Borat vai à Rússia!

Alheio ao alarido de uma iminente guerra, o Presidente Jair Bolsonaro (PL), irá cumprir agenda em Moscou no dia 16 de fevereiro de 2022, se reunindo com Putin e mais tarde com o presidente da casa legislativa.. É prudente, que diante de uma situação quase irreversível de conflito, as agendas sejam alteradas, até mesmo pelo motivo exposto por Bolsonaro, “convite, comércio e paz”. A paz em tese se justificaria, mas os principais chefes de Estados do mundo, como Joe Biden (EUA), Emanuel Macron (França), Olaf Scholz (Alemanha) envidam esforços no intuito de demover o mandatário russo da invasão à Ucrânia, enquanto uma tropa de cem mil homens pratica exercícios de guerra em Belarus.

O mundo acompanha atentamente os desdobramentos da crise, torcendo para que um conflito não seja deflagrado. Uma guerra entre os dois vizinhos pode provocar uma hecatombe, em face do poderio bélico da Rússia, do aporte armamentista que vem recebendo a Ucrânia e a possibilidade de armamentos de guerra obsoletos do período em que pertencia à União Soviética.

A crise entre Rússia e Ucrânia é antiga, entretanto, agudizada em 2014, quando a Ucrânia negociava seu ingresso na Comunidade Europeia. Moscou contestou bravamente prevendo o isolacionismo de Vladimir Putin que interveio, provocando a suspensão das negociações, e a consequente revolta de parte substancial da população ucraniana. A turbulência causou um conflito que culminou com a anexação da Crimeia pela Rússia, estabelecendo se uma relação estremecida.

A Ucrânia convivia com muitos problemas de corrupção, e sua população ainda em desaprovação a anexação da Crimeia pela Rússia, apostou suas fichas em uma figura controversa, como forma de protestar nas eleições em 2019. Volodymyr Zelensky, um humorista que ganhou projeção ao interpretar a personagem de presidente da república, decidiu imitar a arte ao se candidatar a presidente, com um discurso de integração do povo ucraniano e de combate à corrupção, o resultado fora uma acachapante vitória sobre o bilionário Petro Porochenkdo, 73%, no segundo turno.

Em 2021, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) aliciou a Ucrânia a ingressar no bloco, o que mais uma vez não foi bem aceito por Putin, há um consenso de que os países que compunham o bloco soviético jamais o contemplariam, aliás, a Otan fora criada em 1949 para conter o avanço do socialismo no mundo, mas com a queda do muro de Berlim, perderia a razão de existir, assim como perdera o Pacto de Varsóvia criado em 1955 para contrapor a Otan e fora extinto em 1991. Contudo, a Otan ampliou suas atribuições, como intervenções na antiga Ioguslávia, um país não membro, e nas invasões no Afeganistão e Iraque, ainda que em retaliação a um ataque terrorista, em 2001. A Otan desde então colabora em ações de paz pelo mundo, oferece ajuda humanitária, até mesmo em casos de desastres naturais de grande monta.

Vivendo os dissabores do isolacionismo, o presidente russo, Vladimir Putin convidou o presidente argentino Alberto Fernandéz para reunião em Moscou em 03 de fevereiro de 2022. É sabido por todos que a Argentina se oferece a integrar o Brics, bloco econômico de países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o que justifica a aproximação de Putin a Fernandez – o que sugere uma usurpação, pois a presidência pro tempore do Brics desde janeiro de 2022 é da China – a reboque, Bolsonaro, que também convive com o isolacionismo no cenário internacional.

Bolsonaro não irá dar o abraço dos afogados em Putin e nada justifica a visita, o Brasil não tem tradição de guerra, o comércio exterior nesse momento é inviável, então, surgem as mais bizarras considerações sobre a agenda do Presidente na Rússia, incluindo o disparate de se acreditar que Bolsonaro irá negociar a paz, no mesmo molde de Donald Trump em referência a Kin Jong-Un na Coreia do Norte, provavelmente com o mesmo efeito.

Em seu discurso de reconhecimento da vitória de Valodomr Zelensky em 2019, Porochenko proferiu uma fala axiomática ironizando sua condição de humorista: ele não suportará a pressão de Putin.

O enredo envolvendo os mais variados atores políticos de várias partes do mundo nos dá a certeza de que de que os palhaços não são levados a sério em nenhum lugar do mundo, não importa suas intenções ou os cargos que eles ocupam, no entanto, Bolsonaro parte para mais um erro político ao insistir em malgastar dinheiro público para animar seu auditório cada vez mais reduzido numa malfadada e intempestiva campanha eleitoral.

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