Percebe se um frisson advindo de antilavajatistas, que recorrem à “vazajato” para atacar uma propensa candidatura de Sergio Moro. Como já fora exposto desde o auge das revelações, foram acessados de modo clandestino, mais de mil dispositivos, mas somente vieram à tona, as mensagens dos procuradores e do juiz da dita operação. A indagação que faço é: Alguém ouviu ou leu alguma mensagem entre o ex-juiz Sergio Moro e a defesa do ex-presidente Lula? Claro que não! Se houve, jamais saberemos, porque expor as conversas entre os acusadores, sem sombra de dúvidas foi um caminho mais fácil para a liberação do ex-presidente, este com o discurso de injustiçado na ponta da língua, contou com o apoio de Gilmar Mendes que tece loas aos hackers de Araraquara, quando utiliza das mensagens em votações na Suprema Corte. Notem que o princípio da Paridade de Armas não foi utilizado nesse contexto, foi uma traição ao provável candidato, todas as mensagens eram de interesse público, desde que periciadas. Mas pelo contrário, virou argumento, embora frágil, bastante utilizado, sobretudo por quem procura algum lugar de destaque no meio jurídico, e que tem como atalho as redes sociais.
Com a proximidade do ingresso de Moro na disputa eleitoral, juristas que ganharam projeção com a Operação Lava Jato influenciam aos que nada ganharam e juntos, desfilam seus conhecimentos de acordo com suas preferências, avocando inclusive a quarentena para quadros egressos da esfera jurídica, o que até poderia ser admitido, desde que respeitado o prazo legal. Mudar as regras do jogo neste momento é inconstitucional, e qualquer menção ou tentativa de se consumar é oportunismo torpe.
Moro entra na politica, efetivamente pelo Podemos e há uma celeuma em torno do partido, porque em seus quadros, há figuras como Renata Abreu, que foi fiadora da derrotada renovação do Código Eleitoral; no momento, cinco parlamentares votaram sim na PEC 23, que autoriza o Governo Federal a furar o teto de gastos, e claro, a presença de Eduardo Girão, Senador pelo Ceará, que ganhou destaque durante a CPI da Covid, defendendo o governo, tendo inclusive votado contra o relatório, apesar de se dizer independente durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Mas discussões como estas, só acontecem, dado o grande número de partidos legalizados no sistema eleitoral. São 33 partidos, com a fusão entre DEM e PSL, teremos 32 partidos, o que é muito para poucos espectros. Com muita boa vontade, chegaremos a sete, da extrema esquerda à extrema direita, e há uma fila de mais 76 partidos em andamento. Mas hoje, Moro é uma figura maior que qualquer partido da mesma prateleira do Podemos, com todo respeito às suas lideranças. Política também é momento e Sergio Moro está no momento exato de se candidatar
O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro era uma unanimidade até alcançar o ex-presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato; os militantes de esquerda e os seus eleitores tornaram seus desafetos. Após uma passagem no início do mandato de Bolsonaro, a frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e sua saída depois de um ano à frente do cargo, acusando o Presidente de ingerência na Polícia Federal, Moro ganhou desafetos também na outra ponta.
Concentrar nas qualidades de Sergio Moro como um abnegado no combate à corrupção, acompanhar sua jornada durante a campanha eleitoral, é a resposta mais efetiva aos ataques recebidos, e caso eleito, não basta pregar uma imagem do Presidente na parede, acender uma vela e torcer para que ele governe; se necessário, cobrar, criticar e até elogiar, mas sempre com mesmo respeito dispensado por ele. Moro não é herói, Moro não é mito! Os verdadeiros salvadores da pátria somos nós, que podemos vencer com nossos votos, não esquecendo de que o Presidente irá precisar de um Congresso alinhado à sua agenda.
Em outubro de 2022, 27 senadores, ficarão sem mandatos, é a hora certa para eleger figuras comprometidas com as pautas emperradas no Congresso Nacional, como a prisão em segunda instância ou o fim do foro privilegiado. De todo modo, é muito promissor, poder contar com um presidente que no mínimo irá respeitar a liturgia do cargo, não impondo sigilo absoluto em coisas corriqueiras por cem anos. Um especialista em compliance, uma figura habituada a combater a corrupção será bem vindo ao poder executivo, enquanto no legislativo a guisa de fazer as leis em detrimento de aplica-las, surge um time de respeito com Deltan Dalagnol, Carlos Fernando dos Lima, Diogo Castor, entre outros especulados a seguir o mesmo caminho apostático, atendendo ao chamado do povo que lhes admira, lhes solidariza, e lhes confia pelo conhecimento e pelo desvelo envidado no Ministério Público, e que não sintam o alijamento de suas funções naturais, já que contam com o apoio maciço e importante de quem se acostumou com os dignos trabalhos de homens que honram a pena da justiça.
A falsa perplexidade em enxergar que os outrora operadores do Ministério Público e/ou Justiça Federal tinham ou têm projeto político é rasa e inverossímil, haja vista a postura dos Ministros do STF ou dos postulantes à corte, que saem em périplo pelo Senado à caça de votos, aí está o André Mendonça para comprovar que a política é para todos, mas nem todos servem a ela, e o que se prenuncia, é o surgimento de uma nova bancada no Congresso, a bancada da justiça, mas em tom de achaque, mesmo antes do nascimento oficial, é jocosamente epitetada como a Bancada da Lava Jato; que seja o renascimento da mais exitosa Operação da história, mesmo que venha com nova nomenclatura, o mais importante é a sua eficácia, oxalá se realize, agora, de dentro pra fora. Se só depende de nós, afirmo categoricamente: Nós podemos!