Política é entendimento; muitos tratados, acordos e protocolos, se deram após um longo debate. Guerras e revoluções cessaram após rodadas de negociações. Portanto, o debate é contínuo entre todos os espectros, mas ganha holofotes em período eleitoral.
Em 2018, durante a eleição presidencial, os debates televisados em cadeia nacional, não contemplaram a presença do então candidato Jair Bolsonaro (PSL), que convalescia de um ferimento grave proporcionado por atentado à faca. Durante sua ausência, o candidato mais próximo de derrotá-lo em segundo turno, era Ciro Gomes (PDT), mas se abstraiu de discutir propostas e concentrar suas forças contra o então segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, o candidato Fernando Haddad (PT). Bolsonaro, percebendo o desprezo pelo embate, não participou dos demais debates, mesmo estando apto, inclusive oferecendo entrevista exclusiva no mesmo horário. O resultado nós conhecemos!
Na noite de 29 de setembro de 2020, em Cleveland (Ohio), Donald Trump e Joe Biden se encontraram para um debate, o primeiro de uma série. O tão esperado primeiro debate visando eleição presidencial, não alcançou as expectativas de republicanos e democratas. Trump, sempre agressivo nos combates políticos, em vários momentos fora acossado por Biden, que em alguns momentos abandonou sua modorrenta expressão para se defender, atacando o atual Presidente, como palhaço e o mandando calar a boca.
Temas importantes não faltam, mas os candidatos se limitaram a discutí-los superficialmente. Trump, hábil em transformar seu púlpito em picadeiro, parecia sentir o peso das últimas acusações de sonegação de impostos e contentou se com uma explicação requentada de que apresentará suas declarações após auditoria. Biden, de quem se esperava uma participação apática, defendeu se de seu oponente com muito brilhantismo, sobretudo, quando defendeu seu filho de insultos por conta de uso pregresso de drogas ilícitas.
É indisfarçável, o apelo que Donald Trump empreende sua campanha, atraindo torcedores ultras em todas as partes do mundo. Evidenciou se durante o debate ao nominar Biden como esquerdista extremo. É sabido que o conceito Direita/Esquerda não é apreciado nos EUA, mas a dicotomia Republicanos/Democratas , segue o mesmo diapasão no que concerne à economia, se desentendem nas pautas referentes aos costumes, portanto, pode haver democratas com viés liberal, além da conta, mas não é usual. A ponta esquerda dos Democratas é o Senador Bernie Sanders, enquanto a ponta direita do Partido Republicano é justamente, Donald J Trump, sempre lembrando que ambos sob o guarda chuva do liberalismo economômico.
O formato eleitoral norte americano não nos permite cravar uma vantagem efetiva nos valores das eleições vindouras. A eleição não é direta, e a votação não é obrigatória. Os votos conquistados nas urnas serão confirmados ou não pelo Colégio Eleitoral, que tem sua dimensão variante de estado para estado, conforme a população, tendo número de delegados maior ou menor. Haja vista, que na última eleição, a candidata Hillary Clinton venceu nas urnas, mas não teve corroborada a vitória entres os delegados, mesmo tendo 2,8 milhões de votos a mais que Donald Trump, atual presidente.
Qualquer predição quanto à eleição nos Estados Unidos, será vaga, pois ainda durante o pleito anterior, Trump fora mal avaliado em todos os debates que participou contra sua oponente, Hillary Clinton. Outra característica durante a campanha é avaliação paga pelos debates, em que expectadores, como pessoas comuns, assistem para avaliar ao final para o promotor do debate. No debate de 29 de setembro, todos os índices enaltecem Joe Biden, mesmo reconhecendo o baixo nível e pouco teor político.
No Brasil, a campanha eleitoral, no âmbito das eleições municipais, está oficialmente em curso desde 27 de setembro. Serão muitos os debates, e o mínimo que esperamos, é que as propostas sejam discutidas em detrimentos dos ataques pessoais e do discurso raso em defesa de suas respectivas ideologias.
O debate nos Estados unidos é um ótimo exemplo para os nossos políticos, que em intrincado sistema eleitoral pode inviabilizar o resultado popular, no Brasil, o sistema pode ser implacável para aos que negligenciarem a politica municipal em função da nacional.
Por fim, que prevaleça o desejo expressado pelo povo nas urnas!