LULA, O FARDO PESADO DO GOVERNO!

“Engolir as más palavras que não se dizem, nunca fez mal a ninguém.”
Winston Churchil

Pairavam dúvidas do que seria o terceiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva, haja vista a terra arrasada que herdaria. O Lula que durante a campanha eleitoral foi uma figura low profile, disposta a lançar cargas ao mar e que desprovido de mágoas, pacificaria um país dividido, mas Lula não cumpre com sua promessa e o que se vê é uma sucessão de palavras mal postas, a recusa em deixar o palanque, negociações espúrias, mantendo cargos como moeda de troca, e a manutenção do orçamento secreto, o que dificulta prever a continuidade de seu mandato, enquanto se percebe uma conduta mais alinhada por alguns de seus pares, inclusive nas manifestações de seu vice, Geraldo Alckmin – PSB/SP, que destoa das falas dos quadros mais radicais do PT, não por acaso, do Governo Federal.

Lula – Foto: Gazeta do Povo


O PCC ganha cada dia mais, contornos de máfia, o Senador Sergio Moro se deparou como alvo principal da organização, que teria desprendido mais de 3 milhões de reais para a consumação de seu assassinato e de sua família, além do promotor Lincoln Gakiya, lotado em Presidente Prudente/SP. Ao desmantelar a bolha que faria o serviço, o Governo Federal, se arvorou em capitalizar a operação Sequaz, pois estaria interrompendo uma ação contra o principal algoz do mandatário da nação. No dia seguinte, Lula apontou como armação de Sergio Moro, desmentindo a narrativa criada para a polarização já incrustrada em nosso cenário. Lembremos que no mesmo período, o Sindicato do Crime – dissidência do PCC no nordeste, barbariza no Rio Grande do Norte.
O PCC (Primeiro Comando da Capital) surgiu em 1993 no estado de São Paulo, com o propósito de reivindicar melhor tratamento no sistema prisional e veio na esteira do massacre do Carandiru, onde morreram 111 detentos em 1992; nos dias atuais, o PCC está presente em todo o território nacional, além de Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Uma organização criminosa que ganha status de máfia, uma grande corporação atroz que possui um estatuto de vezo paternalista, exigindo de seus membros, apoio financeiro aos associados que estiverem presos, sob ameaça de pena de morte, declarada pelo tribunal peculiar do grupo. Erradicar o PCC, parece uma missão impossível, mas é importante estudar essa viabilidade onde o combate à violência vem dando certo, ao menos até aqui.
Trago o exemplo de El Salvador, onde duas gangues dominaram o país por muitos anos, a Mara Barrio 18 e Mara Salvatrucha 13. As pandillas como são chamadas as gangues, nasceram longe do território salvadorenho. Durante a guerra civil que assolou o país, entre meados da década de 1980 e meados da década de 1990, fez se uma diáspora salvadorenha nos Estados Unidos, com uma forte presença em Los Angeles. Os jovens que lá chegaram, se uniram à casta mais pobre situada na periferia e formaram duas gangues, uma de origem genuinamente salvadorenha, a Salvatrucha 13, que rivalizava com a Barrio 18 de origem mexicana, mas com acesso facilitado aos jovens salvadorenhos. Nos anos 1990, mais de 4 mil salvadorenhos foram deportados, a maioria, membros das duas gangues que em território salvadorenho transformaram El Salvador no país mais violento do mundo. Em 2019, ascendeu ao poder, Nayib Bukele, um jovem de 37 anos, de origem palestina, que com mãos de ferro, cumpre a promessa de erradicar as pandillas. Bukele decretou um regime de exceção, e vem sistematicamente prorrogando o. Neste decreto, fica autorizada a prisão sumária de qualquer cidadão que seja suspeito de pertencer a qualquer uma das gangues; alguns direitos foram retirados, como o direito de se defender, o de apresentar o contraditório, de receber visitas, e entre outros, e não raro, ainda que venha de uma cada vez mais escassa oposição, Bukele é acusado de maus tratos no sistema penitenciário, pois estaria causando a morte de suspeitos, cujos corpos são entregues de surpresa aos familiares. Bukele não nega as acusações, sob o pretexto de devolver a paz ao país, e vislumbra a reeleição, por ora inconstitucional. O maior Centro Penitenciário das Américas, o CECOT (Centro de Confinamiento de Terroristas) foi inaugurado para 40 mil detentos, com a presença do presidente.

Nayib Bukele – Foto: Poder 360

Detentos no Cecot em processo de triagem – Foto: Cerolatitud


Voltando ao Brasil, é importante dar destaque para o portfólio do Senador Moro, que foi um juiz respeitado, até que condenasse o líder petista; foi Ministro da Justiça e Segurança Pública, até que em defesa da independência da Polícia Federal, se indispôs com Ex-Presidente Bolsonaro. Cantado em prosa e verso, como o representante da terceira via, Moro figurou nas pesquisas como o terceiro mais cotado a vencer a eleição presidencial que se avizinhava, antes mesmo da largada oficial da campanha, mas por motivo de força maior, advinda da engrenagem que move o legislativo brasileiro, fora preterido da disputa, interrompendo o sonho de 30% do eleitorado. Sergio Moro, que sempre ouviu de Lula uma saraivada de ameaças de vingança, sendo atacado por movimentos de esquerda, num gesto de sobrevivência, apoiou ao ex-presidente Bolsonaro no segundo turno, o que o teria desclassificado tecnicamente como terceira via, tão bem aproveitada por Soraya Tronicle e Simone Tebet – esta, até aceitar o convite para chefiar uma pasta do atual governo.

A Moro, restou lhe uma honrosa cadeira no Senado Federal pelo Paraná, e estando na condição de alvo dos principais investigados e/ou réus da Operação Lava Jato, não teria vida fácil, pois a exemplo do comandante Bukele, agiu com mãos de ferro, mas também no combate à corrupção. No Brasil, os nossos governantes não têm mãos de ferro, mas têm mãos leves e as línguas presas em bocas abertas e tudo de ruim que proferem, dão excelente palco ao seus antagonistas, e Sergio Moro, poderá além de incrementar seu projeto de lei anticrime, recrudescer seus tópicos, com a voz de quem é constantemente ameaçado, e tendo sido protegido por uma instituição bem dirigida, enquanto braço de um ministério por ele comandado. A alma penada que assombra o povo brasileiro não é Sergio Moro, mas um sofista do século XXI, dada a sua habilidade com as palavras, mesmo que sejam estrategicamente no intuito de destruir o que se tem pela frente, este é o Sr. Lula da Silva, que recebe como resposta à sua costumeira verborragia, a indagação do Senador Sergio Moro: – O Sr. não tem decência, Sr. Presidente?

Moro – Foto: Poder 360

Depois de três meses de governo, a maioria do povo, que não votou em Lula, resgata a frase pitoresca da Juiza Gabriela Hardt, que julgou galhardamente o então ex-presidente Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, no processo do sítio de Atibaia: – Se começar nesse tom comigo, vamos ter problemas!
O problema é a carga em excesso no barco do governo Lula, ou lance a ao mar, ou o naufrágio será inevitável.

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