A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes.
George Bernard Shawn
Bolsonaro ainda ocupa a cadeira de presidente da República graças ao silêncio dos poderes adjacentes. Há uma pilha de pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados e um silêncio enervante da Suprema Corte que tem como lastro, frear o poder. Pode se entender que os poderes conferidos ao chefe de Estado são menores que os seus direitos. Bolsonaro já cometeu dezenas de crimes de responsabilidade, alguns deles, recorrentes; perambular pelo país incitando a desordem, ameaçar a democracia, fazer proselitismo religioso em rede estatal de televisão, chantagear e/ou bravatear a quem deveria arbitrar, como vem rotineiramente fazendo contra o Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), caso não haja voto impresso na próxima eleição, só para mencionar o exemplo. Bolsonaro flerta com o totalitarismo, que está a um passo de onde ele está no momento; o autoritário detém a última palavra, o totalitário, a única.
Já vivemos a atmosfera do golpe, e isso pode ser visto nas tantas interferências do presidente, em todos os organismos que atravanca seus intentos ou quiçá possa oferecer algum suposto benefício.
Um Golpe de Estado é impensado em democracias consolidadas, como, Estados Unidos e Inglaterra. Não há um termo em inglês para definir o golpe de estado, e os nativos emprestam do francês: “couple d’etat”. No Brasil, por não reunir condições geopolíticas favoráveis, qualquer tentativa de golpe, será rechaçada pela comunidade internacional.
O termo golpe é banalizado no Brasil desde 2016, durante a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando partidários da então presidente acusaram a oposição de aplicar, a despeito do rito respeitado em duas casas com a corroboração do Supremo Tribunal Federal, sempre às limpas.
Pequenos para as posições que lhes foram conferidas, o Deputado Arthur Lira não desonra apenas ao cargo, mas desonra o seu estado, Alagoas, desonra o Nordeste e ao Brasil, que esperam dele uma atitude digna. Avançar com o processo de impeachment, de longe não significa destituir o Presidente, mas é a abertura de processo, com direito a defesa do contraditório, como fora feito em duas oportunidades em nossa recente história pós-redemocratização. O Ministro Luiz Fux, que preside o STF, de quem se esperava que freasse o poder insano, lastreado pela Constituição Federal que lhe reserva o dever sagrado de guardar a constituição. Ou será que ambos não perceberam que estamos no limiar de um golpe de estado? Não posso eximir de qualquer responsabilidade, o Senador Rodrigo Pacheco, que tentou barrar a abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, mas graças ao bom desempenho do Ministro Barroso, que fez valer o que reza a CF/88 em seu artigo 58, a Comissão fora instalada, e é a única baliza que sustenta a abertura do processo de impeachment. Dali vem se descobrindo os responsáveis pelo descalabro que é o combate à pandemia, dali vem se descobrindo que a corrupção continua maçante em nosso país, e concomitantemente o Congresso Nacional altera ao seu bel prazer, a Lei da Improbidade, ipso facto, tratada, jocosamente e merecidamente como a “lei da impunidade”.
Para que o processo de impeachment seja próspero, faz se necessário que muitos dos que hoje apoiam o atual ocupante desembarquem do governo ou que renunciem do direito de apoiá-lo, pelo bem do povo, por mais que a coalizão lhes favoreça, pois o povo brasileiro está desguarnecido no pior momento de sua história contemporânea. Realço a carta de desabafo enviada do então vice-presidente Michel Temer a Dilma Rousseff. A carta era a senha para os seus aliados, assim como as entrevistas de Mourão as são. Mourão já não participa mais de reuniões e reconhece que não faz parte dos planos do presidente na próxima eleição. O que estão esperando? Como se diz no interior do Brasil, a boa oportunidade é um cavalo selado, e o cavalo selado passa por nós mais uma vez.
O impeachment, por ora, só não interessa a Lula, que tem no horizonte uma disputa contra o atual presidente, e só dele, teria reais condições de vencer. É hora de despertar, antes que acordemos ao sabor do toque da alvorada, trazidos pelo tenente rebelde, que mesmo que não prospere, deixará um rastro de ódio e sangue.
Enquanto choramos 500 mil mortos pela Covid-19, o desmando continua. Não se ouviu uma palavra de apoio advinda do comando da nação. Não temos um governo, temos uma camarilha formada na quinta-série. O ocupante da cadeira presidencial se desloca em comitiva para em pompa, inaugurar ponte de 18 m, no Amazonas; promove motoatas pelas principais cidades do Brasil com afluxos e sem o devido cumprimento do protocolo recomendado para conter a disseminação do novo coronavírus; promove medicamentos sem eficácia, enquanto o mundo já defenestrou o dito tratamento precoce, nomenclatura recentemente criada para definir um paliativo ante uma desgraça maior que é a mortandade do seu povo, agora, sob os auspícios do quarto ministro da saúde.
Não existe governo Bolsonaro, não somos governados por ninguém, não temos ministro da economia, se não um palpiteiro que agora, sugere reservar os restos para a classe abaixo; não temos Forças Armadas, temos uma trinca que no sentido brasileiríssimo da palavra, conota a reunião de meninos de má índole. São meninos de fardas e medalhas, não temos presidente, não temos primeira dama, logo não teremos um país!
Estamos a quinze meses da próxima eleição presidencial, e toda a celeuma que cerca o tema, leva à dicotomia Lula/Bolsonaro, mas engana se quem pensa que Bolsonaro está mesmo preocupado com Lula, ele se prepara para insurgir, vislumbrando o sucesso que seu ídolo Trump não alcançou, portanto, é preciso mais do que nunca, proteger as instituições para romper aos devaneios deste incapaz presidente.
Protestos de rua começam a espocar, mesmo no decorrer das medidas de distanciamento social, dando mostra de que o vírus não é mais letal que o misantropo presidente.
Enquanto a terceira via não vem, a simbiose bolsolulista, involuntariamente promove aquela pode ser a verdadeira e única via, através dos ataques cibernéticos da direita e dos ataques premeditados dos resíduos da esquerda outrora derrotada. Devemos nos atinar para atuar em duas frentes, o impeachment e a busca incessante por uma via legítima de oposição a essa junção malfadada que nos corrompe.
Parabéns, definição perfeita. 👋👋👋
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