Em 23 de março de 2020, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardem, assinou decreto determinando prazo de 48 horas para o cumprimento de quarentena, exceto aos trabalhadores essenciais. O decreto, à priori seria de apenas quatro semanas, mas com o avanço do novo coronavírus no mundo, Jacinda estendeu o isolamento, até que as infecções e mortes cessassem, chegando a 7 semanas. Importante mencionar que durante o período de combate ao vírus, não houve lobby para qualquer placebo, não houve crise com seus ministros; o ministro da saúde é o mesmo que estava quando do início da pandemia, a primeira-ministra não o substituiu, mesmo tendo ele quebrado a quarentena ao visitar uma praia a 20 km de onde reside. David Clarke se redimiu, admitindo ser um “idiota, e que teria decepcionado o time”. Clarke colocou seu cargo a disposição, mas ele fora mantido por Jacinda, assegurando o foco estritamente à guerra contra o novo coronavírus, utilizando se de expedientes eficazes como quarentena rigorosa e prematura, fechamento das fronteiras, testagem em massa e rastreamento de contatos.
Jacinda atraíra a ribalta em 2017, ano em que assumiu a liderança de seu país, participou ativamente das reuniões da ONU, com sua filha de apenas três meses. Secundada pelo marido, então noivo, Clarke Gayford, foram flagrados por parte da comitiva japonesa, trocando fraldas em um ambiente sisudo e extraordinário.
Taxação de grandes fortunas, liberalização do aborto e união homoafetiva, são algumas das pautas da agenda de Jacinda Ardem, que se autodenomina progressista de centro esquerda e é membro do Partido Trabalhista neo-zelandês , desde 2008.
Em março de 2019, na cidade de Christchurch, um supremacista branco, xenófobo e intolerante, investiu armado contra um grupo de muçulmanos que faziam suas preces em uma mesquita, alvejando 51 vítimas. Jacinda, imediatamente solicitou aos meios de comunicação que o nome do terrorista não fosse divulgado e que interrompessem imediatamente a propagação de imagens do autor, com o propósito de não publicizar o ato e não estimular outros do mesmo diapasão. Jacinda Arden criou um grupo pluripartidário para visitar todas as famílias das vítimas, empreitada cumprida com sucesso.
No Brasil, somente para efeito de comparação, cito a mais distante e importante comunidade insular, a ilha de Fernando de Noronha, com 3016 habitantes, que eliminou o vírus, mas em menos de uma semana após o anúncio, um avião aterrissou em solo noronhense, com 32 servidores públicos, vindo do Recife, dos quais, 12 testaram positivo para Covid-19, o que nos mostra que o discurso de país menor, população pequena e baixa densidade demográfica, podem até colaborar, mas a firmeza de um líder é mandatória no combate a um inimigo invisível.
Jacinda é uma política moderna, de hábitos simples, e que pode inspirar não somente nossos políticos, mas a todos os brasileiros que travam uma guerra sem despojos. A sensibilidade, a rápida tomada de decisão, conscientização, persuasão e respeito aos diferentes fazem de Jacinda um exemplo a ser seguido.
Outras mulheres merecem destaque nesse período, a primeira ministra da Islândia, katrin Jakobsdóttir (esquerda verde) e a primeira-ministra da Noruega Erna Solberg (partido conservador) completam a tríade de grandes mulheres em tempos de pandemia, mas a minha homenagem de hoje vai para Jacinda, mesmo que me questionem, “ah!!! Mas ela é de esquerda!”
Max Miguel