QUEM É QUEM NO DEBATE PÚBLICO?

“As leis existem, mas quem as aplica?”

Dante Alighieri

O lugar de fala é a representação de posição social, é a voz de grupos outrora silenciosos, como os grupos étnicos, feministas, LGBTQUIA+ entre outras minorias.

A legitimidade do porta-voz é um conceito consagrado pelo filósofo francês, Pierre Bourdieu, que define o mensageiro como sendo maior que a mensagem que ele conduz, especialmente, quando este alcançou notabilidade no tema proposto. Um advogado sem muita expressão na comunidade jurídica não tem sua voz percebida como tem a voz de um advogado consagrado, mas podendo mudar, dependendo do fluxo da carreira do primeiro, após se solidificar, ser for este o caso.

Após se recusar a debater com o coletivo jurídico denominado Prerrogativas (Prerrô para os íntimos) grupo de advogados abastados que se habituou a atacar a Sergio Moro, o advogado Cristiano Zanin apontou para o ex-juiz como alguém que não tem lugar de fala no debate jurídico.

Sergio Moro, muito antes de se posicionar como pré-candidato a Presidente da República, vem adotando um discurso anticorrupção. Isso se dá pela expertise alcançada em 22 anos de magistratura e mais um ano como Ministro de Estado.

Em um país em que a corrupção é normalizada até mesmo por juristas consagrados, que em discurso em suas confrarias, mostram indignação com a punição após o crime concluído, são poucos os que têm a legitimidade do porta-voz para versar sobre o tema corrupção.

Zanin defende, para além da confraria adoradora de corruptos, na qualidade de genro do amigo dileto de seu cliente, o seu lugar de fala, atacando quem não a tem e nem a procura. Enquanto Moro tem a legitimidade do porta-voz para versar sobre o combate a corrupção, por ter julgado muitos casos, conhecendo as vísceras da malversação do dinheiro público.

O lugar de fala e a legitimidade do porta-voz estão em caminhos diferentes, o primeiro é sobre o mesmo nicho, do advogado do político corrupto, o político corrupto, do advogado do ladrão de galinha e o ladrão de galinha; a legitimidade do porta-voz é sobre o domínio da fala e a aceitação de quem a ouve. Sobre corrupção, o primeiro grupo entende, de praticar e defender; sobre combate a corrupção, o segundo é sumidade no Brasil.

A pré-candidatura de Sergio Moro amedronta a comunidade corrupta da nação, desde a primeira camada da cadeia produtiva da corrupção; há uma profusão de advogados que perderam relevância ou segmentação, e mais, há aqueles que ainda não alcançaram o topo da carreira, que logravam captar polpudos honorários e pertencer a famosas bancas defensoras de corruptos consagrados, mas hoje ocupam as redes sociais, como se estas fossem o muro das lamentações, e batendo cabeças entoando verborreias em juridiquês cafona, onde não há legitimidade, tampouco lugar de fala.

Importante destacar que os dois conceitos são autênticos, apenas nos atentemos para que as coisas e as pessoas se situem onde elas devam se situar, o juiz julga e o político defende suas bandeiras. Moro não é mais juiz, Moro julgou casos de corrupção. Hoje Moro é um combatente da corrupção, os advogados continuam advogados e a depender do primeiro, e do forte apelo popular, devem se reinventar. O brasileiro vive muitas mazelas, e é indigno assistir onerosos profissionais acompanhando seus poderosos clientes¸ até mesmo empunhando embrulhos com produtos de higiene pessoal nos presídios, percebendo quantias fabulosas oriundas de propinas, como fora visto recentemente,

Sobre a pré-campanha de Sergio Moro à presidência, ela representa o que o povo quer, pois desconheço um brasileiro que não tenha poder de fala, quando o assunto é corrupção, pois somos ou fomos vítimas dos desvios bilionários do dinheiro público, desde a rachadinha, passando pelo mensalão até o duto de recursos escusos da Petrobrás.

É preciso recuperar o Brasil real e abandonar de vez o péssimo hábito de viver o paralelo, no Brasil real, os debates poderão ser fluentes nas instituições, por ora, não há o que debater onde a legitimidade se contrapõe ao lugar de fala. Como político, Moro irá debater em lócus adequado, no momento certo, sob os auspícios de um tribunal que irá reger a campanha que se mostra promissora, debater com os desesperados neste momento seria à moda de Leandro Karnal, “tocar tambor pra maluco dançar”.

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