Na última semana do ano, a voz do considerado pela Revista Forbes o 13º maior líder mundial em 2016, veio corroborar o que muitos cobram hoje do Governo Federal; maior empenho na imunização da população, enquanto mais de quarenta países no mundo já vacinam seu povo. Sérgio Moro, além de uma cobrança veemente, questionou sobre a existência de um presidente em Brasília.
O atual Ministro da Justiça e Segurança Pública, prontamente partiu para o ataque ao seu antecessor e ocupando espaço de defensor do chefe, se aproveitou para jactar de números frios com o intuito de desmerecer o antecessor, que deixara estrutura montada para o exercício de sua gestão. Ao se auto-elogiar, Mendoncinha ainda que inconscientemente, reconheceu o belíssimo trabalho do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, escolhido uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2016 ao lado do Papa Francisco e Marck Zuckemberg.
A internet é um campo minado, onde devemos pisar com muita diligência. A patrulha espontânea e acéfala pode surpreender o internauta com uma pitada de mau humor ou com níveis exacerbados da mais pura sordidez, dando margem para o recrudescimento da nova cultura do cancelamento. Um ambiente onde se tem usado para desinformar, usurpar até mesmo a dignidade daquele que fora escolhido para ser rival, transformando o em pária, sem temer o efeito deletério. Ao atacar Moro, o 10º líder mais influente do mundo pela revista Bloomberg em 2016, o atual ministro desmerece todas as conquistas da gestão anterior, mesmo não tendo autonomia para nomear o superintendente da Polícia Federal. Mendoncinha, o cabotino, assumiu a casa limpa, cenário perfeito para gozar dos números que apresentou em sua pantomima.
Questionado se teria capacidade para assumir a presidência da República, o então presidenciável, Jair Bolsonaro sugeriu em 2014, que lhe aplicasse a prova do Enem, junto de Lula e Dilma, se ele não se sobressaísse sobre os petistas, não seria digno do cargo: “Me coloque na mesma sala que Lula e Dllma e apliquem a prova do Enem. Se a minha nota for menor que a dos dois juntos, eu não tenho capacidade”. Já candidato, com boa margem de intenção de votos, Bolsonaro se declarou incapaz de conduzir o Governo Federal, portanto, nomearia Paulo Guedes para economia, que faria a transição para o liberalismo econômico, o astronauta Marcos Pontes era cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia e para a Justiça e/ou STF, um quadro com o perfil do então juiz Sérgio Moro, ganhador do Prêmio Notre Dame em 2017, láurea concedida a Jimmy Carter e Madre Teresa de Calcutá. Jamais poderíamos imaginar que dois anos depois, o único remanescente é o astronauta, mas hoje, um mero divulgador de medicamentos sem comprovada eficácia. No Ministério da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, que hoje ocupa a cadeira, tem como principal atribuição, ser “terrivelmente evangélico”, embora contrarie um importante dogma de sua profissão de fé, a de adorar um santo de barro.
Moro, Doutor Honoris Causa da Universidade de Notre Dame, em 2018, pelo exemplo de quem vive os valores e de que luta pela justiça sem medo ou a favor, é odiado por esquerdistas que viram seu líder ser condenado por corrupção, eleito a Pessoa do Ano pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em 2018, é odiado por extremista de direita por ter ofuscado o brilho do seu mito, que um dia se achou melhor que Lula e Dilma, mas que hoje flerta com o primeiro, para fugir exatamente daquele que catalisou votos para a sua candidatura, lastreada no combate à corrupção.
Ao assumir o cargo de Ministro da Jusitça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro, eleito em 2019, uma das 50 personalidades da década pelo jornal britânico Financial Times, ao lado de personalidades como Messi, Angela Merkel, Barack Obama e Bill Gates, fiou se em uma carta branca oferecida pelo recém-eleito Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. No limiar do mandato, fomos surpreendidos pelo peculato cometido pelo filho 01 do Presidente, o que culminou com o primeiro revés do então ministro – a retirada do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do MJSP – tirando do alcance da figura que parecia ter quebrado paradigmas no combate à corrupção. A partir de então, a história é conhecida, Moro fora atacado por hackers, tendo sua reputação posta à prova e mesmo abandonado à própria sorte, desempenhava com galhardia, o exercício de suas funções, até esbarrar mais uma vez no peculato aqui citado, em tempo; insisto em peculato, pois é o título genuíno que maldosamente fora reduzido pela eufemística “rachadinha”.
Enquanto estamos sem presidente em Brasília, às vésperas de um novo ano, a perspectiva não é a melhor, lamentavelmente. Sem um plano de imunização em massa, o ocupante do Palácio do Planalto vem negociando com o Centrão, fazendo campanha para Arthur Lira, atacando a imprensa, nomeando membros ou entusiastas do Partido que um dia por ele fora ridicularizado, zombando das vítimas da pandemia, e o que mais fez até aqui, traindo a quem lhe oferece as mãos. Bolsonaro não é somente um homem de baixo poder cognitivo, é um figura de caráter raso, um homem em quem não se pode confiar. Moro está certo, não tem presidente em Brasília, mas um palhaço, o Palhaço do Mal (Evil Clown), um especialista em humor negro.
Diante do cenário atual, dos atores que o ocupa, desejo a todos, um feliz ano novo; que em 2021 tenhamos inteligência necessária para derrubar o que é ruim e conviver com o que é apenas necessário!