dos astros do núcleo político/jurídico da nação, considerando que o voto de Wagner – o Compositor da planilha da Odebrecht – atraiu a atenção de ministros ajustados com o atual presidente, forçando o mandatário a conter a fervura, emitindo o anúncio já esperado por muitos, oferecendo à corte um ator com o mesmo teor verborrágico do seu decano, o Ministro Gilmar Medes, o mais boquirroto.
O notável saber jurídico de Flávio Dino é discutível, ex-juiz federal, tendo atuado na magistratura por doze anos, sem publicar uma uma grande obra literária, valendo se apenas de sua tese de mestrado, em que pasmem, criticou o atual modelo de indicação às cortes superiores; migrou para a política, onde não deixou saudades como Governador do Maranhão, Deputado Federal, se elegeu a Senador da República, e convidado por Lula, atua como Ministro da Justiça e Segurança Pública, onde vem amealhando desafetos e polêmicas, com sua postura autoritária e muitas vezes sarcástica ao se referir ou ao se comunicar com seus pares, se colocando como um dos “Vingadores” de Marvel.
Ser um político controverso não é determinante para compor a Suprema Corte, mesmo que o cargo seja político, embora sem bandeira partidária, mas como Ministro de Estado, Dino vem pecando sistematicamente no quesito transparência, como durante os atos de vandalismo em 08 de janeiro, quando amparou a negligência do Governo Federal assistindo ao atos hostis sem se movimentar, sem acionar a Força Nacional, posto que os prédios invadidos são da esfera Federal ou mantendo abertas as portas do Ministério da Justiça a alguém com o epíteto de “A dama do tráfico” – esposa do apenado Cremildo Santos Faria, o “Tio Patinhas”, conhecido traficante do estado do Amazonas.
Em 2017, no âmbito da Operação Lava, a delação de José de Carvalho Filho, da Odebrecht, o nome do atual postulante ao cargo de Ministro da Suprema Corte, veio à baila. Ele teria recebido R$ 400 mil reais para a sua campanha, em troca, defenderia os interesses da Construtora. É certo afirmar que a investigação fora arquivada, principalmente, pelo fato de que o que teria ocorrido, sete anos antes, não proporcionaria êxito probatório, sem embargo, no despacho da Procuradoria Geral da República (PGR), há a menção: “(…) petição instaurada com lastro no termo de depoimento do colaborador (…)”, ou seja, a delação estava muito bem fundamentada.
Se Dino não recebeu a propina, como insistiu em negar, também não convenceu ao contrário, e este é um caso paradigmático de omissão aos requisitos necessários para a investidura ao cargo de Ministro da Suprema Corte, portanto o ítem reputação ilibada não coaduna com quem fora citado – com lastro por um colaborador da justiça. Cabe à CCJ denegar o direito de Flávio Dino, ou caberia, se o panorama político brasileiro contasse com oposição efetiva, o que se vê hoje, é a manipulação da esquerda, digo Governo Federal, que usa a direita como fantoche, a oposição é a representação mambembe e coxa de um cenário indigno, em que se ouve uma grita histérica, sem valor moral, e que retroalimenta e protege a viciada casta política brasileira
A saudosa Operação Lava Jato acabou, não somente porque o ex-Presidente Bolsonaro quis que acabasse, acabou também, porque estava alcançando quadros da Suprema Corte, basta fazer uma busca rápida na Internet com os termos: “Lava Jato queria prender Gilmar Mendes e Dias Toffoli”, – os procuradores seguiam um roteiro, o que fez aflorar a animosidade entre eles e a repentina mudança de opinião acerca da operação.
Falar sobre Flávio Dino nos tempos atuais é fácil, ele está em franca evidência, busca holofotes e tem o anteparo do turista do Palácio do Planalto, Lula, que vê em Flávio Dino, um quadro pujante a ponto de se apresentar como candidato na próxima eleição presidencial; o STF para Dino será um arranjo interessante para Lula, pois o livrará do fogo amigo, colocando um dos seus principais interlocutores no chavascal jurídico do Brasil, e não há quem possa negar, Flávio Dino é digno do STF e o STF está à altura do chauvinista Flávio Dino, mesmo que o povo brasileiro não mereça tal desventura.

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