Estagflação – stagflacton – termo cunhado na década de 70, pelo Ministro das Finanças, do Reino Unido Ian Mc Leod, de onde se vivia uma estagnação, após a conhecida Crise Mundial, ocasionada por falta de regulamentação no sistema monetário e vinha de duas instabilidades no mercado petrolífero pela desregulamentação provocada por uma guerra entre os países árabes e Israel, elevando o valor do preço do barril. Há um risco de estagflação no Brasil, motivado pela pandemia, negligência ou despreparo do governo, o que aqui estará traduzindo em números reais, a condição em que nos encontramos, mas sem apresentar uma solução, haja vista que não há um modelo econômico consagrado, praticado por quem está no poder para desenvolver o país. Aliás, embora os números aqui expostos, o ensejo me leva a sugerir que concentremos mais nossas atenções ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), método que aponta o desenvolvimento em cada país ou território, o Brasil ocupava em 2020, a 84ª colocação em 189 países.
Quando a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou pandemia do novo coronavírus, a consequente pausa no mundo era o momento de todas as nações ditas civilizadas, se organizarem junto aos seus gabinetes de crise, e desenvolverem planos de retomada, ainda que não se soubessem por quanto tempo, era o momento de todos os países começarem do zero, a hora certa para apresentar mudanças, e em se tratando de Brasil, o momento de se impor no mercado. A pandemia do novo coronavírus colocou o mundo em stand by. Sem uma efetiva e eficaz substância que imunizasse a população global, as incertezas dominaram o cenário, sobretudo o cenário econômico.
Com o advento das vacinas, os países minimamente bem geridos aceleraram o processo de vacinação e se projetaram para o que se convencionou chamar de “o novo normal”. Aos poucos, as populações foram se vacinando, se vendo livres das máscaras faciais, acessórios controversos, pelo incômodo causado, mas com muita valia no intento de barrar a proliferação do vírus. O transporte público, o trânsito nos aeroportos, os cafés, a volta da presença física ao local do trabalho, shows e eventos esportivos com a presença de público, subindo gradativamente. O susto passou, mas o vírus ainda não, esta é a consciência que ainda nos falta, onde sobra indolência. A vacinação em massa, por mais que queiram nos informar que o Brasil é o país que mais vacina, não é verdade, pois se estamos vacinando mais que em outras plagas, isso se dá, pela morosidade no início do Plano Nacional de Imunização.
Ao avaliar um candidato a Presidente da República em início de campanha, se observa com mais atenção, quem é o seu mentor econômico, e caso aliado à ideologia contemplada, além de apoiar, reverbera o seu candidato, elevando seu nome para os mais próximos. Não foi diferente com o Ministro Paulo Guedes em relação a Jair Bolsonaro; Guedes é proveniente da Escola de Chicago, caracterizada como condão da política econômica liberal, apregoada pelo Presidente, de quem fazia eco, mesmo tendo ciência de que Bolsonaro jamais votou alinhado com as pautas liberais, em seus sete mandatos como Deputado Federal.
No Brasil, a polarização exacerbada eliminou o debate sobre economia, enquanto os debates sobre ideologia recrudesceram, o que fatalmente, imergiu os temas para o senso comum, transformando os em falas prosaicas.
Se compararmos o mundo moderno a um grande mercado, o Brasil figuraria como uma banca na feira. O Brasil poderia ser um grande supermercado com gôndolas lotadas de produtos de ótima qualidade, podendo se impor no mercado de commodities, além – do até o início do mandato de Jair Bolsonaro – um parque industrial em ascensão. Há no Brasil, estrutura suficiente para a manutenção das duas frentes, o que falta, é política pública, ainda não apresentada pelo atual governo, falta ainda, ousadia do Ministro da Economia, Sr. Paulo Guedes.
Os números sugerem taxas, que em tese animam o brasileiro médio, aqui me refiro ao PIB, que acumulado para o ano corrente, apresenta o número de 6,4%. Depois de passar pelo primeiro ano de pandemia, com uma retração de -4,1%. Com o desemprego – 14,1% ou 14, 8 milhões de brasileiros, somando os desocupados, aproximamos perigosamente ao número de 18,5 milhões de brasileiros com deficiência econômica. Com a meta da inflação, prevista em 3,75%, com tolerância prevista pelo BC (Banco Central), poderíamos alcançar a 5,25%, taxa ora superada, ao atingirmos 6,06% ao final de agosto, o cumprimento das metas estabelecidas se tornam inviáveis.
Os números acima elencados estancam o otimismo e alerta para o fenômeno estagflação, junção de estagnação e inflação. Um dos pontos para se confirmar a fenômenoé a má condução da política cambial, que, em tempos de recuperação econômica, o real se desvalorizando, provoca flutuação financeira, em que o primeiro a perceber é o consumidor. A proximidade do fenômeno divide opiniões entre economistas e analistas, mas ao associar a estagnação provocada por uma crise que nos foi imposta, a crise sanitária à escalada de preços, podemos sugerir que os tempos vindouros serão complicados, graças aos muitos ingredientes em forma de crise, quais sejam: política, financeira, hídrica, elétrica, além daquelas criadas cotidianamente pelo Presidente da República.