AS ESPECULAÇÕES NO BRASIL E O EXEMPLO DA COREIA DO SUL

Crédito CNN Brasil

No Brasil, a campanha eleitoral em 2022 ainda não começou, embora os movimentos dos pré-candidatos estejam em voga. As campanhas serão efetivamente iniciadas em agosto, e estamos vivendo um período de muitas especulações que são intrínsecas a formatações de pesquisas de intenção de votos.  Em 02 de abril, as desincompatibilizações serão obrigatórias, afunilando ainda mais as meras conjecturas que por ora confundem o eleitorado que se manifesta, em certa medida, com ceticismo diante das pesquisas que na prática, apresentam um cenário virtual, baseado no sentimento do eleitorado naquele instante, mas mudanças podem acontecer a partir de abril, ao contrário do que se vê no momento, em que ocorrem as negociações partidárias.

Na última pesquisa IPESPE, divulgada em 11 de fevereiro, encomendada pela XP/Investimentos, as principais oscilações estão dentro da margem de erro, de 3,2%, mantendo três figurantes do pelotão intermediário em empate técnico, Moro, Ciro e Dória. Importante sublinhar, que Dória não se moveu no tabuleiro, enquanto Moro oscilou um ponto para baixo, e Ciro Gomes oscilou um ponto para cima, nada que mude o contexto desde que se apresentaram como pré-candidatos. No alto da tabela, Lula permanece impávido, aproveitando os indicativos para fomentar ainda mais a polaridade, único artifício utilizado com primazia pelo PT desde que nos impingiu o “nós contra eles”. Vale destacar uma recente fala de Lula, que em seu eventual governo, o MTST será protagonista, uma clara provocação a Bolsonaro que enverga bandeira diversa e na minha leitura, trouxe o atual mandatário para mais próximo de si, conferindo a Bolsonaro, mais quatro pontos percentuais. Lula acredita, graças às pesquisas, que Bolsonaro é a presa mais fácil no segundo turno.

A ansiedade pela coesão da terceira via, vem se esvaindo com os novos elementos neste campo. Leite e Janones, juntos – recém-chegados à tabela, representam 2% de intenção de votos, pulverizando ainda mais o que teria de ser uma alternativa única frente à Lula e Bolsonaro.

Dois pré-candidatos arriscam alto, e em três semanas, farão um movimento que poderá determinar o nosso futuro político antes mesmo de se iniciar a campanha eleitoral. Eduardo Leite e João Dória terão de renunciar aos seus cargos de governador em seus respectivos estados, Rio Grande do Sul e São Paulo, pulverizando de fato a terceira via. Pode não parecer aos olhos do eleitor médio, mas há clara intenção de caciques de partidos de centro-esquerda, de abrirem caminho para a volta de Lula ao poder, ele sabe disso e vem desenhando o mapa com desenvoltura.

O pré-candidato que reúne mais potencial para surpreender o pelotão dianteiro da disputa é Sergio Moro, mas para isso, é necessário apresentar mais do que temos visto até o momento; uma questão que denotava fraqueza em eventual candidatura seria a sua condição de monotemático, versando sempre sobre a mesma pauta – o movimento anticorrupção; mas para contrapor ao que tivemos no passado e o que temos no presente, é necessário que o candidato apresente uma cesta de ideias em diversas agendas e que se consubstancie com outros de pautas que sejam próximas às suas, sejam no formato de novas alianças, quiçá federações para impor um ritmo que incomode os dois polos.

Na Coreia do Sul em 2017, a então presidente, Park Geun-hye foi condenada a 24 anos de prisão por atos de corrupção envolvendo grandes corporações e o seu governo. Sua pena fora aumentada para 32 anos, por conta de uma nova condenação por uso indevido de fundos estatais e deturpação da lei eleitoral. A condenação provocou um exitoso processo de impeachment.

O grande efeito da elucidação dos crimes de Park Geun-hye fora a projeção conquistada pelo então Procurador Geral que apresentou as denúncias, sendo transformado em potencial ator político na Coreia do Sul. Yoon Seok-yeol angariou importante capital para se apresentar como candidato a presidente da República, saindo se vitorioso no pleito com 48,6% dos votos válidos, em um país onde a votação não é obrigatória. Para tanto, Yoon Seok-yeoul aglutinou três partidos de centro-direita e direita como frente ampla para derrotar o partido apoiado pelo atual presidente Moon Jae-in; Yoon empunhou bandeiras conservadoras, indispondo com a ala feminista e LGBT, em obediência à cultura coreana. Prometeu conter a inflação imobiliária e uma postura mais ostensiva à Coreia do Norte. No seu discurso da vitória, Yoon Seok-yoel disse que a disputa acabou e agora é hora de unificar o país.

O “Sergio Moro da Coreia do Sul” deixou bons exemplos em sua campanha, e o que se espera do Sergio Moro original, é a mesma conduta, por óbvio, se adaptando à nossa cultura, e enfrentando a má vontade de alguns querubins da Suprema Corte. O mais importante em qualquer disputa, não é quem está vencendo, mas quem irá vencer. Oxalá, vença aquele possa unificar o Brasil!

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