
“O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”
Nando Reis
O sonho de Lula é conquistar o Prêmio Nobel da Paz, mas calcula mal a sua rota. Lula é um arremedo distante de Nelson Mandela que em 2003 tentou dissuadir George W Bush de invadir o Iraque e tentou falar com Saddam Hussein, que se escondia – Mandela já havia sido laureado em 1993, dividindo o prêmio com o seu antecessor, Frederik Leclerk, por juntos terem desfeito o regime segregacionista Apartheid, enquanto no Brasil Lula é incapaz de findar a polarização agressiva alimentada por ele mesmo.
Durante a campanha que o alçou à presidência, o mote fulcral foi o de pacificar a nação, o que não cumpre e nem faz menção de levar a cabo a nociva dicotomia surgida com o advento de PT ao poder. Lula passa ao largo de um prêmio de tal magnitude, mas se acaso qualquer láurea lhe for concedida, é digno que seja dividida com o seu antecessor, Bolsonaro, a exemplo do Prêmio atribuído à Mandela/Leclerck, com a licença pela ironia.
Os atos antidemocráticos de 08 de janeiro de 2023 foram a síntese de uma tentativa de golpe de estado. Uma sucessão de atos em uma via sem obstruções, em que atuantes de uma incipiente oposição ao governo Lula teimava em não admitir, indicando que os verdadeiros vândalos seriam infiltrados.
Segundo informações de diferentes órgãos de imprensa, a Abin disponibilizou relatório para 48 organismos de Governo Federal e Distrital, ainda assim, as férias do Secretário de Segurança Pública do DF foram confirmadas e até a viagem do mandatário da nação em solidariedade a seu aliado Edinho Silva em Araraquara fora consumada; Brasília vivia um final de semana típico, órfão como de costume, mas com a ressalva de que havia manifestantes de todas as plagas do país, que enebriados por uma ideologia cega, acreditavam, em função de tantas desinformações, que seria fácil desinstalar um governo recém empossado.
A semana que passou ficou marcada por tantas turbulências em Brasília, a começar pela interpelação da PGR, que acionou o STF a pedido de Gilmar Mendes contra Sergio Moro, por conta de – mais uma vez, um vídeo clandestino e editado. O jornalista Felipe Moura Brasil, que ousou apresentar a íntegra do material, foi demitido da CNN Brasil, a mesma emissora que apresentou o vazamento das imagens no Palácio do Planalto, flagrando um esbirro do Governo, complacente com invasores, o que provocou a alta cúpula do petismo que dá lastro ao governo de turno a apoiar a CPMI, e mais, ampliando o raio de atuação, mirando desde a votação do dia 30/10/2022, em que forças da PRF (Polícia Rodoviária Federal) empreenderam campanha rodoviária com o propósito de impedir a presença de eleitores de Lula.
A discussão entre o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) e o Deputado Federal Marcon (PT/RS), de quase vias de fato, resume o que virá na CPMI. Troca de provocações e narrativas mal sucedidas; todos vimos a facada, sabemos que aconteceu, e a ausência de sangue é um desafio inteligente aos biólogos, mas ainda que seja um contra argumento dos mais sórdidos, o campo para se defender um familiar, não é exatamente uma saleta do legislativo em uma comissão; aliás, os fatos dessa semana, me remeteram a um trecho de Relicário, letra de Nando Reis quando entoa uma surpresa “O que está acontecendo? O mundo está ao contrário ninguém reparou…”.
A expectativa é a de que teremos mais um circo armado. A ribalta que uma Comissão de tamanha dimensão oferece aos envolvidos, exige dos mesmos, muita perícia, estratégia e acima de tudo, experiência, o que tem de sobra o PT e adjacências. Lula e o seus, com a experiência de 14 anos de governo, se desvencilhou até da CPI do mensalão, se reelegeu no mesmo ano de sua instalação em 2006.
A oposição, com quadros inexperientes, aposta no alarido provocado por suas turbas para a sequência de um malfadado embate; enquanto acusa o governo de desgoverno, por entender como falta de comando, deve rever seus conceitos, pois não se atinou que para se antagonizar ao governo incumbente é necessário quadros sérios, austeros, sem a necessidade de se impor com falas vãs e preconceituosas, ostentando adereços em plenários ou nas redes sociais.
Enquanto dizem que não há governo, a outra ponta pode de igual maneira, comemorar que não há oposição, portanto, tudo pode ser feito, sem entraves. A esquerda – como gostam de reduzir o governo não espera da direita, como gostam de de reduzir a oposição, muita resistência, pois sabe em qual momento a pira da vaidade acenderá e em quais quadros ela os afeta. Por essa razão, visando sucesso na empreitada que se avizinha, a oposição deve escalar quadros com atributos intelectuais e cognitivos necessários para bater de frente com o governo. O Centrão ainda não está totalmente consolidado com Lula, o que se não facilita, não dificulta, desde que o escrete oposicionista esteja devidamente montado para um embate que não tem data para terminar.
Os movimentos do Presidente Lula demonstram fragilidade, haja vista, que a cada ameaça ou a cada necessidade de se manifestar, se esvai para outro continente com sua giriquita, para tagarelar sobre a guerra ou para mentir acerca do país que lhe confiou. Lula sonha com o Nobel da Paz, a paz que lhe falta, que lhe tirou os parafusos, mas não os problemas, Lula tem o castigo de ser presidente de um país herdado de um governo inepto, mas sem condição de governar, finge o que jamais o foi e jamais o será. Lula foi a tábua de salvação do bolsonarismo que agora o ameaça, Lula não tem força para governar, mas foi levado a sério por um rival irrelevante, assim como é levado a sério por líderes mundiais, sempre que ele se expressa sobre a guerra em curso, embora a seriedade de quem ouve suas logorreias é mais aparente que as vanglórias nada críveis de um eterno candidato, agora ao Prêmio Nobel da Paz. Eu conto ou vocês contam?