O Nazismo acabou em 08 de maio de 1945, há quase 77 anos, mas as marcas deixadas pela onda de terror liderada por Adolf Hitler encampam mentes em todo o mundo, e alimentam insanas imaginações em alienados, onde quer que estejam.
Bruno Aiub, o Monark, youtuber conhecido, convidou dois jovens parlamentares para seu podcast semanal a fim de proporcionar um debate sobre temas políticos e liberdade de expressão. Destaco aqui a importância do seu canal, Flow, que inclusive detinha o direito de transmissão do Campeonato de Futebol do Rio de Janeiro. Buno Aiub (insisto em seu nome de batismo), em determinado momento, opinou favorável à representação nazista na política formal do Brasil, ato contínuo, veio a público reconsiderar o dito, por estar embriagado, por isso falou o que não deveria. Ora! Nazismo não é filosofia de boteco, não é assunto para se debater estando ébrio.
Em Portugal, em 2020, n´uma versão do enlatado Big Brother – Duplo Impacto – o participante Helder Teixeira, em tom jocoso proferiu saudações nazistas, inclusive com gestual, horas após, foi expulso sumariamente e ao vivo do programa. Tentando se desculpar, confessou que não conhecia nada sobre o tema, ensejo aqui um dito popular português, “a Inês era morta”. Helder estava fora da ribalta oferecida pela mídia tosca do Reality Show. Percebe se que o descuramento sobre temas espinhosos não é uma exclusividade tupiniquim e até mesmo na Europa, ambiente mais propício para a atuação do nazismo, a causa não fora devidamente estudada, o que pode proporcionar uma grita por sua legitimidade ainda que longe do seu auge.
O nazismo vai para além da política, e aceitá-lo, mesmo diante de todas as publicidades acerca do tema dão o tom do caráter ou da ignorância de quem o defenda, e na acepção da palavra é a abreviatura de NAtionalsoZIaliTISCHE Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), portanto o nazismo era um partido, e não deveria ser contido como tal, em razão da incipiente democracia que rezava na República de Weimar (Alemanha) nos anos 20, mas hoje é uma história horrenda de política persecutória, arbitrária, sectária, genocida e sanguinária, e ressuscitar os dissabores do nazismo é digno de soez.
Para definir a caçada aos judeus, recorre se ao termo holocausto, tendo este como título maior do evento que ceifou a vida de seis milhões de judeus, mas não para por aí. O nazismo de Hitler matou prisioneiros soviéticos, homossexuais, poloneses e ciganos, todos os grupos somados, totalizam cinco milhões de mortos, ou seja, onze milhões de mortos diretamente pelo nazismo, sem contar os que habitavam os guetos nas mais importantes capitais europeias dominadas pela Alemanha de Hitler. Há uma divisão entre os judeus que consideram a matança de outros grupos étnicos ou políticos sociais como o holocausto, mas o que está convencionado é o delírio contra os judeus, por considerar como o emblema de um povo inferior, sendo tratado como raça, jamais como etnia, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Os alemães dominaram boa parte da Europa, onde capturavam judeus e os encaminhavam para diversos campos de concentração comandados pela Alemanha de Adolf Hitler.
Pelo sobrenome, Bruno Aiub descende de etnia árabe, e seria um dileto alvo do nazismo nos dias de hoje, e na esteira da sua fala infeliz, Adriles Jorge se manifestou com gesto nazi ao se despedir de seus espectadores. Ambos foram retirados de suas funções nos veículos em que trabalhavam, aflorando a shcadenfreude de boa parte dos brasileiros.
Nossa realidade não é o nazismo ou o terceiro reich, nossa realidade é o AI 5, que tirava nosso direito de ir e vir, e fora defendido por Eduardo Bolsonaro; nossos algozes são velhos conhecidos, todos identificados, Lula, Bolsonaro, Renan, Ciro, Gilmar Mendes, Renan Calheiros entre outros.
Fomentar o nazismo onde ele não existiu é uma ode à ignorância, ignorância que não era uma característica de Adolf Hitler, o que se pode corroborar com a frase cunhada na orelha de seu livro Mein Kampf (Minha Luta), “Só lutamos por aquilo que amamos, só amamos aquilo que respeitamos e só respeitamos aquilo que conhecemos”. Hitler não era tolo, ele era mau, ele sabia o que estava fazendo, enquanto o bêbado, só estava bebendo em serviço, e avariou o seu produto, a sua fala.
Mesmo em um país cuja educação é falida, não se justifica defender o nazismo, pois vivemos a era da informação, e com o mínimo de discernimento, podemos filtrar as verdadeiras.
Nós brasileiros ainda não decidimos se Capitu traiu Betinho ou se a empregada doméstica pode utilizar o elevador social, ainda não nos desvencilhamos de uma dicotomia eleitoral artificial entre dois conhecidos malfeitores da coisa pública.
E o nazismo? Jaz na lata de lixo da história.
*Schadenfreude – Termo emprestado da língua alemã para designar a satisfação pela desgraça alheia.