A solução do governo para um problema é usualmente tão ruim quanto o problema
Milton Friedman
O termo “pontífice” origina do latim: pontifex, que significa construtor de pontes, aquele faz a ligação, sumo sacerdote, líder católico, o que reza os cultos ou missas, o que dirige a base eclesiástica; posto absorvido pelo imperador romano. Aqui, atendo me ao termo genuíno da palavra, para cotejá-la ao ex-presidente, Michel Temer, um construtor de pontes.
Michel Temer, ao assumir a Presidência da República, se mostrou uma raposa felpuda da política, proferindo o simpático discurso de construtor de uma “ponte para o futuro”, o que não se pode denegar, em função das reformas apresentadas. Temer é um pontífice na acepção da palavra, um construtor de pontes. Ao confirmar sua permanência no poder, optou pela velha política, como é pejorativaente chamada a velha guarda, em que tudo se resolve com uma boa conversa.
No domingo, dia 07 de setembro, enquanto entoava impropérios contra o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, Bolsonaro falou de púlpito em convocar o Conselho da República, mostrando desconhecimento de sua composição; só para citar os antagonistas, o Senador Renan Calheiros (MDB/AL) e o Deputado Marcelo Freixo (PSB/RJ), dois de seus inúmeros desafetos. Ao perceber a gafe, no dia 09, mandou buscar no avião presidencial, o seu novo “Conselheiro Informal”, o ex-presidente Michel Temer, fato que afetou a claque bolsonarista e amenizou os ânimos dos não adeptos, mas o que tem Michel Temer de novo a nos apresentar? Absolutamente nada!
Enquanto a Operação Lava Jato vivia seu ápice, Temer ascendeu ao poder, aliás, muito em função dos serviços por ela prestados, mas Temer, como um bom anfitrião (mais tarde viemos a saber que seria alcançado pela Força Tarefa) convidou os Procuradores para um convescote no Palácio do Jaburu, mesmo antes de ser efetivado, convite recusado, em nome da boa reputação que a Operação gozava. Temer foi efetivado em 31 de agosto de 2016 e logo em seguida a então Procuradora Geral da República Raquel Dodge também fora convidada para um cafezinho no Jaburu; rechaçado! Mas o que mais chamou a atenção e foi assunto para além de nossas fronteiras, o encontro em uma noite de domingo, mais precisamente às 22h30 do dia 07 de março de 2017 no Palácio do Jaburu com o empresário Joesley Batista, sócio do Frigorífico JBS, para tratar do assunto Eduardo Cunha, preso no âmbito da Operação Lava Jato. A partir das gravações daquela conversa, gravada pelo próprio Joesley, o termo “conversa não republicana” passou a estar na moda.
Dizer em tom nostálgico, que Temer na Presidência da República faz muita falta, me remete a um adágio popular – “ Em terra de cego, quem tem um olho é rei” – a nostalgia no que se refere ao alto nível de erudição e as mesóclises proferidas em frases simples, ajudaram na composição da liturgia, assim como a serenidade que a experiência de vida lhe proporcionou, mas como ex-presidente, nada mais tem nos a oferecer.
Seu encontro com Jair Bolsonaro, foi a reconstrução de uma “sta per crollare” – ponte prestes a ruir. O resultado do encontro é mais benéfico para Temer, a despeito dos métodos utilizados, a propósito, a negociação de paz entre Bolsonaro e Alexandre de Moraes, até que sejam esclarecidas, é uma negociação não republicana, e é imperativo vigiar os próximos acontecimentos advindos do STF, no que concerne às ações contra a entourage do presidente.
Das pontes construídas por Temer, esta é aquela que sai do nada para lugar algum, a ponte de um governo fracassado que nos levará a mais incertezas. Durante os atos antidemocráticos conclamados por Bolsonaro, políticos importantes se reuníam com o propósito de acelerar um processo de impeachment; e do judiciário,ouve se rumores de que algo em torno de sua inegebilidade está em estudo. Temer apenas protelou o processo até a próxima fissura, que no mesmo dia já começou a se apresentar durante sua famigerada live semanal contra o Ministro Barroso, do STF, e no sábado seguinte disparou contra o Governador do Rio Grande do Sul, com frases anacrônicas para lhe ofender.
Enquanto o ex-presidente trabalha sua biografia acrescentando mais uma ponte em seu currículo, mesmo sem se importar na qualidade da obra – vale a máxima de só quem vence é digno de contar a história – o atual mandatário mais uma vez aparenta ser uma criança que deve ser tutelada por um adulto responsável, o que não há em seu entorno, nem mesmo seu antecessor.
O Brasil continua perdendo muito em uma batalha onde não há vencedores!