Aqui jaz a Lava Jato!

A Operação Lava Jato surgiu em 2014, sob a égide do então Ministro Sérgio Moro; resumindo os feitos e as consecuções da operação por consequência das investigações, dezenas de políticos e empresários condenados, inclusive um ex- presidente da república que já degustou um ano e meio de cadeia; pode se atribuir também à Lava Jato, os avanços na prisão em segunda instância (derrubada à posteriori para livrar Lula da cadeia), ancorados pela Lei 12846/2013, Lei anticorrupção, sancionada pela ex-presidente Dilma Roussef em 2013, e claro, a deposição de Dilma, que veio na esteira dos fatos aqui elencados. A operação ganhou os holofotes do mundo, e um juiz até então desconhecido, se transformava erroneamente pelo povo, como herói nacional. Digo errôneo, pois ao juiz teço loas pelo brilhantismo apresentado como funcionário público federal, que apresentou um trabalho digno do reconhecimento até de seus adversários, não raramente, advogados caríssimos a serviço de corruptos contumazes. Moro, com firmeza e discrição – no início só respondia nos autos – publicizava cada ato da operação, despertando no povo, a atenção e a curiosidade de como era tratado o dinheiro público, o mesmo povo, jocosamente, fazia apostas, sobre em que fase da operação, seria preso este ou aquele elemento, digo, investigado; era um momento de cartasse para o fatigado povo brasileiro que já se habituara a conviver com a impunidade dos grandes malfeitores.

Moro, já criava sua horda de desafetos que empunhavam a Doutrina dos Frutos da Árvore Envenenada, que nasceu na Suprema Corte Norte Americana em 1920, com o propósito de mitigar provas ilícitas, o que se consolidou nos anos 40. Como exemplo, o telefonema da ex-presidente Dilma Roussef para o ex-presidente Lula, lhe garantindo o termo de posse, para que não fosse abordado pela Policia Federal, que estava iminentemente em seu encalço. A gravação em questão, já passara do tempo solicitado pelo então juiz Sérgio Moro, e poderia se aplicar a doutrina, mas três anos mais tarde, surgiu o famigerado site de fofocas, The Intercept e deu nó nos cérebros de juristas de todas as instâncias, ao apresentar mensagens roubadas no intento de salvar seus apaniguados e provocar a queda de Moro.

O pensamento utilitarista, difundido no século XVI por Jeremmy Brent e John Stuart Mill, na Inglaterra, consiste em fazer o bem ao maior número de pessoas, mesmo que afete a um número menor de pessoas. Há muitos exemplos, mas aqui escolho um para fácil entendimento. Imagine um motorista dirigindo em uma pista simples, a 80 km/h, uma criança atravessa a rua, da direita para a esquerda, caso o motorista desviasse para a direita, atingiria a um afluxo de pessoas em um ponto de ônibus. A tomada de decisão deve ser imediata, então o motorista optou em seguir em frente, atingindo a criança e salvando o aglomerado. O motorista deve ser punido por matar uma criança ou deve ser absolvido por salvar a vida de mais de uma dezena de pessoas que estavam aglomeradas? 

Entre a doutrina e o pensamento jurídico-filosófico, quem mais cometeu excessos? A operação Lava Jato ou os envolvidos?  Para um bom discernimento, a Operação Lava Jato, já em 2015, averiguou em todas as operações financeiras inerentes, o montante de 8 trilhões de reais, enquanto o PIB daquele ano era de 5,9 trilhões de reais, em cotação da época.

Passados seis anos desde a primeira fase da operação Lava Jato, o que mais se discute são os excessos do hoje ex-juiz Sérgio Moro, julguem se necessário for, mas com o mesmo rigor da lei em que Moro empreendeu em seus vinte e dois anos de magistratura, faço saber que não sou do direito, mas me permiti, com toda vênia, imergir na seara,  para que o defendamos dos  quem teimam  imputar má fama, sobretudo após sair do atual governo, para onde havia sido içado como Ministro da Justiça e Segurança Pública.

Em um tempo não muito distante, o brasileiro médio, escalava a seleção brasileira de futebol, mesmo não sendo época de Copa do Mundo; nos dias atuais, o brasileiro médio é capaz de escalar o escrete da maior instância jurídica da nação, os poderosos ministros do STF ou mais informalmente, os ministros do supremo. Ouço muitos questionamentos e confesso não saber responder, se este ou aquele ministro é bom ou ruim. Para tanto, tenho uma resposta padrão, “juiz não deve ser bom, juiz, deve ser justo”.

O desmanche da Operação Lava Jato, se dá em um momento, em que os aspirantes à Ministro do Supremo Tribunal Federal, bajulam o Presidente com decisões controversas, por falta de decisões, ou teratologia, como decretar prisão domiciliar a quem estava foragida.

 Nunca uma vaga para o mais alto posto da magistratura, foi tão cara, mas no balcão de Bolsonaro, quem paga essa conta é o povo, cansado e iludido de que a impunidade não seria mais chamada nos noticiários do Brasil, mas a manutenção de uma narrativa vale mais que a honra de um homem que trocara a magistratura e a estabilidade que lhe acompanhavam, por um governo então promissor. Moro, agora é apenas um homem comum, que cumpre quarentena competente, que escreve seus brilhantes artigos, mas que fora atirado ao ambiente imbecilizado da internet, tendo sua reputação sendo exposta à prova.

Os assassinos de reputação se uniram contra a maior revelação e postulante da terceira via ao cargo de Presidente da República em 2022, mas isso é feito de maneira vaga, ou se apoia Bolsonaro incondicionalmente ou a esquerda volta. De certo, apenas o movimento desvairado no tabuleiro do governo, que não enfrenta a guerra contra a pandemia – pasmem! Mesmo tendo como ministro da saúde, um General do Exército, em uma continuada interinidade – o Presidente da República que ainda conta com bom capital político, mas este lastreado pelo auxílio “nada” emergencial, outrora proposto pelo presidente, de apenas duzentos reais, mas graças a acordos costurados com a oposição chegou se ao valor de seiscentos reais, causando furor até mesmo aos mais ferrenhos críticos do Governo Federal, portanto, é questão de tempo, pois o dinheiro, seja de que lado venha ou para que lado, vai, um dia acaba!

Bolsonaro afunda seu governo, e com suas peças periféricas, tenta puxar seus potenciais adversários para o mesmo lodaçal, Moro parece ter aceitado o desafio e, pedindo para que não embarquemos no mesmo discurso de ódio dos extremos, que simplesmente apoiemos o combate à corrupção. E eu acrescento: que a paixão política não nos cegue a ponto de não nos permitir enxergar os buracos provocados pela má governança.

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