NASCE O CENTRO DEMOCRÁTICO!

Foto: Bboss

Aristóteles dizia que o homem é um animal político, tem a necessidade de se comunicar, de se entender com outros para que as coisas aconteçam, e a política é a arte do entendimento; graças à política, tratados são assinados e guerras são cessadas, muitas vezes por falta de uma boa política, guerras são iniciadas. Aqui não me atenho às grandes guerras, mas também aos conflitos internos que redundantemente exigem uma boa política com uma boa dose de diplomacia e muito diálogo para a correição dos rumos.

Até aqui as especulações dominaram o centro do debate político, e esperava se que com o fechamento da janela partidária e vencido o prazo legal para desincompatibilizações, entraríamos em um momento dedicado ao processo de construção de bases sólidas em face da disputa em outubro de 2022. Mas é cada vez mais firme a polarização que não tende a diminuir, pelo menos enquanto atores políticos periféricos queiram interferir no projeto majoritário.

Bastou Sergio Moro ser incorporado ao Partido União Brasil, a ala demista – o partido é uma fusão entre PSL e DEM – se revoltou com a possiblidade de que ele encabece chapa presidencial. Dois dos mais relevantes quadros egressos do DEM, ACM Neto e Ronaldo Caiado, da Bahia e de Goiás, respectivamente, aventaram até mesmo a possibilidade de impugnar a filiação de Moro. Vamos destacar que tanto ACM Neto como Ronaldo Caiado, são herdeiros genealógicos da política paroquial de seus estados, e que despudoradamente defendem interesses categóricos: Caiado, representante direitista, dá palanque a Bolsonaro, enquanto, ACM Neto, dá palanque ao extremo, Lula, denotando promiscuidade política, em que o povo é o maior prejudicado. Realço que o primeiro é ex-prefeito de Salvador/BA e pré-candidato à governador do seu estado, enquanto o segundo é pré-candidato à reeleição  em Goiás.

Se há traição na politica, ela não se dá entre seus pares, como em qualquer outro segmento, na política há discordâncias, políticos quando traem, traem ao seu povo, e o discurso de traição é mera narrativa política. Como dizia Ulysses Guimarães: – “Em política até a raiva é combinada”. Entenderam? Podem escolher! A ameaça de impugnar a filiação era uma bravata, um blefe ou uma mentirinha de 1º de abril? Em tempo, Moro ainda não é um político, mas já se mostra dedicado a cumprir com os desígnios de seu pretenso eleitorado; onde lhe falta tirocínio político, lhe sobra comprometimento.

A saída de Sergio Moro do Podemos e o consequente ingresso no Partido União Brasil é um exemplo clássico de má interpretação dos fatos que invariavelmente dão margem às especulações. Tudo o que dizem, não é confirmado pelas partes envolvidas, embora seja visível a incúria do Podemos no processo de construção da candidatura de Sergio Moro.

A surpresa se deu na véspera do fechamento da janela partidária, quando Moro se manifestou como novo integrante do UB, abrindo mão momentaneamente da disputa majoritária, priorizando a formação de frente ampla para quebrar o elo que protagoniza a força política nacional. A terceira via dá lugar ao um centro democrático, tão sonhado por mais ou menos um terço do eleitorado brasileiro.

Desde que Sergio Moro se apresentou como quadro importante para a presidência da República, ficou claro que o intento seria desestabilizar a polarização corrente no Brasil, e que em momento oportuno, abriria mão da sua candidatura em prol de um candidato melhor avaliado e com condição de combater a dicotomia Lula Bolsonaro. Com a indisposição do Podemos para dar continuidade ao projeto, Moro se desfiliou do partido e seguiu para o UB com a mesma proposta, abrindo mão, temporariamente (neste momento) da pré-candidatura, mirando a construção de uma frente ampla para a disputa pelo Palácio do Planalto.

Observemos o mover das peças, se Eduardo Leite, com intenção de votos, dez vezes menor que a de Sergio Moro, ainda sonha com a corrida presidencial, por que deveríamos deixar de acreditar? Há muitos acordos a serem costurados, e ouso dizer que Sergio Moro disputando uma cadeira no parlamento, motivaria uma onda lavajatista no mesmo rumo. Certamente, uma bancada da justiça transformaria a vida de qualquer um dos dois concorrentes em um inferno. É prudente rechaçar Moro como deputado ou Senador da República, mais prudente ainda é corroborar a sua candidatura a presidente, não se pode desprezar 15 milhões de votos. Seus adeptos estão prontos para bradar por este avanço, mas o momento pede parcimônia e qualquer manifestação exagerada e não coordenada, dará impulso a um representante de um dos dois polos. O Centro Democrático está vivo, e certamente, o povo irá guiar seus caminhos, oxalá, rumo à rampa do Palácio do Planalto!

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