BRASIL, UM PAÍS À DERIVA!

Instalada no Senado Federal, em 27 de abril de 2021, a CPI da Covid, estreou o rodízio de oitivas no dia 04 de maio, ouvindo o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. De lá para cá, ouviu se os outros dois ex-ministros da saúde, além do atual, Marcelo Queiroga. Tudo caprichosamente organizado para em ordem cronológica os envolvidos diretamente no Ministério da Saúde fossem inquiridos pelos Senadores. Secretários, representantes de laboratórios, colaboradores do governo, foram convocados como testemunhas, e nos trouxeram importantes informações, que em certa medida, indigna o cidadão brasileiro.

Houve recusa por 11 (onze) propostas de vacina, demora em dois meses para resposta de um e mail da pfizer, que ofereceu 70 milhões doses;  do Butantã, foram 60 milhões doses, totalizando um valor de 130 milhões de vacinas, suficiente para imunizar 65 milhões de brasileiros, somados os 10% já imunizados, estaríamos, hoje com 50% da população contemplativa ao Plano Nacional de Vacinação, devidamente imunizados, em uma honrosa condição de vanguarda, que nos traria nesse momento, um natural relaxamento no que concerne às medidas restritivas. Realço aqui, que a faixa que não contempla por ora o Plano Nacional de Imunização, de 0 a 17 anos, corresponde a 24,2% ou 51 milhões de brasileiros, a aproximadamente, dados do IBGE.

Mesmo que de forma individual, os inquiridos se confrontam em falas. Fechando o ciclo de três semanas de CPI, ouvindo os quatro ex-minsitros da Saúde, Secretário de Comunicação, o Sr. Carlos Murillo, representante da Pfizer no Brasil bem como a participação do Presidente do Butantã, Dimas Covas fica constatado que o Brasil largou atrasado na busca pela vacina, por mera liberalidade do Presidente da República e seus próceres, que na contramão do mundo, insistem em propagar medicamentos sem eficácia comprovada.

Enquanto o líder maior da nação açoda a campanha eleitoral, visando 2022, comemorando liberação de tráfego em ponte na divisa de Rondônia e o Acre, participando de passeio de motocicleta com seguidores fanáticos, inaugurando ponte de apenas 18 metros no Amazonas, além de sua contumaz arrogância contra os seus antagonistas, o Brasil caminha a passos largos para os 500 mil mortos de Covid-19.

No Rio de Janeiro em 22 de maio, 15 mil motociclistas acompanharam o Presidente, que trouxe para o seu palanque, o ex-Ministro  da Saúde, Gal. Pazuello, que infringiu o regulamento do Exército, ao participar ativamente de manifestação política; isso se deu, apenas quatro dias após, seu depoimento na CPI da Covid, onde foi abordado por não fazer uso  adequado de máscara de proteção em um shopping de Manaus/AM, no que se desculpou, prontamente,  mas Pazuello estava sem máscara, no Rio.

Diante de acontecimentos insólitos, espoucam pesquisas de intenção de votos, e elas apresentam o ex-presidente Lula, como o principal contraponto ao atual governo. Parcela substancial da população brasileira pleiteia por uma terceira via, uma via que seja única, que seja legítima. Lula deixou o poder em 2010, há 11 anos, a despeito de ter elegido sua apaniguada, Dilma Rousseff, Lula, era efetivamente aposentado dos cargos públicos, mas a obsessão de Bolsonaro, em invocar o seu fantasma, trouxe o de volta às trincheiras.

O STF, outrora chamado por Lula de “Suprema Corte completamente acovardada”, tem se apresentado em atos corajosos para defender a própria instituição, que ora permeado pela desconfiança daqueles que acompanham.  O teólogo petista, Leonardo Boff, cunhou a seguinte frase: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. A mesma corte que resgatou os direitos políticos de Lula votou pela suspeição de Moro, e agora anula a delação premiada de Sérgio Cabral, contando com o voto do Ministro que nela fora citado; Antônio Dias Toffoli, “o amigo do amigo do meu pai”.

Resumir o que o Brasil representa, no atual momento é uma tarefa árdua. Crise sanitária, crise financeira, que acompanhada de eterna crise política, transforma o país em um torvelinho de emoções.

Nossa democracia, ainda que jovem, tem se mostrado sólida, pois em qualquer ambiente desprovido de um sistema que garanta direito como no Brasil, os arroubos do Presidente da República passariam por reações que poderiam levar a cabo, prematuramente, o seu mandato, ou estaríamos assistindo um golpe com requintes de violência, mas não custa vigiar, pois o que estamos presenciando, é um governante que mede o terreno, aufere a temperatura, e sempre que possível dá um passo à frente, dando a nítida impressão de que há um golpe em curso.

Há na mesa do Deputado Arthur Lira (PP/AL), Presidente da Câmara dos Deputados, mais de uma centena de pedidos de impeachement, todos embasados nos mais de 20 crimes recorrentes de responsabilidade, mas o mais importante parlamentar da nação parece tocar violino diante de uma queda iminente. Em situação crítica de restrição de contato em obediência às diretrizes dos Estados e Municípios, há quem queira romper os ditames da OMS e sair às ruas pedindo a cabeça de Bolsonaro, enquanto os outros dois poderes fazem ouvidos moucos para a crise mutlinuclear instalada.

No sábado, 29 de maio, manifestantes de esquerda tomaram as principais vias de mais de 170 cidades em todos os Estados da Federação. No momento em que críticas acerca das aglomerações dos partidários do Presidente da República se exacerbam, os adeptos de Lula foram às ruas elevando gritos de ordem, pelo impeachment e por mais agilidade na vacinação. O fluxo de esquerdistas e/ou movimentos sociais surpreendeu e expôs ainda mais a fragilidade do atual governo, em uma polarização já consolidada. A somar os descontentes com as duas vertentes, o Governo Federal tem muito com o que se preocupar.

O Brasil está à deriva, o Capitão não conhece o mapa, a equipagem, aqui representada pelo Congresso Nacional, é omissa, a guarnição (STF) se ocupa apenas com os próprios interesses.

As informações adquiridas na CPI, já são suficientes para a sua fase final, sem sobressaltos, os convites para se ouvir governadores, podem em enfraquecer o ótimo trabalho, pois a CPI é para investigar apenas o Governo Federal, governadores devem se necessário ser investigados pelas Assembleias Legislativas, mesmo como testemunhas, podem tornar tênue o trabalho dos Senadores, por essa razão, faço coro às palavras do Excelentíssimo Presidente da República do Brasil: “Ô Omar Azziz, acaba logo com essa CPI, pelo amor de Deus!”.

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