O VOTO NULO E A ABSTENÇÃO

“O poder é a escola do crime”

William Shakespeare

foto: tse

O voto nulo é uma alternativa válida, exposta nas urnas, já a abstenção além de proporcionar um débito junto à Justiça Eleitoral, entre outras sanções, significa abrir mão de um dever cívico. Não se estimula a abstenção, pois não estamos à margem dos fatos, mas é uma nova ordem no ambiente político nacional, fruto das incongruências que dormitam no próprio sistema.

Há um valor invisível de eleitores que açodarão o voto útil para o primeiro turno, porém o recado que veio da eleição presidencial de 2018 – a soma de votos nulos e abstenções ultrapassando os 30%, é possível afirmar, com base nos números apontados pelas pesquisas de intenção de votos, que a seis meses do próximo pleito, sem a formação definitiva das chapas, há no mínimo 24% de eleitores não convictos por falta de uma terceira via consistente. Fator relevante que proporciona o surgimento de movimentos pelo voto nulo ou abstenção.

O voto nulo associado à abstenção em 2022 pode ser um recorde que não se deve comemorar, pois eles representam uma manifestação silenciosa de quem tem o dever cívico, mas não tem o direito de escolha, escolha esta que está entravada nas engrenagens enferrujadas de nosso sistema político partidário.

O binarismo eleitoral que vivemos há algum tempo, é uma cópia mal feita do sistema eleitoral norte americano, onde se divide entre Republicanos e Democratas, mas para por aí, nos Estados Unidos se permite a candidatura avulsa e o voto é facultativo, apesar de desembocar em uma disputa entre os dois partidos. No Brasil, o candidato deve estar filiado a um partido político e o voto é obrigatório, o que dá margem a tantas negociações descabidas e inimagináveis, como a formação da chapa Lula/Alckmin, só para ficar no primeiro exemplo, o que traz à tona o surgimento do eleitor que deposita seu voto naquele que com mais chance de derrotar o pior entre os dois, conforme sua concepção, em detrimento de uma escolha primigênia.

A corrida eleitoral sem Sergio Moro favoreceu a Jair Bolsonaro, que claudicava para alcançar Lula nas pesquisas. Os votos que seriam de Moro se dividiram e não agraciaram a campanha do ex-presidente Lula, mas mantém se a chama de esperança de uma vitória no primeiro turno. Já se comenta no meio político, sobretudo na esquerda, uma eventual desistência de Ciro Gomes, o que em tese favoreceria a Lula no intento de liquidar a fatura. Caso isso se reifique, não obstante os interesses partidários, imprescindível o renascimento da terceira via ou o natimorto centro democrático para fazer frente à maçante polarização.

Avaliando o horizonte das eleições de 2022, o que temos é uma ponta saudosa do crédito fácil e da falsa impressão de ascensão social, enquanto na verdade, se nivelava por baixo, as classes. Na era PT, muitos que não tinham acesso ao estudo universitário, passaram a tê-lo, mesmo sem ter gozado de ensino médio com lastro; ao término, muitos destes estão com seus diplomas engavetados, sem o emprego digno dos seus estudos, com uma dívida para pagar; mutuários do Minha Casa Minha Vida correndo o risco de perderem o que vem conquistando com seu suor, mas incutido como um beneplácito deliberado pelo líder de antanho.

Na outra ponta, há aqueles que se jactam de ter tirado do poder a esquerda, sendo este o maior atributo de um governo inerte, que disputa com o primeiro, quem mente mais; um governo que não preza pela transparência; é perdulário; que gasta aos borbotões com eventos de motocicleta, após ter negligenciado a pandemia do século, que no Brasil ceifou a vida de quase 670 mil brasileiros; além da escalada de inflação, e que sempre que tem a oportunidade, ameaça ruptura com as instituições democráticas, nos deixando incertezas, aliás, a única certeza que temos, é que haverá primeiro turno em 02 de outubro, sobre o segundo turno há mais de um motivo para acreditar que não.

Em comum, ambos têm filhos que se beneficiaram do mesmo sistema, além de um auditório fiel. O primeiro dependente do petismo, o segundo, devoto de um líder que é a única referência de direita.

O eleitor brasileiro não se mostra apático como em outros momentos, aliás, hoje muito melhor e mais informado, tem constituído uma pequena maioria disposta a não optar pelo que há disponível no tabuleiro.

Para além de uma boa escolha, necessitamos com urgência de uma boa reforma política, mas para isso são necessárias mudanças nos nomes que dominam as duas casas parlamentares, o que só acontecerá por meio dos nossos votos, portanto, é de suma importância, a presença do eleitor nas seções eleitorais, se não para escolher o presidente, sim, para mudar para melhor as vísceras do poder, elegendo novos deputados e senadores.

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