O romantismo é um movimento cultural nascido na Franca, no século XVIII, na esteira das grandes revoluções, como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial na Inglaterra, para muitos, uma babalaze, onde se vivia o momento, como se não houvesse amanhã, é o que presenciamos cá em Pindorama. A divisão política, assim como está, não dispensa nada além do que a contaminação de palavras sem mesuras, muitas vezes sem fundamentos, que por fim reduzem o debate político à rasa defesa das incongruências que tanto prejuízo já causaram e causam ao Brasil.
O assunto da semana, foi a operação Verine, que executou busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um processo que investiga fraude em cartões de vacina, mas como é dito no popular, puxaram um pena, veio uma galinha. Seria um caso de Fishing Expedition (pesca probatória)? Ou um caso de encontro fortuito de provas? Não há quem nos dirima essa dúvida, o Ministro Alexandre Moraes não receberá de quem quer que seja, qualquer reprimenda formal; não há acima dele, quem o faça.
Fishing Expedition é um termo em inglês utilizado no meio jurídico, que em que a investigação lança a rede, e puxa uma quantidade de provas além do objeto originalmente investigado. Há ainda o encontro fortuito de provas, como aquele em que ex juiz Sergio Moro flagrou a ex-presidente Dilma Roussef em conversas telefônicas com o então ex-presidente Lula. Moro recebeu uma reprimenda do saudoso Ministro Teori Zavaski, mas a ação deu impulso para o processo de impeachment que se avizinhava, e consequentemente, o indiciamento de Lula.
Vivemos um impasse, quando o povo brasileiro em sua maioria se divide entre o errado e o mais errado; governos perdulários saem, governos perdulários entram. No período Bolsonaro, gastos estratosféricos foram divulgados para causas não republicanas no cartão corporativo, como os gastos com as paradas de motocicletas nas principais cidades do Brasil ou comemorações de custos três vezes maior que o valor da obra inaugurada. No atual governo, Lula queima o dinheiro dos pagadores de impostos, numa extensão de sua contumaz irresponsabilidade com o dinheiro público. Lembremos, que apesar de não ser de sua alçada, o seu apartamento, na prisão da Sede da Polícia Federal em Curitiba tinha um custo diário de 10 mil reais, ou seja, ao final, foram gastos mais de 5,8 mi reais para mantê lo preso. Se optassem por uma tornozeleira eletrônica, sem atrativos, além da economia, talvez Lula ainda estivesse cumprindo a sua pena, mas agora, o bon vivant despeja dinheiro para cobrir luxos em terras distantes, e o que é história serve apenas para corrigirmos um futuro que a cada dia se mostra mais incerto
No que concerne à governabilidade, diverso do que apregoado por Lula durante a campanha, não há união, exacerba se a luta infantil do nós contra eles. Derrotas na Câmara dos Deputados têm sido corriqueiras, mesmo que estas sejam apenas termômetros que medem a temperatura e o ânimo do Congresso majoritariamente oposicionista.
Governos, sobretudo populistas, valorizam as moedas de troca, sejam em forma de emendas parlamentares ou em distribuição de cargos, mas até aqui não têm sido suficientes para o intento do governo de turno, e no campo da viabilidade, em face das tantas rupturas institucionais, em nada irá me surpreender, a anistia aos “patriotas que tentaram o golpe de estado em 08 de janeiro”; o que seria um pagamento, típico daqueles escambos ainda presentes nos interiores, cujos interesses vêm em troca de tantas cabeças de gado, sem qualquer alusão ao epíteto do bolsonarismo. A meta da oposição é o desgaste do atual governo, portanto, passa pela sua continuidade, melhor se igualmente combalido como o anterior, que se aproveita do palanque ainda não desmontado pelo seu sucessor, mas os argumentos e narrativas se mostram cada dia mais frágeis, graças aos cartões de vacinas fraudados, a minuta do golpe, o errático atentado a bomba no aeroporto de Brasília, e agora, do oficial do Éxercito Brasileiro que consta como morto, mas vivo está, e até há pouco articulava um golpe rocambolesco, enquanto a esposa recebe polpuda pensão de mais de 22 mil reais ao mês.
Pelas atitudes dos nossos governantes, passamos por um panorama sintetizado do que foi um dia o romantismo, no mínimo, nas características; com a licença poética, um romantismo político jurídico, onde se vê exagerado sentimentalismo, nacionalismo nas duas pontas da dicotomia vigente, tom depressivo, fuga da realidade, e o que há de mais descarado, a egolatria empreendida por vários líderes do três poderes. Quando age com o fígado para atacar a Lava Jato, Gilmar Mendes mostra como cultua a própria personalidade, o nacionalismo carregado de sentimentalismo apresentados por bolsonaristas e petistas que se vertem no mesmo caminho; a sagacidade de Alexandre de Moraes, as vezes criticada pela direita, na mesma medida em que é ovacionada pela esquerda, é uma demonstração de egolatria. Lula e Bolsonaro por mais que queiram nos impingir o contrário, dividem o mesmo palco, cada qual projetando a rejeição do outro corroborando a famosa frase de Napoleão Bonaparte, dita em uma batalha das tantas lideradas pelo francês, “Quando o inimigo está executando um movimento em falso, nós devemos ter o cuidado de não interrompê-lo”. A aposta da oposição é sempre no insucesso da situação, evidenciando total desprezo pelos portadores eleitores.
Ministros de cortes superiores tornam se quadros políticos desde que se entrevê a abertura de uma vaga, a postura do até então jurista e/ou operador de direito muda em busca de apoio. A sabatina no Senado Federal, é precedida de um périplo pelos gabinetes, em manifesta campanha política. Uma vez empossados, detém poderes extraordinários, maiores dos que aqueles que emcamparam as ruas e as estradas do Brasil em busca de votos. Vale lembrar que o requisito primário para adesão no cargo de Ministro é o de possuir o notório saber jurídico, algo que tem sido muito questionado por aqui, dada as interpretações dos atores com arroubos constantes. Em suma, é a justificativa para o ativismo político. O Poder Judiciário passa a ser, não um organismo arbitrário, mas um grupo político dividido em blocos
Para quem não comunga dos despautérios dos extremos, é o momento propício para regar o jardim da terceira via. Se em momentos de campanha, é válido se optar pela neutralidade, a terceira via, somente irá prosperar com independência, enfrentando com inteligência a ciranda extremista que impera a política de estado envolvendo os três poderes, que trava uma batalha hercúlea para impedir o surgimento de uma figura que desbasta os dois gumes da espada que fere o seu próprio povo.